terça-feira, 22 de março de 2011

Estatísticas do Oscar de melhor filme


Confira aqui algumas estatísticas dos vencedores do Oscar de melhor filme


Duração

Menos de 1h30: Nenhum

Entre 1h30 e 2h: 28 filmes

Entre 2h e 2h30: 34 filmes

Entre 2h30 e 3h: 9 filmes

Mais de 3h: 12 filmes

O Filme mais curto a vencer o Oscar de melhor filme foi Noivo neurótico, Noiva nervosa, com 1h33. Já o mais longo foi E o vento levou, com 3h53.


Roteiro

Original: 24

Adaptado: 59

Embora não exista qualquer tipo e vantagem nos filmes com roteiro adaptado, eles venceram mais de 70% dos prêmios de melhor filme.


Cor

Preto e Branco: 27

Colorido: 56

Embora os filmes coloridos tenham surgido em 1935, até 1956 apenas três filmes coloridos (E o vendo levou, Sinfonia de Paris e O Maior espetáculo da terra) venceram o Oscar de melhor filme, que naquela época ainda costumava ser vencido pelos preto e branco. Por outro lado, de 1957 até hoje apenas 2 filmes preto e branco venceram: Se meu apartamento falasse e A lista de Schindler.


Oscar de Melhor Diretor

Venceu: 62

Não venceu: 21

Nas primeiras edições do Oscar o prêmio de melhor diretor parecia não ter muita relação com o de melhor filme, visto que nos 13 primeiros anos de Oscar, nove dos premiados como melhor filme não venceram o Oscar de direção. Dali pra frente se criou uma tendência de que o vencedor do Oscar direção também vencia o Oscar de melhor filme (incluindo os últimos cinco anos), ocorrendo eventualmente exceções.


Filme Mudo

Sim: 1

Não: 82

Asas (primeiro vencedor do Oscar) foi o único filme mudo a vencer como melhor filme.

sábado, 19 de março de 2011

Não me abandone jamais


Dirigido por Mark Romanek (Retratos de uma obsessão), esse filme inglês, lançado em 2010 é baseado em um livro de Kazuo Ishiguro, livro esse considerado pela revista Time o melhor da última década.

Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley) cresceram na mesma escola, onde passaram toda sua infância, sem ao menos poder passar da cerca. Os alunos ouviam sempre histórias terríveis do que acontecia com pessoas que saiam dos limites da escola. Nesse local as crianças são trabalhadas pelos professores para o destino que lhes espera.

A obra se passa em três momentos diferentes entre o fim dos anos 50 e a década de 80: A infância de Kathy, Tommy e Ruth na escola, sendo interpretados por crianças; Os acontecimentos logo após a saída da escola, mais precisamente em uma fazenda (quando os três ainda estavam juntos), e o momento de onde o filme é narrado por Kathy, então com 28 anos e que se tornou uma “cuidadora”.

Aqui devo dizer que não posso revelar o “tema” do filme. Isso por que a grande “revelação” de Não me abandone jamais é o próprio tema. Ao assistir o trailer ou a ler uma sinopse bem escrita não percebemos exatamente do que se trata essa obra. Dessa forma o expectador é pego de surpresa com o assunto em questão (que por acaso também não é explicitado no filme), mas é percebido naturalmente.

Para não estragar a surpresa, o que posso dizer é que Não me abandone jamais é daqueles que filmes que quando termina ficamos nos fazendo alguns questionamentos, como “Qual o motivo de nossa existência”, “Como seria se já tivéssemos um destino traçado, e não pudéssemos fazer nada para mudá-lo” e “Até onde a humanidade pode chegar para preservar a vida humana”. Eu diria que é um filme bem filosófico e poético, que traz mais perguntas do que respostas, beirando a ficção científica.

O filme foca os sentimentos e atitudes humanas, e usa de forma sutil as cores e a trilha sonora tornando o clima melancólico. Como pano de fundo temos uma espécie de triângulo amoroso entre os protagonistas, que alias, foram muito bem interpretados. Carey Mulligan se consolida como a grande revelação dos últimos anos com mais essa ótima atuação. Keira Knightley deixou de ser a protagonista de sucessos de bilheteria para interpretar um personagem coadjuvante em um filme de baixo orçamento, e mais uma vez provou ser uma grande atriz. Já Andrew Garfield teve um ótimo 2010, com duas excelentes atuações (A Rede Social e Não me abandone jamais) e injustamente não foi indicado ao Oscar por nenhuma.

Com grande elenco e com uma proposta tão interessante Não me abandone jamais foi certamente um dos 10 melhores filmes de 2010 (e por isso deveria ter sido indicado ao Oscar de melhor filme). Não deixe de assistir.



terça-feira, 15 de março de 2011

Os maiores vencedores do Oscar

Confira aqui a lista dos filmes que mais estatuetas receberam na história do Oscar.



11 Oscar






O senhor dos Anéis: O retorno do rei (2003) - Melhor Filme, Diretor (Peter Jackson), Roteiro adaptado, Efeitos Visuais, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Efeitos Sonoros, Som, Trilha Sonora e Canção Original (Into the West).






Titanic (1997) - Melhor Filme, Diretor (James Cameron), Direção de Arte, Fotografia, Som, Figurino, Efeitos Especiais, Montagem, Trilha Sonora, Canção Original (My Heart Will Go On) e Efeitos Sonoros.







Ben-Hur (1959) - Melhor Filme, Diretor (William Wyler), Ator (Charlton Heston), Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Direção de Arte a cores, Fotografia, Figurino a cores, Efeitos Especiais, Montagem, Som e Trilha Sonora.




10 Oscar






Amor, Sublime Amor (1961) - Melhor Filme, Diretor (Robert Wise e Jerome Robbins), Ator Coadjuvante (George Chakiris), Atriz Coadjuvante (Rita Moreno), Direção de Arte, Fotografia a cores, Figurino a cores, Montagem, Som e Trilha Sonora.





9 Oscar







Gigi (1958) - Melhor Filme, Diretor (Vicente Minnelli), Direção de Arte, Fotografia a cores, Figurino, Montagem, Canção Original (Gigi), Trilha Sonora e Roteiro Adaptado.







O Último Imperador (1987) - Melhor Filme, Diretor (Bernardo Bertolucci), Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Montagem, Trilha Sonora, Som e Roteiro Adaptado.







O Paciente Inglês (1996) - Melhor Filme, Diretor (Anthony Minghella), Atriz Coadjuvante (Juliette Binoche), Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Montagem, som e Trilha Sonora.





8 Oscar





A um Passo da Eternidade (1953) - Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnermann), Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Montagem, Fotografia em preto e branco, som e Roteiro adaptado.







Sindicato de Ladrões (1954) - Melhor Filme, Diretor (Elia Kazan), Ator (Marlon Brando), Atriz Coadjuvante (Eva Marie Saint), Direção de arte - preto e branco, Fotografia - preto e branco, montagem e Roteiro original.






Minha Bela Dama (1964) - Melhor Filme, Diretor (George Cukor), Ator (Rex Harrison), Direção de Arte, Fotografia a Cores, Figurino a Cores, som, e Trilha Sonora.








Gandhi (1982) - Melhor Filme, Diretor (Richard Attenboroug), Ator (Ben Kingsley), Roteiro Original, Figurino, Montagem, Fotografia, Direção de Arte.








Amadeus (1984) - Melhor Filme, Diretor (Milos Forman), Ator (F. Murray Abraham), Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Som e Roteiro Adaptado.








Cabaret (1972) – Diretor (Bob Fosse), Atriz (Liza Minnelli), Ator Coadjuvante (Joel Grey), Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Som e Trilha Sonora.







Quem quer ser um Milionário? (2009) - Melhor Filme, Diretor (Danny Boyle), Canção Original (Jai Ho), Trilha Sonora, Mixagem de Som, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem.







*E o Vento Levou (1939) - Melhor Filme, Diretor (Victor Fleming), Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia E Montagem.



*E o vento levou venceu oito categorias do Oscar, porém levou pra casa 10 estatuetas. Recebeu além desses oito um honorário e um técnico

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quando as Metralhadoras Cospem


O primeiro trabalho de Alan Parker na direção, logo antes de dirigir O Expresso da Meia-Noite, um dos seus trabalhos mais aclamados sobre a vida numa prisão turca, se consiste, basicamente, numa comunhão de filme de máfia com musical, ambientado na Nova Iorque dos tempos de lei seca. Sua semelhança com alguns trabalhos que viriam a sequência como Era Uma Vez na América de Sergio Leone e Chicago de Rob Marshall é tão gritante que chega a dar uma quase certeza de que estes últimos foram diretamente influenciados pelo trabalho de Parker.

À partir da figura de Bugsy Malone, personagem fictício baseado em figuras reais como Al Capone, Bugsy Siegel e Bugs Moran, somos levados à história de Fat Sam, dono de um cabaré típico do período histórico em que está inserido, onde ocorre o comércio ilegal de bebidas "alcóolicas" e que vê sua hegemonia cair quando uma gangue rival surge com um tipo muito mais moderno de armamento, uma metralhadora. O poder de fogo da gangue de Fat Sam se vê imediatamente ultrapassado, visto que agora seus rivais conseguem ser muito mais eficientes em atirar tortas.

Tortas? Sim tortas. Uma coisa que eu não disse sobre o filme é que todos os personagens, sem exceções, são interpretados por crianças e adolescentes de, no máximo, dezesseis anos. Nisso temos desde Bugsy, Fat Sam, a femme fatale Tallulah (interpretada pela única pessoa não-estreante do elenco, Jodie Foster, que já havia trabalhado no ano anterior em Taxi Driver), os próprios gângsters, as dançarinas de cabaré e até mesmo os repórteres, todos crianças e adolescentes. E para se adequar a tal atmosfera, algumas adaptações acabaram sendo feitas, como armas dispararem tortas ao invés de balas, móveis menores para se adequarem à estatura mais baixa dos personagens, carros movidos a pedal e bebidas "alcoólicas" que mais parecem soda com corante.

Todos esses elementos, em comunhão, conferem a esse Quando as Metralhadoras Cospem, um ar mágico, reforçado pelas composições magníficas de Paul Williams, que acabaram sendo merecidamente reconhecidas com uma indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora. Entre as canções, podemos destacar a canção que dá nome ao filme (no original, é claro), Bugsy Malone, cujo estilo semi-jazzístico é bem semelhante ao utilizado em certas canções do musical Chicago.

Talvez o único problema do filme seja a dublagem das canções. Quando da produção do filme, reza a história que Alan Parker disse a Paul Williams que não queria vozes esganiçadas de crianças interpretando as músicas. O compositor interpretou isso e optou por colocar adultos dublando os atores mirins nas cenas musicais. Embora o resultado seja consideravelmente satisfatório, a comunhão entre som e imagem deixa muito a desejar. Lamentável, mas nada que estrague a obra.

Explícito que a intenção de Parker aqui era fazer um filme de gângster para crianças, e o resultado se mostra de uma competência tão extraordinário que acaba se tornando uma experiência ímpar para o espectador, independente da idade deste. Para os mais jovens, a oportunidade de se imaginar na pele dos seus heróis, para os mais velhos, o resgate daquela inocência infantil, para os mais vividos, a comunhão entre o excitante e o mágico.

terça-feira, 8 de março de 2011

Toda uma Noite


Nessa obra de Chantal Akerman somos colocados de frente a dezenas de personagens que, durante uma noite de verão em Bruxelas, nada mais fazem do que viver, muitos deles em um mesmo prédio. Ao todo, são 23 personagens que, em pouco mais de 80 minutos de projeção, tomam a tela por duas ou três vezes cada. Aparições curtas, breves lances de sua vida, mas que já é suficiente para termos uma certa noção de sua história. Afinal, é disso que Toda uma Noite se compõe, fragmentos de vida de pessoas ordinárias durante uma noite qualquer.

Chantal não realiza aqui um filme simples, muito pelo contrário. Sua estrutura narrativa pouco usual faz desse um filme consideravelmente difícil de ser assistido. O pouco tempo de presença em tela torna os personagens figuras distantes, de difícil caracterização e, consequentemente, pouca atração para com o espectador. Um filme que exige doses extras de concentração e atenção para poder ser devidamente apreciado. Como dito anteriormente, a obra se consiste de fragmentos de vida, mas não de fragmentos quaisquer. Chantal esolhe de seus personagens os momentos de maior carga dramática e condensa todos estes momentos em uma mesma noite, criando uma coleção de encontros, reencontros, partidas, paixões, amores se formando e sendo destruídos.

Tal qual Hotel Monterey, temos aqui um filme um tanto quanto claustrofóbico, onde na maior parte do tempo nos vemos dentro de apartamentos, o que reforça o caráter ordinário das personagens, que mesmo durante uma bela noite, trancam-se em seus mundos particulares. Da realidade, temos apenas alguns segmentos de personagens mais livres e, na maioria dos casos, paisagens vistas através do vidro das janelas. Reforçando a melancolia das figuras deprimentes que desfilam em frente aos nossos olhos, uma fotografia de tons extremamente frios e escuros, que por si só já drenam a felicidade ao seu redor.

Talvez mas do que em qualquer outro filme da diretora (à exceção de Jeanne Dielman), aqui a câmera estática, marca registrada dos filmes de Chantal Akerman, encontra o seu verdadeiro papel na narrativa. Numa realidade voyeurística de personagens emocionalmente abalados, nossa perspectiva unidimensional é levada a um outro patamar, onde nossa perplexidade é tamanha que não temos a capacidade de seguir as personagens com os olhos e demoramos a perceber que eles não estão mais onde nossa vista foca. Câmera como personagem.

Tal como grande parte dos trabalhos da diretora belga, não há muito o que ser dito sobre Toda uma Noite. Um mosaico depressivo composto por figuras quaisquer resume bem a obra. Um Chantal bom, mas menor quando comparado a trabalhos como Jeanne Dielman, Eu Tu Ele Ela e Os Encontros de Anna.

domingo, 6 de março de 2011

Brilho de uma Paixão



"Estrela brilhante, quisera fosse inabalável como tu és
Nem diante do sólitário esplendor protelarias a noite
E observando, com eterna indiferença
Como paciente da natureza, o insone eremita
O movimento das águas na sua religiosa tarefa
De purificar os confins dos mares toldados pelos homens
Ou fixar-se sob a máscara suavemente caída
No cume das montanhas e da terra infértil
Não - Mas ainda inabalável, ainda imutável
Repousaria sobre o seio maduro do meu justo amor
Para sentir para sempre a sua macia imensidão
E despertar para sempre em uma doce inquietude
Ainda, ainda a ouvir o seu suave respirar
E assim vive-se para sempre - ou agoniza-se até a morte"
John Keats



Uma década e meia após o sucesso de O Piano que acabaria lhe concedendo a Palma de Ouro no Festival de Cannes, Jane Campion retorna aos filmes de época para contar a história de amor entre o poeta inglês John Keats e a jovem Fanny Brawne, ou melhor dizendo, a história de amor entre a jovem Fanny Brawne e o poeta inglês John Keats, visto que o foco da obra, feminista como o cinema de Campion já presume, recai muito mais sobre esta do que sobre seu amante.

Porém aqui o feminismo é tratado de uma forma bem distinta da vista em O Piano. Fanny é um figura marginalizada socialmente. Embora venha de uma família de posse (talvez não embora, mas sim por), seus anseios e sua opinião não fazem a menor importância no meio em que vive. Por ser uma ainda adolescente (18 anos no início do filme), ela é tratada como se não tivesse capacidade suficiente para discernir o que seria o melhor para si mesma. A pressão que ela recebe do mundo externo que a oprime se funde com o feminismo de Campion na forma com que as personagens masculinas são retratadas. Extremamente escassas, se resumem ao seu amante (o único positivamente desenvolvido), Mr. Brown, amigo de Keats e que antagoniza a jovem ao se opor a seu relacionamento, e o jovem Samuel, o único parente homem de Fanny, mas que embora constantemente presente em cena, possui raras falas, como se sua presença fosse totalmente indeferente a Fanny.

No romance absolutamente clichê (dois jovens se apaixonam contra a vontade dos "pais", vivem um amor fogoso, mas acabam se separando trágicamente), o que se destaca é a direção feliz de Jane Campion, com sua composição de cena que valoriza as paisagens campestres da Inglaterra além de montar o estado psicológico das personagens através de seu posicionamento em cena. Mas acima disto, ainda estão os figurinos assinados por Janet Patterson e corretamente indicados ao Oscar, que cumprem excepcionalmente bem o papel deles eserado em um filme onde sua protagonista é uma estilista por hobby.

Sem dúvidas, a personagem melhor construida é a do Mr. Brown, o amigo de John Keats que é mostrado, através dos olhos de Fanny, como uma pessoa incômoda, irritante, e em certos casos, até mesmo má, mas que quando a jovem não está presente, mostra-se uma figura um tanto quanto amável, um amigo leal, e até mesmo um bom pai, ao assumir a paternidade do filho que fez na empregada, que facilmente poderia alegar não ser seu. É ele o melhor exemplo de como a obra se concentra na visão e nas idéias da garota.

E exatamente por isso, o filme acaba tendo a maturidade de uma menina-mulher que vive o seu primeiro amor. Brilho de uma Paixão, embora muito bem trabalhado e dirigido pela diretora neozelandesa, em nenhum momento deixa de ser aquilo que retrata: um romance absolutamente pueril.