sábado, 25 de outubro de 2014

A Carruagem Fantasma (1921) - Crítica


“Uma mulher doente, voluntária do exército da salvação, agoniza. Cientes de que seu tempo se esgota, seus amigos querem lhe satisfazer o último desejo: trazer a sua presença David Holm. Ele era um homem rude e cruel que ela queria reconduzir ao caminho reto. No mesmo instante, Holm se encontra num cemitério com outros dois amigos alcoolizados, rememorando um antigo companheiro morto que lhe havia dito que segundo uma lenda o último morto do ano (era véspera de ano novo), se fosse um pecador, deveria conduzir durante um ano “A Carruagem Fantasma” recolhendo as almas dos defuntos. Uma briga ocasionada pela sua recusa em visitar a irmã do exército da salvação, faz com que ao soar das badaladas do dia que morre, David morra e ...”


Baseada em um escrito da Nobel da Literatura de 1909 (Selma Lagerlöf)  a história até hoje impressiona. Aliás vendo-se a filmografia sueca daquela época, nota-se que essa autora serviu de inspiração a chamada vanguarda sueca da época, pois seus dois maiores cineastas (Victor Sjöström e Mauritz Stiller – esse um finlandês que se radicou no pais) realizaram filmes inspirados em suas obras. Stiller dirige Herr Arnes Peningar (1919), Gunnar Hedes Saga (1922), e Gösta Berlings Saga (1924), esse último o filme de estreia de um mito: Greta Garbo. Sjoström se vale da autora para realizar algumas: Tösen fran stormytorpet (1917), Ingmarssönema (1919), Karin Ingmarsdotter (1920) e “A Carruagem Fantasma” (1921) . Por essa curta exposição já podemos ter a ideia de que a Suécia graças a esses dois diretores foi por um pouco mais de uma década um dos faróis do cinema mundial.


Uma das maiores críticas feitas ao filme seria que ele se enfraqueceu, envelheceu mal, sobretudo devido ao seu lado moralizador. Talvez aja um exagero em tal afirmação, já que por se inspirar em uma obra literária, existe a necessidade de se manter de certa forma fiel a mesma. Por outro lado também cometemos o pecado de se exigir de seu realizador uma mentalidade coeva. E existe também aquilo que Rousseau criticou em relação aos escritos de Montaigne: Que uma civilização aceitaria como normal algo que para outra seria um crime. Rousseau critica a ideia de que não haveria exceções. Para o francês, certos valores transgredidos seriam crimes em qualquer época e lugar: estupro, pedofilia, etc.

No filme sueco se critica a visão de que o pecado existe. Junge-se ao ser humano uma mentalidade heterônoma, de se cumprir algo imposto, quando em realidade o próprio ser está ciente de que o que comete é um desatino. Mais estamos no começo do século XX e a força da religião vicejava mais forte.

Os males do alcoolismo tão criticados naquela época (veja a lei seca nos EUA) é hoje incentivado pelo mercado que viu no ser humano um consumidor em potencial. O filme devido ao excelente jogo de atores e um roteiro que vagueia entre o misticismo e o realismo; a metafísica e a necessidade de se construir uma sociedade mais justa, bem como o sentimentalismo sendo aparado pela violência, por interpretações que nos levam a crer que todos estão em estado de transe, tamanha a eficácia dos sentimentos que conseguem transmitir. E Sjöström era também um ator de grandes recursos, soberbo em cada cena, sem necessariamente sugar para si toda a atenção, mas sim contribuindo para engrandecer o quadro como um todo.
No aspecto visual o filme convence até hoje. A charrete caminhando sob um céu noturno, acima das águas é um regalo.Longo e magnífico trabalho de Julius Jeanson que obtém tais efeitos especiais em extenuante trabalho de laboratório. Essas trucagens dão a imagem um tom de poesia artesanal que nem o avanço da tecnologia faz com que se esvaia o encanto. O filme ainda transmite uma forte experiência de êxtase a quem assiste. Trata-se sim de uma obra prima de uma produção que necessita ser mais bem conhecida. Nem só de Bergman viveu o cinema sueco. E hoje podemos creditar sem errar a esses pioneiros importante contribuição na formação do gigante Ingmar Bergman.

Escrito por Conde Fouá Anderaos 

Casamento ou Luxo (1923)

Quando tinha meus 14 anos Chaplin morrera. Os seus filmes ganharam a tela na cidade de São Paulo. Na época eu era imaturo. Jamais pagaria para assistir um filme em preto e branco e também mudo. Ao amadurecer nos tornamos mais sensatos. O primeiro golpe contra esse pensar ridículo deu-se quando vi “A última loucura de Mell Brooks”. Na época assisti a um filme do Louis de Funès (não me perguntem qual. Sinceramente nem me recordo). Em realidade alguns colegas me arrastaram para assistir o filme do Brooks. Pois é, era mudo e até hoje o acho bom. Chaplin nocauteou-me bem depois. Já possuía meus 17 anos e fiquei pasmo. Daí me envolvi com vários outros filmes dele e também do Harold Lloyd. Dos longas, no entanto, faltava esse. O motivo? Não o sei. Um deles foi o fato de poucas vezes ter ganhado a tela dos cinemas. Após o advento do vídeo-cassete e do DVD oportunidades não faltaram. Pena que foi na tela pequena e somente essa semana.
O que dizer dessa obra? Corajosa. É o primeiro adjetivo que encontro para defini-la. Aquela altura de sua existência Chaplin já estrelara mais de 50 filmes. Dois anos antes brindara o mundo com seu primeiro longa -metragem que alcançara o status de obra de arte dentro de uma arte que ainda estava insipiente. Contudo talvez incomodasse o autor o fato de estar tão atrelado a figura de Carlitos. Chaplin sabia que era capaz de dar outros passos. Precisa se desvencilhar da imagem. Queria mostrar aos críticos e ao público que era um verdadeiro cineasta e podia se desvencilhar do genial personagem. 

Lançou-se em um projeto arrojado. Um drama onde não apareceria na tela (em realidade existe uma pequena aparição como um modesto carregador dentro de uma estação de trem – míseros segundos).

“Em uma pequena cidade no interior da França, Marie e Jean decidem rumar para Paris para fugirem da pressão insuportável que fazem seus parentes, que são contra o relacionamento dos dois. Devido a um acontecimento inesperado e um mal entendido, ela parte sozinha. Um ano mais tarde o destino a faz reencontrá-lo e ela compreende o entendido. Contudo a jovem de antes não mais vivia. Ela se tornara uma mundana, sustentada por um rico casquilho. Ele um desconhecido pintor que está ainda loucamente apaixonado por ela. O reencontro reacende a mulher que fora sepultada, mas será preciso enfrentar novas pressões para concretizarem a união. Conseguirão?”

Logo em seu início, para advertir os desavisados que àquela época adentraram no cinema pensando ver Carlitos, Chaplin avisa: Para evitar qualquer mal entendido, eu tenho de anunciar que eu não aparecerei nesse filme. É o “primeiro drama sério que eu escrevo e realizo”
                                                     

A primeira vista a história não promete muito. A trama parece já ter sido contada várias vezes pelo cinema. Mas olhemos mais de perto. A coloquemos dentro da época em que foi as telas. Chaplin revirou os estereótipos. A heroína é uma cortesã. O herói é um fraco, dominado pela mãe. O vilão, ao contrário, é charmoso, alegre e atencioso. Além do mais o cinema exaltava os pais, mais aqui os parentes não passam de hipócritas egoístas. Foram eles que desencadearam toda a tragédia. 

Outro exemplo da ousadia dele foi o fato de não fazer com que o público encontrasse alguém com que se identificar: um herói ou heroína. “O mundo não é composto de heróis ou heroínas, mais de homens e de mulheres sujeitos as todas as paixões que o mundo possibilita”. 

Vemos que o cineasta possuía um olhar arguto sobre a sociedade. Ele procura durante toda a trama, meios de mostrar o interior dos personagens através de seus exteriores: revelar o coração e a alma de cada um através de suas ações e expressões. Aqui encontraremos uma das fraquezas do filme. A maioria dos atores que ganhava as telas tinha vindo do palco. Eram poucos habituados a linguagem do cinema, uma arte ainda em construção, diante de um teatro já milenar. Se Chaplin encontrou em Adolphe Menjou (Adeus as armas) e Edna Purviance (parceira em vários filmes) intérpretes magníficos, que se valeram da sutileza e discrição para expressarem os sentimentos dos personagens, Carl Miller cai no comum de sua época, está teatral demais em alguns momentos.

Trata-se de um filme que fala do impacto do dinheiro sobre as ligações humanas, sobre a fratura social. Temas até hoje atuais. O fato de Chaplin em várias seqüências quase não se valer de cenários elaborados, dando ênfase ao escrito e não a forma, impressiona.

O filme que mais se aproxima da ousadia que Chaplin implementou surgiria 11 anos depois pelas mãos de Ernst Lubitsch. Trata-se de “A viúva Alegre”. Lá também se valendo de uma história tradicional, ele disseca uma Paris onde as mulheres se fazem de cortesãs para viver. Mas o mestre alemão se valeu da comédia para tratar o tema, e ele não tinha a preocupação de ver aquilo como algo a ser mudado. Chaplin era moralista: achava que se podia mudar o mundo através da arte. Lubitsch um amoral epicurista que via tudo através de uma ótica de compreensão: Os meios refinam, não mudam as pessoas. Ainda que eu prefira a visão de Chaplin, a obra do alemão é mais bem construída. Mas citei isso para se perceber quão avançado foi o inglês, algo semelhante surgiria somente na década seguinte e de uma forma bem menos explícita.

O filme traz uma trilha sonora que se não encanta, não atrapalha. Foi composta na década de 70. Seria importante assistir sem som para fazermos um mergulho ao que era o cinema naqueles tempos. A imagem que nos chega surpreende: limpa, clara, apesar de alguns brancos que parecem queimados em alguns momentos. Mas seria de bom grado se todos os filmes dessa época nos chegassem em tão boa qualidade.

Uma obra a ser conhecida. Chaplin sempre merece atenção.


Escrito em 31/12/2009 

sábado, 4 de outubro de 2014

Hannah Arendt (2012)

O material que nos chega através de Margarethe Von Trotta  é oportuno e atual. Tentar resumir a existência de uma criatura em 120 minutos é uma tarefa impossível. Ainda mais quando se trata de uma das maiores intelectuais do século XX. O filme buscou se centrar em apenas um episódio de sua existência, dando-nos alguns flashbacks de outros  momentos.  Vê-se que um desses momentos é constrangedor. O reencontro com Heidegger. Breve e sem sentido nenhum. Deveria ter sido aprofundado (pela importância que teve para a retratada) ou descartado. Também as cenas na cidade de Israel soam deslocadas e distantes. Não parecem reais. l O resto convence. Méritos para um roteiro que se pautou pela sobriedade e uma atriz maravilhosa no papel principal: Barbara Sukova.  Para nós que não vivemos a época em que se deu a temática debatida é mais importante ainda. Afinal não se deve negar um fato que marcou negativamente a história da humanidade e é bom refletir sobre os rumos tomados para se ver onde se errou, e questionar-se se existem outros caminhos (Arendt era contra a forma com que se materializou o sonho de Israel, temia que virasse um estado militarizado como foi Esparta na antiguidade...  ela acertou na mosca).

Hannah Arendt foi uma filósofa alemã de origem judia que ganhou reconhecimento mundial após a publicação de “As Origens do Totalitarismo” onde devassou o mecanismo de funcionamento do regime nazista e também do regime soviético sobre o comando de Stalin. O filme aqui vai mostrá-la em pleno exercício de reflexão enquanto cobre o julgamento do nazista Adolf Eichmann, que foi raptado na Argentina por membros da Mossad e levado a Jerusalém. Adolf Eichmann foi um oficial nazista e era responsável  pela identificação dos judeus  e o seu transporte até os campos de concentração. O acompanhar parte do processo desencadeia em Arendt a criação de 5 artigos que serão publicados na imprensa meses depois e que causam um furor na opinião pública mundial e sobretudo entre o povo judeu.

Arendt ao contrário do que se esperava, não endossa simplesmente a atitude tomada pela justiça israelita. O filme descreve como Arendt molda essa cobertura de uma forma forte, mas lembra da importância da reflexão individual frente às soluções do conformismo. O filme não discute a relevância do que ela afirma tampouco a veracidade de suas afirmações. Reduz-se tudo aos dois pontos cruciais de suas afirmações: a banalidade do mal e a afirmação que muitos dirigentes judeus de várias comunidades europeias por razões complexas teriam contribuído (ou facilitado) com o processo de exterminação levado a cabo pelo III Reich.
O grande dilema do filme é retratar a figura de Arendt sem que isso ofusque as questões levantadas por ela. Assim, como não poderia deixar de ser, os trajes, os flashbacks, a ambientação, o elenco, agem de forma que nos aproximemos daquilo que seria a figura de Arendt. Suas amizades, seus romances, seu cotidiano. Tendemos ao nos inserir em sua vida, a olharmos tudo através de seus olhos e assim perdemos a nossa capacidade de argumentar.  O filme fala dela, do julgamento de Eichmann, da controvérsia que suas opiniões causam na comunidade judia nos EUA e Jerusalém.  Mas o que se quer atingir é algo mais abstrato. Fala-se da liberdade de pensar, do conformismo em todos os tempos e em qualquer lugar. O interesse causado pelo julgamento, a violência que toma o lugar da razão quando desse julgar, as incertezas e confusões geradas buscando tornar Eichmann uma exceção dentro do seio da humanidade, quando em verdade seria uma figura extrema, de um processo banal, frequente mesmo: aquele de negar ao outro o direito de pensar diferentemente, de interditar o direito do outro, ou a sua radicalidade mais expressiva: Negar-se a pensar em tudo e nas suas consequências (Vede o EI nos dias de hoje, ou a política extremista de Israel).

O que despertou a atenção em Arendt é como Eichmann se pronunciava. A forma como ele dava a sua visão do que ocorrera. Como ele de certa forma (consciente) tinha se anulado para ser apenas uma ruela de uma engrenagem maior. Isso, ao contrário do que se possa imaginar, não diminui a extensão de sua culpa, ao contrário, a aumenta. Quando se nega a sua capacidade de usar a inteligência, a norma é a satanização. O maior crime que um humano pode fazer a si mesmo é negar-se o direito de pensar. Fazer as coisas maquinalmente, sem dimensionar os efeitos de sua ação.

Arendt será acusada de ser nazista ou anti-semita. Até pelo fato de ter escapado do extermínio e ter conseguido chegar a América.

O filme desagradará a muitos. Afinal leva a sério a proposição da liberdade de pensamento. Fórmula frequentemente usada para se criticar as ditas ditadura, os regimes não democráticos. Só que na obra esse lema se estende a todos. A liberdade deve ser convocada como responsabilidade de todos os indivíduos face a toda política conformista e não somente contra as dos Estados Ditatoriais. Num mundo onde o sistema educacional faz usa da velha fórmula da punição e recompensa, preconizada pelas teorias comtianas (Skinner é seu fiel discípulo) tal mensagem é sempre oportuna. O grande problema é saber se o discurso será compreendido.

A aceitação sem reserva do cumprimento das ordens de seus superiores nazistas tornaram Eichmann um  monstro (não o homem, mas o indivíduo). O mesmo se dá num grau menor (geralmente), no comportamento da mídia, dos radicais de toda comunidade, e nas reações intempestivas da turba quando de um fato que gere comoção. É o totalitarismo em sua forma contemporânea. Não se anula impunemente o pensar.

Um filme difícil, obrigatório e necessário.

Escrito por Conde Fouá Anderaos

O Tigre e a Neve (2005)




O filme é uma verdadeira surpresa. Surpreende em primeiro lugar pelo motivo do cineasta colocar como cenário de um filme ao que tudo indica ameno e otimista Bagdá no início da invasão americana. Os adjetivos ameno e otimista que me utilizo podem indicar falsamente a idéia de que Benigni não possui uma capacidade arguta e profunda da realidade que o cerca. Ledo engano que “A Vida é bela” escanteou para sempre. Você pode de forma amena e inteligente fazer críticas e lançar um novo olhar sobre temas delicados.

O filme, tal como “ A vida é bela”» surpreende. Mas aqui a surpresa não é tão agradável (infelizmente). Bernigni confirma, contudo que possui capacidade para realizar outras obras de envergadura ainda que essa tenha naufragado nas areias que cercam a fictícia Bagdá do filme. 

O diretor não errou em transportar uma história universal para Bagdá naquele momento. Foi oportunista, pois imaginou que poderia chamar mais a atenção para a singela história que contaria. Benigni possui a inteligência necessária para mostrar a situação complexa em Bagdá em 2003. Ainda que o personagem estivesse centralizado em salvar sua amada, poderia ter descortinado de forma mais clara a complexidade da situação que o cercava. A começar por denunciar a idiotice de estarem os italianos envolvidos numa Guerra não justa e que não lhe diziam respeito apenas por satisfazer o ego interesseiro de seu primeiro ministro. Gosto da forma como ele contrapõe o mundo da poesia, dotada de muito mais lógica que a realidade que o cerca. Contudo parece que o próprio cineasta percebeu que seu intento não obteve de êxitos. A morte de Fuad que soa deslocada e gratuita, nada mais seria que a aceitação do fracasso da empreitada a que se propôs.

Outra singularidade que o expectador atento descobrirá no filme é que Benigni se define de vez como um Chaplin dos tempos coevos. Tal como o inglês o cineasta desejaria unir humor e emoção ao serviço de uma mensagem de amor e compreensão universais. Um amor louco que transbordaria de tal forma que resolveria todos os impasses e calaria todos os canhões. Benigni consegue extrair de situações desesperadoras uma graça que poucos enxergam. O encontro com os camelos e o conflito de interesses entre Atilio e os animais é um achado. E também a emoção já sentida no final de Luzes da Cidade ameaça(em realidade ele nos remete a ela) vir a tela quando a corrente que ela levara a Badgdá salta do colarinho de Atilio.

O que me assusta é que me ficou a sensação que o filme naufragou devido ao receio que Benigni teve em desagradar a platéia americana. Os únicos momentos em que ele cruza com as tropas de ocupação, ele as mostra apenas na figura de jovens soldados estressados, assustados e desorientados. Begnini precavido não cita nem Abu Ghraib, nem os mortos iraquianos, nem os interesses escusos dos Grupos econômicos que mergulharam aqueles soldados lá. O suicídio de Fuad sela de vez qualquer tentativa de se olhar de uma forma mais aguda e com o olhar de um iraquiano o que ocorria. É, acho que Benigni precisa ter a coragem de concluir de maneira mais contundente aquilo que se propôs realizar. De qualquer forma não é um filme de todo descartável. Mas que decepciona pelo muito que prometia.
Escrito em 21/11/2010