quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Brother - A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles (2000)




O homem no desconhecido, é tema de Kitano, desde Hana-bi – Fogos de Artifício ( Hana-bi, 1997 ), seus protagonistas desdenham da segurança de um local, do abrigo do desconhecido, algo incalculável para um homem perambulante de cidades, países e situações. É claro que a transição de um personagem, mesmo especificamente mafioso, para o posto da insegurança física e pessoal, já foi tema do cinema, principalmente norte-americano diversas vezes. Mas é importante lembrar, que, nos últimos tempos, não à ninguém que conheça mais e oferece tanto para o cinema oriental, quanto Takeshi Kitano.




O protagonista que Kitano tem em mãos ou nas mãos de outros, é símbolo, ainda que não por completo, daquele homem metropolitano, que vive um caos dentro de si, mas que por maior parte das vezes, não o representa exteriormente, algo raro, estranho, semelhante ao feito recentemente na obra de Cronenberg,Cosmópolis ( Cosmopolis, 2012 ). É claro que a obra de Kitano praticamente não tem parâmetros, devido à poesia estranha, desfigurada, única. Porém, é redundante dizer que não à metros de filmes que não influenciaram Kitano em Brother – A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles ( Brother, 2000 ).



Ainda assim, Brother, retoma anormalmente, o cru gesto horripilante, de levantar e apontar uma arma, de empunhar a faca, de socar o estômago. Aniki Yamamoto(Takeshi Kitano) é Yoshitaka Nishi de Hana-bi – Fogos de Artifício ( Hana-bi, 1997 ). Mas à uma partícula elementar que diferenciam eles de forma bruta de simples, principalmente, pelo fato da oposição. Nishi é um homem, um policial, sujeito a qual cresce na alma o elemento do poder de proteger, e em Aniki Yamamoto um parasita, igualmente, porém de valores controversos. A figura de Kitano, ou de Pattinson na cidade de Cronenberg é exagerada, e podem se diferir do retrato interior a qual buscam se objetivar, como fez de modo ainda diferente, Cassavetes com Ben Gazzara em Cosmo Vitelli em A Morte de um Bookmaker Chinês ( The Killing of a Chinese Bookie ), mas a análise, é irretocável e necessária.



A narrativa porém, de Kitano, ainda que quiséssemos encontrar um grau de parentesco que o tenha afetado, pois Brother é com certeza dos filmes que mais provocam a origem da sensibilidade do mal violento, do homem e o seu questionamento, não conseguimos achar. Bate então a câmera num gesto de impacto, de encosto na matéria, para representar então um empurrão. Takeshi, faz mais do que ninguém a análise mais bela de um mal contemporâneo, ainda que este ocupe a violência oitentista e reprima o bom-senso causando usualmente e instantaneamente, aquilo que sempre escondeu mas permanece ainda mais forte com o descontrole de um mundo, o homem como animal. Algo que não basta trazerem Cassavetes, Ferrara, a estes o único erro que os sentencia é o da defesa de algo incomum que os impede seus protagonistas, e que este não seja a própria alma do protagonista. Para isso, devemos recorrer à Kitano, Fukasaku e Suzuki.


Aniki é um homem que perambula atrás, indiretamente, do medo, Takeshi é o homem mais convencional do mundo, e por isso, Aniki é tão estranho, diferente, pois a essa elementar qualidade se vem da brutal casualidade do mundo, onde não se há o “setentismo” de Francis Ford Coppola e sua família de O Poderoso Chefão ( The Godfather, 1972 ). O homem reclama, mas sabe e representa o perigo de si mesmo e sua alma. Por isso a violência que tanto o leva a metamorfose o choca ainda mais na beleza da transição. Em Batalha Real ( Batoru Rowaiaru, 2000 ), Fukasaku tomba a culpa sobre o desespero da falta da compaixão e da própria paixão, em uma história absurda, mas não pessimista ou otimista, ainda que literalmente longe do real, feito pela imaginação que é o elemento principal que o cinema tem o prazer de oferecer, ainda toca nos símbolos complementares do ser humano, é sobretudo a paixão. Em A Marca do Assassino ( Koroshi no Rakuin, 1967 ), Hanada se desfruta da vida do amor, sobretudo o mal do amor, ainda se fossemos ver no cinema norte-americano, buscaríamos no Noir por Nicholas Ray, mas jamais acharíamos a violência, ou o absurdo para o “bom-senso”, mas daí vem a função do Noir, representar ainda que meramente muitas vezes, o homem, a paixão, compaixão. Daí Kitano é o belo, é símbolo do cinema contemporâneo e se iguala a grandes gênios como Jean-Pierre Melville, é o cinema oriental, é parte dos poucos diretores orientais que formam a saga do homem e do amor, mas ainda assim, o grande entre eles. Kitano é apaixonado pelo que faz, assim como seus protagonistas, mas são apenas homens. Mas são homens que lutam a cada dia sem saber e aprendendo sem perceber que quebram a lei que domina os homens, a lei de não aproveitar a vida, a lei de não ajudar o antes inimigo, depois amigo. Tudo feito pelas ondas de calor, e do silêncio, um momentâneo prazer, o Noir, que se torna então, finalmente infinito, com o poder de eternização da arte, não precisa falar, precisa a emoção segundo Samuel Fuller, do olhar segundo Nicholas Ray e o mal segundo a natureza humana, sobre a tela de cinema.

2 comentários:

Dr. Soup disse...

é isso aí. meu caro. Começou com o pé direito. Com o tempo você só tende a melhor e refinar um estilo próprio. Gostei.

Ricardo Nascimento disse...

Opa, muito obrigado Soup.Valeu pelo apoio e pela oportunidade de participar desse maravilhoso blog, está sendo um enorme prazer, até a próxima! Abraços :D