terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ziegfeld - O Criador de Estrelas (1936)



Confesso que ao deitar os olhos pela primeira vez no filme faltou-me fôlego. Achei-o longo, cansativo mesmo. Será que eu estava em um bom dia? Mister se faz, no entanto, dizer que conheci a obra através do dvd. Existem muitos números musicais. Não domino a língua inglesa, o filme é legendado, quem transpôs para o português comete a imbecilidade de não legendar o que se canta. Falha da obra? Não, falta de carinho para com a obra, das pessoas que lucram com ela.

Revi um mês depois, afirmo que o filme continua longo (desnecessariamente). Contudo talvez a época de sua realização isso soasse grandioso. Assim como a presença do retratado que morrera em 1932 ainda permanecia viva. O filme tenta dar cabo de contar a história do itinerário do célebre produtor americano Florenz Ziegfeld que iniciou sua carreira no circo, e que graças a seu tino comercial, a sua agudeza com a publicidade e a capacidade técnica inovadora criou shows espetaculares dentro da Broadway. Seu nome ficou marcado na mística que envolve a história das grandes comédias musicais do início do século XX. Muitos dos que trabalharam com ele viraram mitos e alguns foram absorvidos pela indústria cinematográfica que nascia. 

Para nós que assistimos a película nos dias de hoje e não temos conhecimento do retratado, o filme nos soa comum e as vezes pouco atraente. O mundo retratado ali é o do teatro. O tom é predominantemente teatral. Muitos dos números musicais restringem-se a mostrar puramente o que se via no palco criado por Ziegfeld. A câmera nos parece bem presa, assim como os atores limitados a um cenário que visa mais a busca de ser fiel. Não posso criticar tal escolha. Aqueles que o assistiram na década de 30 e já conheciam as produções de Ziegfeld devem ter se sentido recompensado, havia uma ligação que os unia ao que era retratado.

Reconheci no filme um dos artistas que fizeram parte de sua troupe: Will Rogers, vivendo a si mesmo. Will um dos maiores artistas americanos do início do século XX. Equivaleria ao que representou para nós Oscarito ou Mazaroppi. Conhecia-o de filmes do Grande Ford (“Juiz Priest” e “Nas águas do rio”). A partir daí comecei a entender o valor de tal obra. É bom que exista. Funciona como um documentário romanceado que visa manter acesa a chama do mito. Filme feito dentro dos moldes tradicionais. Assim como “Três palavrinhas” de Richard Thorpe com Fred Astaire e Red Skelton que retratava a vida da dupla Bert Kalmar e Harry Ruby, ou o nosso “Tico- tico no fubá” (filme baseado na biografia de Zequinha de Abreu). 

As interpretações em minha opinião estão atreladas a maneira de se interpretar da época. Realmente Luise Rainer é quem se destaca (ganhou o oscar). Não achei o filme uma obra-prima. Sua premiação como melhor filme soa-me exagerada. Credite-se a isso a fortuna gasta em sua produção (mais de 2 milhões de dólares) e a fama do retratado (como já disse). No mesmo gênero já vi filmes melhores daquela mesma época (“Rua 42”). Vale como documento de uma época. Para ser visto como um caprichado semi-documentário enriquecido com belas músicas.

Escrito em 11/10/2008. 

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