sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hotel Monterey


A primeira impessão que se tem dessa obra de Chantal Akerman é que el é nada mais que uma evolução de seu trabalho anterior, o curta O Quarto. Se em O Quarto somos levados a um passeio de 10 minutos pela habitação da diretora através de uma única tomada que se consiste, basicamente, em uma câmera fixa no centro do quarto e girando, para mostrar o que há ao seu redor, em Hotel Monterey o quadro se inverte, ao ser esse filme composto de uma série de tomadas de câmera fixa através de um hotel nova-iorquino constituindo assim os 60 minutos de projeção. Em ambos os casos não há trilha sonora, tornando tais ambientes moradas do silêncio.


Durante uma noite, nós, por intermédio da subjetiva câmera de Chantal nos tornamos hóspedes do quarto. Desde o primeiro quadro do filme, onde se vislumbra o interior do hotel por meio de uma janela, até quando em seguida somos levados ao salão do hotel, para assim pegarmos o elevador, no qual passamos mais tempo do que deveríamos, fazendo mais viagens do que o necessário. Aí já temos um vislumbre da inércia a qual nosso "personagem?" está inserido. Após um bom, e desnecessário, tempo no elevador ele conhece seu quarto. Num primeiro momento, vemos o quarto perfeitamente organizado. Logo em seguida, a câmera está fora do lugar, os abajures mudaram de posição é há roupa espalhada pelo chão. O que mais mudou? Agora há uma pessoa em cena. Uma pessoa alterando o ambiente a sua volta, antes harmonioso, agora caótico. Mas a inércia ainda não terminou, e tal pessoa deixa seu quarto para vagar a esmo pelos corredores do hotel, até permanecer parado em frente a uma janela, pelo o que prece ser várias horas, até o dia amanhecer. Após o qual, tal personagem sobe ao telhado e vislumbra toda uma Nova York a despertar.


Que a personagem-chave da obra seja a própria Chantal é explícito. A Chantal recém-chegada à Nova York na qual ela moraria por alguns anos, completamente perdida em sua inocuidade. O mais incrível em relação a isso é a forma com que ela consegue passar tal visão. Não há sons, não há textos. Há apenas imagens, mas essas imagens falam por ela. Assim como ela faria em Jeanne Dielman, onde as imagens reinam quase que absolutamente, aqui ela conta uma história a partir da mera estética. Na realidade, ela não conta a história, ela induz o seu público a captar a história.


E como em todo filme de hotel, há de se ressaltar a frivolidade do ambiente. Vemos pessoas das quais não conhecemos absolutamente nada, nem vamos conhecer. Em um hotel, as pessoas deixar de ter personalidade e se tornam meros objetos decorativos. Pessoas vêm e vão, e nada, nunca acontece.

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