sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A Duquesa (2008)

“A história de Georgina Spencer, Duquesa de Devonshire e ancestral da princesa Diana. No século XVIII, esta aristocrata viveu uma vida rica e extravagante...Casou-se aos 17 anos com o rico e poderoso Duque de Devonshire, Georgina seduzia rapidamente a alta sociedade com sua beleza deslumbrante, seu espírito e sua sede de viver. Entretanto, atrás desta imagem extravagante esconde-se uma mulher ávida por ser amada, escanteada por seu esposo – único homem da realeza insensível a seu charme, que a descarta e prefere sua melhor amiga – Elizabeth Foster, e que a obriga a aceitar um amor a três dentro de seu lar. Infeliz e insatisfeita, Georgina, conduz uma vida mundana agitada. Sua elegância, suas extravagâncias e seu gosto pelo jogo causam sensação, sobretudo quando ela se lança na vida política em prol do Partido Liberal.  Transformada em musa dos Whigs devido sua elegância e carisma, festejada pelos príncipes e ministros, ela apoia o jovem deputado Charles Grey pelo qual cai amorosa.”

O amor romântico que hoje vivemos no Ocidente sobremaneira foi uma conquista de séculos. O presente filme se passa no século XVIII época essa em que essa ideia ainda se firmava na Sociedade. Num tempo mais remoto, não era o amor que unia as pessoas, mas sim os acordos familiares. Acordos esses que vicejam ainda de forma preponderante na alta sociedade. É sabido que durante a Idade Média na Europa, há fortes indícios de que a tradição da primeira noite seja real. Consistia que o suserano teria o direito de passar a primeira noite com a noiva de seu vassalo. Muitos historiadores creem que a ideia do amor romântico surgiu com o aumento populacional urbano. Distante de seus familiares, as pessoas começaram a buscar alguém que completasse esse vazio.
O filme se inicia com o casamento da jovem Georgina com o Duque. Criada com o único fim de um dia ser esposa, Georgina se crê amada pelo Duque. Posteriormente percebe que é apenas uma mercadoria que deve satisfazer o único objetivo pelo qual foi desposada: gerar um filho varão que perpetue o nome dos Devonshire.

O filme se arvora no que chamaria de Literatura Nacional, patrimônio cultural inglês, caracterizado por uma estética de museu, uma narração nostálgica enriquecida por temas contemporâneos (conquista amorosa, emancipação feminina, conflito de classes sociais, etc). Filmado nos locais onde a Duquesa viveu, o filme se ressente de um convencionalismo (falta de ousadia) e se transforma num melodrama (calvário) de uma mulher e sua reeducação. Ela nessa viagem descobre sua feminilidade e o potencial que terá de permanecer sepultado.
A partir daí o que se vê é uma visão atual sobre um fato passado. Reescreve-se a história, deixando-se vir a tela claras visões atuais sobre costumes passados. Assim o Duque (um fleumático Fiennes)  surge como um homem que não teve coragem de mudar, que inveja a capacidade de sonhar de Grey e sua esposa. Como cinema, como fantasia, isso enriquece nossos sonhos. Enquanto arte tudo é válido. Afinal é gratificante essa visão crítica sobre si próprio que o Duque nos mostra. Ainda que não seja real. Outro fato é mostrar Grey e seus partidários como liberais, sem necessariamente mostrar em que consistia isso. Afinal se tal fosse desvendado, provavelmente traria um choque diante do público moderno. É preferível que tal fique vago, afinal podemos assim preencher esse vazio com o que queremos.

Quanto a parte cênica o filme convence. Figurinos e fotografia precisos. Mostra aquela imagem que o Cinema já perpetuou como sendo a real: Perucas, muito pó, lustres belíssimos, etc. Os atores seguem o roteiro pré-estabelecido pelos filmes de época. Nós acreditamos naquele luxo e beleza, naqueles rostos e vestuários bem conservados, limpeza absoluta, numa época em que os padrões de higiene e o avanço tecnológico mostram o oposto.

Apesar de tudo o resultado é agradável. Afinal não se trata de um documentário, mas sim de uma ficção sobre um fato real. Ficção essa que segue o padrão estabelecido, sem desapontar e nem ousar. Para se ver sem esperar um grande filme. Apenas o trivial bem realizado.

Escrito por Conde Fouá Anderaos




segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sua Única Saída (1947)

De uns tempos para cá tenho deitado meus olhos para o faroeste. Não que os busque como opção, mas filmes do gênero andam surgindo na minha frente. Foi o que se deu essa semana com a presente obra. Obra que me surpreendeu pelo inusitado que surgiu na tela. Inusitado esse bem conduzido e que se configurou ao final em uma obra a ser descoberta com urgência pelos que amam o Cinema. Trata-se de um clássico.

“Término do século XIX. Escondido em um velho rancho abandonado, Jeb Rander tenta escapar de um grupo de cavaleiros que desejam o matar. O lugar escolhido para refúgio, nada tem de agradável para ele. Foi lá que em sua infância um evento traumático se deu. Evento esse que retorna a sua mente de forma truncada, através de lampejos de imagens que não se conectam de forma a dar um sentido. A única lembrança mais clara é um par de botas com esporas indo e vindo num chão de madeira na altura de sua visão. E algumas faíscas que rompem a escuridão. Recolhido por uma mulher que o cria como filho ele tenta desvendar seu passado. Terá ele condições de enfrentar a verdade que jaz escondida em seu passado esfacelado”. 


Tomando por base essa jóia de Raoul Wash ouso dizer que seu autor se distingue de um Ford ou Mann por sua característica desproposital, quase excessiva. Seu lema: uma mistura oscilante de impetuosidade, de desenvoltura temática e um antiformalismo  radical. Uma junção instável que permite, sem estilização aparente nenhuma de descobrir a essência e a matéria de cada um dos planos que comporá a obra. Uma espontaneidade que poderia causar o soçobro da obra, mas que a conduz a algo inusitado e bem-acabado. Coisa de gênio. Faroeste quase esquecido, colocado de lado (nunca tinha ouvido falar e quando falam dele o tratam como um filme secundário), talvez sirva de modelo para entendermos o conjunto de sua obra. Faroeste que flerta com o noir e parece fincar os pés nesse gênero, e as vezes nem nos damos conta que o cenário é de um faroeste. Personagens solitários que preferem fugir de seus semelhantes e se isolarem. Não vejo tal fuga como uma vontade de se encontrar consigo mesmo, mas sim me dá a impressão de que eles querem é se perder por inteiro.
Domínio de uma dimensão psicanalítica e quase bíblica que prevalece: vingança rancorosa adormecida prestes a despertar, rivalidade entre irmãos (Caim e Abel?) e sobretudo retorno daquele que se encontra recalcado. Deve ter causado muito estranhamento na época, já que ao contrário não traz em seu bojo uma trajetória já conhecida. Ele se encaminha por um território no qual a tradição do gênero não estava acostumada. Rompe os limites e a obra mostra-se por demais ambiciosa em seus objetivos. Um filme a frente de sua época.
Uma viagem atípica, a extensão do deserto e dos penhascos se oferecem a nossa visão, mas o espaço a percorrer é outro. Não um espaço físico. Sim as profundezas de uma alma desencaminhada. Nada de duelos, perseguições de carruagem, viajamos de encontro ao interior da alama de um homem que se perde em si sobre o céu azul da paisagem. O ódio de Grant Callum pela família de Rand, que não pode ser dimensionado, se transmuda em algo sutil, prestes a pegar de assalto um Jeb desprevenido. É como se um fantasma o perseguisse. Ele sente, mas não o enxerga. Jeb não é um herói comum, pois ele deve não deve somente se livrar da hostilidade que sente, mas deve também mergulhar em seus pesadelos. Proposta ambiciosa, que uma mise em scène soberba e sobre medida engrandece. Ademais tal é valorizada pela trilha sonora de Max Steiner (E o vento levou, King Kong, Casablanca), majestosa e tenebrosa. A fotografia a cargo de James Wong Howe ( Férias de Amor, A Ceia dos Acusados) é sofisticada e mescla a escuridão com a luz de uma forma que os corpos ganhem o nosso olhar com redobrada atenção.  E olhe que não é fácil se perder nos céus negros, rochas e interiores capturados pela câmera de Howe.

Uma obra a altura do que se melhor produziu dentro do gênero. Digno de um Hawks ou Ford. E que soube explorar como ninguém o olhar insondável de Roberto Mitchum. A se conhecer com urgência.

Escrito por Conde Fouá Anderaos 

Turistas (2006)

"Após um acidente de ônibus em pleno coração do Brasil, Alex, sua irmã e uma amiga dela, além de vários outros estrangeiros aguardam a chegada de um ônibus substituto. Para minimizar o enfado do aguardo, eles seguem a dica de um transeunte que lhes informa da existência de um local onde podem beber e comer. Seguindo a indicação eles acabam em uma praia paradisíaca , onde encontram um outro casal de estrangeiros em um agradável quiosque. Lá eles se entregam ao prazeres de Baco e da dança. No dia seguinte o casal de estrangeiros some. Dão-se conta que também seus pertences. Ao buscarem ajuda, encontram alguém que os conduz para um centro de um furacão ...”

Antes de se comentar o filme levado às telas algumas considerações. Em primeiro lugar falemos um pouco de seu diretor. Ele trabalhou como ator em Christine – O carro assassino (Dennis Guilder), Nixon(Staffer 1) e Top Gun – Ases indomáveis(Cougar). Como diretor fez “A onda dos sonhos”, “Mergulho radical” e “Gostosa Loucura”. Note-se que dos filmes que dirigiu existe uma certa ligação com os cenários a beira mar.

Em segundo lugar o filme nasceu entre uma parceria de dois pequenos estúdios: o “2929” e o “Stone Village”. Serão socorridos depois com a ajuda financeira e de distribuição da “Fox Atomic”(uma filial da Twentieth Century Fox criada com o intuito de produzir filmes destinados aqueles que são amantes de sensações fortes, nem sempre rebuscadas).

O que assistiremos na tela, como já se pode prever, não primará por ser uma produção bem costurada. O filme sofreu certas dificuldades para ser concluído. O diretor e a sua equipe não tinham certeza que iriam concluir a obra iniciada. 
                                               
Um dos primeiros personagens que nos é apresentado é o vilão. Sabemos que se trata de um louco. Contudo como em toda as últimas produções do gênero, o louco é nativo do lugar. É um ser que traz em seu bojo, no entanto, o discurso e a prática oriundo de outras plagas (assemelha-se a um cientista tardio de um campo de concentração alemão). Ele arranca os órgãos de suas vítimas para doá-los a um hospital popular do Rio de Janeiro. Ele se vinga dos estrangeiros que vem saquear o Brasil desde o seu descobrimento (ele cita mais precisamente o tráfico de crianças, de mulheres e de órgãos). O médico além de louco é sádico, já que tal pilhagem é realizada com o paciente despertado. 
                                                
As suas vítimas são preconceituosas. O discurso dos que desfilam na tela é de que aqui é o lugar do pode tudo: “Não existe pecado no lado de baixo do Equador”. Os jovens turistas estão a procura de sexo, drogas e bebidas. Nenhum compromisso que não seja o do hedonismo os anima.

Apesar do tema indigesto o filme não soa arrastado. Isso se deve ao acerto da mistura entre atores estrangeiros e nativos (não que existam grandes performances) que cria a sensação de veracidade necessária. A vulnerabilidade desses turistas se acentua diante da incompreensão da língua, da grandiosidade da Natureza que parece tudo esconder em suas entranhas e uma doentia sensação de que os habitantes se sentem poderosos com a demonstração de fragilidade e da não adaptação dos turistas ao nosso meio. Tal ambientação, consciente ou não acaba por fazer com que o filme marche, sem se tornar cansativo, apesar do sentimento de “déjà vu” que impera em toda tomada. 
                                     
A primeira parte serve para que o público alvo (os jovens) se identifique com a aventura e com o que desfila na terra (corpos jovens em minúsculos biquínis e, paisagens belíssimas) pronto para ser vivido e sentido. A partir de sua segunda metade o horror se instala. Aqui um dos erros maiores: o vilão é desnudado sem o requinte necessário, sem suspense e surpresas. Apesar disso ele ainda choca. Afinal, o discurso para os estrangeiros soa lógico demais: São eles que se beneficiam com o silêncio do tráfico humano para esses fins. Creio que o filme deve ter recebido criticas benfazejas na Europa devido ao tema que perturba e choca. Sobretudo por sabermos que tal existe e as autoridades fingem não ver. 

Um filme como “Turistas” acabara marcando uma época não pelas qualidades, mas por abordar um tema indigesto, ainda que de uma maneira superficial. Deve ter funcionado melhor para o público americano e europeu, pois apesar do discurso político de seu vilão, o que faz com que de fato o filme seja agradável para eles é o fato deles serem as vítimas aqui, ao contrário da realidade. E também por difundir que o bom selvagem (na visão deles) pode ser um lobo disfarçado em cordeiro (Kiko) pronto para se aproveitar do turista incauto.

Em suma um filme cheio de furos, com interpretações sofríveis e que promete mais do que cumpre. Em mãos mais competentes poderia até ter ido mais longe. Mas devido ao tema que perturba e aos cenários magníficos, deixa-se ver.

Escrito em 10/05/2009 por Conde Fouá Anderaos

domingo, 6 de setembro de 2015

A Cruz de Ferro (1977)

Por esses dias novamente revi “A Cruz de Ferro” de de Sam Peckinpah. Toda vez que o vejo retoma-me a mente o dito por Orson Welles: “Trata-se do filme mais antimilitarista que eu conheço”. A opinião de Welles casa perfeitamente com o que me vai n’alma. E há em sua feitura muito que me leva a acreditar que ao término da projeção saímos propensos a buscarmos cada vez mais o pacifismo, diante da barbárie sem sentido que ganhou as telas. Por outro lado, a maldita razão, me enche de dúvida. E se o filme for a constatação pura e simples de que o cineasta cria de que o instinto sempre vencerá a razão e arrastará o homem a refestelar-se na Guerra? Um filme dúbio? Ou um filme que se vale da dúvida para nos marcar mais definitivamente?

O filme retrata a ação de retirada das tropas alemãs do solo russo e a consequente derrota nazista. Somos convidados a entrar nessa história de uma forma cínica: um jantar de oficiais alemães. Regado a música (?) da artilharia dos dois exércitos que se digladiam não muito longe. Lá temos um comandante animado pela ressentimento de que suas convicções não estão corretas, mas que deve cumprir sua missão. Um capitão pacifista e resignado. Um tenente estritamente disciplinado. Este último em nome da pátria, da honra, da obediência, aplica e estimula o lado bárbaro que abomina nos inimigos, em seus comandados. E somos apresentados a dois seres que irão se digladiar no filme todo: O Capitão Stransky ambicioso e desprezível e o Cabo Steiner, lúcido e desesperado.  
Stransky pertence a burguesia prussiana. Classe essa que envia seus filhos a Guerra, sonhando que eles se distingam no campo de batalha, pela honra e ordem vigente e sejam reconduzidos ao lar trazendo consigo uma distinção que represente sua importância: A Cruz de Ferro. Steiner ao contrário é um homem abatido, que vive uma dualidade que o tortura, e pensa poder escapar a essa realidade numa última explosão de violência. O primeiro é dotado da violência institucional, o segundo de uma violência primária.

Por outro lado, para retratar a época, e a compreensão do que ocorreu com um olhar de décadas depois, Peckinpah se vale de todas as ferramentas que o Cinema possui : Cross fade, travellings, imagem congelada, filtros, inversão de imagem, flashback, flashforward, imagens aceleradas, imagens desaceleradas, montagem telescópica de três ou quatro sequências, etc. Tudo isso em cenas e imagens curtas que visam ficam marcadas em nossa retina. O diretor explora a exaustão a mecânica da Guerra pela mecanização da imagem, possibilitada pelo Cinema. Um filme que se mostra tão monstruoso, quanto a época que ele pretende ilustrar. O confronto entre o primitivismo e o industrial se faz presente. Quando o grupo de Steiner fica isolado os homens tomados pelo medo retornam as origens da humanidade. O pelotão torna-se um grupo tribal. Steiner ri como um diamante brilha ao refletir o clarão, ri como uma hiena. Os feridos dos quais o sangue jorra, soltam gritos de porcos que nós matamos, ou uivos de sofrimento sobre o bombardeio da artilharia. A imagem esfria, desaparece quando tudo explode, o rasgão em nossa mente e o sofrimento não termina nunca. O campo de batalha não tem limites, não existe nenhum código de honra ou humanidade nessa trincheira.

A guerra é conduzida a sua obscenidade primeira, o aço corta as carnes lenta ou rapidamente, dilacera os corpos já enfraquecidos pela fome, a doença e o medo. O gatilho voraz da matança: Metralhadoras automáticas, cargas de morteiros, Canhão de um tanque prestes a atirar, as torres de defesa continuam a agitar-se, mesmo após a morte de todos os soldados que manobravam.O grupo isolado enfrenta os carros da armada russa. Eles se refugiam em uma usina tentando desesperadamente escapar daquelas garras de aço.
O diretor sempre foi conhecido como um esteta da violência. Aqui ele pode dar vazão a sua paixão por perenizar essas imagens. Lembremo-nos das imagens mentais de Steiner sobre o campo de batalha e as imagens do resultado de tudo isso que vemos no hospital. Face ao fim do mundo, existe somente um caminho para Steiner. O amor que eles tem pelos seus homens. O beijo entre dois soldados exprime uma ligação de estima, de respeito e de amor (não uma pulsão sexual, mas algo mais forte que isso) que somente pode ser suplantada por um outro camarada do front. A pulsão sexual não seria mais que uma pulsão bestial diante do contexto do fim de tudo, da pulsão da morte. Por isso ele volta ao front. Quando eles se deparam com a tropa feminina, as duas únicas vítimas são aqueles que não resistiram a essa pulsão bestial. O mais jovem se deixa enganar pelo choro feminino e é apunhalado. O segundo, um soldado violento é castrado de forma impiedosa. Tenho a impressão de que Peckinpah é contra a Guerra, mas não contra a violência. Ele crê que o homem dela necessita para sobreviver.

Por outro lado, nos é permitida uma outra leitura: Stransky é efetivamente um canalha. No entanto o que permite que a guerra permaneça e exista são indivíduos como Steiner. Afinal ele deixa a sublime enfermeira vivida por Senta Berger para ganhar novamente o front. Seria a pulsão da morte que o chamou, ou simplesmente a pulsão por tirar vidas. Só posso afirmar que se trata de um filme sobre não heróis. Mesmo o Capitão Kiesel, com seu aspecto negligenciado, fatigado, e roupas em trapos, representa mais o estado de espírito frente a derrota, que uma veemente crítica ao que ocorria na Guerra. É ele que dirá em resposta ao seu superior que depois da Guerra haverá tempo para se preparar para a outra.

Para complementar minhas impressões deixo aqui registrada a cena que mais me marcou. Aquela do corpo já achatado pela passagem de vários carros que jaz depositado numa poça lamacenta. Imagem seca, cruel e fria.

Não é meu filme predileto de seu diretor. Mas se trata de um filme muito bem realizado e de uma dubiedade que deposita sobre aquele que o assiste a interpretação sobre o que ocorre. Qual a tua opinião. Peckinpah não nos quis conduzir a aceitar a dele. Pois não sabemos o que pretendia.

Escrito por Conde Fouá Anderaos