sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Alien vs. Predador 2 (2007)




Já disse certa feita que acho que os maiores monstros jazem adormecidos dentro do próprio ser humano. Costumamos exteriorizá-los vez ou outra, e assim surgem os grandes dramas e as tragédias cujo extremo maior são as Guerras e os extermínios em massas. Achava o primeiro Alien um filme extremamente interessante. Era um filme de terror e suspense no espaço sideral, bem distante de nosso habitat. O terror nascido ali era verdadeiro. Os personagens tinham um bom desenvolvimento. Suas seqüência infelizmente não alcançaram o nível do primeiro, nem resvalaram nele. A idéia de jungir dois “monstros” que atraíram bilheteria foi interessante. Sobretudo para os cofres da 20TH Century Fox. O filme que nos trouxe pela primeira vez o personagem do Predador, ainda que não tão elaborado como “Alien – O oitavo passageiro”, era digno de atenção. Sobretudo por que estávamos diante de homens preparados para matar e que encontravam um ser que lhes era muito superior, técnica e corporalmente.

Temos a mania de querermos ver nossas criações bem distantes de nós (os dois filmes citados ocorriam em lugares isolados), bem como o primeiro “Aliens versus Predador”(a ação ocorria em antigas ruínas em um lugar ermo). Posteriormente, com o intuito de acharmos que estamos sendo originais, vamos aproximando-o de nossas presenças. É o que ocorre com esse filme. Retomando o final da obra que o precede, encontramos a nave dos predadores a enfrentar um alien que nasceu do corpo do Predador morto no filme antigo. A nave devido o ataque inesperado, perde o controle e se espatifa de encontro ao nosso Planeta, próximo a uma pequena cidade do Colorado. É um cenário mais urbano, colocando em primeiro plano bravos cidadãos americanos. E vemos o núcleo dos personagens que confrontarão tanto os Aliens, quanto um predador que se dirige para lá, Os humanos que aparecem em cena são caçadores, entregadores de pizza, delegados e seus ajudantes, ex-detentos, adolescentes arruaceiros, uma ex-veterana do Iraque e sua família. Não importa muito quem sejam... Afinal serão pouco desenvolvidos e o roteiro não está de forma alguma preocupado com o desenvolvimento e aprofundamento das relações humanas (exceto a veterana do Iraque, não reconheci ninguém em cena). Eles servem apenas de empecilho, ou muralha entre os dois monstros. E todos as monstruosidades possíveis ocorrem, não pelas mãos do ser humano, mas pelos dos que se confrontam. Crianças, mulheres grávidas, pais de família, servem de repasto para as criaturas e também para os que se deliciam com esse tipo de espetáculo. Não existe lógica na ação de ninguém. O Predador esquarteja um policial desarmado e não se interessa por um assaltante vingativo. Ainda que o publico a que se destina tal obra não prime muito por histórias paralelas, deveria existir uma mínima ligação entre as cenas. Tudo me soou por demais ilegível, a montagem é horrível. Outra incoerência do filme: Apenas um Predador enfrenta os vários Aliens. Se na obra precedente, tal não foi possível, apesar do ambiente fechado onde estavam, como agora ele poderia dar conta de todas essas criaturas num espaço a princípio ilimitado?

O Predador não deixa de ser , um louco sádico dotado de tecnologia superior, sem capacidade de inteligência. A forma como ele se atira para enfrentar seu inimigo desarmado e nu, o aproxima de uma besta selvagem, nem um pouco desenvolvida. Não seria como nós, fazendo uso do progresso para dizimar os povos que ainda não estão no mesmo nível, ainda que no caso dele não exista sutileza nenhuma.

 O que mais me deixou assustado foi o de constatar que tal filme, assim mesmo, conseguiu superar o anterior (é verdade que tal não é difícil, afinal o primeiro era uma porcaria mesmo). Superou por ter mostrado os seres humanos que deveriam cuidar de nossa segurança se valerem de uma solução extrema para eliminar o inimigo: Exterminar todos os seres daquela localidade, E ao mostrar a raça humana como a mais perigosa, o filme ao menos se finda com uma lógica que não o norteou até aquele momento: afinal alien e predadores são criações humanas. Pouco no entanto para ao menos torná-lo digno de atenção. Fujam. Pura perda de tempo.

Escrito por Conde Fouá Anderaos

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Meus quinze anos


Echo Park, L.A. (o título em inglês) refere-se a um bairro onde a comunidade latina se implantou e ainda permanece como maioria. No filme vemos que este território começa a ser invadido pelos “americanos puros” devido a especulação imobiliária.

O título em português não se trata de uma aberração. Magdalena é uma garota que está prestes a completar 15 anos. O filme se abre sobre a cerimônia da “Quinceañera” de uma de suas primas. Festa que celebra a entrada da moça na vida social. É nessa feliz abertura que se delineia os temas principais que serão abordados: O conflito entre a tradição e a modernidade. Eileen festeja seus quinze anos com todo o folclore e as tradições pertinentes ao momento, mas faz uso de uma limusine, com seus amigos e escuta música moderna que permanece no ambiente a noite toda. A ruptura já se apresenta e ela se solidifica quando o irmão de Eileen surge trazendo as mãos um pequeno agrado e é rejeitado pelo pai e expulso do ambiente. Aqui a tradição se impõe e o filme nos anuncia que as pessoas ali presente, fazem parte de uma comunidade, da qual a negação de seus valores, coloca o indivíduo como um excomungado perante a vida. Será a situação em que se adentrará Magdalena em breve. Ela que sonhava com a “Quinceañera” (no caso dos mexicanos, a tradição remonta a época asteca, a apresentação da jovem a sociedade, festeja também a pureza, celebra a virgindade, dentro de um rigor mesclado a tradição cristã) devido a uma gravidez inesperada e inusitada, cai em desgraça. Apesar de ainda permanecer virgem, está grávida. A gravidez indica, demonstra, agride os olhos. Antes não fosse virgem, mas parecesse.

Magdalena rejeitada pelo pai, que é um pastor, encontra refúgio junto ao tio Tomás, que já acolhera o enjeitado Carlos (um homossexual). Tomás de idade avançada, vive o dia a dia, sem se preocupar com o futuro. Essa filosofia de dar tempo ao tempo mostra-se acertada. De condenados, tornar-se-ão com o tempo vítimas (o que sempre foram) aos olhos dos que o condenaram.

Um dos acertos do filme é essa união improvável entre dois seres tão diferentes. Ambos sofrem uma discriminação que as impedem de viver sua sexualidade livremente. Os diretores optaram por construir uma situação que está muito próximo de nosso cotidiano: Eles escancaram com virulência a possessividade e a frieza de um pai que opta por renunciar o auxilio e a compreender sua filha em nome de uma concepção de honra deslocada e ultrapassada, atrás do qual se esconde em nome de uma fictícia segurança. A tese da imaculada concepção pouco a pouco denuncia a tradição inumana que permanece nos espíritos das pessoas. O único meio pelo qual consegue a aceitação do pai é a incompreensão deste (consciente ou não) sobre a concepção que lhe permite ver nela um milagre de Deus.

Um dos obstáculos para que apreciemos mais o filme é justamente a retratação de algo que vemos ainda enraizados em nosso cotidiano. A estética escolhida pelos realizadores é muito próxima daquelas das telenovelas mexicanas: Tudo é muito colorido, não negando as origens latinas. Os personagens que aspiram a ser americanos, mas se arraigam no mais retrógado de suas origens também está lá. Talvez esse olhar-se no espelho não nos agrade. Latinos que somos não apreciamos essa dissecação de nosso modo de ser. Aqui mais um dos acertos do filme. Destacar a figura universal do Tio Tomáss (sensível e comedida interpretação de Chalo Gonzalez) que através de sua experiência de vida impõe-se diante de todas as situações e pessoas. É uma figura inatacável e nem por isso se tornou alguém que ataca. Aprendeu a compreender a vida que pulsa ao seu redor. Daí vem à extrema simpatia que nos causa. Tal acerto na construção do personagem visa apenas tornar palatáveis temas ainda não resolvidos.

Em suma: Um filme com mais acertos que erros, mas que não nos dá a certeza de que seu início promissor foi levado às últimas conseqüências.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Céline e Julie vão de barco (1973)





Creio ter sido Peter Bogdanovich que disse que todos os grandes filmes já teriam sido realizados. Poderíamos dizer então que seria necessário focar nosso interesse no lúdico e reaprender a contar a própria história sobre outro viés. Assim explorar-se-ia a capacidade que cada qual tem de contar a partir do que ele captou da própria história que de certa forma ele vive. 

“Céline e Julie vão de barco” nasce do trabalho coletivo. Enquanto roteiro o filme é construído pelos atores principais em colaboração com o diretor e Eduardo de Gregório. Influência forte da literatura, sobretudo Henry James e Lewis Carrol, Céline seria o Coelho (Alice no país das maravilhas). A partir da engenhosa e lúdica perseguição a ela o filme tem início. Ela surgiu por acaso no caminho de Julie ou foi invocada a partir de um símbolo desenhado na areia (lia um livro de magia)? E paulatinamente iremos ser inseridos em uma estrutura cíclica, onde os sonhos da noite precedente servem de ponto de partida para o que está a surgir. Ficamos nós e as “heroínas” a deriva, seguindo uma trajetória incerta que remete a algo surreal nessa perseguição perseverante. Perseguição essa que é interrompida quando ela se hospeda em um hotel com o curioso nome de Céline maga. Não temos condições de compreender as razões de tal interrupção. Não conhecemos as regras desse mundo lúdico. Estamos a deriva em um mundo incompreensível. O que não significa que não tenha lá uma certa lógica. 

Em “Esse obscuro objeto do desejo” duas atrizes realizam um mesmo papel, aqui também Julie e Céline trocam de papel entre si (Céline finge ser Julie diante do noivo de infância desta) e também fazem as vezes de uma babá em uma mansão misteriosa. As duas atrizes não deixam de ser dublês uma da outra e as vezes agem assim em uma mesma cena. O espectador vê uma ou outra descendo ou subindo uma escada, se colocam no meio de uma mesma ação sem que os que habitam a mansão se sintam incomodados. O filme se vale do legado do surrealismo e tal é utilizado aqui não para chocar, apenas para causar um quê de estranhamento. 

Algo que certamente perturbará alguns espectadores é certa falta de lógica e de questões que ficam sem resposta: Julie é ou não enfermeira? Por qual motivo Julie tem uma foto da fachada da mansão em seu cofre? A babá que vive ao lado da mansão indica que Julie viveu lá? Julie apresenta Celine ora como sua prima, ora como sua irmã, por qual motivo? A mãe de Julie manda lembranças a Céline... Como ela sabe da existência dessa nova amiga da filha? 

Algo importante na estrutura do filme é a repetição. Ele foi concebido dentro de uma estrutura cíclica, sobretudo quanto às ações que tem lugar na mansão. Os moradores de tal lugar traçam e exaustão o mesmos planos. Planos esses que são desmontados pelas heroínas. 

Essas intrigas são repetidas em doses homeopáticas, se desnudando pouco a pouco diante de nossos olhos. Não é a nossa vida também uma repetição de fatos a exaustão? E não seria a arte um elemento que vem quebrar essa maldição em tornando a vida algo valioso? Quando Céline e Julie se introduzem na intriga, elas não dotam aquela existência de algo mágico modificando algo já traçado? 

Creio que a grande proposta trazida por essa obra não é aparentemente dar as costas a realidade. A proposta é de modificar o status quo opondo-se ao discurso do senso comum, que esconde a face real, dissimulando a realidade. Infelizmente serão poucos os dispostos a embarcar no barco de Rivette. Não estamos preparados para navegar em rios e mares de livres associações. Estamos presos a formas, embalagens, muitas vezes nos esquecendo do conteúdo que pode ser modificado. De qualquer forma o diretor nos aponta que existe sim a possibilidade de embarcar rumo a uma nova realidade. 


Escrito por Conde Fouá Anderaos

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A MULHER FAZ O HOMEM - CRÍTICA






Com a morte de um dos senadores do Estado de Montana, o governador se vê na incumbência de nomear um substituto. Uma junta de cidadãos já apresentou um nome para ser aprovado, só que este indivíduo não agrada o empresário que controla a mais poderosa máquina política local. Para sanar o problema, o governador acolhe a indicação dada pelos seus filhos (menores de idade) e escolhe Jefferson Smith, chefe de um grupo de escoteiros para assumir o cargo no senado ao lado do outro representante do estado (o senador Joseph Paine). Tido como simplório, que pode ser facilmente manipulado, o mesmo cai nas graças dos cidadãos (que o referendam) e do empresário (que acredita poder usá-lo nos dois meses que restam do mandato).

Smith nasceu, foi criado e, quando o filme se inicia ainda vive numa pequena cidade do Estado de Montana. Um herói sob medida para as pretensões de Capra: íntegro, ingênuo, idealista, tímido, mas corajoso. Vive sozinho com a mãe. Seu pai morreu em luta contra os barões da mineração local, a frente de um pequeno jornal alternativo. O nome Jefferson Smith aglutina as virtudes da tradição (de Thomas Jefferson) com a alma popular (Smith é um nome comum nos EUA, como o Silva no Brasil).

Assim como em O Galante Mr. Deeds (1936), a cidade grande aparece como um lugar carregado de impurezas, que tentarão macular a figura impoluta de Smith. O homem do cotidiano das ruas, guindado a posição de herói, lutando contra um leviatã de corrupção, que deságua num final mágico, extraído de algum conto de fadas esquecido, eis a síntese de sua obra. A missão do senador não será salvar o capitalismo (que ainda passava por séria crise em 1939) mas sim expor a opinião pública, o poder de uma máquina política corrupta. O inimigo de Smith é representado por Paine, que no passado foi o braço direito de seu pai. O Senador Paine ao tentar destruir o seu companheiro de senado, não luta apenas para se manter como político, mas sim para eliminar o seu eu incômodo (Smith representaria o próprio Paine, quando jovem).

O filme, ora tratado, não pode ser rotulado como épico, lírico ou dramático. Capra parece beber na fonte dos três gêneros para criar uma amálgama que surpreende o espectador desatento. Ele inicia o filme in medias res, também se utiliza de um roteiro, que contém uma história, que inconscientemente seu público (o povo americano) já conhece.



No filme ao chegar em Washington, a primeira coisa avistada por Smith é a cúpula do Capitólio. Quando ele busca inspiração para o projeto que irá apresentar no Senado, a lobriga da janela de seu escritório e diz a secretária: “É aquilo que tem de estar no projeto”. O Lincoln Memorial e o Capitólio se fundem na trama como se fosse um só. É do primeiro que desce o Espírito de Lincoln (que no filme seria uma espécie de Deus) para impulsionar Smith, para que este varra do templo sagrado (o Capitólio) os maculadores da ordem e da justiça. Lincoln seria Deus. Smith seu imaculado filho. Nessa qualidade ele enfrenta uma via crucis semelhante a de outros “Cristos” do diretor. Tentando desbaratar a rede de corrupção, o mesmo é acusado de tentar roubar o dinheiro das crianças da América com um projeto que visava valorizar uma área que estaria no seu nome. Smith aproveita uma brecha no regimento do senado para discursar, por mais de 23 horas ininterruptas, tentando desesperadamente conquistar a opinião pública. O esforço culmina num desmaio, onde ele é socorrido pelos demais senadores. O delíquio seria o término da crucificação. O prêmio para o seu sacrifício é a ressurreição posterior. Inconsciente (portanto aparentemente morto) ele derrota a corrupção. Mitologia Cristã e americanismo estão no cerne da obra Capresca.

Todas essas sequências aproximam a película do gênero dramático na concepção hegeliana. Os personagens apresentam-se autônomos, emancipados de um narrador (até por que a história já é conhecida), mas todos são dotados de uma subjetividade muito rica. Paine, Sanders e Smith interiormente são indivíduos que trazem adormecidos motivos poéticos. Smith não receia a opinião do mundo que o cerca e revela seus ideais e modo de ser, sendo tido como simplório. Contudo ele desperta nos que o cercam (principalmente em Paine, que outrora fora muito semelhante a ele) sentimentos adormecidos e esquecidos. Saunder (a secretária) revela-se uma mulher sentimental, que chega até a voltar, a ter trejeitos de menina, tocada pelo espírito de fé na humanidade. E, mesmo o repórter, que tem como designação cobrir o gabinete do senador, que aparece no filme como um conformista (1), diante do estado das coisas, apagando sua desilusão em algumas garrafas de bebida, é tomado de um novo impulso e desperta o eu que acredita, que as coisas podem ser diferentes. Já Joseph Paine na narrativa toda, revive o calvário de antigamente. Terá ele novamente a falta de coragem, que fez com que vendesse a alma ao Diabo. Teríamos aqui um exemplo de um roteiro inteiramente pautado na concepção hegeliana (2) se não levássemos em conta o narrador (3). Esse narrador que parece inexistir, é representado pelo olhar do diretor. Nós não olhamos diretamente para a ação que se desenrola. Existe no cinema um filtro que inexiste no teatro. Esse filtro é representado pelo Diretor/Narrador. E nos filmes de Capra (Assim como nos longas de Chaplin/Carlitos) esse filtro é muito mais nítido. Para ambos, o distanciamento proposto por diretores como Rosselini ou Bresson não é tomado como regra. Para eles o envolvimento emocional do espectador é obrigatório. O fato de olharmos através do olhar do diretor, de que os locais onde se passa a ação, serem distantes entre si (Montana e Washington), descaracterizam o filme enquanto dramático, aproximando-o do gênero épico.

Foi o diretor que decidiu escolher os momentos a serem narrados. Há várias cenas que procuram reforçar o caráter dos personagens, e que não influenciariam na totalidade, mas nesse instante parece que o narrador quer deixar seu “eu” falar (o discurso de agradecimento por ter sido escolhido como senador, ou quando pergunta pelo nome da secretária). É nesse instante que a Lírica surge na obra. Capra acreditava que o indivíduo não massificado (um nome qualquer, o nome não importa) poderia melhorar o mundo. É no interior que ele acredita existir esses personagens. É lá que ele buscará sempre um personagem para expor suas ideias. O cinema de Capra tinha um caráter todo pessoal, numa época em que o cinema de autor estava alijado da produção americana.

Notas
1 – Conformista teria um significado diferente de conformado. O conformado seria aquele que aceitas as coisas como elas são, por que as mesmas não podem ser mudadas. O conformista não luta pelo que pode ser mudado, por que não é incomodado por esse estado de coisas, ou por simples preguiça.

2 – O filme apresenta o tempo todo, personagens que se chocam entre si. Desses choques nasce a ação que caminha para um desfecho. As personagens se desvendam paulatinamente aos olhos do público. A subjetividade deles, como já foi dito, é muito destacada.

3 – Compreendo perfeitamente que na Dramática a ação, aparenta não ser filtrada por nenhum mediador. O filme apresentado é constituído por uma série de diálogos, sem interferência do autor (intertítulos, datas). Existe o desaparecimento do cenário, seria como se realmente estivéssemos vendo o Senado e os personagens. O futuro dos personagens que não pode ser desvendado antes do fim, a utilização do flashback evocado nos diálogos (no trem entre Joseph Paine e Jefferson Smith) para não interromper a ação dramática (tempo linear e sucessivo). Apesar de a história se assemelhar a de Cristo, o autor (diretor) faz com que tudo aconteça novamente, perante os nossos olhos (Lessing).


Escrito por Conde Fouá Anderaos

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Habemus Papam





Em entrevista recente o cineasta Nanni Moretti fez uma crítica ao filme “O Artista” alcunhando-o de um filme fácil, no sentido de o ser uma obra menor em sua avaliação. Afirmou também que o júri do festival de Cannes seria mais sério que a Academia de Hollywood devido à rotatividade de seus membros (explica assim os prêmios obtidos pelo filme francês em cima de sua obra em solo europeu). Sem querer desmerecer “O Artista” e sem me alicerçar na explicação dada por Moretti pela não premiação ao menos de melhor ator por Piccoli (em comedida e genial composição) pelo seu Habemus Papam, tenho de concordar que a sua obra merece atenção por se direcionar sempre pelo caminho não fácil e cômodo.

Moretti teve o bom senso de optar pela elegância ao não ofender o credo religioso dos católicos ao retratar o Vaticano. Essa sutileza consiste em buscar as semelhanças que podem existir entre os retratados e todo aquele que se digne a assistir o filme. Apesar de sutil a engenhosidade do roteiro posta na tela de questões que não deixam de criticar algo que permanece estático em um mundo cada vez mais sujeito a mudanças. Sobretudo pelo fato do filme terminar da mesma forma que se iniciou, contradizendo o próprio título da obra. Magnífico final que pode desagradar alguns, mas que mostra quão grande é a visão sobre o objeto retratado feito por Moretti.

O diretor opta por iniciar seu filme em mostrando o ritual católico da escolha de um sucessor para o cargo de Pontífice supremo da Igreja. E aproveita para também lançar seu olhar para além da Igreja, de como a mídia já segura das respostas que virão, procura mostrar todo esse ritual como algo novo, sujeito a imprevistos (Veja a cena quando os cardeais se dirigem a Capela Sistina) caindo assim no ridículo do déjà vu.

Passado esses momentos (em outras ocasiões mostrar-se-á o diretor escancarando o vazio das coberturas jornalísticas na Itália – Crítica velada ao Império de Berlusconi?) de uma pompa visual, o diretor volta-se para o individual que existe em cada coletividade. Todos eles solicitam em pensamento que não caia sobre suas costas o peso de tal responsabilidade. É a partir daí que Moretti mostra a que veio. Humaniza uma figura que deveria permanecer divina. E o faz sem agredir de forma virulenta. Ele se limita a criar situações que faça com que pensemos qual será a solução encontrada, já que o que ocorre é bastante plausível e ninguém em sã consciência poderá negar que possa ocorrer. 

Imaginem um evento aguardado por todos. Uma mídia já sequiosa de ver o seu trabalho concluso, um público que nada mais faz que aguardar o momento de acenar para o papa eleito em mostrando assim sua fé, e a necessidade que possuem de serem guiados, mais do que contribuírem para ajudar a guiar . Um cardeal vem e anuncia que o conclave chegou ao fim. Todos aguardam a presença do eleito no Balcão e ... Nada. Apenas um grito, inaudível na praça de São Pedro, que vem das sombras, onde o Papa deveria aguardar o momento de sua aparição triunfal. O grito apenas corrobora o que já víamos. Ele se encontra estático, preso em si e a cadeira onde se sentara. Um pânico terrível se instala entre os “atores” que não sabem como improvisar, qual saída pode ser escolhida.

A justificativa dada ao público cai como uma luva. Lógico que é crível. É só nos lembrarmos dos discursos de posse dos últimos papas: “Sou apenas um obreiro da vinha do Senhor” (Bento XVI) ou a voz tonitruante de João Paulo II dizendo: “Abram todas as portas de vossas existências a Jesus Cristo”. Todos devem prestar continência a Deus (ou Jesus, já que para a Igreja são um só).

A partir daí se reforça a grande qualidade de Moretti. A mise em scène é fantástica e seu roteiro estimulante. O filme passa a nos fazer simpatizar com aqueles idosos que se livraram de uma grande responsabilidade. Alguns desejam sair daquele local e ir desfrutar de doces em Roma conduzidos por um que sabe onde encontrá-los. 

A chegada o psicanalista não conduz a obra a um embate simples entre a Ciência e a fé. Inserido dentro do vaticano o próprio Doutor nada pode realizar com seu conhecimento. Ele serve apenas reforçar a falta de confiança em algo. Não me parece ser alguém que acredita piamente na psicanálise. É o lúdico que ganha o local com a sua chegada. O torneio de voleibol é um achado, que nada mais faz que repicar naquele pátio toda a brincadeira inquiridora de Moretti: A fuga da Santidade que se perde em Roma, o guarda suíço que finge ser o papa, o Conselheiro ou Porta voz do Vaticano (Jerzy Stuhr em interpretação marcante) que se encontra sem saber o que fazer, os atores de teatro que se encontram sem rumo com a loucura de um dos pilares da peça que encenarão, a jovem que cede um celular para a santidade sem saber quem é, a bolsa de apostas sobre quem seria o sucessor, a consulta diante de todos os cardeais, as medicações utilizadas pelos cardeais, etc

Moretti parece querer valorizar cada pequeno ato do ser, cada pequeno gesto de nossa existência tem um significado. Não devemos nos prender apenas em uma possível recompensa futura. É preciso recompensar-se em cada momento. Tudo que nos rodeia pode ser santificado, desde que o queiramos fazer.

Habemus Papam é um filme que certamente descontentará aqueles que gostam de um humor rasteiro. Contudo tem tudo para agradar os mais exigentes, ainda que seja uma obra para ser vista muitas vezes. Apesar de parecer simples, o que chega a tela permite de várias reflexões. Um grande filme, mas que me perdoe Moretti, isso não torna “O Artista” um filme sem credenciais. Mas não seria injusto se Picolli e Dujardin tivessem dividido o prêmio em Cannes. Que grande interpretação. 


Escrito por Conde Fouá Anderaos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A vida de um sonho (1948)




A vida de um sonho (I remember mama) é baseado em um dos contos de uma famosa coleção de livros de Kathryn Forbes intitulado: A conta bancária de mamãe.  Primeiramente ganhou os palcos da Broadway em 1944 com a produção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Tinha como destaque nesse elenco Mady Christians, Oscar Homolka e Marlon Brando. Tratava-se de um musical. O conto ganhará as telas em 1948 dirigido por George Stevens.

Tenho para com a obra cinematográfica de Stevens uma relação curiosa. O primeiro filme que conheci dele foi “Assim Caminha a humanidade”. Obra essa que lhe concedeu o oscar de direção e pela qual não nutro nenhuma simpatia.

Stevens ganharia meu respeito com “Um lugar ao sol” um retrato cru e cruel da vida americana, um filme irretocável. Contudo tenho grande simpatia por outras obras suas que se não possuem o mesmo viço desta última, trazem um frescor e uma leveza que as diferencia das obras da década de 50 dirigidas por eles. Refiro-me a “Original Pecado” (1943) e esta que agora conheci e que me proponho não a analisar, mas sim a cometer a ousadia de traçar algumas linhas.

Para se ter idéia do que se apresentará na tela necessário se faz encontrar obras que a lembrem ainda que cada qual tenha suas especificidades. Vêem-me a mente três: "A felicidade não se compra" (1946) de Frank Capra, “Como era verde meu vale” (1942) de John Ford e “Quando o coração bate mais forte” (1970) de Lionel Jeffries.  Todas baseadas em obras literárias que tiveram certa repercussão em sua época (Como era verde meu vale até hoje tem uma relevância literária considerável), cujos autores nos soam hoje desconhecidos: Philip Van Doren Stern, Richard Llewellyn e Edith Nesbit  respectivamente.


Não existe um grande drama que nos choque na história que será narrada. É mais uma crônica de costumes do início do século passado,  mas a leveza da direção e a sensibilidade nos remete a obra capresca. Agora essa obra encontra eco nas duas outras citadas, pois retratam o cotidiano de famílias com um distanciamento que não busca explorar os excessos dos sentimentos que as permeiam. Assim o destrinchar dos personagens inicia-se no caricato mas se encaminha para as pequenas nuances que os diferenciam daqueles que já temos traçados no nosso imaginário (a solteirona, o beberrão, etc). Também aqui mostra-se o talento do elenco e da direção que fogem do lugar comum. Existe espaço para que os atores explorem seus potenciais de forma que contribuam não para sua satisfação, mas para o caminhar da história. Nesse sentido, de forma curiosa, quem se sai melhor é justamente o único ator que participou da montagem teatral: Oskar Homolka. A sua perfomance é tão espetacular (Tio Chris) que fico em dúvida se o vencedor na categoria de oscar coadjuvante merecia ter sido Walter Huston (O tesouro de Sierra Madre). Contudo prêmios são menores que o legado deixado por tais performances  Homolka passeia facilmente na tênue fronteira que separa o exagero da sutileza. É disparado a melhor interpretação do filme. Isso não quer dizer que o resto do elenco destoe. Irene Dunne está maravilhosa. Uma atriz que marcou a história cinematográfica. Indicada várias vezes a estatueta nunca a levou. Daí a alcunha de “a melhor atriz a não levar um oscar”. Mas torno a repetir, seu legado também é mais importante que qualquer prêmio.

Oscar Homolka (Tio Chris)



George Stevens posta sua câmera de forma  a não preterir e nem elevar nenhuma pessoa do elenco. O que importa é a história, a obra, os personagens. A fotografia de Nicholas Musuraca(Sangue de Pantera, Fuga do Passado) beira a perfeição, dando-nos aquela aura memorialista que a história precisa. É interessante nos darmos conta que pela primeira vez o artista teve a seus dispor um orçamento compatível com seu talento. Sempre esteve ligado a filmes B dos estúdios RKO e seus baixos orçamentos. Quem viu “O Homem dos Olhos esbugalhados” (1940) perceberá que algumas das idéias dele serão aproveitadas por Tolland em “Cidadão Kane”. Em “A vida de um sonho” o uso de sombras (sua especialidade) se prestará a uma história mais contida, distante daquele horror e suspense que o imortalizou. 

Certamente muitos estranharão o ritmo do filme, a simplicidade da narrativa, a história aparentemente rasa. Se a remetermos a época de sua produção e também ao ano em que passa a história poderemos perceber algumas ousadias. A mãe que após uma operação a que a filha foi submetida e que não pode ir a seu quarto (hoje em dia a presença materna é tida como fator crucial para a recuperação dos filhos). Mostra-nos de maneira discreta uma crítica a um absurdo que já vigorava como errôneo no imo das pessoas. Também temos a mulher que é rotulada de imoral, por a crerem não casada com o tio Chris. E que é subitamente considerada por ser realmente casada com ele. Também guarda mais uma semelhança com “A felicidade não se compra” ao criticar de maneira sutil as organizações financeiras. A família que espera nunca ter de recorrer ao banco. Os Bancos parecem aquela época passar uma sensação de insegurança muito maior que hoje. Ou seria a sociedade naquela época mais perspicaz que a atual?


Querem minha opinião sincera? “A vida de um sonho” é um trabalho tão grandioso de Stevens que merece ser descoberto. É verdade que tecnicamente é inferior ao seu “Um lugar ao sol”. Mais tenho cá a sensação de que irei rever esse muitas  mais vezes. Prefiro esse (como preferia “Original Pecado”) a sua obra mais perfeita. As vezes temos de nos deixar levar pelo coração, sobretudo quando a razão não é agredida.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A MORTA VIVA




“Betsy viaja para as Antilhas no cargo de enfermeira de uma certa Jessica Holland. Lá ela encontrará também Paul (o marido) e Wesley (meio irmão de Paul). Sua estadia será recheada de tam-tams sob o clarão da lua, zumbis com roupas claras e a chegada de um amor imprevisto...”

Conheci o filme em 2010 através do TCM. Vi-o duas vezes. Apesar das dimensões da tela da TV percebe-se claramente que estamos diante de uma obra de respeito. Tourneur de quem eu já assistira “Sangue de Pantera” é um diretor precioso. Aqui ele inicia sua obra, realizada com um orçamento modesto, nos mostrando primeiramente um cenário de clima temperado que nos remete a um clima natalino (um flash-back sobre a neve) para em seguida nos mergulhar em outro ambiente acolhedor nos trópicos. Sob um céu estrelado um barco conduz a heroína até São Sebastião(ilha próxima do Haiti). Esse ambiente de pura contemplação é confrontado pelo que escapa da boca de Paul Holland, que representa de certa forma a linha diretriz do pensamento do diretor: Neste mundo nada é o que parece ser.

Quando Betsy já instalada em sua nova morada acorda com os choros de mulher, ela sai de seu quarto e começa paulatinamente a subir os degraus. De repente as paredes e as escadas como que desaparecem. Ela parece flutuar no vazio, ainda mais que seus trajes noturnos também são escuros. Temos a sensação que um passo em falso e ela sucumbirá em um buraco sem fundo. Ai surge Jessica trajada de roupas claras e avança sobre ela como uma autômata: Olhar vago, passos decididos, um grito escapa elevando o clima de tensão a um limite inimaginável. Quem em sã consciência pode dizer que qualquer um teria conseguido o efeito que Tourneur obteve nessa simples (porém riquíssima) cena?

Poderíamos dizer que estamos mergulhando em um Cinema fantástico. Mas esse fantástico depende muito da capacidade de quem assiste. Os diálogos primorosos e as tomadas inspiradas, nada dizem, nada mostram. Tudo é sugerido. O medo e a morte se escondem em cada canto escuro onde a câmera não alcança. O filme remete muito a “Rebeca a mulher inesquecível” devido os segredos escondidos. O que o diferencia é que sua heroína não entra em contato somente com uma cultura igual a sua. O fato é que os representantes de seu mundo (seus patrões) guardam segredos muito mais assustadores do que aqueles que os nativos do lugar escondem. Colocada no limiar de dois orbes Betsy procura uma solução para o dilema que vive em qualquer um deles. Tourneur não está interessado em mostrar o culto vodu dentro do que ele é realmente. Ele prefere trabalhar como ele é imaginado por quem não o conhece. O que emerge desse culto é a idéia de que os personagens que buscam escapar de seu passado, das forças do destino nada mais são do que marionetes como a morta viva do filme que é manipulada como uma boneca vodu. O que importa para o diretor é que nós, entre os mal entendidos, o sugerido, percebamos a lenta progressão dos personagens que se confrontam com aquilo que não pode ser explicado de forma racional. Betsy serve-nos como um guia, através dela os segredos nos é revelado. Seguindo-a, vamos vendo a dimensão real do que a cerca e os limites do que nos é permitido compreender.

Outro destaque do filme é a trilha sonora envolvente. Os tambores que emergem aceleram o ritmo do filme e o seu silenciar nos remete a uma insegurança. Cria-se uma atmosfera sufocante muitas vezes. Aliado a isso as imagens de um preto e branco preciso e tenebroso. As cenas assustam também pelo que não mostram. A fotografia é um primor. Os atores que secundam os astros cumprem seu papel maravilhosamente. A carranca no jardim não nos deixa um só instante de fazer com que imaginamos que todos que ali vivem nada mais são que prisioneiros de uma situação forçada. Não existem patrões ou servos. Todos somos em grau maior ou menor escravos de um passado impreciso. O filme é uma prova viva de que com pouco o gênio tira muito. Imperdível.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

domingo, 4 de novembro de 2012

CORPO FECHADO (2000)







O filme se ancora no que seria uma viagem ferroviária tranquila. O desfecho, contudo, foi trágico: Todos os envolvidos nessa viagem morreram, exceto um. Tal sobrevivência é creditada a um milagre, afinal o envolvido não sofreu sequer um arranhão. Partindo dessa premissa, M. Night Shyamalan nos presenteia com um filme que supera em muito o já consagrado “O sexto sentido”. O que torna esse filme mágico é a forma como vamos conhecendo o mundo em que vive esse sobrevivente (David Dunn – vivido por Bruce Willis). 

Mergulhamos assim na rotina da sociedade americana, ou pelo menos do homem comum americano. A mulher, os filhos, o trabalho. Um mundo destítuido de arte, já que tudo o que o rodeia surge como descartável (notem que não existe música dentro do lar do protagonista). Essa rotina será quebrada quando surge Elijah Price, um desenhista que sofre de uma rara doença chamada de ossos de vidro. Entre ambos existe um abismo. Um tem a fortaleza que o fez sobreviver a inevitável morte, o outro é tão frágil que qualquer queda pode jogá-lo em cima de uma cama por meses. Para Elijah Price (um leitor de quadrinhos de super-heróis desde a infância) David Dunn não conhece suas potencialidades. Ele lhe diz que o fato de ter sido o ùnico sobrevivente somente indica que ele foi um dos escolhidos da criação: É um super herói. De início ele julga estar falando com um louco, posteriomente tomará as palavras de Elijah Price como a verdade. Descobrirá então suas potencialidades e fraquezas.


Na minha opinião M. Night Shyamalan fez uma das mais duras críticas a visão que o americano tem de si e do mundo. A sociedade americana se julga acima dos demais povos e vive a angústia de todos os dias se descobrir igual. David Dunn (e o americano em geral) descobrirá no fim do filme a que leva tal ideal. Ao mostrar a vida pequena e medíocre de David (ao contrário de um Tony Stark – Iron Man; ou Bruce Wayne – Batman; ambos milionários) e não fazer de um desastre o ponto de partida para que ele adquirisse poderes sensacionais (como o Quarteto fantástico ou o Homem Aranha) o diretor brincou com nossa visão estereotipada da realidade. E como em “O sexto sentido” só nos revelou o sentido de seu quebra-cabeça no final. Só que nesse filme persistimos em acreditar que o super-herói americano existe. Se existe falha no roteiro, ela advém da incapacidade de quem assiste perceber a engenhosidade de sua trama. O filme trata da loucura, da obsessão, do não aceitar-se humano. Não da descoberta de um super-herói.

Escrito por Conde Fouá Anderaos