sexta-feira, 20 de abril de 2012

Titanic (3D)





Eis que chega ao cinema “Titanic”, famosíssima obra do controverso James Cameron, e junto dele duas notáveis e inevitáveis constatações: de um lado, a ambição megalomaníaca e grandiosa em aproveitar-se das circunstâncias e, do outro, a acentuada inutilidade de um recurso tão vazio e mal aproveitado. Tendo apropriado-se dos cinemas originalmente no ano de 1997, quando rendeu simplesmente a maior bilheteria da história do cinema, que foi recentemente superada pelo próprio Cameron com “Avatar”, o filme chega agora, devido ao aniversário do naufrágio do navio, com a novidade da conversão para o 3D, pretexto com o qual Cameron arrastará milhões de espectadores às telonas, para poder, ele mesmo, afundar-se em grana.

Mas não desejo perder-me aqui em uma análise estritamente ligada aos estímulos sujos que levaram ao relançamento do filme. É certo, no entanto, que não foi inteiramente um desfavor enganoso ao público, pois, muito embora nossas percepções fílmicas sejam bastante influenciadas por dados extrínsecos (a iluminação do ambiente, o silêncio da companhia, o tamanho da tela e qualidade na qual se reproduz a imagem, etc.), ninguém ousará dizer que o filme em si sofre quaisquer mudanças; de modo que o navio sempre encontrará seu iceberg pela frente e - garanto-lhes - jamais conseguirá evitar a tragédia.

No que concerne particularmente ao filme dentro de si, muito tenho a elogiar. Mais do que dizer sobre as qualificações técnicas e formais, sobre as cintilantes atuações, sobre as ainda que rasas discussões sociais, sobre os apurados detalhes de cada plano, ou sobre a construção de uma trama especialmente envolvente. Acima de tudo isso, Titanic agrada por tocar de forma sincera seu público, comovendo-o à medida que transmite deliberados signos de verdade.

Assim, apesar de sua trama ser ficcional, se juntarmos, entre choros e soluços, todas as lágrimas derramadas que Titanic já causou desde sua primeira exibição e continua causando até hoje, certamente teríamos um verdadeiro oceano construído a partir da fonte de nossos corações. Assim o é por tocar-nos fundo, num mergulho no que de mais essencial existe em cada um.

Atrevo-me a dizer que o mais encantador do filme está não tanto nos momentos de exacerbada pieguice, como é o caso da cena grandiloquente do pôr-do-sol no mastro ao som da melosa “My heart will go on” – ainda que reconheça que qualquer relacionamento amoroso constitua-se de uma quantidade embasbacante de sentimentalismo tolo, e que por vezes nos identifiquemos com cenas como essas -, mas, sobretudo, considero que a principal parte do mérito de Titanic e de sua inexplicável doçura reside nos momentos mais tangivelmente verdadeiros, como quando Jack ensina docemente Rose a cuspir. Porque sem dúvidas é aí que está a tão poética pureza e sinceridade daquilo que se chama amor.


3 comentários:

Marcelo C,M disse...

Titanic merece todo esse sucesso, que apesar de não estar entre os meus 10 filmes preferidos, foi responsavel por me viciar em cinema. Se quiser mais, leia minha matéria que se tornou a mais popular no meu blog recentemente.

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Titanic é Titanic,
Se voltasse a telona em 3d,2d,4d não importa, o prazer de ve-lo na tela grande não tem preço.

Sem dúvidas o último grande filme da década de 90 e por que não o último grande filme das últimas décadas?

O Homem da Câmara de Filmar disse...

Ainda não revi o filme em 3d, mas deve ser kk coisa de espantoso! Aliás Cameron é um dos grandes ;) Abraço desde Portugal