segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Adeus, Lênin! (2003)





Entre a captação da mensagem política e a personagem Alex(Daniel Brühl), dentre todos os aparatos e artifícios clichês e moralistas de que Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003) se mostra capaz de mostrar, apenas um tem a relação fantasiosa mais sólida de todas, a paixão pelo capitalismo. As imagens que se espalham vorazmente por toda a frágil Alemanha pós-guerra, servem para o único e talvez o mais importante discurso capaz de realmente engrenar na relação já revista, agora no plano contemporâneo, entre a política e o amor. Pois Alex é o fruto de uma relação da rebeldia e da ambição, e como tal, é uma figura do retrato mentiroso, mesmo que ainda de fato verdadeiramente manipulado. Alex não é mentiroso, é também ambicioso, humano, civil e criança.

É do trabalho de levantar a cabeça fixar os olhos, erguer os braços, abrir a mão, balança, manejar de um lado ou do outro e finalmente concluir o ato de acenar a uma figura que irá se extinguir previsivelmente de uma maneira ou de outra, que Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003) projeta. Pois não se bate apenas na cabeça da parcialidade de um assunto tão cru a qual acabe se esgueirando na perda de um propósito, nem na rebeldia, mas na cabeça, no ideal cujo mesmo que não interaja de maneira tão manipulada e parcial no discurso político. E daí Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003) provém dos olhos da juventude revirada e solta, mesmo que meramente, das asas da inutilidade moralista da mensagem político-social e prefere seguir o caminho da leitura cinematográfica dos pensamentos, ideias e ações.




Quando as cenas se decompõem com as marcas da nascença política social tanto dos dois meios, é também, que Becker institui a psicologia da análise amorosa, a qual tanto se prende em Adeus Lênin. Por que, aqui, a família da mãe conservadora de Alex, fiel, é devota da oposição do amor, dos meios que colidem em Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003), o socialismo. Dentre o amor, Becker, revira e retoma a amargura de Nicholas Ray, em novo plano, mais fraco e menos objetivo, mas ainda assim do toque da mente juvenil, bem, bem no fundo, mas com um brilho fraco, porém visível.

Do quebra-cabeça político amoroso(um dos mais, bons ou ruins, intensivos ou não, humanos já retratados nos últimos anos) que beira a podridão e dark angustiante da juventude estético-narrativa oitentista e setentista da cultura pop cinematográfica à lá Walter Hill e companhia. A qual de modo ou outro seguiram direta e indiretamente toda a evolução da alma pura de um filme de Nicholas Ray, Becker usa para quebrar e habituar uma nova geração cinematográfica pela quebra do drama e entrada do humor,(ainda que pouco usual, se considerado às fortes doses da influência do pastelão). Assim em diante, Becker não consegue situar de boa forma o espaço e tempo e cai não somente nesse elemento, como também tropeça do monte que todos os diretores se penduram ao se reduzir ao tratamento de um assunto como este a qual tropeça e não consegue tão rápido se curar.

As dores da juventude. Suas ideias e ações sempre tão prolixas e diferenciadas, tratam-se de uma obra em fase de transposição, de uma estrutura dividida, e ainda mais disso que Becker se traduz aqui, mostrando a sua verdadeira identidade, mas como sempre cai na verdadeira mesmice e apaga o brilho num piscar de olhos a qualquer hora e momento. Pois mais do que qualquer outra temática, que parece tanto atrair Becker, todas as retratadas partem da política e conceito subjetivo, e requerem apenas a exposição sem analogia a algum idealismo e parte disso, o discurso de Becker cai bastante na variação e mesmice que parece transpor unicamente ao cinema.


É muito do que se permiti nesse variável que é o cinema afetado de Becker, é somente mesmo a criação artística sobreposta em camadas diferentes. Retraz o conceito nu, ainda que escasso, mas talvez o mais lúdico e próximo há uma breve explicação do cinema, que nada mais é do que a ilusão e mentira(inclusive camada essa, que cobre o roteiro de Becker parcialmente, mas significativamente para construir o elementar assunto da política, amor e juventude em Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003)). Becker reconstrói então, finalmente alguma aproxima maior com os verdadeiros entendidos no assunto a qual trabalharam e expuseram tanto em tela. E é dessa lúdica criação, ainda que quase oculta, que precisava tanto se formar de forma não tanto variável quanto não só anda a linguagem cinematográfica de Becker, mas de muitos diretores com potenciais já provados ou não em tela. É desse impulso que Adeus Lênin(Good Bye, Lenin!, 2003) precisava mais do que nunca, e mesmo nos seus defeitos em ritmos e objetividades, se vestem e começam a servir como uma identidade, reformação de ideias e conceito, mesmo que ainda em última instância, da verdadeira capacidade da arte. Transferidos em tantas partes minuciosamente na tela, não só na mentira, mas no ato de fazer, na transformação de telejornais capitalistas, e até mesmo na empresa símbolo do capitalismo em socialista.

Nenhum comentário: