domingo, 24 de novembro de 2013

O Menino do Pijama Listrado (2008)




Vi esse tal de “O Menino de Pijama Listrado”. Já vi vários outros filmes sobre o holocausto ou o nazismo em minha existência. Uns a favor e muito bem realizados (Como Bastardos Inglórios), outros apenas bem intencionados e que não dizem a que veio como esse... Mas dizer que não disseram a que veio é algo por demais cruel em se tratando de intenções boas. A ideia da obra em si é excelente. Sua execução, no entanto nos dá a certeza de que se perdeu uma grande oportunidade de contribuir para o sepultamento definitivo das ideias Nazistas.

Dizer que foram os judeus a maior vítima do que se deu na Europa naquela época é um pecado que não cometerei. A maior vítima foi à humanidade que aceitou regredir aos tempos de barbárie. E os judeus, homossexuais, ciganos, os limitados física e mentalmente, etc  serviram de repasto a insanidade humana. A lição, no entanto é clara, antes ser vítima que algoz em um crime desses. Infelizmente não se enxerga essa verdade. E é necessário sempre referendar que tal realmente é verdadeiro, não algo distante no tempo, mas presente e que se não for vigiado pode retornar a superfície.



O filme em si tem vários acertos e alguns erros que o diminuem. Interessante à ideia de se mostrar o garoto como alheio ao que se passava ao redor. Lembro que vi algumas fotos sobre a Guerra Civil Espanhola onde se retratava crianças brincando nos escombros de outrora casas, alheias a realidade que as cercavam. Triste saber que a infância está ficando cada vez mais encurtada. E notemos que isso já era uma das propostas educacionais do III Reich e que foi perpetuada por vários governos. E é esse mote que permite o desfecho plausível da obra. Outro acerto que muitos viram como falha foi o fato de Shmuel ter aquela liberdade de poder ficar tão próximo a uma cerca sem vigilância nenhuma. Improvável é verdade. Mas sabemos que a violência psicológica em vários momentos foi maior que a física. Os vigias eram ínfimos, já que uma fuga não levava a lugar nenhum. Toda a Sociedade comprara a ideia Nazista.

O erro está principalmente na falta de elaboração de alguns personagens. O pai do garoto não consegue (roteiro e intérprete) nos passar aquela sensação de dubiedade tão necessária ao filme. O empregado judeu (Pavel) soa-nos caricato demais e seria improvável que estivesse trajado daquela forma diante deles na vida comum que levavam. Era necessário que tudo soasse dentro da mais perfeita normalidade para a Sociedade. A polidez hipócrita é que marcava o Regime dominante naquela época. O pai amoroso escondia dentro de si o algoz frio e irascível.

A mãe e a sua ingenuidade também está mal resolvida. Mas ao menos a atriz (Vera Farmiga) acreditou no papel e o torna crível. O mesmo se dá com Amber Beattie no papel de Gretel e seu relacionamento com o Tenente Kotler. Rupert Friend faz um papel já conhecido de todos, o do jovem cooptado que se fanatiza com o que lhe é pedido, a ponto de querer provar a todo o instante que é mais nazista que todos.Infelizmente explora-se pouco personagens como Pavel, que serviriam para dimensionar bem o horror que se escondia atrás da cerca. Ao final da projeção temos a sensação que tudo se deu de maneira mecânica e abrupta. O que não se perdoa é a forma mecânica demais. Um final abrupto e inusitado até vai. Fiquei com a impressão de que não souberam construir o desfecho. Caberia ali uns 10 minutos a mais, estivesse a frente da produção um diretor mais feliz e um roteiro mais elaborado. O material era bom (por qual Diabos não rasparam a cabeça de Gretel e Bruno devido a piolhos como no Livro? ) O material era bom. A execução do que vimos nem tanto. De toda a forma um filme a se ver. Qualquer obra que venha a manter tocando um alerta sobre o que se deu é bem vinda. Mesmo essa que tinha potencial para se tornar algo bem maior do que o que foi projetado. 


Escrito por Conde Fouá Anderaos

3 comentários:

Ricardo Nascimento disse...

Bela crítica Conde, senti o mesmo com o filme. E sobre os judeus serem as maiores vítimas na segunda grande guerra mundial é certamente um pecado que muitos cometem...

CONDE disse...

Grato pela atenção Ricardo. Não quero com isso diminuir a dor de todo um povo (Judeus, Ciganos, etc). O que quero dizer é que é necessário se perceber que o crime foi perpetrado contra a raça humana como um todo. Infelizmente até hoje se houve pessoas dizerem que as experiências médicas realizadas nos campos de concentração com cobaias humanas contribuíram com um avanço nessa área. Vendem o horror como algo positivo. Esse maldito positivismo materialista que foi comprado pelos sistemas de ensino mundial.Essas ideias tem e devem ser combatidas o tempo inteiro. Chega de sofismas.

Marcelo Castro Moraes disse...

É um filme que mostra a perspectiva através do olhar das crianças, ainda inocentes perante ao mundo que não sabe o que faz.