segunda-feira, 13 de julho de 2015

Celebridades (1998)


“Através da história de dois personagens, o tema da celebridade é abordado em suas várias nuances, desde um círculo restrito, até a admiração global. Crônica de nosso tempo imersa na sociedade pretensamente glamourosa de Nova York, onde uma dezena de personagens desfilam suas aspirações profissionais e sentimentais. “
O que faz com que assistamos um filme de Allen? Quer ele seja um grande filme ou um filme menor? A resposta é óbvia. Ainda que nos deparemos com uma obra que nos frustre um pouco, sabemos que estamos diante de um Allen. Allen em pane é ainda Allen. Faz bem reencontrar Allen todo ano, sentarmos e vermos na tela (ainda que ele não surja diante de nós a sua obra basta por si só) esse velho amigo, com suas obsessões (que já conhecemos) e muito dos seus velhos hábitos. O filme inicia e é como se atravessássemos o limiar de uma residência conhecida, onde ressoar o som de um jazz precioso e as demais referências que não nos coloca em dúvida que se trata de algo autêntico, não uma cópia barata ou um simulacro do mundo do autor. E se o filme não nos entusiasmar como um outro que já vimos, inclinados ficamos a perdoá-lo. Conhecemos já a Caixa de Pandora de seu criador. O que nos leva a ver é a abordagem que ele dará aos temas que o perturbam desde o início de suas criações: Como conciliar as mais altas aspirações artísticas e amorosas com o cotidiano massificador e ilógico que nos circunda?
As situações e os personagens já nos sãos conhecidos. Kenneth Branagh dá vida ao personagem principal tentando imitar Allen ao invés de interiorizar Allen. Uma pena. É frustrante. Quem vai querer ver uma cópia, quando se conhece o original. Tivesse esquecido que Allen se inspirou nele (Woody) para escrever o personagem Branagh teria se saído melhor.

Querendo supostamente denunciar o sistema de mídia ultrajante de estrelas de cinema, televisão e moda, Woody Allen retrata sua tela de costume, a de um casal se separa. E seguimos os passos que ambos seguirão. Caminhos supostamente diferentes, mas que orbitam dentro de um mundo de futilidades e vazios sem um significado maior que valha a pena ser imortalizado. A não ser pelo viés crítico e de denúncia. O problema é que a obviedade não ganha a tela com um olhar novo e inusitado. Muito nos soa repetitivo e nos dá uma sensação de um déjà vu que incomoda. Um prato conhecido, sem um tempero novo. E que parece que degustamos várias vezes na mesma semana. Ainda assim antes um Allen menor, com um brilho conhecido, que a escuridão trazida por outros autores. Não é isso que faz com que essas estrelas façam questão de gravitarem em torno do sol Allen?

Escrito por Conde Fouá Anderaos

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