sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Prelúdio para Matar (1975)



São poucos os filmes de terror que ainda conseguem se segurar por anos como ainda sendo referência de elementos e implementação de terror com qualidade, ainda mais em uma toda nova geração cinematográfica desacostumada com tais tipos de filmes tanto pela nova era do cinema que sempre vai passando por uma metamorfose constante tanto por um gênero tão desgastados que é o terror e tudo isso, por sua vez, são elementos suficientes para quebrar ritmos de obras e faltar com a compreensão da grandiosidade de muitos filmes que são verdadeiros poços de criatividade, terror e o próprio cinema autêntico. Mas é com essa nova geração também e com outros conceitos que podemos ver, por exemplo, a supervalorização desnecessária que filmes como: Sexta Feira 13(Friday the 13th,1980) e até mesmo algumas supervalorizações desnecessárias em torno de bons filmes, mas que não conseguem mostrar tanto medo ou algo do tipo que seja muito relevante, como A Hora do Pesadelo(A Nightmare on Elm Street,1984).




Mas no caso do italiano, Prelúdio para Matar(Profondo Rosso,1975) tratamos de uma coisa totalmente diferente e distinta, que além de ser referência de terror(e talvez o mais famoso, de Dario Argento) é mais do que isso, uma aula de como fazer filmes de terror, no sentido mais puro da palavra. Nada do que é representado aqui foi jamais filmado dessa forma tão brilhante e intensa, com tanto simbolismos perfeitos, onde talvez o medo tenha se desgastado com o tempo, mas ainda continua a delirante lembrança de sua câmera tão independente e única que até hoje, é talvez destes um dos últimos e verdadeiros suspiros que o cinema pode dar de verdade quando o quesito é aprender e sentir com ele.



Tudo começa de modo na qual, Dario gosta de fazer em seus filmes, falar, debater e conversar com o espectador. Em um palco, com três pessoas, uma delas se destaca, a paranormal, Helga Ulmann(Macha Méril) que fala sobre o poder da mente e da adivinhação(um assunto na qual, Argento deixa com convicção e sem sombras de dúvidas, com uma pulga atrás da orelha desde já). Ao sentir a mente de um assassino que estava presente no teatro onde eles estavam, ela começa a sofrer sérios danos em sua mente que ela tenta relatar mais tarde na sua casa em uma folha de papel. Já do outro lado, temos a história de Macus Dali(David Hemmings), na qual é vizinho de Helga, e ao conversar com o seu amigo perturbado, logo depois vê na janela(marca de Argento), Helga sendo morta. Quando ele vai chamar a polícia acaba se envolvendo com o crime e com o assassino em busca da verdade, junto com a jornalista, Gianna Brezzi(Daria Nicolodi).


A partir do momento em que somos introduzidos ao filme, pelo debate do fenômeno, do paranormal, ao mesmo tempo em que Argento mostra a sua visão e posicionamento de câmera espetacular(sim, uma vez que nós assassinamos, junto com o assassino pelo ângulo do Argento e vemos de um ângulo curioso praticamente o filme todo), mostra também a verdadeira conjunção do paranormal de filmes clássicos comoDrácula(Dracula,1931)Frankestein(idem,1931) e até mesmo da peça de O Fantasma da Ópera com os belos contornos coloniais que o filme possui na sua arquitetura, e junta isso com o paranormal moderno sem todo aquele misticismo, mas sim aquele suspense e tensão contemporâneos, com o uso da trilha-sonora diferenciada, a relação com filmes como Psicose(Psycho,1960), com toda a sua intensidade, Janela Indiscreta(Rear Window,1954), com toda sua curiosidade, Um Corpo que Cai(Vertigo,1958), com toda a sua vertigem e loucura, até mesmo com Crepúsculo dos Deuses(Sunset Boulevard,1950) em uma versão mais mal-assombrada(é claro que todas as relações colocadas de modos mais contemporâneos e ainda mais atemporais), quando o filme parte para um assunto mais metalinguístico, e principalmente dos trajes das personagens.


Desde o começo, Argento nos prova, que ficaria eternizado por sua obra, não apenas por que foi realmente um fenômeno diferente, que apenas botou medo em tempos atrás ou algo do tipo, mas sim pelo contrário, apesar de ficar eternizado pelo clássico, Argento também ficaria eternizado pela diferença de que o seu suspense, trama e horror redefiniu o terror à outro patamar, pois o mesmo já prova que não necessariamente quer transmitir a pura sensação de terror no espectador, para tomar bons sustos e sair do cinema satisfeito, mas sim, cutucar a nossa mente, por dúvidas que parecem não terminar mais na mente do espectador e é disso que Prelúdio para Matar(Profondo Rosso,1975) consegue adquirir o elemento da atemporalidade, que é tão difícil e desafiador para filmes de terror de uma época tão diferente e distante à quase 40 anos atrás. E toda essa atemporalidade se da pelo fato, de que ele não quer dar meros sustos para arrepiar o espectador, mas sim nos fazer perguntar, nos incomodar com o fato das mortes das vítimas indefesas do assassino, assim como Helga estamos sentindo o pensamento à flor da pele do assassino e nos incomodamos com isso e como bons espectador caçamos por evidências e não ficamos satisfeitos com a inquietação de tudo.




Aliás, da inquietação é que Argento(mesmo toda hora falando com o espectador pelos personagens) se apropria mais ainda, com o uso pioneiro da falta de compromisso da polícia e a irritação da protagonista em descobrir a verdade que parece ser tão oculta que não sacia a vontade de ser descoberta pelos outros, além da parceira jornalista que mesmo assim se vê em desvantagem devido ao seu sexo(sim, o retrato crítico sobre esse aspecto arcaico que ronda sob a cabeça de muitos até hoje). Dessa inquietação também serve para Argento fazer o doce uso dos cenários e com um certo estilo noir, uma vez que a vestimenta e os ângulos de filmagem de Argento não só esboçam a visão dele, a visão observadora dos protagonista e a visão dos cenários representado o que é o terror para ele, a curiosidade, o nervoso e o sentimento de descobrir isto(que ao contrário dos filmes de Hitchcock, não omitem a sanguinolência que é o ato final de cada crime, o que faz deste se tornar um terror na qual o suspense, apesar de muito magnífico e terminado com a nojeira, sujeira que o espectador sente), mas também com essa visão ele consegue captar de forma divertida(até por que, os dois protagonistas da história se aventuram e não sentem toda hora a tensão, mas sim um ritmo louco de querer descobrir tudo, ritmo esse, que o espectador também possui), também pelas sombras e posição de objetos em cima de objetos jogados em cena em uma reviravolta não menos que genial, em uma orquestra onde você é o único espectador, um teatro dos horrores. E é desse profundo vermelho que o filme faz o espectador se mergulhar até o fim, na qual esteja embriagado e seja assassinado com uma obra-prima do cinema, onde tudo aquilo é mostrado explicitamente no fim das contas. Você, é para apenas você, espectador. Inclusive você é uma criança indefesa e Argento é que se põem como assassino, chocando-o severamente, só que desse choque, não poderia ser melhor e são dessas experiências que só o cinema pode oferecer.

Nenhum comentário: