Sempre receei fazer qualquer comentário ou crítica a respeito desse filme. Isso devido ser um filme que se deixa assistir com prazer e eu não conseguir encontrar as palavras certas que expliquem como isso se dê.

Mais que um comentário então o que escreverei serão algumas observações. Noto que algo que incomoda certas pessoas é o fato dos animais reais falarem na mesma língua dos humanos e estes ouvirem apenas grunhidos, cacarejos, latidos, miados, etc. Em suma, fixamo-nos em não aceitar a premissa básica do filme: Os truques e efeitos especiais que dão naturalidade ao que ocorre, são feitos para fazer com que aceitemos que os animais falam entre si numa língua inteligível a quem assiste. Como querer então que não entendamos os humanos. O ponto de escuta de nós que assistimos, vagueia entre aqueles vindo dos humanos e o outro, oriundo dos animais da fazenda. É só aceitar essa premissa. Feito isso mergulhamos em uma magnífica fábula. 
A realização do filme, que dista hoje 12 anos, faz-nos ainda pensar nas maravilhosas proezas técnicas utilizadas para dar “vida” aos personagens animais (não sei quanto tempo de produção teve a obra).

Um dos acertos desse filme australiano foi a trilha sonora. A abertura onde ouvimos Saint-Saens, permite que sejamos colocados no mundo de um casal solitário que habita uma pequena fazenda no coração de um vale verdejante em plena Austrália. Esse ambiente visualmente lúdico permanecerá por todo filme.
É inteligente a idéia de se debater a mobilidade social e a posição de cada um dentro da sociedade. Os animais tidos como “sem função”, ou seja, aqueles que só tem valor quando descartados, como fonte de alimentos, teriam o direito de almejar algo melhor para si. O pato Ferdinand percebe que só poderá sobreviver ao natal, ao tornar-se indispensável na fazenda. É justo que queira tomar o lugar do Galo, que no seu entender serve como “despertador” do fazendeiro. E tal justifica plenamente o seu pedido de ajuda ao porquinho para eliminar o aparelho mecânico que sela em seu entender o seu “fim”.
O filme também escapa de cair na afetação. Isso foi evitado através da construção de diálogos ágeis e inteligentes e pelos atores que emprestam sua voz, dando-se por inteiro na construção de personagens factíveis. Não deixa de ser uma personagem “maquiavélico” no melhor estilo Orson Wells, a gata, que se julga estar acima de todos.

Outro acerto do filme foi de manter Babe sempre pequeno e gracioso. Assim ao quebrar a lei da passagem do tempo, é permitido ao espectador se identificar mais com seu protagonista.
Os cães pastores tiveram uma ninhada. Quando os pequenos são vendidos, a fêmea se sente saudosa e fragilizada. Assim ela permite que “Babe” preencha o vácuo deixado, em o ensinando o cotidiano da fazenda. Só que Babe será um móvel de mudanças ao seu redor. Ele que não viu mãe, tem acesso a todos os animais, e os ouve e procura os compreender, bem como aos humanos. Esse ouvir e compreender ao outro é que permitirá a Babe ultrapassar as barreiras ao qual estava fadado. O fazendeiro (James Cromwell fantástico – indicado ao oscar de coadjuvante) percebe de certa forma que algo difere do naturalmente visto. Será tido como louco, mas a sua teimosia, permitirá que a paz venha a reinar aonde vive. O triunfo de Babe é a vitória da tolerância. Um grande filme, que merece ser melhor avaliado.

Escrito em 21/01/2008 por Conde Fouá Anderaos

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