terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Crítica: Minhas Mães e meu Pai


Dirigido por Lisa Cholodenko (High Art – Retratos sublimes) o filme Minhas Mães e meu Pai foi um dos mais elogiados de 2010, aparecendo em praticamente todas as listas de melhores do ano. O Filme alterna drama e comédia abordando temas como Homossexualismo e inseminação artificial.

Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) são um casal de lésbicas que levam uma vida tranqüila junto com seus dois filhos Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), que foram concebidos através de inseminação artificial. Nic é médica, e comanda as finanças da família. Jules faz o papel de dona de casa, e sonha trabalhar com paisagismo. Joni está prestes a ir para a faculdade e Laser segue na escola. Até ai a família segue sua vida normalmente.

A Tranquilidade acaba quando Laser passa a querer encontrar o pai biológico, até então desconhecido de todos. Para isso ele pede ajuda para a irmã Joni, sem que suas mães saibam. Ao entrar em contato com o banco de esperma os jovens descobrem nome e telefone do pai biológico, e entram em contato com ele.

Paul (Mark Ruffalo) leva uma vida sem preocupações, mas quando menos espera recebe a ligação dos jovens que afirmam serem seus filhos. Os três marcam um encontro, e dão início a um relacionamento que não tiveram a oportunidade de ter.

Quando as mães Nic e Jules descobrem o que seus filhos fizeram a paz de todos acaba. Nic principalmente é totalmente contra o envolvimento de sua família com Paul, e a situação piora ainda mais quando sua esposa Jules se envolve com esse homem.

Muito interessante observar a discussão que o filme traz sobre temas que ainda geram certos tabus na sociedade, como casamento homossexual e inseminação artificial. Tudo foi abordado com muita naturalidade, sem exageros. É mostrado como duas lésbicas levam sua vida de casadas, com suas peculiaridades, mais ainda assim como qualquer outro casal. Cenas de sexo (Homossexual e Heterossexual) são mostradas com toda a naturalidade, sem forçar cenas explícitas e sem esconder partes do corpo com truques baratos de lençóis e objetos em frente. Nesse ponto o filme merece parabéns.

A condução do filme com seu excelente roteiro fez com que o nível se mantivesse em todos os momentos, apesar das alternâncias de gênero entre comédia e drama. Mas o grande destaque do filme foi o elenco. Certamente o melhor elenco de 2010, com pelo menos quatro ótimas atuações. Mia Wasikowska (que teve uma interpretação ser graça como Alice na nova versão de Alice no país das maravilhas) se redimiu e dessa vez esteve ótima, principalmente nas cenas dramáticas, mostrando ser uma jovem atriz com futuro promissor. Julianne Moore bem como sempre, provando ser uma das grandes atrizes do século XXI. A surpresa ficou por conta de Mark Ruffalo. O ator que normalmente interpreta personagens que pouco exigem teve a interpretação da sua vida, como homem que não tem muitas preocupações na vida. Mas certamente o grande destaque foi Annette Bening.

Annette já é uma atriz consagrada, ainda que tenha batido na trave na maioria das premiações que disputou. Foi perfeita interpretando a chefe de família homossexual, que gosta das coisas do seu jeito, mas que acima de tudo ama sua família. Alias, o nível das atrizes de 2010 foi excepcional, com pelo menos três atuações de alto nível (Além de Annette Bening por Minhas Mães e meu Pai, Natalie Portman por Cisne Negro e Jennifer Lawrence por Inverno da Alma).

Minhas Mães e meu Pai é uma ótima comédia que faz rir, é um excelente drama que faz se emocionar, e acima de tudo um grande filme que trata perfeitamente de temas interessantes e ainda pouco explorados. Um dos melhores filmes de 2010, com o melhor elenco de 2010.

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