sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os Rapazes do Coro


Assistir a esse The Choirboys é uma experiência que eu estou considerando seriamente como sendo quase que indescritível. Por conta dessa dificuldade muito grande a qual eu estou sendo apresentado, optei por fazer uma resenha essencialmente subjetiva da obra. Provavelmente não conseguirei fazer isso perfeitamente e em algum ponto desse texto deverei deixar essa linha de raciocínio de lado. Ou talvez não. Mas seja lá o que for, talvez seja bom começar dizendo que muitas pessoas por aí, nos muitos textos que eu li sobre o filme como quase que uma pesquisa de campo em busca de detalhes que as vezes passam despercebidos ao meramente assistir à obra, consideram esse o pior filme da carreira de Robert Aldrich. E muito provavelmente essas pessoas devem estar certas.

Embora continuar me referindo a "algumas pessoas por aí" possa parecer meio idiota, ao querer usar a opinião dos outros para ilustrar a minha, é exatamente isso o que eu vou fazer. Algumas pessoas por aí costumam alegar que um filme bom é aquele que cumpre com o que pretende ser. Um drama bom é aquele que tenta ser dramático e consegue; uma comédia boa é aquela que tenta fazer rir e consegue. Um argumento meio estranho ao meu ver, mas isso não vem ao caso. O que eu quero questionar aqui é: E o que dizer de um filme que tenta ser ridículo e consegue? The Cohoirboys é exatamente isso, um filme ridículo porque ele mesmo pretendia ser ridículo. Pelo menos eu espero que essa seja a intenção inicial, já que não há outra explicação para o que ocorreu com essa "obra", apenas por assim dizer.

O argumento de Choirboys acompanha um grupo de policial de Los Angeles em suas aventuras dentro e fora do horário de trabalho. Dessa forma, Robert Aldrich constrói uma cómedia de situações, com fortes doses de bizarrice e sexualidade, tal qual viriam a ser feitos posteriormente no superior Porky's e no talvez até inferior American Pie. Porém (felizmente), Choirboys não possui a escatologia desse segundo. Todos os policiais do filme são construídos de maneira tão superficial, caricata e estereotipada, que o resultado chega a ser realmente incômodo. Não que eles não sejam engraçados, pelo contrário, há diversos momentos extremamente cômicos, mas essa graça vem de situações tão bizarras, que chega a passar um sentimento de vergonha de si mesmo por estar rindo de tal coisa.

Aldrich estava numa onda de criticar o Vietnã, no seu fim de carreira. E nesse filme não poderia ser diferente. A primeira cena do filme se passa exatamente no Vietnã, com dois soldados presos numa caverna se refugiando de vietcongues. Repentinamente a câmera corta para Los Angeles e os policiais e aquela abertura no Vietnã é esquecida completamente. Isto é, até a uns 20 minutos do final do filme quando um dos policiais que também é um daqueles soldados da caverna da primeira cena, numa crise de stress pós-traumático, atira contra e mata um garoto. Uma cena tão absurda, tão jogada a esmo, que o único pensamento posível é: Mas que porra é essa?

O que exatamente esse filme quer é uma grande incógnita. Talvez ele queira fazer uma crítica/sátira ao militarismo por meio dos policiais. Talvez ele queira ser uma mera comédia descompromissada com qualquer coisa, vulgo entretenimento barato. Talvez Aldrich simplesmente não quisesse deixar sua carreira passar de maneira tão "séria", isto é, sem ter feito nenhua comédia genuína e tentou mudar isso aqui. Mas isso não interessa, seja qual fosse o objetivo de tal obra, ele não foi alcançado. Exceto é claro se tal objetivo fosse mostrar como NÃO se fazer um filme. Pensando bem, nem mesmo esse objetivo foi alcançado, pois se tivesse sido, não haveriam tantas porcarias do mesmo estilo pontuando o cinema atual. Uma grande bobagem, para ser esquecida o mais rápido possível.

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