segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Exploda Minha Cidade



Primeiro trabalho de Chantal Akerman, feito quando ela tinha 18 anos e era apenas uma estudante de cinema belga, já apresenta claramente o estilo de cinema que caracterizaria sua filmografia. Em apenas 12 minutos, ela se define como cineasta ao apresentar um drama doméstico claustrofóbico com uma protagonista extremamente ambígua, algo que seria amplamente utilizado em seus demais filmes.

O filme segue os passos de uma jovem chegando em seu apartamento, em algo à primeira vista, perfeitamente habitual. Logo, ela se tranca na cozinha, ambiente no qual quase toda a obra transcorrerá. Aos poucos, realizando suas tarefas habituais, como lavar o chão e fazer comida, vemos a protagonista (interpretada pela própria Chantal) perder lentamente a sanidade mental, indicando, pela ótica da diretora, que a vida reclusa à atividade doméstica acaba por levar a mulher à uma angústia interna extrema.

Outro ponto alto do filme é a sua trilha sonora composta por sons produzidos utilizando o próprio corpo humano como instrumento, como por exemplo em sons produzidos com a boca e na tilha sonora totalmente cantarolada. Essa trilha sonora é particularmente ressaltada pela montagem dinâmica usada no primeiro minuto do filme em que a personagem de Chantal sobe até o seu apartamento em uma cena simplesmente genial.

Exploda Minha Cidade é um filme claramente experimental, porém Chantal já demonstra uma segurança incrível na direção e já inicia o desenvolvimento dos seus ideais feministas que viriam a ser melhor explorados nas suas obras subsequentes.

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