quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Religulous




Infortunadamente, em nossa sociedade as ditas "minorias" tendem a sofrer preconceito. Mulheres, judeus, negros, homossexuais... Mas acima de todos esses, existe uma minoria que sofre com o preconceito acima de todas as outras: os ateus. As pessoas crêntes em uma divindade superior tendem a se sentirem particularmente ofendidas com a existência de ateus, algo como "como ele ousa duvidar de algo que EU sei que existe?". Todo ateu tem alguma história em relação à preconceito sofrido por sua condição "religiosa".

Bill Maher é um ateu radicado. Tal como Richard Dawkinsn ele acredita que a maior desgraça que já recaiu sobre o ser humano é a religião. Todos hão de concordar que se, subitamente, todas as religiões desaparecessem, muitas guerras iriam perder completamente o sentido. É nesse ponto que o documentário tenta chegar.

Religulous é um filme de propaganda. Da mesma forma que Leni Riefenstahl fez O Triumfo da Vontade para propagar as idéias nazistas e Walt Disney fez A Face do Fuehrer para propagar as idéias anti-nazistas, Larry Charles faz Religulous para propagar as idéias ateístas. E isso é feito por meio do diálogo entre Bill Maher e diversos líderes religiosos, diálogos esses que tem como objetivo mostrar o quão ridícula e irracional é a crença no sobrenatural. É um filme extremamente ofensivo, pricipalmente se você for um cristão, ou muçulmano, ou judeu, ou... ou se você seguir qualquer religião.

Os diálogos do filme são típicos de discussão de boteco. Certamente você já se viu em meio a discussão entre ateus e teístas, com cada um tentando provar seu ponto de vista. É exatamente esse tipo de discussão na qual o filme se foca, ele tenta fazer a mente do espectador e convertê-lo ao ateísmo.

Na parte técnica, o documentário se destaca pela montagem. Legendas são inseridas em meio aos diálogos para complementá-los, sempre de forma brilhante. Da mesma forma, trechos de filmes são inseridos para exemplificar o que se é dito (ou para apenas se fazer graça), graça essa que você provavelmente não gostará caso você não for um ateu.

Durante todo o filme temos a impressão de que ele não tem sentido. Qual seria o público-alvo da obra? Ateus? Mas eles já compartilham do ponto de vista, não precisam ser convencidos de nada. Teístas? Seria no mínimo bizarro alguém se converter graças a um filme que visa ofendê-lo particularmente. Mas o público-alvo do filme é basicamente o teísta infeliz de sua condição, aquela pessoa que crê em uma divindade mais por comodidade do que por qualquer outra coisa. O objetivo do filme é exatamente mostrar a essa pessoa que ela não está errada em seus pensamentos e que o ateísmo é sim uma via a seguir.

Outro objetivo paralelo da obra é estimular a união entre os ateus, visto que muitos têm vergonha de assumir sua condição. Um claro filme de propaganda, que tem seus inúmeros defeitos, mas que acerta em sua montagem e em seu humor.

Um comentário:

Hugo disse...

Gostei da dica, não conhecia este documentário/filme, vou procurar.

Eu acredito que cada um deva escolher seu caminho, tendo religião ou não.

Geralmente quem gosta de falar sobre como sua religião é ótima, não gosta de ouvir a opinião de quem tem outra fé ou que é ateu.

Até mais