domingo, 3 de novembro de 2013

Lou Reed - Alguém a ser descoberto

Hoje, dia 3 de novembro de 2013, completa uma semana da morte do músico Lou Reed. O mais engraçado dessa história é que a uns 3 meses atrás, lá estava eu sentado no meu computador colocando o albúm revolucionário “Transformer” pelo youtube para tocar. É claro que é impossível falar de Reed sem citar a revolução artística de Velvet Underground é como falar de Picasso sem falar do cubismo. E exatamente essa comparação é essencial por que voltando ao passado, é possível ver até hoje a polêmica que o nosso poeta e sua banda causaram com um dos mais revolucionários álbuns de todos os tempos, “Velvet Underground and Nico”, onde tudo começou.
                                                                    
Nico(Christa Päffgen), anagrama de ICON também produzida por Andy Warhol, foi uma das introdutoras da banda no começo, “o albúm da banana” é com certeza algo que alavancou a banda por que se Heroin, que creio ser a música do albúm mais controversa, fez sucesso na voz de Reed, Femme-Fatale já não combinaria tanto com o senso e o teor da música, mas é importante dizer que mesmo assim sua voz serviu para músicas bem sensoriais mesmo no cinema com David Lynch. O que se sente com Sunday Morning é uma calmaria enquanto o que se sente com The Black Angel’s Death é essa poesia mortal em um violino cortante e adequado para acompanhar a voz de Lou, mas a única conclusão possível e tirar disso é esse modernismo experimental e inédito fiel das obras de Warhol.

É essencial também discutir que o fracasso do último albúm a qual Reed participou, “Lulu” com a banda “Metallica” foi de certo modo coerente,  aquilo que Reed tinha feito com sua banda em anos atrás era totalmente experimental e praticamente cantava poesias de, dentre vários poetas e escritos, nada mais nada menos que Allen Ginsberg. Por isso “Lulu” é de Reed não do Metallica, simplesmente por que a um avanço maior em Reed que permite que a maioria dos fãs como disse a Metal Hammer:  “ignoraram Lulu – e irão ouvir Master of Puppets”.

Lou Reed no Velvet Underground e fora do Velvet continua a mesma pessoa, porém é importante acentuar, maldição ou não de seu talento é preciso ter algum contato coerente com músicos que cantem/toquem, Heroin como Heroin e não uma Femme-Fatale  como “One”, outro fator importante que para mim tenha sido o fracasso de “Lulu”. É em “Transformer” que a característica própria poética, roqueira e underground que Reed consegue  provar essa beleza rara que é sua música, tanto que seu trabalho foi “dividido” com uma das poucas pessoas que considero a altura, não diminuindo outros músicos mas sim em questão de estilo, a trabalhar com Lou, o nosso Bowie.

Falando em David Bowie, a sonoridade de “Heroes” tem um toque tão especial quanto “Venus in Furs”. Lou Reed fez alguns trabalhos que com certeza são os mais desafiadores que já vi, dizem que ele fez algumas músicas drogado, e não duvido, mas esse poder sensorial dos “filhos” de Andy Warhol estará com certeza sempre no coração de qualquer um que queira descobrir sons e experimentar poesia e artes plásticas, por que costumo dizer que mais do que completo Lou Reed é praticamente um ser de outra terra, associar poesia no cinema é um meio mais fácil de se atingir e o público ainda que não o maior, já é estabelecido, Reed, já associou música a todos os tipos de arte e fez a sua vida toda diversas músicas poéticas.


Se Reed foi-se, sua música ficou, e desse plano saiu para um melhor guardado para pessoas com ele. De Femme-Fatale a Vicious  o mundo pode sentir com ele um experimentalismo único na música por alguns anos. E hoje eu posso dizer que quando descobri Lou Reed, foi aquilo né, "This Magic Moment".

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