quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Artesãos da Fotografia IX

Georges Périnal (1897 - 1965)



Nascido em Paris, fixou-se em Londres na década de 30. Poucos talvez guardem hoje a imagem daquelas crianças que querem desmontar um brinquedo ou um rádio para saber como ele funciona(esquecemo-nos facilmente dessa época em que imaginávamos poder desbravar todos os segredos). Foi essa curiosidade pelos dispositivos mecânicos que atraiu esse diretor ao Cinema. Como? Atraído pela mecânica dos projetores, queria entender como elas tiravam fotos, imortalizavam o que era retratado. E assim começou a verificar que poderia alterar o resultado com pequenos truques e engenhosidade. E iniciou uma parceria com Jean Grémillon com quem realizou uma série de documentários até despertar a atenção de Jean Cocteau. E assim o mecânico projetista, quando se deu conta, tornou-se um Poeta da Luz (A partir de Sangue de um Poeta – 1933). Chamado a Inglaterra por Alexander Korda , construiu a carreira que ficou marcada na Sétima Arte. Foi duas vezes indicado ao Oscar: As Quatro Plumas (Zoltan Korda – 1939) e por “O Ladrão de Bagdá (Michael Powell, Tim Whelan e Ludwig Berger – 1940)



                                           Sangue de um Poeta (Jean Cocteau – 1930)


                                                Sob os tetos de Paris (René Clair – 1930)


                                         A Nós a Liberdade (René Clair – 1931)


                                       Os Amores de Henrique VIII (Alexander Korda – 1933) 

                                          I, Claudius (Josef von Sternberg - 1937)


                                              As Quatro Plumas (Zoltan Korda – 1939)

                                         O Ladrão de Bagdá (Ludwig Berger, Michael Powell, Tim Whelan – 1940) 

                                       Coronel Blimp - Vida e Morte (Michael Powell, Emeric Pressburger – 1943)


                                         O Ídolo Caído (Carol Reed - 1948)


                                         Um Rei em Nova Iorque ( Chaplin – 1957)


                                                 Joana D’Arc (Otto Preminger – 1957)


                                    O Pequeno Polegar (George Pal – 1958)


                                          Bom dia Tristeza (Otto Preminger – 1958)


                                          Oscar Wilder (Gregory Ratoff – 1960)


                                        Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse ( Vincente Minnelli – 1962)



Top Gêneros II : Terror (Filmes para se ver em Dia de Halloween!)


Por falta de tempo, ou por excesso de trabalho, ou as duas coisas, limitei-me a fazer algo não muito elaborado (com apenas uma tradução livre do site criticker.com sobre cada filme); mas porque não podia deixar o dia sangrento  passar em branco.


10 – O Iluminado (1980): Um casal e seu filho esquisito decidem isolar-se num hotel vazio, tomando-lhe conta, em troca do sossego, enquanto Jack, o escritor, se empenha no seu próximo livro, no tranqüilo ambiente solitário, demasiadamente, solitário.










9 – Freaks - Monstros (1932): As aberrações das aberrações de um espetáculo circense bizarro.














8 – Phenomena (1985): Uma jovem, com uma estranha relação em lidar com insetos, é transferida para um colégio interno suíço, no qual sua insólita habilidade pode ajudar a resolver uma sério de assassinatos ocorridos.











7 – Lisa e o Diabo (1973): Lisa é uma turista numa cidade antiga. Quando ela se perde, acaba por encontrar uma mansão para de abrigar. Abençoada seja, ela pensa. Mas mais e mais mal amaldiçoada a mansão vai-lhe manipulando e sugando-a num vórtice delirante, um joguete sombrio de marionetes e um mestre dos infernos.









6 – The Beyond – Terror nas Trevas (1981): Uma jovem herda um hotel em Louisiana, onde após uma série de “acidentes” sobrenaturais, a jovem descobre que o prédio fora construído ao longo de umas das entradas para o inferno










 5 – Halloween (1978): 15 anos atrás, Michael Myers, assassinou brutalmente sua irmã. Agora, após escapar do hospício em que estava trancafiado, ele volta para reviver e aliviar seu rubro desejo de morticínio com crimes horrendos, again, and again, and again...










4 – Sob o Domínio do Medo (1971): Um jovem casal decide mudar-se para a parte rural da Inglaterra. Escolheram, porém, o lugar errado. Onde os forasteiros são as caças de um doloroso pesadelo.












3 – A Ilha d0 Medo (2010): Uma história de perseguição num labirinto de uma ilha isolada da mais remota sanidade mental. Louco é pouco.













2 – Violência Gratuita (1997): Dois psicóticos fazem uma família de refém numa cabana de férias. Todos seus jogos sádicos são planejados e fundamentados na maldade. O espectador é cúmplice e culpado.












1 – Prelúdio para Matar (1975): O maior e mais legítimo Giallo italiano. Tem tudo. O Plot psicótico, o enredo de voltas e reviravoltas, assassinatos doentios enlevados a um sombrio rock progressivo. E o melhor uso já visto da câmera subjetiva. É como se o espectador cometesse os crimes. Ao acabar, vá lava as mãos de todo o sangue que escorre.

 ***

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Artesãos da Fotografia VIII

HAROLD ROSSON (1895 – 1988)



Estadunidense de nascença ele foi um dos mais importantes  fotógrafos da MGM onde permaneceu por mais de duas décadas. Foi um dos que ajudaram  a criar e a manter o “look polido”,  uma das marcas do estúdio. “Se é um filme da MGM, tem que parecer um filme desse estúdio”. Modesto, não dizia que estava criando arte, mas sim superando as dificuldades técnicas e aprimorando seu ofício. Quando do aparecimento do cinema colorido, nos trabalhos que realizou dentro dessa nova técnica, dizia que sua contribuição era apenas “controlar a cor”.  Reconhecido pelos seus pares, foi indicado seis vezes ao Oscar: Jardim de Alá (1936), O Mágico de Oz (1939), O Segredo das Jóias (1950), Fruto Proibido (1940), A Tara Maldita (1956) e Trinta Segundos sobre Tóquio (1944)

Principais Trabalhos:

                                              Marujo Intrépido (Victor Fleming - 1937)

                                             Jardim de Alá ( Richard Boleslawski - 1936


                                              Terra de Paixões ( Victor Fleming - 1932)

                                            O Mágico de Oz (Victor Fleming -1939)

                                             Cidade dos Meninos (Norman Taurog - 1941)

                                             Agora Seremos Felizes (Vincente Minnelli -1944)

                                             Duelo ao Sol (King Vidor - 1946)


                                            Um dia em Nova York (Stanley Donen e Gene Kelly - 1949) 

                                            O Segredo das Jóias (John Huston - 1950)


                                            Sinfonia de Paris (Vincente Minnelli - 1951)


                                            Cantando na Chuva (Stanley Donen e Gene Kelly - 1952)

                                            Nasce uma estrela (George Cukor - 1954)

                                            El Dorado (Howard Hawks - 1967)

                                            Fruto Proibido (Jack Conway - 1940)


                                            A Tara Maldita (Mervyn LeRoy - 1956)

                                            Trinta Segundos sobre Tóquio (Mervyn LeRoy 1944)

Escrito por Conde Fouá Anderaos

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Brother - A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles (2000)




O homem no desconhecido, é tema de Kitano, desde Hana-bi – Fogos de Artifício ( Hana-bi, 1997 ), seus protagonistas desdenham da segurança de um local, do abrigo do desconhecido, algo incalculável para um homem perambulante de cidades, países e situações. É claro que a transição de um personagem, mesmo especificamente mafioso, para o posto da insegurança física e pessoal, já foi tema do cinema, principalmente norte-americano diversas vezes. Mas é importante lembrar, que, nos últimos tempos, não à ninguém que conheça mais e oferece tanto para o cinema oriental, quanto Takeshi Kitano.




O protagonista que Kitano tem em mãos ou nas mãos de outros, é símbolo, ainda que não por completo, daquele homem metropolitano, que vive um caos dentro de si, mas que por maior parte das vezes, não o representa exteriormente, algo raro, estranho, semelhante ao feito recentemente na obra de Cronenberg,Cosmópolis ( Cosmopolis, 2012 ). É claro que a obra de Kitano praticamente não tem parâmetros, devido à poesia estranha, desfigurada, única. Porém, é redundante dizer que não à metros de filmes que não influenciaram Kitano em Brother – A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles ( Brother, 2000 ).



Ainda assim, Brother, retoma anormalmente, o cru gesto horripilante, de levantar e apontar uma arma, de empunhar a faca, de socar o estômago. Aniki Yamamoto(Takeshi Kitano) é Yoshitaka Nishi de Hana-bi – Fogos de Artifício ( Hana-bi, 1997 ). Mas à uma partícula elementar que diferenciam eles de forma bruta de simples, principalmente, pelo fato da oposição. Nishi é um homem, um policial, sujeito a qual cresce na alma o elemento do poder de proteger, e em Aniki Yamamoto um parasita, igualmente, porém de valores controversos. A figura de Kitano, ou de Pattinson na cidade de Cronenberg é exagerada, e podem se diferir do retrato interior a qual buscam se objetivar, como fez de modo ainda diferente, Cassavetes com Ben Gazzara em Cosmo Vitelli em A Morte de um Bookmaker Chinês ( The Killing of a Chinese Bookie ), mas a análise, é irretocável e necessária.



A narrativa porém, de Kitano, ainda que quiséssemos encontrar um grau de parentesco que o tenha afetado, pois Brother é com certeza dos filmes que mais provocam a origem da sensibilidade do mal violento, do homem e o seu questionamento, não conseguimos achar. Bate então a câmera num gesto de impacto, de encosto na matéria, para representar então um empurrão. Takeshi, faz mais do que ninguém a análise mais bela de um mal contemporâneo, ainda que este ocupe a violência oitentista e reprima o bom-senso causando usualmente e instantaneamente, aquilo que sempre escondeu mas permanece ainda mais forte com o descontrole de um mundo, o homem como animal. Algo que não basta trazerem Cassavetes, Ferrara, a estes o único erro que os sentencia é o da defesa de algo incomum que os impede seus protagonistas, e que este não seja a própria alma do protagonista. Para isso, devemos recorrer à Kitano, Fukasaku e Suzuki.


Aniki é um homem que perambula atrás, indiretamente, do medo, Takeshi é o homem mais convencional do mundo, e por isso, Aniki é tão estranho, diferente, pois a essa elementar qualidade se vem da brutal casualidade do mundo, onde não se há o “setentismo” de Francis Ford Coppola e sua família de O Poderoso Chefão ( The Godfather, 1972 ). O homem reclama, mas sabe e representa o perigo de si mesmo e sua alma. Por isso a violência que tanto o leva a metamorfose o choca ainda mais na beleza da transição. Em Batalha Real ( Batoru Rowaiaru, 2000 ), Fukasaku tomba a culpa sobre o desespero da falta da compaixão e da própria paixão, em uma história absurda, mas não pessimista ou otimista, ainda que literalmente longe do real, feito pela imaginação que é o elemento principal que o cinema tem o prazer de oferecer, ainda toca nos símbolos complementares do ser humano, é sobretudo a paixão. Em A Marca do Assassino ( Koroshi no Rakuin, 1967 ), Hanada se desfruta da vida do amor, sobretudo o mal do amor, ainda se fossemos ver no cinema norte-americano, buscaríamos no Noir por Nicholas Ray, mas jamais acharíamos a violência, ou o absurdo para o “bom-senso”, mas daí vem a função do Noir, representar ainda que meramente muitas vezes, o homem, a paixão, compaixão. Daí Kitano é o belo, é símbolo do cinema contemporâneo e se iguala a grandes gênios como Jean-Pierre Melville, é o cinema oriental, é parte dos poucos diretores orientais que formam a saga do homem e do amor, mas ainda assim, o grande entre eles. Kitano é apaixonado pelo que faz, assim como seus protagonistas, mas são apenas homens. Mas são homens que lutam a cada dia sem saber e aprendendo sem perceber que quebram a lei que domina os homens, a lei de não aproveitar a vida, a lei de não ajudar o antes inimigo, depois amigo. Tudo feito pelas ondas de calor, e do silêncio, um momentâneo prazer, o Noir, que se torna então, finalmente infinito, com o poder de eternização da arte, não precisa falar, precisa a emoção segundo Samuel Fuller, do olhar segundo Nicholas Ray e o mal segundo a natureza humana, sobre a tela de cinema.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Artesãos da Fotografia VII

WILLIAM H. CLOTHIER  (1903-1996)



Praticamente esquecido pelas atuais gerações esse trabalhador da indústria cinematográfica era muito querido por alguns grandes diretores como  Ford, Wellman e outros cuja simples menção já nos faz ficar mais atentos sobre a sua capacidade artística. Nascido nos EUA era notória sua predileção pelos grandes campos abertos, e a tomada de belas cenas de nuvens de poeira, grandes campos e rios virgens. Captava como ninguém o verde ou a secura de uma planície, as nevadas, os picos escarpados das montanhas. Falando assim dá-se a impressão que se trata apenas de um captador de belas imagens que sempre estiveram lá. Não, ele as aliava muitas vezes ao movimento do homem ao seu redor, quer a Cavalaria,  quer  as carruagens, e tudo o mais que demonstrasse a junção do homem com o solo pátrio(que poderia soar acolhedor ou desafiador). Era o artesão da ação. Quer do alto, quer abaixo do nível do solo, onde obtinha um baixo ângulo para captar o movimento humano. Se é verdade que o fascinava os amplos  espaços abertos, é certo porém que mostrava-se um artesão competente também nos espaços fechados, dotando seu trabalho de um equilíbrio que marcou seu nome na Sétima Arte. Foi duas vezes indicado ao Oscar (Crepúsculo de uma Raça – 1964;  O Álamo – 1960)

Principais Trabalhos:


 Memphis Belle: A Story of a Flying Fortress (Willian A. Wellman – 1944)

                        Sangue de Heróis (John Ford – 1948)


     Estradas do Inferno (Josef Von Sternberg – 1957)

                       Geleiras do Inferno (Willian A. Wellman – 1953)

        Um fio de Esperança (Willian A. Wellman – 1954)

             Dominados pelo terror (Willian A. Wellman – 1954)

            Mares Violentos  (John Farrow – 1955)

                         Rota Sangrenta (Willian A. Wellman – 1955)

          Sete Homens sem Destino (Budd Boetticher - 1956)

        Lafayette Escadrille  (Willian A. Wellman – 1958)

                              Assim se moldam os heróis (Willian A. Wellman – 1958)


                           Bonequinha Chinesa (Frank Borzage – 1958)

                    Marcha de Heróis (John Ford – 1959)

                         O Álamo (John Wayne – 1960)

                           Parceiros da Morte (Sam Peckinpah  - 1961)

                       Mortos que caminham (Samuel Fuller – 1962)

                      Os Comancheros (Michael Curtiz – 1962)

              O Homem que matou o facínora (John Ford – 1962)

                             Um Clarim ao longe (Raoul Walsh – 1964)

                     Crepúsculo de uma Raça (John Ford – 1964)

                          Rio Lobo (Howard Hawks – 1970)


                              O Aventureiro do Pacífico (John Ford - 1962)