quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sogra, peru e automóvel: o inferno de Harold LLoyd

Crítica: Sogra Fantasma (1924)





Harold Lloyd (1893-1971) é considerado hoje como um dos maiores comediantes do cinema mudo, ao lado de grandes nomes como Charles Chaplin e Buster Keaton, tendo atuado em mais de 200 filmes, a grande maioria mudo. Seu personagem mais conhecido é um jovem desastrado, tímido, franzino, sempre usando óculos, chapéu de palha e terno, sempre chamado de Harold. E é esse personagem que estrela "Sogra Fantasma" (Hot Water), de 1924.
Essa verdadeira obra-prima da comédia muda já começa com uma pérola: "A vida de casado é como a caspa - cai pesadamente sobre os ombros. Você recebe um monte de conselhos grátis sobre ela, mas, até agora, não encontrou nada que a cure." Na história, Harold se casa com a mulher dos seus sonhos, mas a chegada da sogra e de outros parentes transforma sua vida num inferno, criando situações absolutamente hilárias.
O filme pode ser visto como sendo a narração de 3 episódios que se sucedem e formam a história de uma maneira geral: na primeira parte, Harold enfrenta problemas e confusões ao transportar num bonde, entre as compras que sua mulher pediu, um peru vivo que ganhara numa rifa. Na segunda parte, já em casa, Harold e toda sua família (inclusive sua sogra) vão fazer um passeio em seu carro novo, passeio esse que será um completo desastre. Finalmente, na terceira parte, Harold dá um pano com clorofórmio para sua sogra cheirar, e acredita que a matou; mas a velha começa a sonambular pela casa, e Harold acredita que o fantasma de sua sogra voltou para assombrá-lo.
É absolutamente incrível como o filme consegue apresentar situações realmente engraçadas aliadas a um roteiro inteligente. As situações cômicas fluem normalmente, não precisando forçar cenas como nas inúmeras comédias atuais. Sem contar que as sequências do passeio de carro são incrivelmente bem-feitas, o que torna a história ainda mais autêntica e engraçada.
"Sogra Fantasma" é uma excelente comédia, que consegue uma proeza que a grande e imensa maioria das comédias atuais (com toda a sua tecnologia) não consegue: diverte e faz rir. Não um riso forçado, mas sim uma risada espontânea de satisfação.
Sogra Fantasma. (Hot Water, EUA, 1924). Direção: Fred C. Newmeyer, Sam Taylor. Elenco: Harold Lloyd, Jobyna Ralston, Josephine Crowell, Charles Stevenson e Mickey McBann. Duração: 59 minutos






Nenhum comentário: