quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Michael Moore, Charlton Heston e Marilyn Manson

Crítica: Tiros em Columbine





O documentarista Michael Moore é um caso difícil: muitos adoram seus filmes e o idolatram, enquanto muitos o odeiam e o acusam de apresentar um lado totalmente tendencioso em seus filmes.

Devo dizer que gosto de seus filmes: não nego que sejam tendenciosos, mas são filmes que fazem refletir. Além disso, na minha opinião, Michael Moore foi um dos responsáveis por desperar o interesse do público em geral aos documentários, um gênero até então um tanto quanto ignorado pelo grande público.

Em "Tiros em Columbine", Moore se propõe a discutir o problema das armas nos Estados Unidos, e tentar entender o que leva os EUA a serem um país com tantos assassinatos por armas de fogo, partindo do famoso caso da Columbine High School, onde dois adolescentes assassinaram 12 estudantes e um professor, tema que também seria muito bem explorado no superior (na minha opinião) "Elefante", de Gus Van Sant.

Para defender suas teses, Moore entrevista várias pessoas, entre anônimos e famosos, como Marilyn Manson (que a dado momento do filme é acusado de incentivar a violência). Na entrevista, Manson se revela uma pessoa muito inteligente, e que sabe discutir os problemas da sociedade americana, o que talvez tenha se revelado um choque para aqueles que o vêem como simplesmente um adorador do mal por conta de suas músicas.

Mas a melhor entrevista é que a Moore guarda para o final, quando entrevista o astro Charlon Heston em sua casa. Heston é vice-presidente da NRA (National Riffle Association) e Moore o deixa constrangido ao lhe perguntar sobre sua posição com relação às mortes provocadas por armas de fogo, e porque a NRA se reune em cidades onde ocorreram assassinatos semanas depois deles ocorrerem.

É um filme com muitas qualidades, com coragem pra investigar um assunto tão polêmico e não ter medo de questionar, mas também apresenta defeitos. Por exemplo, o fato de ser tendencioso: em nenhum momento, Moore pede a opinião de sociólogos ou antropólogos que estudam o caso, apenas de anônimos e celebridades, que emboram tenham o que dizer, fica-se com a sensação de poderia-se aprofundar muito mais no problema. Além disso, a maneira como Moore conseguiu a entrevista com Heston, mentindo, para depois encurralá-lo durante a entrevista, soa um tanto quanto maniqueísta demais, algo do tipo: "vou conseguir essa entrevista, não importa os meios".

E a edição também nos faz ver alguns fatos sobre outros ângulos: bem no início, quando Moore vai ao banco abrir uma conta. O banco oferece uma arma como prêmio aos novos correntistas. Moore sai do banco ostentando uma arma aos ombros. Na verdade, o banco oferecia um cupom, que poderia ser trocado por uma arma depois do cliente realizar todos os trâmites legais para a aquisição de uma arma... do jeito que foi mostrado, tem-se a impressão de que ele recebeu uma arma ali, na hora.

Enfim, mesmo sendo tendencioso, é um filme que merece ser visto (assim como todos os outros dele), pelo fato de Moore ser um americano inquieto, que gosta de questionar o governo e a sociedade americana, e de não medir esforços para provar sua teorias.

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