quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Au revoir, les infants...

     Londres, 2027. Em um ambiente inóspito e cada vez mais decadente, o mundo chora a morte da pessoa mais jovem do mundo, um rapaz de 18 anos. Sim, pois já são 18 anos de infertilidade planetária: as mulheres não mais podem ter filhos e a raça humana caminha inexoravelmente para sua extinção. Sem crianças, não há motivo da sociedade continuar evoluindo.
     Um ex-ativista(Clive Owen) desiludido recebe a incumbência de guiar uma refugiada até o litoral, em uma missão envolta em mistério. Mas ele não tarda a descobrir o real próposito dessa jornada: além de refugiada, ela se encontra grávida, algo que, depois de muito tempo de desesperança e caos, poderá dar a humanidade um novo alento e uma nova redenção.
     Não é sem razão afirmar que Alfonso Cuarón (que já tinha trazido sangue novo a franquia Harry Potter) realiza aqui um dos filmes mais marcantes e decisivos da década passada. Ao mostrar uma sociedade futurista sem as costumeiras frescuras tecnológicas, ele devolve a seriedade e a atualidade à um genêro que muitas vezes beirou a fantasia rídicula. Influenciado por distopias famosas como O Planeta dos Macacos e O Dia Em Que a Terra Parou (o original de 1951), ele mostra todo o desencanto da sociedade ao se ver sem algo que sempre a fez nortear suas motivações futuras, e como  a barbárie e o caos tomam de assalto esses lugares desocupados.
     Pelo menos em duas sequências antológicas Cuarón mostra que não está pra brincadeira: dentro do carro atacado por rebeldes, culminando com uma morte, uma cena arrepiante, sem cortes da câmera; e quando os dois exércitos param de atirar ao contemplarem a criança chorando, algo que depois de anos sem esperança não mais contavam em testemunhar tal fato.
   O mais triste é saber que fatos como esses não são algo que se viva somente nas telas de cinema: intolerância religiosa, epidemias, totalitarismo, a manipulação dos meios de comunicação, o preconceito... Ao trazer à tona esses assuntos, Cuarón nos deixa preocupados, pois todos os dias somos jogados dentro de acontecimentos que nos mostram o pior da raça humana. E que de vez em quando esses acontecimentos aparecem de forma realista em demasia nas nossas vidas...

FILHOS DA ESPERANÇA (Children of Men, EUA/Inglaterra, 2006). Direção: Alfonso Cuarón. Com: Clive Owen, Julliane Moore, Michael Caine, Danny Houston.

Postado por markito1975.
    

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