domingo, 8 de abril de 2012

Avatar


A primeira impressão que se tem ao olhar mais profundamente para Avatar é de que já vimos isso antes. Com o passar do tempo isso deixa de ser impressão e se mostra como fato. Se em Titanic James Cameron já havia deixado o desenvolvimento da narrativa em segundo plano para se dedicar à parte técnica, aqui ele repete o erro, com a diferença de que lá havia um elemento histórico no qual se basear para pelo menos um conflito principal, coisa que neste filme não acontece, deixando tudo na base da referencia involuntária. Entrar em outra realidade por meio de máquinas nós já vimos em Matrix, seres da natureza auxiliando no combate ao inimigo nós vimos em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, todo o conflito inicial nós já vimos em obras como Dança com Lobos e Pocahontas. Além de uma mensagem ecológica fútil e gratuita, típica de querer se abordar um tema da moda numa pseudo-conscientização.
A ecologia por sinal já havia passado pelo cinema de Cameron em O Segredo do Abismo, onde uma história interessante é totalmente desperdiçada quando se usa um Deus Ex Machina para introduzir uma mensagem idêntica à de O Dia em que a Terra Parou de Robert Wise, apenas ligeiramente adaptada para valorizar o meio ambiente. Cameron ao menos consegue criar todo um novo mundo, desenvolvendo bastante sua fauna e sua flora, chegando perto de o que Tolkien fez com a sua Terra Média. Talvez nem tão perto assim. Também se destaca a incrível precisão científica com que aparece cada elemento da história. Exceto um: as montanhas que voam. É questionável o porquê de ser tão detalhista em tudo e deixar algo tão bizarro assim de fora. Talvez seja pela estética. Sim, ele consegue fazer que nós nos inseríssemos em seu mundo, embora isso seja mais fácil sob a experiência do 3D. Avatar é um filme feito para ser assistido com essa tecnologia, no padrão tudo fica incomodamente artificial.
Embora tenha feito um sucesso maior de bilheteria do que Titanic, seu sucesso de crítica foi razoavelmente inferior. Titanic foi uma unanimidade em seu ano, mesmo diante de filmes muito superiores como o neo-noir Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson. Avatar caiu diante da guerra pós moderna de Kathryn Bigelow em Guerra ao Terror, não conseguindo se garantir nem nas categorias técnicas mundo afora, caindo acima de tudo diante do trabalho de som e da montagem do filme sobre o Iraque, conseguindo a glória apenas no hoje decadente Globo de Ouro.
Avatar consegue a proeza de ser igualmente esquecível e inesquecível. Com seus personagens unidimensionais, foge totalmente do cinema como arte e definitivamente não merece um lugar em nossos corações. Exemplo de como fazer um excelente filme de ação com bem menos dinheiro é Distrito 9, cujos efeitos podem ser considerados bem mais realistas e interessantes que o do filme azul. Uma história com um plano psicológico e sociológico bem melhor trabalhados.

3 comentários:

Gabriel França disse...

ASsim como titanic, não acho que avatar seja um filme pouco desenvolvido na trama. Em titanic, ele conseguiu, em minha opinião, desenvolver bastante a história, de forma que o filme não é apenas sobre um navio afundando. Temos um belo romance entre o casal mais famoso do cinema, uma critica a desigualdade social (o fato dos ricos subornarem para pegar um bote)etc.

Em Avatar, de certo os efeitos especiais são impecáveis e de tão perfeitos, parecem naturais e assim prestamos atenção mais na história que também é muito boa, apesar d não ser completamente original. A cena em que o protagonista, mesmo sobrecarregado, vai praticamente se arrastando para a máquina, para poder entrar no seu avatar e salvar o mundo Pandora que está prestes a ser destruído foi arrepiante! Eu gostei desse filme, e inclusive, acho ainda que foi injustiçado pelo Oscar, pois deveria ter levado melhor filme e diretor, no lugar de Guerra ao Terror, que é mais um filme que põe os Estados Unidos como os "heróis" salvando a população do terrorismo. Não há nada mais manjado do que isto no cinema americano.

Valeu pelos comentários lá no meu blog ;)

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Oi, achei seu texto muito inteligente e bem escrito. Sei que se trata de sua opinião particular e claro sendo assim respeito-a mas não concordo.
Avatar trouxe de volta o 3D que até agora permanece no gosto do público mundial, e que dependendo da idade nunca sonhavam ver um filme com esses efeitos, (eu mesmo nunca tinha visto e ele foi o primeiro)Avatar é um filme pipoca, entretenimento puro, é a verdadeira luta do bem contra o mal, é uma viagem que te desliga do mundo atual, do transito, das buzinas e da poluição em que vivemos, Avatar sendo ou não sendo considerado pelo Oscar, isso não quer dizer nada, afinal, Guerra ao Terror é um lixo, e como disse nosso amigo Gabriel ai em cima, só serviu para propagar os USA como os heróis do mundo, Avatar é mais um dos injustiçados, e mais, na época em que estamos, onde o público não vai mais aos cinemas como antigamente, salvo os adolescentes que matam aula para irem ao shopping e entram nas salas para ver um filme, qualquer que seja ele, Avatar arrebatou uma bilheteria monumental, e conseguir isso na era dos downloads, é louvável. Titanic, esse nem quero comentar, sem dúvidas a maior obra desde E o Vento Levou, e pecado é falar mal dele.

Abraços

Anjo Noturno disse...

Ahh mas quem sou pra fazer criticas tão bem elaboradas como as suas rs. De filme eu entendo aquilo que me sensibiliza atrai e emociona.
Bj e boa semana ;)