domingo, 28 de dezembro de 2014

Roxanne (1987)




Adaptação moderna de Cyrano de Bergerac de Edmond Rostand, o filme conta a história de C. D. Bates, um intrépido e espirituoso bombeiro, que chefia uma companhia em uma pequena cidade no estado de Washington. Ele toma como protegido Chris, um jovem homem atraente, que não consegue, no entanto alinhar em um diálogo duas frases com sentido. Ambos caem amorosos pela bela Roxane Kowalski, uma física apaixonada por astronomia, mas complexado devido a seu enorme nariz C. D. fica nas sombras e coloca na boca de Chris as palavras certas que irão balançar o coração da jovem mulher”



Sempre gostei de Steve Martin. No entanto ele não teve a sorte de possuir em sua carreira roteiros que lhe permitissem desenvolver plenamente todo o seu talento cômico. A sua parceria com Carl Reiner serviu em minha opinião, apenas para reforçar o potencial, que, no entanto continuava desperdiçado em filmes que prometiam mais do que ofereceram. Não há como negar o virtuosismo técnico de um “Cliente Morto Não Paga”, mas até nesse o resultado fica aquém do esperado. Felizmente Roxanne é um filme que difere dos demais, e se não atinge o sublime, ao menos é de uma sobriedade e inteligência que cativa. Filmado em três meses no ano de 1986 numa pequena cidade em Vancouver (Nelson) dedicada aos esportes de inverno estreou somente em 1987 e a meu ver foi o começo de uma guinada positiva no tocante as obras que Martin estrelaria depois dois bons filmes(“O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra” e “Os Safados”).


O filme desagradará aqueles que apreciam apenas a ligeireza das comédias atuais. É uma comédia romântica, onde Martin comporá um personagem, que lhe permite de sutilezas no tocante a busca do humor. A cena onde em um bar ele desfila um repertório de piadas sobre narizes é no mínimo genial. Mas existe também aquele humor pastelão que fica em segundo plano e devido a esse distanciamente nos remete de maneira amena aos primórdios da comédia americana. Através da janela do escritório vemos a confusão se instalar entre os outros bombeiros, sem que seu comandante se dê conta do que ocorre.



O filme funciona também devido à proximidade com aquele sentimentalismo que Chaplin tão bem soube colocar em seus longas primeiros. Não existe aquela compaixão de quem escreve ou dirige em relação ao protagonista. Ela nasce no seio de quem assiste.



Roxanne é um daqueles filmes difíceis de descrever. Parece não passar mensagem nenhuma, mas só por trazer à ribalta a lembrança de uma obra que marcou época, transpondo a sua ação dentro de uma releitura moderna aos nossos tempos, dentro de uma naturalidade e bom humor inesperados certamente deixará uma marca positiva na lembrança de muitos. Foi o que se deu comigo. Quem sabe possa funcionar com mais alguém.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

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