sábado, 6 de janeiro de 2018

A Onda (2015) - Crítica

Existe um quê de imemorial nos filmes catástrofes. Não nos conseguimos lembrar, apesar da sensação de desastre inevitável, visto que isso se alude a algo antiquíssimo na memória coletiva (Escatologia). Em suma, as estruturas dos roteiros tendem a se assemelhar, para o bem ou para o mal, inevitavelmente. Existe uma quebra na estrutura familiar, que exigirá um esforço de ordem física para a união daqueles que estão emocionalmente separados. A reconstrução após a destruição de tudo que os cerca.

Ulthaug nos dá a prova também que os gêneros cinematográficos, mesmo os mais acentuadamente americanos (blockbusters), conseguem ser transpostos para qualquer lugar por diretores talentosos e atentos as regras do gênero. E o resultado desse tipo de filme sempre estará vinculado a uma grande mise em scène.


A Onda é um filme que propõe um puro divertimento visual sem grande profundidade e faz uso de todos os clichês do gênero. Entretanto possui uma identidade própria, quer seja pelo cenário pouco visto, quer seja pelo olhar de seu diretor. Ele possui um olhar realista ao abordar o tema em questão, pois antes do “show” temos uma exposição longa da tragédia anunciada, com referências históricas reais. Na década de 30, um grande número de vilarejos noruegueses foram varridos um enorme tsunami, quando parte de uma montanha desmoronou dentro de um fiorde.

Destaque-se também a fotografia – John Roselund, o responsável aglutina paisagens naturais e selvagens de rara beleza imagética, costurando assim particularidades trágicas ao conjunto da diegese.

A restrição de recursos é driblada de forma sutil e eficaz. As cenas referentes a tragédia se restringirão a visão restrita dos protagonistas daquele núcleo familiar; essa visão intíma, visão solo de Kristian testemunhando os destroços deixados pela Onda no caminho que percorre rumo ao hotel. Mesmo cercado pela destruição ele continua sua demanda, ganhando características próprias de um herói indo de encontro ao seu destino, do homem tal qual uma fênix querendo ressurgir das cinzas que o cercam.
Para aqueles que não estiverem interessados em originalidade, A Onda proporcionará bons momentos de diversão e competência. A chegada ao clímax é construída de modo paciente e o filme nunca nos fornece aquela sensação de afobação ou atropelamento. A estranhar somente (em se comparando com os Americanos, claro) a não inclusão de personagens caricatos que mereçam ser punidos pelo desastre iminente. Essa ausência de demagogia pode não agradar alguns habituados e dependentes desse tipo de tempero. 

Escrito por Conde Fouá Anderaos

Nenhum comentário: