quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Adeus, Meninos (Au Revoir, Les Enfants) (1987)




Uma mãe e seu filho em uma estação de trem. Eles despedem-se. Notas de um piano triste enlevam a paisagem; o que se vê não é o lado de fora da janela, tampouco o que ficou para trás, mas sim as feições do garoto desolado pela separação. Vemo-lo, aprisionado atrás do vidro, observando tristemente. É uma partida.  Mãos dizem adeus, mas as bocas calam-se. Os olhos se enchem. O coração aperta. É uma despedida cruel, inevitável como a guerra que estava por emergir.

No colégio interno para o qual o garoto é mandado temos uma visão clara do desenvolvimento psicológico dele e de alguns outros alunos. A guerra, particularmente, não fez tormenta ali no internato rico. É, antes, na verdade um grande subterfúgio para justificar certos eventos que se passarão adiante no filme.

Ora, o que nos comove não é o que há de geral, mas sim apreciar o prosaico em cena, os hábitos detalhadamente, seus deveres na sala, as conversas de garotos, o cotidiano, seus pequenos gigantes dilemas (pequeno, sempre, para quem não sofre), enfim, seus desenvolvimentos. Mas, diante dos fatos e eventos, o que se dá? Um amadurecimento ou embrutecimento? Poder-se-ia, sem sombra de dúvidas, defender uma certa filosofia de Jean Jacques Rousseau. Quer queira, quer não, há uma corrupção, evidentemente. E o garoto que entra desamparado no trem já não é o mesmo ao cabo.

Penso ser impossível que um roteirista atinja tamanha perspicácia no fluxo dos diálogos e acontecimentos dos meninos; porque tudo nesse universo das falas e feitos é absolutamente realista, fazendo-nos imergir na história e – se uma mosca nos distrair – passamos imediatamente a crer que tudo aquilo ali está de fato acontecendo em tempo real. É, portanto, inegável o caráter autobiográfico do filme, arrisco-me sem medo, a dizer que cada bilhete repassado, cada conta de álgebra, cada árdua tarefa e ave Maria rezada foram REALMENTE realizadas no pretérito do diretor.


 E o louvor do diretor Louis Malle está, em primeiro lugar, em rememorar obsessivamente a infância. Se há delicadeza ou sensibilidade na história, certamente não é pelas técnicas visuais ou narrativas, por closes brilhantes nas faces ou músicas grandiloquentes, mas pela própria história em si mesma, que é aquilo mesmo que é. E por isso é bela. E é arte. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A Mosca (1986)



Existem filmes que ficam pouco tempo em nossas cabeças. Mesmo quando são bem realizados, algumas dessas obras se tornam apenas lembranças ordinárias em meio à caótica repetição e reprodução cinematográfica no modo se fazer cinema dos tempos atuais. Tornam-se, assim, meros fragmentos de imagens que lembramos vagamente de ter assistido algum dia. Não raro, lembramo-nos menos do filme em si que da impressão que nos causou: - "ah, já assisti esse! Não me lembro bem do que acontece, mas lembro que era até que bom..." - quem nunca sentiu algo parecido que me atire a primeira pedra. Em contrapartida, alguns poucos filmes parecem ser carregados de uma proteção anti-esquecimento. Filmes esses, que inevitavelmente marcam nossas vidas para sempre. Seja pela carga dramática, seja pelas cenas grotescas, A mosca (The fly) do diretor David Cronenberg é um desses casos.

Cronenberg é um cara estranho. Amante do conhecimento técnico-científico e, ao mesmo tempo, das artes literárias, sempre se interessou pelas áreas mais diversas do saber humano e chegou mesmo a cursá-las ambas (Ciência e Arte) na faculdade, terminando sua formação apenas na segunda, a qual se reflete de modo bem claro em filmes que inspiram-se em obras literárias. Partindo de tais obras, o diretor muitas vezes as adapta, reinventa, revira-as de cabeça pra baixo; É o que acontece em Naked Lunch "adaptação" do livro homônimo de William Burroughs (Reparem que me recuso categoricamente a chamar o filme pelo título que lhe deram em português, a saber, Mistérios e Paixões, vai entender o que se passa na cabeça dos tradutores de títulos...), obra na qual os devaneios do escritor são subvertidos para a tela com uma engenhosidade assombrosa.

A Mosca, ao lado de Naked Lunch talvez seja sua obra mais sincera, uma vez que usa de muito conhecimento científico, afinal, apesar de bizarra, não deixa de ser uma ficção científica, mas sem jamais abrir mão de seu conhecimento literário; referência a Kafka é uma constante em quase todos seus filmes. E aqui a referência à Metamorfose é indisfarçável. Nessa refilmagem do filme A Mosca da Cabeça Branca, de 1958, Cronenberg apresenta uma visão dilemática da relação entre uma jovem jornalista ambiciosa, Verônica (Geena Davis), e um exímio cientista, Seth Brundle (Jeff Goldblum), que conseguira criar uma máquina de teletransporte. Contudo, ao testá-la, consigo mesmo como cobaia, acidentalmente recombina seu DNA com o de uma mosca. Assim, aos poucos começa a mudar incessantemente, e à medida que suas transformações físicas vão se acentuando a forma como os outros se relacionam com Seth, inclusive Verônica, também muda.

Mas por que bem uma mosca, pode-se perguntar. Já vi muitas pessoas que sentem afeição por baratas, ratos, mas moscas? Um poeta disse certa vez que o único propósito de uma mosca é não ter propósito. Ficam ali zumbindo um barulho insuportável. Elas são oportunistas. Tomam nossas sopas. E têm uma agilidade, um esquivo, dignos de ganhar um Oscar, se houvesse uma categoria desse tipo. Então, por que diabos o diretor canadense escolheu justamente uma mosca?

Em certa entrevista, Cronenberg fez uma analogia entre o que é mostrado em um filme e a realidade fora dele. Disse ele que ao se fazer uma comédia com uma pessoa escorregando em uma casca de banana não se pode mostrar a realidade, a qual poderia envolver fraturas cranianas e espinhas quebradas, deve-se fazer o que for apropriado para o filme, no caso, apenas o efeito cômico da queda e não suas consequências reais. Ora, sendo assim podemos concluir que o efeito que o diretor quer é exatamente o oposto do riso, já que o que mais se vê em seus filmes são tripas escorrendo, artrópodes asquerosos e mutações genéticas sinistras. E nesse sentido, o terror que a mistura da realidade com a fantasia proporciona é algo inevitável.

Não se trata, contudo, de um simples filme de terror propriamente dito. É irônico ver que o que de fato assusta não são as cenas escatológicas, mas sim o quão repugnantes são princípios sobre os quais se fundam certas relações sociais. Mais do que imagens difíceis de se esquecer, o filme nos fornece uma boa lembrança de como o mundo sensível importa. No fim das contas, Cronenberg que somos mesmo de carne e osso. Há coisas repulsivas aos olhos, de tão feias. Há zumbidos irritantes. Há coisas que cheiram mal. Entre pêlos, vísceras, vômito, torna-se cada vez mais difícil manter a humanidade quando todos à sua volta o tratam como mosca. E isso não porque o que importa é o que se é por dentro, não é aquela velha história de que no fundo há algo de bom e belo, enquanto por fora o que se vê é apenas um monstro, mas porque não se deve cair nesse dualismo barato entre o mundo corpóreo de fora e as bondades dentro do coração.

É como se Cronenberg quisesse dizer: quando se age e se pensa como uma mosca é porque já se tornou uma. E de moscas o mundo está cheio!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Coringa (2019) - Crítica





Desde que surgiu nas páginas em quadrinhos em 1940, juntamente como sendo o primeiro antagonista masculino do Homem Morcego, vários atores se prestaram a viver tal personagem. A guisa de curiosidade cabe lembrar que seus criadores se inspiraram na figura criada por Conrad Veidt, quando viveu Gwynplaine na transposição para o cinema do romance O Homem que ri de Victor Hugo. Filme de 1928. Um dos últimos e melhores filmes da era silenciosa do cinema. Nas primeiras histórias o Coringa era um psicopata, mas o Código Moral pós Guerra o levou a ser vivificado como um palhaço excitado (a versão circense que foi a tv na década de 60, transformou todos os loucos que enfrentavam Batman, bem como o próprio, em figuras cômicas-espalhafatosas). Ainda assim aquela leitura marca uma época e a série televisiva deixa seu recado e pontua seu nome na história de forma honrosa. O personagem retorna com a releitura de Tim Burton levada aos cinemas, contando no seu elenco com nada mais, nada menos, que Jack Nicholson, que parecia possuir o timing perfeito para encarnar o Coringa, trazendo em seu semblante a própria personificação do personagem querida e desejada por muitos. No filme o personagem surge após a traição de seu chefe gangster. Jack Napier transforma-se no Coringa após mergulhar em resíduos industriais. Ele aprecia ser um yuppie e opõe-se aos ricos tradicionais.
Nolan posteriormente dirigirá a releitura de Batman, seguindo mais ou menos a releitura feita por Frank Miller. Christopher Nolan acertará a mão no início, justamente por se deixar levar pelo espírito trazido pela acertada recriação de Miller (Batman Ano 1), em Batman Beggins. Infelizmente o diretor parece ter mergulhado em resíduos industriais, ao invés do Coringa e erra a mão em Batman – O Cavaleiro das Trevas, levando os personagens a um poço sem fundo. Exagera. Pior que o histriônico do roteiro e da direção encontrou acolhida num público cada vez menos seletivo que não percebe que não é o Coringa que simplesmente quer matar o Batman e tudo o que ele representa. Nolan cria um Coringa que é seu alter ego. O coringa torna-se um Cavaleiro do Apocalipse que quer aniquilar todo o legado de Bob Kane e Bill Finger. Não surpreende que Ledger tenha morrido em decorrência disso. Ator sensível de grande talento, teve de recorrer a remédios, para se recuperar do que lhe foi imposto pelo diretor que conduziu um personagem clássico a uma auto implosão. O resultado todos já sabem, mas o povo incauto não percebeu que essa releitura foi burra. Nem tentaram resgatar o personagem com Jared Leto. Seria uma missão suicida, como bem nos alertava a criação vinda das histórias em quadrinhos.
Tod Phillips e Phoenix fizera o que puderam. E surpreendentemente foram felizes. Felizes por serem sensatos. Era preciso ressurgir da cinzas e para isso deixar o fio condutor da história nas mãos de um narrador em quem não pudéssemos confiar: Arthur Fleck. Ou seja, tudo o que veremos é fruto da subjetividade dele. Como ele sofre de graves transtornos mentais, que o leva a fugas psicóticas, sabemos que muito que nós é mostrado, pode não ter ocorrido. E dessa forma encontramos uma guarida no meio do deserto do nada em que foi jogado o todo o legado de Kane/Finger, por Nolan. A inteligência de Phillips é tamanha que a o deixar que um louco (cuja psicopatia difere da do Coringa de Ledger, por não ser rasa e sem recheio, mas sim por nos mostrar um Joker frágil e forte ao mesmo tempo, humano e com várias dimensões e incertezas, buscando compreender-se e ao mundo que o cerca)) conduzir a trama, os enormes buracos deixados pelos filme anterior podem ser dimensionados e consertados. Era preciso fazer o Coringa ressurgir das cinzas e o diretor e sua equipe trabalharão com um reflexo de histórias já conhecidas por todos. Um reflexo distorcido as vezes, mas que ao menos traz um segurança. Então se o legado da origem proposta pela tradição não é seguido, (ou é), lembremos que tudo é visto através dos pontos de vista de um louco. E assim raças a um ator fantástico em pleno gozo de suas potencialidades, uma criatura patética com um corpo longilíneo deslocado, arrasta um rosto de truão triste num inferno urbano que não dá motivos para nenhuma alegria. Um cavaleiro que sonha com sua Dulcinéia e a persegue (a vizinha), vive com a mãe esquálida e paralítica, sonha-se talentoso, num dédalo que se repete todo dia sem mostrar uma saída possível, sem um motivo para sorrir. Repetidamente humilhado e espancado (a falta de uma política de inclusão e o pior da humanidade o escolheu como vítima) até que um dia ele se revolta e junta os cacos para se tornar algo diferente.  Como eu disse anteriormente, para ressurgir era preciso dar a todos nós um ponto de apoio, contar uma história já sabida, dentro de um cenário conhecido. Um cenário de destruição e reconstrução, de lixo e de luxo, de erro e de acerto em segundo plano. São fortes as influências de Scorsese, no que ele tem de pior (Táxi Driver) e de melhor (O Rei da Comédia). O filme se situa na década de 80. A loucura do personagem de De Niro em Táxi Driver era a mesma em que Nolan sepultou o Coringa. Uma espiral de violência sem sentido. O homem levado ao estado puramente instintivo, num sentimento de alienação, instabilidade mental, falta de amor e nada a dizer. Em O Rei da Comédia ocorre o oposto. O personagem é psicótico, mas tem sonhos de serenidade.
 O Coringa é um filme de origens. Era preciso isso depois da aniquilação. O que se prepara é o assentar de um cenário para que tudo o anteriormente erigido que foi destruído retorne. Coloque tudo isso num mundo muito próximo ao nosso, em que a ideia de supremacia domine, deixando-se os desvalidos largados a própria sorte, num processo de seleção natural onde o mais forte sobreviverá. Temos assim uma cidade largada a si própria, sem coleta de lixo, sem assistência social e médica. Retoma-se o espírito trazido por um processo de globalização que visa a derrocada de barreiras, não com o intuito de abraçar e proteger a todos, mas sim de desentocar, trazer a luz, para melhor aniquilar e sepultar. É nesse cenário, bem perto do que vivemos com a eleição de Trump e suas respectivas cópias no resto do mundo, que o diretor situou a necessidade de ressurreição.

Escrito por Conde Fouá Anderaos

Batismo de Sangue (2006) - Crítica


Sei que muitos irão torcer o nariz para o que irei escrever abaixo. Outros também irão distorcer o sentido que quero dar a algumas frases. As idéias correm sempre o risco de serem manipuladas, ou mal interpretadas.
Relatar os anos de chumbo no Brasil é importante. Contudo ter todo o cuidado para se relatar isso é função importante. O filme de Ratton me incomoda. Incomoda na realidade de duas formas: Pelo que relata e pela forma com que fez com que o relatado soasse falso, caricato, deslocado em muitos momentos.
Sei que o filme é baseado em escritos de um dos seus protagonistas: Frei Betto. Curiosamente foi o único dos quatro protagonistas que escapou das sessões de torturas chefiadas pelo Papa( ironicamente uma alcunha que serve bem ao propósito dos que se julgam acima dos demais e acreditam poder fazer uso desses para suas satisfações pessoais). Ora em termo do que conta, o que ocorria na época com os que eram presos, choca e incomoda. Sou contra a tortura em qualquer circunstância. Não importa quem seja o alvo dela. A história que é relatada prende a atenção. Excetuando-se a excelente fotografia, no entanto, o que vemos na tela de bom é mais mérito do livro, do que de Ratton. O diretor não conseguiu dotar sua narrativa da veracidade necessária. Soa falso o que vemos; forçado mesmo. Não consigo enxergar culpa do elenco nisso, ainda que muitos critiquem Cássio Gabus Mendes (o Papa – Sérgio Paranhos Fleury) e os torturadores por soarem caricatos. Aliás, acho boa a escolha do elenco. O que me perturba é a mise en scène. Poder-se-ia ter diminuído com hiatos, vazios, sugestões, as diversas cenas de torturas (próxima do real – o real jamais pode ser alcançado). Tal insistência mais do que chocar, acaba destituindo de profundidade o que se queria denunciar. Quem viu “O labirinto do fauno” não se esquece da cena em que o Capitão Vidal reduz a face de um camponês a um monte de carne disforme matando-o. Tal cena não dura mais do que míseros segundos, mas segue incomodando o tempo todo. Talvez as cenas de torturas causassem maior impacto se ficassem restritas as lembranças de Tito. Soltas, curtas, valorizadas ao invés de exaustivamente longas.
O filme tenta provar que Tito não teria se suicidado. O ato seria uma forma de resistência a incômoda presença do Papa em sua mente. Tal, no entanto, não encontra resguardo na própria fé que os frades professam. Tal ato é condenado pela instituição a que servem. Se a justiça é justa, ela não permite de exceções. 
Os dominicanos também não conseguem justificar em nenhum momento o defender a luta armada. A aliança com a ALN carece de coerência. A Igreja mostra-se mais podre e oca do que de costume. Faltou mostrar as forças eclesiásticas que compactuavam com o Governo de então. O monsenhor que surge admoestando os freis que se queixam que foram torturados é prova viva disso. Seria ele o único?

O filme peca também ao mostrar ser parcial. Justo que se mostrem os excessos da autoridade. Mas não existiam excessos também praticados por aqueles que pregavam outro governo? Não quero com isso esvaziar a denuncia a tortura. Cabe ela ser a vilã maior da história. Em época em que se promove um Capitão torturador a Coronel (Nascimento de Tropa de Elite), fica-se a preocupação de que talvez esse mal esteja sendo arraigado a nossa civilização como algo necessário. Estamos realmente na barbárie ou somos dignos de nos considerarmos povo civilizado? Lembrar os excessos do passado é sempre bem vindo. Desde que seja para não louvá-los. Faltou a Ratton dar, sobretudo a tortura, o desprezo que ela merece. E esse objetivo ele não atingiu. Também faltou um melhor aprofundamento do que motivava realmente esses agentes do estado. Até hoje filme nenhum se dignou a explicar. Nem o autor do livro no qual a obra foi inspirado, pois ele afirmou: “Toda vez que alguém viola o ser humano, violenta, oprime, está realizando o ateísmo militante.” Classificar como ateus quem tortura é rídiculo, pois todos sabem o que ocorria no Tribunal da Santa Inquisição. Aliás, não seriam muito desses agentes semelhantes aquela velhinha que aguardava João Huss ser queimado e viu um pequeno toco de madeira rolar para longe do amontoado de madeira que serviria para arder a vítima. Ela corre para devolvê-lo ao monte e finda a missão faz o sinal da cruz satisfeita por ter contribuído para a causa de Deus. Huss balançou a cabeça como a dizer: Santa Ignorância. Lembre-se Frei Betto que o Monsenhor também profanou esse templo vivo ao coadunar com o que ocorria. E todo aquele que prega a luta armada, seja ela justa ou não. Já é tempo de conhecer o passado, para não repetir seus erros no presente. E que aqueles que foram vítimas da tortura não tenham tido seus corações tomado pelo fel. Trabalhem para que esse mal jamais volte a se instalar, ao menos institucionalmente, no solo pátrio.

Escrito por Conde Fouá Anderaos, em 18/12/2010