sábado, 9 de maio de 2015

Elefante (2003)



“É um dia normal numa escola secundária americana, os estudantes dividem o tempo entre os cursos, o football, a fotografia, as fofocas, etc Para cada um o liceu representa uma experiência diferente, enriquecedora ou amigável para uns, traumática, solitária ou difícil para outros. Um dia comum como todos os outros. No entanto uns sonham em detonar as dificuldades como se fossem os vilões dos jogos de vídeo game. Num país que permite a compra de armas automáticas via internet isso pode despertar o desejo de materializar o sonho desses poucos. E o dia normal se transformará num repasto para Nêmesis.”

Dois são os filmes principais que se inspiraram no massacre de Columbine, ocorrido em abril de 1999. Um mesmo tema, com abordagem totalmente distintas.

Michael Moore em Tiros em Columbine cria um documentário satírico para daí desprender uma interrogação mais ampla sobre a natureza profunda da Sociedade Americana. Ele se arvora no campo do questionamento do sentido, da racionalidade, depositando fé nas Ciências Humanas, mais do que na arte, para encontrar um caminho que responda o irrespondível... Por qual motivo?

Gus Vant Sant segue um caminho distinto e inesperado. Filme de uma beleza fria sobre a adolescência americana. Ele se apresenta como um quebra-cabeças labiríntico. Flerta com a tragédia, e não propõe uma reconstituição do que ocorreu, tampouco nos dá a resposta.
Podíamos comparar sua orquestração centrípeta aquela dos movimentos dos astros no céu. Mas estaríamos errados, já que todos esses movimentos podem ser dimensionados. O mais sensato é pensar em elétrons ao redor de um núcleo de um átomo qualquer. É sabido que esse movimento (sua trajetória) não pode ser calculado. E sabemos bem que a mente humana também não pode ser compreendida e a liberdade de ação de um indivíduo controlada. Esse filme centrípeto se concentra temporal e espacialmente no nó do ocorrido, excluindo em sua singularidade o nome da cidade ou da escola, servindo assim de paradigma de um devaneio poético e pessoal, concreto e abstrato. É um caminho inusitado, Sant tem a honestidade de admitir sua sideração, sua mistura de fascinação e incompreensão face ao mistério desse ato que indigna; ele se recusa de se refugiar em explicações sumárias e vazias, ou uma postura moral fácil. A indignação de todos é um reflexo primeiro e esperado. Gus Vant Sant ousa trilhar uma outra forma de apreensão do evento: Calcada numa aproximação mais artística e sensorial que sociológica e explicativa, uma trilha que mistura conceito e liberdade, rigor e poesia numa abordagem que fascina pelo seu não julgar. Longe está do comodismo, como imaginarão alguns. O próprio diretor nos diz que depois de pronto teria retirado a cena do beijo dos dois executores, já que ela pode sedimentar explicações preconceituosas de alguns.
O Universo de Elefante é construído todo sobre dois dados fundamentais do cinema: O Espaço e o Tempo. O Espaço é aquele da Escola, com seus labirintos de salas, corredores, que os alunos atravessam como uma ronda de elétrons em órbita próximas a do círculo. Os dois únicos que estão excluídos dessa ronda são justamente os dois assassinos. Filmados quase que estaticamente em um domicilio, com as faces distantes de qualquer emoção. O tempo é o real, aquele da hora que antecede a tragédia. Nesse interim no colégio, vemos muitas vezes um mesmo acontecimento sob vários pontos de vista distintos (tempo recomposto), alguns efeitos sonoros são acentuados durante a continuidade de um movimento para destacar a intensidade de certos momentos (tempo subjetivo); corpos em marcha para atingir certo local (tempo real). Só os assassinos também estão excluídos desse espaço temporal, pois parecem que vivem uma realidade distinta.
Apesar de tudo, ao lermos as linhas acima, isso não desencadeia em uma obra fria, gélida, distante. Os corpos são filmados de uma forma calorosa apesar da frieza conceptual da obra. Somente quando a matança começa é que o filme se torna seco e brutal. A câmera segue os atiradores parece mostrar a impotência do mundo frente ao que ocorre. Impotência e incompreensão frente a descartabilidade da vida no mundo coevo. Que soa ainda mais brutal, já que quem parte são justamente aqueles cuja caminhada está apenas começando. Uma abordagem sobre a qual é difícil encontrar palavras. Filme sensorial e poético que nos coloca em constante reflexão. Passado mais de uma década de sua realização o filme permanece inquiridor. 


Escrito por Conde Fouá Anderaos

3 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

Um dos melhores filmes do inicio do século 21.

Flavio Cesar disse...

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Edu Chaves disse...

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Gostei muito.