Slide

HIDE

Hover Effects

TRUE

Ad Sense

Quando Eu Era Vivo (2014)

A chegada de Júnior (Marat Descartes) a sua velha casa, que agora somente seu pai e uma estudante de música moram, é fatal. Ao redor dos pré...

A chegada de Júnior (Marat Descartes) a sua velha casa, que agora somente seu pai e uma estudante de música moram, é fatal. Ao redor dos prédios, um grito, silêncio e escuro, ruas pouco iluminadas, bairro pouco simpático. Acompanhado por seu pai, segue por um velho elevador, até o velho apartamento. Pronto, já está instalado o cenário a qual iremos acompanhar até o fim, mas há algo de errado. Junto com Júnior, mesmo antes de conhecermos o apartamento, rodamos lentamente o olhar á procura da resposta do enigma, que se apresenta na forma como adentramos a esse mundo. Aparentemente, avistamos uma residência comum, normal, mas os olhos de Júnior (câmera de Dutra), procura, investiga as paredes, o chão, a iluminação.

Esse primeiro encontro nosso, de espectador com o filme de Dutra, é simples e direto, mas calmo, paciente, sugestivo e contemplativo. Assim como em seu trabalho anterior, Trabalhar Cansa (Idem, 2011), junto com O Som ao Redor (Idem, 2012), parecem formar uma espécie de trilogia, conjunto de filmes, peças que se ligam e enlaçam entre si. O terror de Dutra é, mais uma vez, calcado na sugestão/provocação que o seu tema propicia. Já firmado como cineasta da tragédia, apocalipse e caos da classe média baixa (classe c), como no filme de Kleber Mendonça Filho, nos ligamos a fragmentos, sons, soltos no ar, de todos os tempos, imagens e movimentos não contínuos, mas conectados entre si. Por isso, Quando Eu Era Vivo (Idem, 2014) é antes de mais nada um testemunho da linguagem cinematográfica adaptada para a realidade, do cotidiano, da vida de centenas de brasileiros. O que demonstra tanto Kleber quanto Dutra em seus dois filmes parece ser, se não a mesma ideia, semelhantes: O brasileiro e o terror do seu cotidiano tedioso.

Parece difícil, em um primeiro momento, perceber o terror dentro desse contexto. Do que afinal, é feito esse terror? A adaptação do horror no filme de Dutra, diferentemente do que fez em Trabalhar Cansa, é muito mais intensa, mesmo se mantendo no suspense entre imagem e som. Se utilizando do cinema de terror como foi criado, de essência sugestiva, enigmática, misteriosa, sua linguagem se mistura com a clássica e a moderna, afinal, Quando Eu Era Vivo, não deixa também de pertencer ao cinema de terror de James Wan e Oren Peli ( respectivamente Sobrenatural [Insidious, 2010] e Atividade Paranormal [Paranormal Activity, 2007]). O uso dessas duas linguagens em seu filme proporciona uma nova visão do medo; ao mesmo tempo que temos medo do que ouvimos, mas não vemos e vice-versa, estamos em contato com uma linguagem estética em particular, a do flashback, do vídeo e mesmo das velhas metáforas visuais que rondam o folclore e contos de terror, como o movimento de objetos tal qual uma cortina se mexendo violentamente com o vento.

A linguagem de Dutra afinal é a peça-chave. Quando Eu Era Vivo não é um filme de sustos, nem sequer possui uma cena de berros ou gritos ensurdecedores. O cinema de Dutra é o que afinal? Mais do que um primogênito de Hitchcock ou Tourneur, Dutra parece seguir uma linha parecida com a de Shyamalan, explorando o caos e o suspense através do imaginário religioso, do âmbito da fé. Seguindo, claro, a linguagem construída por quem originou o cinema do país, não só brasileiro, mas do Brasil, para o Brasil e sobre o Brasil – Glauber, Sganszerla, Bianchi, Tonacci e muitos outros -, assim como Kleber Mendonça, se utilizando para criticar a sociedade brasileira, impondo a ela símbolos (santos, crucifixos, ou alguma crença a quem se possa refugiar do terror da rotina, nem mesmo que seja o trabalho, qualquer ação que saia do ócio). Simbologia essa que é quase tão vital quanto o ar que seus personagens respiram, mas também tóxica, asfixiante e mortal. Por isso, não atoa, o conto alucinado e alienante conto de Cronenberg, Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Videodrome, 1983), se encaixa bem para explicar o filme de Dutra, que tanto se utiliza do poder da imagem, quase de forma literal.

O isolamento de Júnior é compreensível. Na sociedade brasileira, parecida com a de Beleza Americana (American Beauty, 1999), o homem escapa através da masturbação, do desejo e enlouquece através do mesmo, do trabalho entediante, da garota que nunca ira gostar de você, da falta de emprego e metas, da idade, do peso e às vezes até dos pais que ainda de forma ou de outra, te sustentam, por que você ainda não consegue sobreviver na selva urbana. A classe média baixa é esse animal indefeso. Porém, no terror de Dutra, talvez o surto, a psicose, a loucura leve a algum lugar, quem sabe o da salvação, quem sabe o da perdição e por que não arriscar?

Anora (2024)

Os Maiores Vencedores do BAFTA Awards de Todos os Tempos

Os Maiores Vencedores do Globo de Ouro de Todos os Tempos

Era Uma Vez No Oeste (1968)

Um Olhar do Paraíso (2009)

Vencedores do Kansas City Film Critics Circle Awards (2025)

Os Mortos Não Morrem (2019)

Looper: Assassinos do Futuro (2012)

Os Maiores Vencedores do Oscar de Todos os Tempos

Dias Perfeitos (2023)