segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A Montanha Dos Sete Abutres (1951) - Crítica




“Charles Tatum é um jornalista sem escrúpulos que acaba por desaguar em um pequeno jornal do Novo México. Seu sonho é retornar aos grandes centros, e se possível, em uma posição superior aquela que possuía. O trabalho segue na monotonia peculiar aquela região, até que ele transforma um fato sem importância em uma comoção nacional: um descendente de índios está preso dentro de uma mina aonde foi tentar retirar peças de artesanato antigas. Fazendo uso de seus conhecimentos de manipulação ele consegue convencer o xerife a escolher o método mais demorado para o resgate, visando assim prender o público por dias. Consegue ainda se tornar o único jornalista permitido no local. E se envolve de maneira tão profunda que se torna também amigo da vítima, amante de sua esposa e pessoa dileta dos pais do preso. No entanto o destino tira de suas mãos aquilo que ele julgava dominar e ...”

Pode-se dizer sem sombra de dúvidas que “A Montanha Dos Sete Abutres” é um dos filmes mais cruéis feitos pela indústria americana. Wilder em minha opinião conseguiu suplantar o excelente “Crepúsculos dos deuses”, sua obra anterior. Quem viu, pode compreender então o tamanho do feito realizado pelo cineasta.

Trata do senso de oportunismo em geral, dentro do meio jornalístico em particular. Trata de uma história de sucesso à americana, que termina em fuga.



Tatum está prestes a ter sua revanche frente aos jornais dos quais foi expulso por motivos que pelo caráter que possui podemos deduzir. Quando ele caminhava para cobrir uma caça a serpentes - matéria de interesse local -, ele acaba por trombar com a oportunidade que aguardava: Um homem (Leo Minosa) em busca de túmulos indígenas, acaba por ficar preso em uma mina abandonada. Tatum fareja nesse mini-drama humano todo um potencial para prender a atenção do país: O exótico, uma provável maldição, uma esposa “inconsolável”, pais amorosos e autoridades prontas ao “sacrifício” . 





Quando a história é publicada, milhares de pessoas afluem ao local para “participar” desse salvamento. Isso tem início com uma família que tirava férias, em seguida, a procura pelo local é tamanha que se cria uma parada de trem no meio do nada, tem-se a chegada de um parque de diversões para quebrar o tédio dos que aguardavam o desfecho do drama.

O acordo feito por Tatum com o xerife e o promotor culmina numa aparente apoteose do jornalista, que transforma-se em uma queda definitiva. Wilder foi corajoso, pois a época atacar de frente a idéia de um cinema de temas a serem digeríveis por uma sociedade puritana, custou-lhe quase o degredo. O povo não gostou de se enxergar no meio dos abutres que foram assistir o lento morrer de uma vítima do desmoronamento moral da sociedade na qual estavam incluídos. O filme nos dias de hoje permanece atualizadíssimo. Quando dramas com o da menina Isabele surgem, vemos a imprensa toda se tornar marrom, um grupo de oportunistas aparecer nos veículos de comunicação, o povo virar uma turba sem sentimentos dedicando-se a fazer de delegacias e alguns logradouros públicos um espetáculo deprimente. O olhar de Wilder sobre a sociedade permanece instigante e oportuno, mesmo nos dias atuais.

Escrito em 19/04/2008

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