quarta-feira, 31 de julho de 2013

Guardiões da Ordem (2010)





“Durante uma ronda noturna que acaba mal, dois policiais ferem com um tiro um jovem drogado (filho de um deputado) que acabara de matar um de seus companheiros. O jovem após sair do coma, acusa-os de abuso policial (estava na sua residência e foi perturbado). Para provarem sua inocência eles resolvem investigar por conta própria quem distribui ou fabrica a droga química responsável pelo descontrole do agressor.” 

A história em si é comum: o surgimento de uma nova droga que aumenta a agressividade, uma batida policial que acaba mal, um mergulho no meio dos narcóticos na demanda de seus criadores e distribuidores. Apesar dessa trama, trata-se de algo ao menos “assistível”. Não se vê aqui o correr desenfreado dos filmes estadunidenses, e quando o mesmo ocorre está dentro de um equilíbrio e lógica. Os personagens também são bem construídos, ainda que muitos sejam desinteressantes. A dupla central é formada por uma policial que esconde sua feminilidade atrás de um uniforme e um policial impulsivo que foi transferido devido sua agressividade. Apesar de suas limitações, quando aquilo que os sustenta (o uniforme) é ameaçado, eles se apegam naquilo que lhe resta de honra e partem para salvá-la. E a forma como realizam isso, no limite entre o certo e o errado, é que nos prende ao filme. O caminho percorrido em busca dessa salvação pode ser o começo da perdição. Eles se percebem como peças de uma engrenagem que os pode descartar para manter a aparência. E ao mergulhar em busca da salvação podem encontrar a perdição.

A mensagem social é colocada de forma sutil por toda a película. Talvez por isso ela surja de maneira mais contundente, distanciada dos clichês habituais. A podridão não se restringe a um grupo social especifico e não está restrita a um espaço determinado. Por todo o lado as drogas se espalham e seus alvos são escolhidos a esmo, ainda que se focalize aqui de preferência, as altas esferas do poder. O diretor arranha rapidamente a superfície de toda a sociedade. A ação dos policiais, feita de forma pouco cuidadosa e mais emocional, resvala pouco em um idealismo. O que se busca aqui é salvar a própria pele. Não se cai na facilidade de se mostrarem seres perfeitos. Quando em um assalto a que foram chamados, um deles não se importou em furtar uma barra de chocolate. Apesar disso o norte moral é encarnado pela personagem de Cecile de France (Meu Coronel) em curto momento. Ela refutou de forma imediata o se usufruir dessa mísera barra. Mas posteriormente ela se cala, quando a hierarquia solicita e se torna posteriormente heroína sem moral.

Esteticamente o filme navega no oceano de uma composição perfeita e fria, distante mesmo de qualquer emoção mais digna. Frio, seco, a música vai da tecno ensurdecedora até o trip-hop mesclando-se com notas agudas que acabam por construir uma urbanidade desumanizada. Parece que nesse mundo criado pelo homem, o mesmo deixou de lado quaisquer resquícios da humanidade que o impulsionava a construir uma civilização. Falta um toque de delicadeza ao filme. Mas isso é uma opção que parece ter sido descartada pela direção. É como se víssemos uma autópsia de um mundo já destruído e clamássemos por um remédio o qual não pareceu preocupar seus produtores. O filme vale, sobretudo para compararmos como o cinema francês trabalha um tema que soa-nos totalmente americano. Vale conhecer.


Escrito por Conde Fouá Anderaos


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Artesãos da Fotografia - III

Nicholas Musuraca (1892 - 1975)




Italiano de nascimento aportou nos Estados Unidos ainda criança. Trabalhando na RKO não teve os holofotes sobre si como os outros já citados. No entanto a revolução causada por Toland com Cidadão Kane deve ser compartilhada com Musuraca. Em 1940 “O Homem dos Olhos Esbugalhados” (péssimo título em português), um filme menor da RKO dirigido por Boris Ingster já  explorava a profundidade de campo. Sua fotografia iniciava-se e terminava com sombras, mostrando o forte legado que recebera do Expressionismo alemão. Enclausurado aos filmes B da RKO, só teve a sua disposição uma grande oportunidade: Foi em "A Vida de um Sonho" (1947) dirigido por George Stevens, onde conseguiu um orçamento (e tempo – as filmagens demoraram 6 meses) que lhe permitiu mostrar todo o seu talento enquanto artesão – Sua única indicação ao Oscar. Mesmo assim nem os baixos orçamentos com que convivia impediram que seu trabalho ficasse invisível, não chamando a atenção. O que seria das produções de Val Lewton sem a colaboração dele? Causa-me até hoje estranheza não ver seu nome nos créditos de "A morta viva" (1943) de Tourneur. Ainda que lá não esteja, não teria ele contribuído com suas orientações?


Principais trabalhos:

                                          O Homem dos olhos esbugalhados (Boris Ingster – 1940)


                                                     Sangue de Pantera (Tourneur – 1942)


                                           Silêncio nas trevas (Robert Siodmark – 1945)


                                                            Fuga do Passado (Tourneur – 1947)


                                                          Só a mulher peca (Lang – 1952)

                                                   Alma sem pudor (Nicholas Ray – 1950)



                                                          A Gardênia Azul (Lang – 1953)


                                                     Sangue na Lua (Robert Wise - 1948)


A Vida de um sonho (George Stevens - 1947)




Escrito por Conde Fouá Anderaos




segunda-feira, 22 de julho de 2013

Protestos Caboclos em Abortos Arcaicos

 
(SOMOS) TÃO JOVENS, NÃO TÃO FÚTEIS
Os dias new wave brasuka que vestiam ombreiras, calça de brim e polainas em final de ditadura rumo às Diretas Já, deram lugar a geração W(i-Fi). As décadas de 80 e 90 nos deixaram, hoje os meios de se obter a informação são brutalmente velozes mas que legado restou-nos?

Estive num tempo em que a série Malhação era febre nacional, na trama, o ponto de encontro dos protagonistas chamava-se Guacamole. Vira ampulheta que tem novo nome, adivinha qual? Se respondeu Gigabyte! das duas uma, ou você é um velho oráculo ou é tão jovem quanto o google que digita. Desta forma, eis que chegamos a malfadada cultura de almanaque! Nos tempos em que a revista Bizz era fonte de cultura para alguns, pra outros, claramente algo mais superficial. Você talvez deva se perguntar, mas e o que isto tem haver com o filme? Resposta, TUDO. Prometendo recriar os dilemas e agruras juvenis de um dos maiores poetas da música brasileira, surge a ambiciosa premissa de Somos Tão Jovens.

Juntamente com a família Manfredini, somos transportados ao ano de 1973, quando decidem trocar o Rio de Janeiro pela cidade de Brasília. Logo no princípio, o enredo demora a engrenar, passando quase que invariavelmente ao redor de um único personagem, Renato. O texto é frágil, óbvio, e ainda que contando muito do que já era sabido, não há inteligência argumentativa nas decisões do roteiro. O que vi foi uma reconstituição truquera que sutilmente esconde-se entre o ácido e poético contido nas letras de Renato, que convenhamos, é uma tremenda covardia. É fato que surgirão aqueles que (como eu ‘robô’) foram ou serão tomados por algum tipo de emoção, entretanto, muito mais pela memória afetiva (e densidade influenciada no som dos acordes da Legião Urbana), do que por força do argumento textual de Marcos Bernstein, o roteirista.

É diante de uma contemporaneidade tamanha, que extrapolam-se riscos causando uma tremenda confusão: o da velocidade com a falta de conteúdo. O longa dança através de um ar novelescamente Record, tudo aos olhos do diretor Antônio Carlos da Fontoura. Este que já havia acertado no documentário musical Loki, Arnaldo Baptista, entretanto aqui esbarra bisonhamente por cima de um perigoso muro onde escolhe não dramatizar ou polemizar, não demostrando assim, nem uma coisa nem outra. Nem os maiores dos iconoclastas imaginariam que a força impressa pela “Geração Coca-Cola” de Renato conseguiria deter tanto poder. Ser Renato não é tarefa fácil, Thiago Mendonça (2 Filhos de Francisco, 2005) foi Renato encarnado, gostei dele admito. Laila Zaid (Aninha, melhor amiga), foi bem, sobrou alguma química entre eles, mas repare no amigo punk de Renato, do caricato ao lúdico, onde acharam esse cara? E quem em sã conciência acharia que esse menino de sotaque fabricado foi um dia um ‘gringo’ de verdade!?
IMPRESSÕES
Não somo feitos de lata nem de sangue de barata, mesmo assim é vergonhoso analisar como este diretor subestima seu público. Perceba que tudo é pra Renato e por Renato. Não se pode justificar um longa que necessita de um personagem apenas em sua auto-sustentação, ainda que seja Renato Russo, isso não é desculpa. Interessante foi ver a dita epifisiólise (rara doença óssea), logo no principio do filme, obstante, não se cumpriu o prometido. Fui ao cinema imaginando ver o lado jovem, a lá begins de Renato Russo, o início e o surgimento do poeta-gênio de minha época. Mais do que isso, busquei na trama o remeter da história de amor e carinho, das canções que até hoje me tocam. Muito embora sutilmente vacinado, de peito aberto e ‘desarmadurado’ me atirei. Esperei algo de maior densidade - fui vão, o mais próximo foi na descrição da escolha do pseudônimo ‘Renato Russo’ (inspirado nos filósofos Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russel, além do cineasta e roteirista inglês Ken Russell).
Cinebiografias nunca são fáceis é bem verdade, sofreu o roteirista com a pressão da família de Renato, normal - mesmo assim o diretor foi medroso. Resultado, o texto foi covarde, fazendo sofrer o espec(ta)dor na forma como tratou o longa. As canções, a homossexualidade, o Capital Inicial, o Paralamas (entre muitos), e finalmente o testemunho do nascimento da Legião Urbana através do extinto Aborto Elétrico - tudo rodeado de uma ótica banal e superficialmente boba.


As questões alegóricas também me incomodaram excessivamente. Não se pode literalizar exageradamente os acontecimentos de uma história, neste caso ‘letras de música’, constrange(a)DOR por momentos – vergonha alheia escutar personagens dizendo: “Festa estranha, gente esquisita”, nossa que medo! Com atuação rasas, beirando o total amadorismo com pipoca, Somos Tão Jovens foi uma versão da Legião na Malhação, ou pior, na Rede Record. Salvou o menino que fez o papel de Renato. Na verdade talvez até deixe-nos uma pergunta, um grande ator ou um belo imitador? Foi hilário ver o rapaz (nem sei quem é Edu Moraes), se fazendo passar por Herbert Vianna. Ridículo, exageradamente caricato, mais parecia um adolescente prensando um baseado no arrastar da fala.
O que vi na tela foi uma versão barateada de Malhação, além da superficialidade enlatada, rasa por demais. Não se pode eliminar a profundidade das coisas, ainda mais em se tratando do mito que foi Renato Russo, seria quase como se construíssemos um castelo sem alicerce. Pegue a falta de experiência, (atrelada a) um fraco embasamento, soma-se isso ao um impressionante número de inconsistências, mais cedo ou mais tarde tudo desaba, foi o que aconteceu. Perdão a trocadilhagem, mas desta vez a coisa ficou russa pra Renato, ainda mais para uma legião ávida por conteúdo. No meu caso, eu prefiro o velho ao vazio do banal, e de fato, foi um aborto - arcaico, sem cor ou vida e definitivamente sem eletricidade alguma. Se Renato disse que “não temos tempos a perder”, bom... neste dia eu perdi!
FAROESTE CROQUETE
Provavelmente uma das tramas mais famosas da história da música brasileira, nascida num momento onde os fãs reclamavam que Renato Russo não compunha sobre as raízes do povo brasileiro. Mas quem que nunca imaginou ver filmada a épica história de João de Santo Cristo? Eu não. O clássico foi composto em 1979, tem exatamente 168 versos, nove minutos e trinta segundos canção, todos convertidos em mais de 100 minutos estruturados pra tela grande. Faroeste Caboclo retrata a saga do anti-herói brasileiro, do seu nascimento até o catártico enfrentamento western de vingança e ódio entre Jeremias e João de Santo Cristo! Como estrutura fílmica, devo dizer que foi bem mais sucedido que Somos Tão Jovens, funcionou. Ainda que os separemos em caixinhas distintas, não se pode esquecer que trata-se de uma canção, enquanto o outro, uma trama biográfica.
 
IMPRESSÕES
O diretor René Sampaio acerta na ‘desromantização’ da letra, o que tornou possível o improvável, fazer o (in)competente texto de Victor Atherino e Marcos Bernstein de canção virar roteiro, e por sua vez, um filme! A espetacularização contida na história poderia destruir o filme por completo, a ausência das câmeras da gente da tv juntamente a via crúcis que jamais vira circo também foi exitosa. Sampaio foi muitíssimo feliz optando por uma crueza nordestina na força da fotografia, onde a solidão e as lembranças de Santo Cristo são muito bem desenhadas. Cabe ressaltar que estes pequenos elementos, foram de longe INSUFICIENTES para justificar a fraqueza esquelética do longa.
Nas deixas onde aparece Brasília na década de 80 precisei me esconder, fracasso anunciado. Entre os núcleos de Maria Lúcia (Ísis Valverde) devo confessar minha profunda e já prevista decepção, as atuações de Valverde são mornas, a opção por transformá-la em filha de um senador (Marcos Paulo) poderia ser interessante, mas não convence. Também foi triste ver ‘globais baratos’ sendo empurrados goela abaixo, Valverde em telas caseiras, no folhetim das 9 pode até funcionar, aqui definitivamente não convence, jamais deveria ser colocada na mesma tela de nomes como Antônio Calloni, que diga-se de passagem, tem muitíssima presença na telona, queria vê-lo mais vezes.

Fabrício Boliveira como João de Santo Cristo foi bem, mas não passou disto. As soluções dramáticas dadas ao casal são lamentavelmente fracas, tem a profundidade de um pires, não se pode acreditar que tamanha superficialidade possa ter causado o fatídico duelo. Por fim acho de extremo mau gosto essa insistência em transformar livros (e músicas) em filmes. É uma ideia (não só) do cinema brasileiro, mas que em nada faz-nos crescer artisticamente, apenas (n)os bolsos da indústria. Desta vez farei diferente, poderia citar mil situações pra justificar minha opinião acerca do vi e ouvi, entretanto(s) ficarei apenas com mais um momento: Jeremias se fazendo passar por Tony Montana (Al Pacino em Scarface) esfregando o rosto na cocaína, meeeeeeeu deus, lamentavelmente TERRÍVEL. Não acredita? Assista e encare os sustos se puder!
SENÃO VEJAMOS
Perceba que esta critica é também um protesto, para que casos como este devam repousar internamente em nossos corações, entre as mais queridas lembranças de nossos heróis e vilões. De memórias nascidas (acompanhadas) e crescidas através de uma maturidade mútua, não das construídas artificialmente, ‘a toque de caixa’. Lidar com ícones dessa magnitude é bastante complicado, seria quase como as frases que moleque escutava dos mais velhos: “Não mexe aí guri, isso é uma relíquia!” São nossos tesouros, e desta forma faço a mesma relação no que diz respeito à maioria das refilmagens, (re)mexer em clássicos, seja da literatura, cinema ou música, penso ser totalmente DESNECESSÁRIO. A desculpa é sempre a mesma, para as novas gerações, bobagem, a nova geração é antenada, não precisa de subprodutos.
É bem verdade que ainda somos nós - tão jovens, caboclos e cheios de eletricidade descapadamente viva, mas aqueles que ousarem tentar retirar-nos isto, estarão subestimando a força não apenas de uma geração, mas de uma LEGIÃO. Nem Coca-Cola nem Y-Z, mas dos que tem sede à informação - sem industrialização barata do cinema (caça-níquel), queremos pintar o sete e a sétima arte, não só de panis et circenses - de circo e pão, nós queremos CINEMA, pipoca e um pouquinho de atenção.
* Chega do cansaço de ser poeta (pseudo) pensador de filtro solar, que exprime opinião, mas se furta à exposição.
Faroeste Caboclo (2013) TRAILER

domingo, 21 de julho de 2013

Os Incompreendidos (1959)



É necessário confessar primeiramente que nunca me entusiasmei com os filmes de François Truffaut. No entanto tenho de me quedar à realidade. Esse seu filme de estreia é joia rara. Ele debuta atrás das câmeras de maneira realmente vigorosa; o filme nos marca pela sua qualidade de tom e pela sua mise en scène que se vale de todo o legado trazido pela nouvelle vague. Logicamente que nessa minha falta de entusiasmo não podia deixar de ver várias qualidades em obras que vi anteriormente. A questão é que não me empolgava sua visão da existência, seu distanciamento (ou pelo menos a forma que ele se valia dessa escolha). Os filmes que vira antes foram: "A mulher do lado", "O Último metrô", "O Garoto Selvagem", "A noite americana" e "Fahrenheit 451". Fora o último nenhum me deixou saudades.

Não é preciso dizer que nunca me nunca me esforcei por conhecer as suas outras obras. Algo que "Os Incompreendidos" definitivamente mudou. Devo assistir suas primeiras películas. Também (quem teve a paciência de ler minha crítica a “A Canção da Estrada”) não podia compreender como ele ousara atacar a obra de Satyajit Ray de forma preconceituosa. A própria obra “Os Incompreendidos” demonstra que ele errou feio. Também não trata ela de temas idênticos ao do indiano? Há mais semelhanças que diferenças na infância de qualquer ser humano, não importa aonde ele nasça ou viva. A Nouvelle Vague ou o lírico neo-realismo de Ray são apenas instrumentos. E fazer uso de certos fundamentos de uma escola não é receita eficaz que crie necessariamente um grande filme. Há sempre que ter um talento maior atrás das câmeras.



Agora existe nesse “Os Incompreendidos” uma beleza que remete a obra mesmo e que nos comove até hoje. E a utilização dos ingredientes da Nouvelle Vaggue serve de reforço para a construção da obra: Cenários naturais, situações e personagens do próprio quotidiano, linguagem das ruas, tomadas exteriores inusitadas que ao mesmo tempo nos soam naturais, mise en scène descomplicada. Uma fotografia serena e bela, música que casa perfeitamente com a narrativa e uma montagem inteligente. Alie-se isso a presença de temas universais e perenes: Infância, puberdade, liberdade, lirismo, emoção... O retrato de toda uma geração pós Guerra e a persistência sempre do novo que irá substituir o velho. Hoje vemos as semelhanças que já tivemos com eles(a Geração passada). Futuramente a nova geração enxergará a similitude com a nossa. Um filme quase documental sobre um adolescente da década de cinquenta? Sim, e que carrega elementos que encontrará eco em qualquer um que viveu aquela época.

Talvez a palavra que eu procure é comoção. Não aquela que surge de maneira forçada. Aqui ela nos vem racionalmente. Sentimos empatia com o garoto, sem odiarmos os que o hostilizam. O professor, o padrasto, a mãe ausente (que ainda busca o par ideal), os pais do amigo, são vítimas de um sistema assim como Antoine Doisnel. Seres que matam o tempo que lhes resta, que não vêem na existência um motivo de ser. Vivem o mundo finitamente. Tudo soa efêmero e o próprio Doisnel mostra-se não um revoltado, ele também não pode se revoltar já que tudo lhe é estranho. Nenhum dos que surgem a tela possuem certeza sobre o que fazem. O que me comove nessa obra é a tentativa desesperada de cada ser justificar sua existência.

O elenco todo  é preciso. Agora o destaque é Jean-Pierre Léaud. Sempre preciso em cada enquadramento. Truffaut foi agraciado com sua presença. E nós também.

Espero que as demais obras com Doisnel permaneçam tão firmes como essa. Qualquer elogio a tal filme dificilmente soará desmerecido.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

Meu Coronel (2006)




O que a primeira vista chama a atenção em tal filme é o fato de ser o seu roteiro assinado por Costa-Gravas e Jean-Claude Grumberg. E quando se cita o nome de Costa-Gravas automaticamente temos a certeza de que se trata de um filme politicamente engajado. E o roteiro se finca sobre um passado recente que ainda incomoda: a colonização.

Meu Coronel retrata A Guerra da Argélia através do olhar e do relato de um jovem ajudante de campo do Coronel Duplant a Saint-Arnaud. Licenciado em direito, é sondado pelo Coronel a estudar a liberdade de ação que foi colocado em suas mãos através dos poderes especiais aprovados por unanimidade pela Assembléia Nacional. Bem cedo ele passará a perceber o significado do ditado dê poderes a um homem e descobrirá sua essência. E nós compreenderemos o que dizia a carta enviada aos investigadores: o coronel morreu em Saint Arnaud.

Diz se com freqüência que a Argélia foi para a França o que o Vietnã foi para os EUA. Em termos de representação lógica. Afinal, de certa forma, mudam-se apenas os intérpretes, mas o dilema persiste o mesmo não importa onde. Quando o confronto bélico se estabelece, nascido por um sistema que visa explorar o outro em benefício próprio, esse mergulha no coração das trevas que não permite o seu retorno a superfície,  sem que se abram feridas no coração da nação.
Habituados que estamos em ver filmes que retratam a Guerra do Vietnã, parece-nos (com alguma razão) que os franceses ainda não sabem ou não querem filmar sua Guerra colonial. Talvez mais do que o Tio Sam, tal máxima nasce do desconhecimento que temos do que é produzido em terras francófonas. Nasce também do repúdio oficial quando do lançamento de A Batalha de Argelfilmada por Pontecorvo. Creio que não temos conhecimento do que é produzido por lá e esse desconhecimento faz com que acreditemos em tal clichê.

Meu Coronel tem qualidades e fraquezas que saltam aos olhos. Comecemos pelas interpretações. Olivier Gourmet compõe um Raoul Duplan denso, dúbio e manipulador com tamanha segurança e destreza que consegue camuflar seu verdadeiro caráter. Ou pode-se também crer que as facilidades concedidas pela Assembléia teriam despertado um dos lados que se digladiava com o outro em tal figura. Frio, calculista, polido, intelectual, lógico, seco, distante de todos quando se trata de atingir um objetivo e próximo quando se trata de justificar suas atitudes, a criação de Gourmet arrasa e arrasta em torno de si todos os demais. Sagamore Stevenin não consegue em sua construção de Guy Rossi ombrear seu parceiro em cena. Culpa credite-se a visão distanciada e imparcial que quis se dar ao seu personagem. Nem quando ele se aproxima daqueles que estão embrenhados dentro da sociedade argelina, consegue extrair um mínimo de interesse de suas ações. É Raoul Duplan que parece vampirizar suas ações tornando-o um ser em permanente estado catatônico. Quanto aos personagens do presente (1995) e suas interpretações, vale somente pelo momento em que vem a baila os dizeres de Victor Hugo quanto ao militar Saint Arnaud. Ou seja, o modus operantisjá era conhecido e repete-se a exaustão quando se trata da transformação de homens em máquinas de matar.

Os roteiristas optaram por construir uma pura reflexão sobre a articulação entre a decisão (ou permissão) política e a ação militar. Ou pior, sobre a prática da Guerra debaixo da Democracia.
O problema mais grave de Meu Coronel é de cunho narrativo. O passado que é desvendado mergulha passo a passo em um dédalo de pesadelos terríveis (mais sugeridos que mostrados), enquanto que os que se apercebem disso no presente reagem de forma amena, como se estivessem lendo um folhetim sentimental, ao invés de um drama. O personagem de Cécile de France (Guardiões da Ordem) fica triste ao ver o caminhar de Guy que se alistou voluntariamente devido a uma desilusão amorosa (não com o que é insinuado ou descoberto).

E por final faltou um maior endurecimento das cenas, um aumento gradual da violência perpetrada, tanto física quanto psicológica sobre a população. As cenas destinadas a isso não encontram casamento com o insinuado pelas palavras. Faltou dar uma maior voz aos que lutavam pela Independência. E esse não conseguir dar voz ao outro, é justamente o pecado mortal da obra. O diretor não consegue assim contextualizar sua denúncia. O que enfraquece muito o resultado final.


Devemos então assistir Meu Coronel?  A resposta é positiva pelo tour de force de Olivier Gourmet e pelos aspectos técnicos do filme: Cenografia, fotografia e sonoplastia. É isso.


Escrito por Conde Fouá Anderaos

sábado, 20 de julho de 2013

Músicas Nacionais que citam atores e atrizes do Cinema - Parte I

Com certeza você já se pegou ouvindo alguma música que faça referência a algum ator;  seja ele bom, seja famoso, seja apenas para rimar com o verso da música! E mesmo independentemente da música ser boa, do gosto de cada um, é curioso pensar no papel que o ator assume na letra da canção. Se ele está ali à toa, se ele quer simbolizar algo, enfim. A lista que selecionei não pretende ser um top; como usualmente fazemos. É claro que eu tenho as minhas preferidas, ao passo que simplesmente repudio algumas das músicas que listei. Mas a ideia fundamental é pela curiosidade do assunto, que nunca vi em nenhum blog ou site uma listagem sobre esse diferente tema. A ordem, como disse, não significa que uma está acima da outra em qualidade; a ordem é arbitrária.

Assim, a listagem que preparei, espero tenha ficado claro, é a título de curiosidade e um pouco de reflexão. Eu, por exemplo, - e se isso tiver uma explicação melhor, que eu simplesmente não consegui captar, avisem-me nos comentários, por favor - sempre me perguntei o que quis dizer Djavan, na letra da música “Te Devoro”, ao dizer: “te devoraria tal Caetano à Leonardo DiCaprio.” O que, parece, aos meus olhos, é que ele está declamando seu amor, tentando explicar o que sente. E Talvez estivesse estabelecendo um parâmetro de beleza (já que Leonardo DiCaprio é, admitamos, um sujeito de boa aparência). Djavan, TALVEZ,  como que dissesse, “meu amor por você é tanto, que ele chega, para mostrar que mesmo na pior das hipóteses, eu ainda a amaria”, a comparar as belezas de coisas extremos: “tal Caetano(Veloso) à Leonardo DiCaprio”. Fosse ela como fosse. Não parece, então, que ele usa Caetano Veloso para simbolizar o que seria uma figura muitíssimo feia? Na letra, ele prossegue dizendo que Deus haveria de ter criado, pensando nela, os dinossauros, a Via Láctea, e ele, Deus, fez sua vida, de Djavan, todinha para ela. Por isso, ele a amaria se ela fosse mesmo tão analogamente bela não como um DiCaprio, mas mesmo sendo um Caetano. Mas que ofensa ao amigo Caetano! Mas convenhamos que faz sentido.

De qualquer formar, no outro oposto, não deixa de ser engraçada e criativa a rima de “Andaime” com “Van Damme”, dos Mamonas Assassinos.  

Por outro lado, temos os atores que simplesmente se tornaram uma caricatura, um símbolo que representa uma certa forma de agir, uma personalidade de conduta. E é nesse espirito que Belchior cita James Dean.

Temos ainda, noutro ponto de vista, Caetana Veloso falando de coisas presentas na sua realidade da época, no seu modo de estar e ver o mundo. Fala de Bancas, Coca-colas e mulheres bonitas do mais belo cinema de sua época, Claudia Cardinale, Brigitte Bardot. É mais sobre uma perspectiva de conceber o mundo, o redor, e ir! (por que não?).

E, por fim, umas últimas palavras sobre a referência de Jupiter Mação, em sua “Marchinha Psicotica de Dr. Soup”, que vai muito Além de Woody Allen. As citações, de muitos gênios de tudo quanto é arte; a ideia da transmutações, o trabalho de timbres, texturas, experimentações linguísticas, uma música que tem consciência de si mesma, que vai de bossa nova, rock, psicodelismo, e marchinha de carnaval, numa multiplicidade de conotações culturais e todo um ensopado de genialidade, engravatada num mundo surrealista que faz sentido. Obra-prima.

Após dar algumas opiniões, eis então a lista e suas referências de atores:  

***

A Marchinha psicótica de Dr. Soup – Júpiter Maçã
Referência ao Woody Allen:
Querida, que tal baixar o televisor?
Deitado no divã com Woody Allen
Eu tive um sonho com aquele estranho velho alien
Que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen.”




***
Chopis Centis – Mamonas Assassinas
Referência ao Arnold Schwarzenegger e ao Van Damme :
“Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Pra pegar um cinema, do Schwarzenegger
"Tombém" o Van Daime.”




***
Medo de avião – Belchior
Referência ao James Dean:
“Foi por medo de avião que eu segurei
Pela primeira vez a tua mão
Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim
Que coisa adolescente, James Dean...”





***
Alegria, Alegria – Caetano Veloso
Referência à Claudia Cardinale e à Brigitte Bardot:
“O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...”



 ***
Eu te devoro - Djavan
Referência à Leonardo DiCaprio:
“Porque te ignoro, te conheço,
quando chove ou quando faz frio,
Noutro plano te devoraria
Tal Caetano a Leonardo DiCaprio.”




***

terça-feira, 16 de julho de 2013

Artesãos da Fotografia - II

Gregg Toland (1904-1948)




Estadunidense como Walker, Toland é mais lembrado que o primeiro, devido a sua contribuição com Orson Welles em "Cidadão Kane". Ao contrário do primeiro recebeu um Oscar por seu trabalho em “O Morro dos Ventos Uivantes” (1939) dirigido por Willian Wyler.

Agora (em relação a Walker) ele pode ousar mais graças a estar capitaneado por um novato (Welles em Cidadão Kane) atrás das câmeras que lhe deu carta branca para explorar o captar de imagens com uma maior profundidade de campo, o explorar as possibilidades que poderiam ser alcançadas pela lente de 24mm tratadas quimicamente para redução do brilho a fim de aumentar a transmissão de luz, uso de luzes de arco utilizadas para filmagem em Technicolor  e a opção de se valer dos filmes Kodak XX (os mais rápidos disponíveis no mercado a época).

Logicamente Toland não é somente "Cidadão Kane". Era requisitado pelos grandes daquela época e não foi a toa que o magnata  Hughes o quis como aliado em uma de suas incursões pelo cinema(O Proscrito). Foi indicado ao principal prêmio da Academia de Hollywood pelos seguintes trabalhos:Os Miseráveis (1935), Cidadão Kane (1941), Beco sem saída (1937), O Morro dos Ventos uivantes (1939) e A Longa viagem de volta (1940)



Principais trabalhos:


                 Cidadão Kane (Welles - 1941)


                 Os Miseráveis (Richard Bolelawski – 1935)


          Vinhas da ira (Ford – 1940) 


        A Canção do Sul (HC Potter – 1946) 


      Bola de Fogo (Howard Hawks – 1941)


     O Proscrito (Howard Hughes – 1943)


         Um anjo caiu do céu (William A. Setter - 1948)


             Os melhores anos de nossa vida (William Wyler -1946)

          O morro dos ventos uivantes (William Wyler - 1939)


            A longa viagem de volta (Ford - 1940)


      Interlúdio (Alfred Hitchcock - 1946)


Beco sem saída (Wyler - 1937)


Escrito por Conde Fouá Anderaos

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Artesãos da Fotografia - I

Geralmente quando nos dedicamos a falar de cinema acabamos por exaltar sempre o trabalho da Direção e a performance do elenco. Jaz esquecido assim atrás das câmeras inúmeros outros artesãos, aos quais só nos damos conta, geralmente na cerimônia do Oscar e demais festivais. Pretendo aqui iniciar alguns artigos lembrando parte desses artistas que tanto contribuem na feitura desses filmes que tanto amamos.




Joseph B. Walker (1892-1985)





Praticamente esquecido pelas gerações de hoje, possui trabalhos maravilhosos. Infelizmente poucos terão o prazer de notar a grandiosidade do trabalho desse artífice em sua totalidade. As imagens prateadas captadas através de seu talento como iluminador e fotógrafo são conhecidas (quando são) de forma indigna através de um encolhimento em vídeo ou na TV. Quem puder ver seu trabalho em 35 mm verá do que falo: a impressionante cena do palheiro com a iluminação enluarada em “Aconteceu naquela noite” ou o pomposo funeral de “Horizonte Perdido”, para ficarmos em dois exemplos . Seu trabalho era tão bom que foi lembrado algumas vezes pela academia, tendo tido ao longo de sua carreira 4 indicações ao Oscar: Do mundo nada se leva (1938), Paraíso Infernal (1939), Que espere o céu (1941) e Sonhos Dourados (1945).


Principais trabalhos:

                                                   Paraíso Infernal  (Howard Hawks – 1939)


                                                      A mulher faz o homem (Capra – 1939)


                                                  Sonhos Dourados (Alfred Green -1945)


                                                        A Dama de Shangai (Welles – 1946)


                                                           A Felicidade não se compra (Capra – 1946)


                                                     Que espere o céu (Alexander Hall – 1941)


                                                                    Nascida Ontem (Cukor – 1950)


                                               Cupido é moleque teimoso (Leo McCarey - 1937)


                                                           Dama por um dia (Capra - 1933)


                                                           Horizonte Perdido (Capra - 1937)


                                                      Do mundo nada se leva (Capra - 1938)


                                                       Aconteceu naquela noite (Capra - 1934)



Escrito por Conde Fouá Anderaos

terça-feira, 2 de julho de 2013

Força do mal (1948)








Morse, um jovem advogado, tem como cliente um gangster que construiu sua fortuna explorando uma espécie de jogo de bicho ilegal, que virou febre entre a população. Com o passar do tempo, de advogado ele se torna um conselheiro, quase que um sócio. Confrontado pelo irmão, ao se imiscuir com os meandros do negócio, ele que pensava o controlar se vê controlado. E esse se deixar enredar o obriga como única forma de se desvencilhar a enfrentar a máquina que ajudou a fortalecer.

Aparentemente parece fácil enquadrar o filme de estréia de Abraham Polonsky: filme noir. Contudo o diretor e roteirista mostra que se bebe da fonte do gênero, o utiliza, no entanto para fazer uma crítica virulenta contra o sistema norte americano da época.

Cheio de diálogos aparentemente sem sentido, o diretor não poupa ninguém. Faz uso da história para criticar o sistema como um todo. Ninguém que surge a tela está livre dos pecados: Nova Iorque surge na tela como uma Sodoma ou Gomorra. Não é um Grupo de Mafiosos que corrompe uma Cidade, existe também uma Sociedade que faz vista grossa e que em realidade acredita que poderá ganhar algum com a corrupção que a cerca. A cumplicidade e a tolerância existem em todos os níveis da Sociedade. O próprio irmão de Joe, também vive a sombra da ilegalidade e seu discurso de retidão se esboroa diante do espectador que acaba não vendo na tela ninguém digno de confiança absoluta. Num certo nível, compreender-se-á a inclusão de Polonsky na lista negra do Macartismo: Ele associa a passividade com a falta de consciência política. No entanto esse alargar de questionamentos, o excesso de diálogos, a existência de um grande número de personagens, o ritmo lento por vezes (mas que caminha decidido) pode causar na geração de hoje certo estranhamento. Maior talvez que o causado a época de seu lançamento (o filme foi mal distribuído e sofreu uma censura branca). Essas aparentes barrigas na verdade escondem muitas qualidades. Uma delas é a força narrativa. Joe Morse (brilhantemente interpretado por John Garfield – morto prematuramente aos 39 anos) é um personagem profundo. Se no início nos soa apenas cínico e calculista, ele vai se nos mostrando outras dimensões que jaziam adormecidas: uma forte ligação familiar (necessidade de trilhar um novo caminho?), o desejo de encontrar alguém que ainda possua uma pureza que ele já perdeu. É essa dualidade que faz com que ele cave aquilo que aparentemente é a sua própria destruição (daquilo que nos passou em um primeiro momento). Outra que marca profundamente é o aspecto técnico. A fotografia é muito bem construída sobre uma luminosidade que vagueia entre o claro e a semi-obscuridade. Alguns quadros estão entre os mais bem fotografados daquela década. E a estilização da figura feminina: a amante do chefão vista como uma estranha devoradora de homens que se deve evitar e a pura loira que lhe mostra que ainda existe a salvação.


E temos outra grande surpresa. Não é só John Garfield que nos mostrou seu grande potencial dramático. Thomas Gomes que faz seu irmão constrói um personagem difícil que jamais cai no caricato. Ter encontrado tão bons atores, ajudou muito o diretor em sua primeira aventura atrás das câmeras. Ainda que aparentemente o escrito leve a crer que se trata de um filme irrepreensível, cumpre dizer que alguns personagens carecem de um motivo que os impulsione a serem do jeito que são. E existem também alguns desleixos do roteiro que desmentem o dito anteriormente pelos personagens que buscam romper o laço que os prendem ao esquema (e ao mesmo tempo querem lá permanecer). Falhas gritantes que nem a boa intenção primeira deixa passar despercebida. De qualquer forma o saldo é muito positivo.