domingo, 19 de dezembro de 2010

O Rabino e o Pistoleiro


Após o vergonhoso e ultrajante Os Rapazes do Coro, Robert Aldrich ousa arriscar e permanece no gênero da comédia, coisa que não havia dado certo na primeira experiência. Porém, dessa vez ele alia o humor com o gênero que o consagrou, o faroeste (embora não seja aqui onde se encontram as suas maiores obras-primas). Surpreendentemente até, The Frisco Kid acabou tendo um resultado razoávelmente bom, se afastando do estilo "besteirol" da obra anterior e apresentando um humor mais, digamos assim, britânico, em seu modo de ser. Mérito talvez de um Gene Wilder sempre ótimo e de um jovem Harrison Ford como coadjuvante.

Avram (Wilder) é um rabino polonês que é designado para cuidar de uma mesquita a ser erguida em São Francisco. Para tal, ele parte da Europa Oriental até a Costa Leste dos Estados Unidos, onde descobre que o navio para São Francisco saiu adiantado, e que ele terá de esperar três meses para o próximo. Como se não fosse o basante, ele acaba sendo vítima de um bando de golpistas que levam todo o seu dinheiro. Perdido, sem dinheiro e com 5.000 km a viajar, ele acaba encontrando o assaltante de trens Tommy (Ford), que acaba aceitando levar o rabino até a Califórnia.

O Rabino e o Pistoleiro tem a cara perfeita do cinema independente de baixissimo orçamento, seja pelas gags tão sutis quanto brilhantes, seja pelo estilo quase que amador com o qual o filme trancorre, sobretudo devido ao roteiro inocente que faz toda a obra parecer uma mera brincadeira. Imaginar que três nomes já de tanto prestígio quanto Gene Wilder (que em 1979 já era conhecido por Primavera Para Hitler, O Jovem Frankenstein, Banzé no Oeste e A Fantástica Fábrica de Chocolate e já tinha duas indicações ao Oscar), Harrison Ford (que era reconhecido por seu papel como Han Solo em Guerra nas Estrelas) e Robert Aldrich (respeitado por obras como Os Doze Condenados e O Que Terá Acontecido a Baby Jane?) se reuniram em tal obra, realça a idéia de que o filme foi feito com o único objetivo de ser uma ligeira diversão, tanto para os envolvidos em sua produção quanto para quem o assiste.

Em fazer um filme divertido, Aldrich é feliz, mas em fazer um filme bom, nem tanto. Em vários pontos tanto a direção quanto o roteiro aparentam estar totalmente perdidos, tentando encontrar uma linha de comédia para seguir. "Seria essa linha o pastelão? Ou talvez a sátira? Que tal tentar a comédia romântica?". Tentando responder essas perguntas, Aldrich segue com o filme, até o momento em que ele simplesmente acaba, e no final, a resposta não é apresentada. O erro crasso que fora Choirboys acabou deixando o diretor completamente perdido em tentar consertar o que foi feito. Até mesmo os índios e a peculiar imagem desses moldada por Aldrich em Apache e aprofundada em A Vingança de Ulzana é tentada, mas o máximo que consegue fazer é arrancar alguns sorrisos amarelos.

Embora excelente se comparando às obras que o rodeiam nesse período da filmografia do diretor, o filme poderia ser considerado um desastre total se comparado à fase áurea de Robert Aldrich. Uma ratificação da idéia de que, na realidade, a melhor comédia de Aldrich foi Os Doze Condenados, e seu fortíssimo tom satírico.

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