segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Se... (1968)

                                                     

Liberdade é uma das palavras sínteses de vários idealistas, revolucionários e movimentos. Ao mesmo tempo que ela é tão dita por várias pessoas, e tão desejada por outras ou as mesmas ela nunca é alcançada. Parece simples ter ela, mas não em tempos como estes que Se...(1968) representa. A guerra já acabou, mas a violência é incentivada por muitos e autoridades. Quem disse que até mesmo um padre não pode ser um tenente? Quem disse que temos liberdades? É um conceito utópico por muitos, a anarquia, mas independente da política e o idealismo que cada um tem, no fim o que todos querem é liberdade.

Lindsay Anderson, diretor de outros sucessos, como Baleias de Agosto(1987), que estrela a famosa Bette Davis, traz esse conceito de maneira com que o conceito não caia em estereótipos ou clichês, inspirado no hino à anarquia escolar de Jean Vigo, Anderson nos mostra a mente de um jovem rebelde louco por guerra, ensinado por ela, em época de puberdade é com certeza um dos seus pontos fortes, mesmo ainda com a alteração de cor de preto-e-branco e colorido, por questões orçamentárias, o filme traz não só apenas uma revolução espetacular em uma escola como retrato de liberdade jovens que se sentiam acabados, mas também um retrato da sociedade hipócrita, cheia de autoridade e ditadura, em que vivemos, onde a palavra liberdade deveria ser arrancada do dicionário.




Mick Travis(famoso, Malcom McDowell de Laranja Mecânica), é um garoto como os outros que é reprimido e vive uma vida monótona junto com outros 3 amigos. A diferença é que os 3 são os mais antissociais e vivem em quarto cheio de representações e fotos de mulheres, cenas de autoridades e líderes revolucionários como Che Guevara, claro. Nisso, os castigos que vão tendo tornam-se mais constantes cada vez mais que tentam sair daquela academia, repreendidos até mesmo por vários outros alunos que receberam cargos de “autoridade”. Ao conhecerem uma jovem ela se junta à rebelião e a causa deles, ajudando como uma presença feminina e não menos liberal em busca da liberdade.

Apesar da questão orçamentária atingir o filme, cada cena que entre no preto-e-branco é alguma cena interessante, especial ou bonita fotograficamente, como a cena em que Mick entra na cafeteria e em uma fala faz, por exemplo, uma gozação, assim pode ser considerada, com o pedido do café preto ou branco. As cenas do sexo explícito por exemplo, são outros fatos interessantes que não mostra o estrupo, mas sim duas pessoas querendo aproveitar e apreciando o amor físico, mesmo que talvez este fato seja imaginário, assim como o amor que Mick vai criando sobre a menina.




O destaque claro, além de McDowell é a atmosfera escolar quer por vezes até mesmo no próprio filme é lembrada e com certeza justamente comparada com época da ditadura, ou no caso mesmo, de guerra. O ensinamento da violência vai se tornando cada vez mais constante e a atmosfera que lembra a Nouvelle Vague como o clássico de Godard, O Demônio das Onze Horas(1965), com algumas cenas de estrada e talvez um, no caso quadrado amoroso, que lembra também o triângulo amoroso de Godard em Bande à Part(1964). Mesmo a película sendo de outro movimento, estas influências são claramente percebidas, assim como também Os Incompreendidos(1959), que também retrata a “bruta” vida escolar da época, é um outro filme que foi atingido/influenciado por Se...(1968).

E querendo ou não estas influências deixaram este filme, não só deixando a atmosfera maravilhosa e deixando o filme mais complexo e lindo, já que suas influências são ótimas e retratos da mesma temática da liberdade como também deixando o filme mesmo não fazendo parte do movimento da Nouvelle Vague, e com vários outros diretores como Godard e Truffaut, fique à beira da perfeição em retratar sua liberdade, até mesmo superando até algumas qualidades em algumas partes em relação à esses diretores.

A liberdade no fim não interessa se ela é conquistada com ideias utópicas ou não, ela só quer ser conquistada. Ainda, a mensagem que fica, não é somente à vida escolar, mas sim à vida em geral. Se... ensinam com violência, ensinam a violência, se ela é ensinada e aprendida, só pode ser devolvida com a mesma. Mas, quem tem liberdade? E se...tivéssemos?

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