terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Viagem á Lua

Considerado como um dos grandes pioneiros do Cinema, juntamente com os irmãos Lumière, Georges Méliès apresenta um novo lado dessa arte que caminhava lentamente, no início do século XX. Enquanto os irmãos franceses concentravam seus trabalhos em breves documentários, Georges Méliès abria as portas para o gênero, que, hoje, é reconhecido como "ficção científica". Explorando o que era totalmente desconhecido pelo Homem, Méliès nos entrega um curta-metragem que ilustra uma visão imaginativa, do universo. Mesmo com suas técnicas rudimentares, mas, ainda assim, elegantes, levando em conta a data da produção, o diretor consegue trazer um charme especial com seus toques fantasiosos.

Desde os seus primórdios, o Homem sempre se questionou sobre alguns pontos específicos. O que é o universo? Seria possível chegar à Lua? Existe vida em outro planeta? Neste curta-metragem, Georges Méliès responde a todas essas questões, se baseando, apenas, nas hipóteses que pairavam sobre as pessoas. Em poucos minutos, o diretor nos mostra uma expedição formada por alguns homens, com o objetivo de chegar à Lua. No entanto, quando chegam ao destino tão sonhado, são recebidos por uma raça ameaçadora, que tenta defender o lugar onde vivem, a qualquer custo. Levando em conta que o diretor é o próprio personagem que apresenta o grande plano da temática, aos amigos de trabalho, podemos estabelecer uma afirmação de que seu personagem não passa de um alter ego, a fim de descobrir as respostas das perguntas que mais lhe intrigavam.

Alguns aspectos interessantes, como: a Lua tendo um rosto humano, e o povo desconhecido que habita as crateras do satélite natural, indicam os medos que as pessoas tinham, por causa da falta de conhecimento. A curiosidade ganhava forma nas produções de Georges Méliès, e nada ficava sem resposta. Justamente por causa dessa abordagem imaginada, que "Viagem Á Lua" é considerada a aurora da ficção científica, rompendo qualquer barreira já estipulada dentro do mundo da sétima arte, naquele período.

As atuações, mesmo sem os diálogos, conseguem transmitir a mensagem, de forma impecável. As feições, os gestos, e até mesmo o próprio movimento do corpo, já entregavam tudo ao espectador. A semelhança com o teatro é extremamente nítida, principalmente no contexto supracitado. Os cenários, os figurinos e toda a parte ligada com a direção de arte, eram comandados pelo próprio diretor, que fazia questão de adequar cada quesito, ao contexto que estava sendo abordado. As técnicas de edição e os efeitos especiais, por mais simples que sejam, chegam a impressionar. O próprio diretor chegou a ser nomeado como o "pai dos efeitos", afinal de contas, a comparação com os modestos documentários dos irmãos Lumière é inevitável, e Méliès demonstrava um trabalho consciente e surpreendedor, em uma vertente mais ambiciosa, dentro do Cinema.

Em uma viagem experimental, Méliès apresenta a sua visão sobre tudo aquilo, sem precisar de técnicas aprimoradas para satisfazer, de forma graciosa, o público incrédulo, que ainda não tinha noção das proporções que essa nova arte teria, futuramente. Uma viagem fascinante à um dos projetos que abriram as portas do mundo da sétima arte. George Méliès não deveria ser reconhecido apenas como diretor, mas também, como uma figura que faz alusão à imaginação descontrolada dos antigos. Os primeiros raios de sol passavam por entre as nuvens, dando início a um dos espetáculos mais fascinantes que já inventaram: o Cinema.

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