quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Último Brilho do Crepúsculo


Robert Aldrich, após o seu exílio voluntário na Europa durante o final dos anos 50, apresentava um ideal antimilitarista tão forte que poderia ser considerado por alguns mais radicais como algo até mesmo próximo de um anti-americanismo. O ápice desse seu pensamento veio com esse O Último Brilho do Crepúsculo, cujo título original, "Twilight's Last Gleaming", é retirado do segundo verso do Hino dos Estados Unidos. O próprio argumento já deixa esse pensamento bem claro ao relatar a história de um general da Força Aérea Norte-Americana, interpretado por Burt Lancaster, que na companhia de alguns poucos companheiros invade e ocupa um silo de lançamento de mísseis nucleares, ameaçando assim dar início à Terceira Guerra Mundial (algo que lembra bastante Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick). Para que não lance os mísseis, ele exige que o presidente conte a verdade definitiva sobre o porquê da Guerra do Vietnã.

O que se vê aqui é uma mistura pouco atraente entre ficção científica e thriller político, cam alguns ligeiros e esparsos toques de alívio cômico que configuram o filme como sendo uma mistura quase que heterogênea de gêneros, onde embora eles não sejam obviamente distingíveis, acabam por não funcionando em nenhum momento. Como em todo o filme do Aldrich, o elenco é impecável, seja com Burt Lancaster, parceiro de longa data do diretor, no papel principal, seja com Charles Durning, excelente comoo presidente dos Estados Unidos, ou com os coadjuvantes Roscoe Lee Browe, Joseph Cotten e Melvyn Douglas. Porém, o maior defeito fica por conta da direção de arte, que com seus cenários ridiculamente artificiais, deixam o filme com uma cara de produção de baixo orçamento, que aliado com a temática sci-fi, dá à obra um ar de Filme B.

Porém, há um acerto marcante na obra, pela forma com que foram trabalhadas as cenas de ação na sala de montagem. Ao invés da tradicional e manjada montagem paralela, aqui repete-se a técinica usada anteriormente em Golpe Baixo de mostrar diversos pontos de ação simplesmente dividindo a tela em duas, três, ou até mesmo quatro partes. Uma técnica arriscada e até a época não muito utilizada, mas que surte um efeito positivo ao exigir uma maior atenção do espectador, e dessa forma mantê-lo mais próximo do filme.

Praticamente um filme de propaganda anti-militarista, Robert Aldrich foi ousado ao extremo (como sempre fora em sua carreira) ao, logo após a divulgação de uma série de documentos do pentágono que colocariam em dúvida o papel dos Estados Unidos no Vietnã, fazer uma obra com o próposito claro de exigir explicações do governo para a população. Um Aldrich já em plena decadência em relação à crítica e ao público, mas que ainda mantinha suas forças, seja como cineasta, seja como artista. Um filme menor, mas nem por isso menos bom.

Um comentário:

Anônimo disse...

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Renato