terça-feira, 24 de março de 2020

10 Filmaços para ver agora na Netflix – Março/2020

No dia de hoje (24), como uma fênix renascendo das cinzas, O Mundo dos Cinéfilos protagoniza um novo momento de sua história. Além da retomada das atividades e da inauguração de uma nova equipe de editores, anunciamos nossa mais nova e ilustre parceria, da qual a seguinte lista é o primeiro fruto. É fato que grandes poderes acarretam grandes responsabilidades, afinal, não se trata de tarefa simples reproduzir e resumir esse inimitável trabalho do CurtaCena (confira o canal clicando aqui), cujo inestimável conteúdo recomendamos desde já!

Sabemos bem que a escolha do que assistir se tornou uma verdadeira odisseia nos catálogos. E isso por várias razões. O engano das aparências, que fazem os filmes parecerem algo muito distinto do que quando se assiste; a grande multiplicidade de opções que tornam a escolha cada vez mais difícil e, ao mesmo tempo, uma paradoxal impressão de que o catálogo está saturado e não há mais quase nada que valha o tempo. Por isso, diversos dados já indicam que se gasta mais tempo na escolha, no catálogo da Netflix, que na própria apreciação dos filmes.


Sabendo disso, queremos amenizar seu sofrimento com indicações as quais muito provavelmente valerão cada minuto do seu tempo. Que tal nos dar uma chance?



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10 – O Grande Gatsby (The Great Gatsby, 2013) Fascinado pelo rico e misterioso Jay Gatsby, o vizinho Nick Carraway é testemunha de seu amor obsessivo e de sua jornada até um destino trágico.



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9 – Negação (Denial, 2016) Uma historiadora tem que provar no tribunal que o Holocausto aconteceu depois de ser acusada de difamação por um homem famoso por negar isso. Drama baseado em fatos reais.



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8 – Frida (2002) Este filme vencedor do Oscar aborda o relacionamento da pintora mexicana com o marido e sua controversa reputação política e sexual.


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7 – Cinema, Aspirina e Urubus (2005) - Para se distanciar da Segunda Guerra Mundial, um jovem alemão se muda para o Brasil e conhece um mochileiro que também tem seus motivos para viver na estrada.


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6 – Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2015) Um homem solitário encara a culpa e as lembranças do seu passado quando tem que voltar à sua cidade para cuidar do sobrinho de 16 anos.



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5 – Um Contratempo (Contratiempo, 2016) Após acordar ao lado de sua amante assassinada em um quarto de hotel, um empresário contrata uma advogada para descobrir como ele acabou sendo suspeito de um homicídio.



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4 – Garota Exemplar (Gone Girl, 2014) Com seu casamento em ruínas, Nick chega em casa um dia e descobre que sua esposa desapareceu. E quando a polícia pressiona, verdades chocantes vêm à tona.



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3 – Corra! (Get Out, 2017) Um jovem negro viaja com a namorada branca para conhecer seus pais. Mas o que parece simpatia e hospitalidade esconde um segredo sinistro.



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2 – Um Dia Difícil (2014) - Depois de atropelar e matar uma pessoa, um detetive esconde o corpo e foge, mas descobre que um colega viu tudo.



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1 – O Estranho (The Stranger, 1946) Um criminoso nazista escondido nos Estados Unidos tenta ocultar sua identidade da esposa e escapar de um investigador implacável.



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sexta-feira, 6 de março de 2020

Top 10 - Séries dos Anos 2000

Atualmente, vivenciamos uma verdadeira revolução das séries - algo que qualquer um julgaria inimaginável há alguns poucos anos atrás. Os limites rompidos foram os mais diversos: tanto em termos de criatividade quanto em termos do boom advindo com os serviços de streaming. Assim, buscamos eleger uma lista com aquelas que foram as precursoras desse formato cada vez mais presente em nossas vidas, eis a era de ouro das séries televisivas:


 
1 – Breaking Bad – (2008/2013 – Crime, Drama, Thriller) – Um professor de química do ensino médio diagnosticado com câncer de pulmão inoperável volta-se para a fabricação e venda de metanfetamina, a fim de garantir o futuro de sua família.

 
2 – Lost – (2004/2010 –  Adventure, Drama, Fantasy) – Os sobreviventes de um acidente de avião são obrigados a trabalhar em conjunto para sobreviverem numa ilha tropical aparentemente deserta.

3 – Mad Men – (2007/2015 – Drama) – Um drama sobre uma das agências de publicidade mais prestigiadas de Nova Iorque no início dos anos 60, centrado num dos misterioso e extremamente talentoso executivo de publicidade da firma, Donald Draper.

4 – Californication – (2007/2014 – Comedy, Drama) – Um escritor tenta equilibrar uma vida quase insustentável entre a sua carreira, sua relação com a filha e a ex-namorada, assim como o seu apetite por mulheres bonitas.

5 – Fronteiras – (2008/2013 – Drama, Mystery, Sci-Fi) – Uma agente do FBI se vê forçada a trabalhar com um cientista que se encontra internado e seu filho, a fim de encontrar razões para uma tempestade de fenômenos inexplicáveis.

6 – Dr. House – (2004/ 2012 – Drama, Mystery) –Um médico antissocial, especializado em medicina diagnóstica, faz o que for preciso para resolver casos enigmáticos que surgem no seu caminho, usando a sua equipa de médicos e a sua perspicácia.

7 – Segura a Onda/Curb Your Enthusiasm – (2000 – Comedy) – A vida e os tempos de Larry David e as dificuldades em que se mete com os seus amigos e completos estranhos.

8 – Prison Break – (2005/ 2017 – Action, Crime, Drama) – Devido a uma conspiração política, um homem inocente é enviado para o corredor da morte e a sua única esperança é o seu irmão, que faz dele a sua missão ao ser deliberadamente enviado para a mesma prisão, a fim de fugir de lá com o irmão.

9 – Dexter – (2006/ 2013 – Crime, Drama, Mystery) – De dia, Dexter é um analista de manchas de sangue para a polícia de Miami. Mas à noite, ele é um assassino em série que só visa outros assassinos.

10 – 24 Horas – (2001/ 2010 – Action, Crime, Drama) – Jack Bauer, Diretor de Operações de Campo da Unidade Anti-Terrorista de Los Angeles, corre contra o relógio para subverter complôs terroristas e salvar sua nação do desastre final.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Coringa (2019) - Crítica





Desde que surgiu nas páginas em quadrinhos em 1940, juntamente como sendo o primeiro antagonista masculino do Homem Morcego, vários atores se prestaram a viver tal personagem. A guisa de curiosidade cabe lembrar que seus criadores se inspiraram na figura criada por Conrad Veidt, quando viveu Gwynplaine na transposição para o cinema do romance O Homem que ri de Victor Hugo. Filme de 1928. Um dos últimos e melhores filmes da era silenciosa do cinema. Nas primeiras histórias o Coringa era um psicopata, mas o Código Moral pós Guerra o levou a ser vivificado como um palhaço excitado (a versão circense que foi a tv na década de 60, transformou todos os loucos que enfrentavam Batman, bem como o próprio, em figuras cômicas-espalhafatosas). Ainda assim aquela leitura marca uma época e a série televisiva deixa seu recado e pontua seu nome na história de forma honrosa. O personagem retorna com a releitura de Tim Burton levada aos cinemas, contando no seu elenco com nada mais, nada menos, que Jack Nicholson, que parecia possuir o timing perfeito para encarnar o Coringa, trazendo em seu semblante a própria personificação do personagem querida e desejada por muitos. No filme o personagem surge após a traição de seu chefe gangster. Jack Napier transforma-se no Coringa após mergulhar em resíduos industriais. Ele aprecia ser um yuppie e opõe-se aos ricos tradicionais.
Nolan posteriormente dirigirá a releitura de Batman, seguindo mais ou menos a releitura feita por Frank Miller. Christopher Nolan acertará a mão no início, justamente por se deixar levar pelo espírito trazido pela acertada recriação de Miller (Batman Ano 1), em Batman Beggins. Infelizmente o diretor parece ter mergulhado em resíduos industriais, ao invés do Coringa e erra a mão em Batman – O Cavaleiro das Trevas, levando os personagens a um poço sem fundo. Exagera. Pior que o histriônico do roteiro e da direção encontrou acolhida num público cada vez menos seletivo que não percebe que não é o Coringa que simplesmente quer matar o Batman e tudo o que ele representa. Nolan cria um Coringa que é seu alter ego. O coringa torna-se um Cavaleiro do Apocalipse que quer aniquilar todo o legado de Bob Kane e Bill Finger. Não surpreende que Ledger tenha morrido em decorrência disso. Ator sensível de grande talento, teve de recorrer a remédios, para se recuperar do que lhe foi imposto pelo diretor que conduziu um personagem clássico a uma auto implosão. O resultado todos já sabem, mas o povo incauto não percebeu que essa releitura foi burra. Nem tentaram resgatar o personagem com Jared Leto. Seria uma missão suicida, como bem nos alertava a criação vinda das histórias em quadrinhos.
Tod Phillips e Phoenix fizera o que puderam. E surpreendentemente foram felizes. Felizes por serem sensatos. Era preciso ressurgir da cinzas e para isso deixar o fio condutor da história nas mãos de um narrador em quem não pudéssemos confiar: Arthur Fleck. Ou seja, tudo o que veremos é fruto da subjetividade dele. Como ele sofre de graves transtornos mentais, que o leva a fugas psicóticas, sabemos que muito que nós é mostrado, pode não ter ocorrido. E dessa forma encontramos uma guarida no meio do deserto do nada em que foi jogado o todo o legado de Kane/Finger, por Nolan. A inteligência de Phillips é tamanha que a o deixar que um louco (cuja psicopatia difere da do Coringa de Ledger, por não ser rasa e sem recheio, mas sim por nos mostrar um Joker frágil e forte ao mesmo tempo, humano e com várias dimensões e incertezas, buscando compreender-se e ao mundo que o cerca)) conduzir a trama, os enormes buracos deixados pelos filme anterior podem ser dimensionados e consertados. Era preciso fazer o Coringa ressurgir das cinzas e o diretor e sua equipe trabalharão com um reflexo de histórias já conhecidas por todos. Um reflexo distorcido as vezes, mas que ao menos traz um segurança. Então se o legado da origem proposta pela tradição não é seguido, (ou é), lembremos que tudo é visto através dos pontos de vista de um louco. E assim raças a um ator fantástico em pleno gozo de suas potencialidades, uma criatura patética com um corpo longilíneo deslocado, arrasta um rosto de truão triste num inferno urbano que não dá motivos para nenhuma alegria. Um cavaleiro que sonha com sua Dulcinéia e a persegue (a vizinha), vive com a mãe esquálida e paralítica, sonha-se talentoso, num dédalo que se repete todo dia sem mostrar uma saída possível, sem um motivo para sorrir. Repetidamente humilhado e espancado (a falta de uma política de inclusão e o pior da humanidade o escolheu como vítima) até que um dia ele se revolta e junta os cacos para se tornar algo diferente.  Como eu disse anteriormente, para ressurgir era preciso dar a todos nós um ponto de apoio, contar uma história já sabida, dentro de um cenário conhecido. Um cenário de destruição e reconstrução, de lixo e de luxo, de erro e de acerto em segundo plano. São fortes as influências de Scorsese, no que ele tem de pior (Táxi Driver) e de melhor (O Rei da Comédia). O filme se situa na década de 80. A loucura do personagem de De Niro em Táxi Driver era a mesma em que Nolan sepultou o Coringa. Uma espiral de violência sem sentido. O homem levado ao estado puramente instintivo, num sentimento de alienação, instabilidade mental, falta de amor e nada a dizer. Em O Rei da Comédia ocorre o oposto. O personagem é psicótico, mas tem sonhos de serenidade.
 O Coringa é um filme de origens. Era preciso isso depois da aniquilação. O que se prepara é o assentar de um cenário para que tudo o anteriormente erigido que foi destruído retorne. Coloque tudo isso num mundo muito próximo ao nosso, em que a ideia de supremacia domine, deixando-se os desvalidos largados a própria sorte, num processo de seleção natural onde o mais forte sobreviverá. Temos assim uma cidade largada a si própria, sem coleta de lixo, sem assistência social e médica. Retoma-se o espírito trazido por um processo de globalização que visa a derrocada de barreiras, não com o intuito de abraçar e proteger a todos, mas sim de desentocar, trazer a luz, para melhor aniquilar e sepultar. É nesse cenário, bem perto do que vivemos com a eleição de Trump e suas respectivas cópias no resto do mundo, que o diretor situou a necessidade de ressurreição.

Escrito por Conde Fouá Anderaos

Batismo de Sangue (2006) - Crítica


Sei que muitos irão torcer o nariz para o que irei escrever abaixo. Outros também irão distorcer o sentido que quero dar a algumas frases. As idéias correm sempre o risco de serem manipuladas, ou mal interpretadas.
Relatar os anos de chumbo no Brasil é importante. Contudo ter todo o cuidado para se relatar isso é função importante. O filme de Ratton me incomoda. Incomoda na realidade de duas formas: Pelo que relata e pela forma com que fez com que o relatado soasse falso, caricato, deslocado em muitos momentos.
Sei que o filme é baseado em escritos de um dos seus protagonistas: Frei Betto. Curiosamente foi o único dos quatro protagonistas que escapou das sessões de torturas chefiadas pelo Papa( ironicamente uma alcunha que serve bem ao propósito dos que se julgam acima dos demais e acreditam poder fazer uso desses para suas satisfações pessoais). Ora em termo do que conta, o que ocorria na época com os que eram presos, choca e incomoda. Sou contra a tortura em qualquer circunstância. Não importa quem seja o alvo dela. A história que é relatada prende a atenção. Excetuando-se a excelente fotografia, no entanto, o que vemos na tela de bom é mais mérito do livro, do que de Ratton. O diretor não conseguiu dotar sua narrativa da veracidade necessária. Soa falso o que vemos; forçado mesmo. Não consigo enxergar culpa do elenco nisso, ainda que muitos critiquem Cássio Gabus Mendes (o Papa – Sérgio Paranhos Fleury) e os torturadores por soarem caricatos. Aliás, acho boa a escolha do elenco. O que me perturba é a mise en scène. Poder-se-ia ter diminuído com hiatos, vazios, sugestões, as diversas cenas de torturas (próxima do real – o real jamais pode ser alcançado). Tal insistência mais do que chocar, acaba destituindo de profundidade o que se queria denunciar. Quem viu “O labirinto do fauno” não se esquece da cena em que o Capitão Vidal reduz a face de um camponês a um monte de carne disforme matando-o. Tal cena não dura mais do que míseros segundos, mas segue incomodando o tempo todo. Talvez as cenas de torturas causassem maior impacto se ficassem restritas as lembranças de Tito. Soltas, curtas, valorizadas ao invés de exaustivamente longas.
O filme tenta provar que Tito não teria se suicidado. O ato seria uma forma de resistência a incômoda presença do Papa em sua mente. Tal, no entanto, não encontra resguardo na própria fé que os frades professam. Tal ato é condenado pela instituição a que servem. Se a justiça é justa, ela não permite de exceções. 
Os dominicanos também não conseguem justificar em nenhum momento o defender a luta armada. A aliança com a ALN carece de coerência. A Igreja mostra-se mais podre e oca do que de costume. Faltou mostrar as forças eclesiásticas que compactuavam com o Governo de então. O monsenhor que surge admoestando os freis que se queixam que foram torturados é prova viva disso. Seria ele o único?

O filme peca também ao mostrar ser parcial. Justo que se mostrem os excessos da autoridade. Mas não existiam excessos também praticados por aqueles que pregavam outro governo? Não quero com isso esvaziar a denuncia a tortura. Cabe ela ser a vilã maior da história. Em época em que se promove um Capitão torturador a Coronel (Nascimento de Tropa de Elite), fica-se a preocupação de que talvez esse mal esteja sendo arraigado a nossa civilização como algo necessário. Estamos realmente na barbárie ou somos dignos de nos considerarmos povo civilizado? Lembrar os excessos do passado é sempre bem vindo. Desde que seja para não louvá-los. Faltou a Ratton dar, sobretudo a tortura, o desprezo que ela merece. E esse objetivo ele não atingiu. Também faltou um melhor aprofundamento do que motivava realmente esses agentes do estado. Até hoje filme nenhum se dignou a explicar. Nem o autor do livro no qual a obra foi inspirado, pois ele afirmou: “Toda vez que alguém viola o ser humano, violenta, oprime, está realizando o ateísmo militante.” Classificar como ateus quem tortura é rídiculo, pois todos sabem o que ocorria no Tribunal da Santa Inquisição. Aliás, não seriam muito desses agentes semelhantes aquela velhinha que aguardava João Huss ser queimado e viu um pequeno toco de madeira rolar para longe do amontoado de madeira que serviria para arder a vítima. Ela corre para devolvê-lo ao monte e finda a missão faz o sinal da cruz satisfeita por ter contribuído para a causa de Deus. Huss balançou a cabeça como a dizer: Santa Ignorância. Lembre-se Frei Betto que o Monsenhor também profanou esse templo vivo ao coadunar com o que ocorria. E todo aquele que prega a luta armada, seja ela justa ou não. Já é tempo de conhecer o passado, para não repetir seus erros no presente. E que aqueles que foram vítimas da tortura não tenham tido seus corações tomado pelo fel. Trabalhem para que esse mal jamais volte a se instalar, ao menos institucionalmente, no solo pátrio.

Escrito por Conde Fouá Anderaos, em 18/12/2010