segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Lenda dos Guardiões

É impossível não hesitar, sabendo que Zack Snyder dirigiu uma animação voltada para o público infantil. Depois do aclamado "Madrugada dos Mortos", remake de um dos grandes filmes do George Romero, e seu primeiro longa-metragem na direção, o americano partiu para uma temática mais épica, com o sanguinário "300". Três anos depois, o diretor conquistou boa parte do público, com a adaptação dos quadrinhos de "Watchmen", para daí então, chegar em "A Lenda dos Guardiões", uma animação baseada na série de livros "Guardians of Ga'Hoole", escrita por Kathryn Lasky. Visualmente, o produto é impressionante. Sem dúvida alguma, uma das animações mais belas que já fizeram, mas, infelizmente, a estória não se destacou da mesma forma, caindo no clichê.

Zack Snyder estreia no gênero, entregando um enredo que ilustra a vida de Soren, uma coruja que sonha acordada, quando ouve seu pai contar sobre as estórias de guerra dos Guardiões de Ga'Hoole, um grupo de corujas justiceiras que enfrentaram diversos inimigos, no passado, salvando toda a raça das ameaças malignas. Kludd, irmão de Soren, sempre disse que isso nunca existiu, e que não passava de uma mera lenda. No entanto, essa frieza de Kludd acaba provocando um acidente entre os dois, fazendo com que ambos sejam raptados pelos Puros, raça que pretende dominar toda a espécie. Resta saber agora se os irmãos vão conseguir se salvar, ou se vão aceitar as ordens desses inimigos.

O CGI é fantástico. Até mesmo os mais velhos sentiram a criança dentro de cada um, vibrar com a euforia descontrolada. Se funcionou com os mais velhos, fico imaginando a reação das crianças. Desde o começo, a animação trabalha com o protagonista de boa parte dos sonhos infantis; o herói. Soren representa a criança que não fica com os pés no chão, e prefere viver no mundo dos sonhos, mesmo quando não está dormindo. Toda essa atmosfera poderia ter agradado mais o espectador, independentemente da idade, caso não houvesse toda essa oscilação de caráter. Por vezes, o filme é mais infantil e não tem ambição de sair do convencional, ficando apenas no clichê que agrada as crianças, o do bem versus mau. Por outro lado, o terceito ato tem poucos diálogos, e as lutas acabam sendo o foco principal, esbanjando toda a qualidade dos efeitos especiais, mas não encantando tanto as crianças. Nessa divergência de representações, "A Lenda dos Guardiões" acaba pecando.

O típico humor que é primordial nessas produções, mas que dificilmente vemos nas cenas dessa animação acaba sendo um dos grandes problemas. E justamente por isso, o espectador pode ficar incomodado com a seriedade do roteiro, levando em conta o clima fantasioso que abrange a produção. Ainda assim, Zack Snyder exerce uma boa direção, mesmo com alguns problemas. O americano transfere, com perfeição, a riqueza de detalhes do argumento original, para as telas do cinema. Deslumbrante em cada take. Das cenas tempestuosas, ao movimento das penas ao encontro da brisa. Um trabalho que enche os olhos de qualquer espectador.

Mudança drástica na filmografia do diretor Zack Snyder, indiscutivelmente. Tenho certeza que boa parte dos espectadores vão ficar aguardando novas produções no mesmo estilo. Todos esperamos que o visual continue fascinando qualquer pessoa que sente na cadeira do cinema, e, principalmente, que o convencional seja driblado. Para quem nunca tratou as crianças como público-alvo, podemos dizer que o americano foi um bom marinheiro de primeira viagem. Fez o básico, e conseguiu agradar a maioria.

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