sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Cara, cadê meu carro? (2000)




Talvez seja a terceira vez que eu assisto a esse filme. Faz parte daqueles que conheci na tela pequena. E ao tentar tecer um comentário lógico que explique a razão pela qual eu me deleite ao vê-lo sei que caio em um terreno perigoso. Gosto do resultado e esconder tal seria desonesto.

Fosse eu classificar o gênero a que pertence tal obra, isso não geraria dificuldades: É um simples besteirol que é produzido as pencas nas últimas décadas. Talvez os três maiores expoentes desse gênero (enquanto intérpretes) seriam: Myke Myers, Adam Sandler e Xuxa. Um trio nada lisonjeiro para quem diz apreciar a sétima arte ressalte-se.

E sei que alguns estão atônitos com a minha decisão. Qual a razão que faz com que eu, com tantos filmes para comentar, me dedique a gastar meu tempo com esse supra-sumo da cretinice em o elogiando. Uma é óbvia: Revi-o ontem e ainda estou sobre o efeito de sua projeção. E como já disse é a terceira vez que o vejo. E cumpre tentar compreender o que me agrada.

“Ontem a noite Jessee e Chester foram convidados a uma festa absolutamente fantástica onde havia muita bebida e gatinhas. Lamentavelmente ao acordarem, não se recordam de nada, tampouco sabem onde enfiaram o carro deles onde teriam deixado os presentes de suas namoradas(gêmeas). No entanto eles possuem alguns indícios do que teria ocorrido: Há na geladeira bolo inglês para se alimentarem durante meses, suas namoradas o acusam de terem desmontado a casa delas e de ter esquecido o aniversário delas.
A partir daí embarcam em uma aventura: Recuperar a memória e reconstituir os passos da noite anterior..."

Realizar um filme estúpido não é uma tarefa fácil. È uma arte. Rimos não só das situações, mas também do conjunto que é criado. No caso dessa obra, que data do ano 2000, toda vez que a assistimos, ficamos estupefatos com o caminho percorrido pelos protagonistas. Não conseguimos traçar mentalmente tal viagem.

Partindo das premissas clássicas dos filmes para adolescentes, o roteiro (que é impossível descrever) é subvertido para trilhar um caminho único. Uma situação inicial nada original: Dois virgens querem traçar suas namoradas, mesmas loiras de seios vantajosos que eles adorariam desfrutar, mesma cretinice e estreiteza de espírito dos dois protagonistas, sempre prontos a se voluntariarem em busca de um ideal, mas se lançando sistematicamente na merda. Mas depois de cerca de trinta minutos o filme começa a tomar um caminho dispare daquele que conhecemos, como por exemplo, quando ficam prisioneiros de um instrutor de avestruzes.

Cheios de cenas curtas, que faz com que sejamos constantemente surpreendidos. E constatamos ser impossível adivinhar para onde caminharemos, qual será o próximo passo. É isso que tanto me agrada. Ser surpreendido por essa costura improvável e ao mesmo tempo agradável de cenas deliciosamente incoerentes individualmente falando, mas que jungidas até possuem sua lógica. É um filme direcionado para jovens. Sobretudo do sexo masculino, mas que não impede que agrade outros nichos. Desde que se agrade de um humor absurdo ao extremo.

Apesar de sua idade, surge atemporal, já que tecnicamente se mantém com um frescor facilmente explicável. É um filme esteticamente feio e ridículo que não se envergonha de rir de si próprio. E nós rimos da improvável patetice que ganha às telas. Ao melhor estilo “Os Três Patetas” (no caso, os dois protagonistas, mais aquele que assiste). Ao findar o filme talvez passemos a compreender por que certas pessoas se saúdam ao estilo Spok ou gritando “Zoltan” fazendo um Z cruzando as mãos.
  


Como bem resumiu Daniel Dalpizzolo: “Deliciosamente zoado”.

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