Adoptado do romance homônimo de Freida McFadden, que vendeu mais de um milhão de exemplares na França, “A Empregada” ( The Housemaid ) não ...
Adoptado do romance homônimo de Freida McFadden, que vendeu mais de um milhão de exemplares na França, “A Empregada” (The Housemaid) não deve ter dificuldade em encontrar seu público. E, sem dúvidas, é uma surpresa bastante positiva para quem teve contato com boa parte dos filmes anteriores de Paul Feig
Por isso mesmo, aliás, pode confundir os fãs da obra do diretor, que é conhecido principalmente por suas comédias malucas com personagens femininas, como “Missão Madrinha de Casamento”, “A Espiã Que Sabia de Menos” ou o remake feminino de “Caça-Fantasmas”.
Embora aqui as mulheres continuem a ter um papel de destaque, é evidente que se aproxima mais de um thriller psicológico à la David Fincher do que de uma comédia adolescente. Esse tratamento de temas mais complexos é algo que Feig já havia começado a arriscar um pouco em "Um Pequeno Favor". Dessa vez, Paul Feig parece dar mais um passo fora de sua zona de conforto.
Em alguns aspectos, ainda se percebe o diretor de comédias por trás desse tenso suspense. Notadamente nos personagens escritos com traços caricatos, como o da burguesa dos subúrbios residenciais, interpretada por Amanda Seyfried, que às vezes parece estar fora de controle, ou seu marido, interpretado por Brandon Sklenar, que soa como um alienígena de tão pouco verissímil com qualquer homem. Uma falta de sutileza que se encontra um pouco por toda parte e que muitas vezes estraga as reviravoltas e revelações.
Com seus prós e contras, acaba sendo um bom um thriller pós-#metoo sem suspense, mas que trata bem seus temas. “A Empregada” nos fala sobre o lugar da mulher na sociedade e na família, evitando alguns clichês do gênero e o mito da solidariedade feminina contra o patriarcado. Neste universo onde todos têm algo a esconder e precisam lutar com unhas e DENTES para conseguir o que desejam, é cada um por si e Deus por todos. No fim da história, não se sabe quem é mais perturbado. Talvez sejamos todos.

