terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Big Leaguer


Se Apache já foi repudiado por boa parte da crítica, o que dizer desse Big Leaguer? O primeiro trabalho legítimo de Robert Aldrich na direção acabou se tornando um perfeito exemplar de o que é um filme de estréia. Uma cara experimental (sobretudo pela curtíssima duração, de apenas 70 minutos), um roteiro mal trabalhado, uma coleção de lugares-comuns e uma temática tola fazem desse um filme totalmente esquecível. Bem, ele foi devidamente esquecido, então tudo bem.

Se o tema do beisebol é tolo e usado até a exaustão, aqui pelo menos há uma falsa idéia de que há uma visão diferente da tradicional. Embora o plano inicial fosse colocar como protagonista a figura de John Lobert, interpretado por Edward G. Robinson, um treinador de categorias de base, e fazer um fime abordando o processo de seleção de novos jogadores, a popular "peneira". Porém, inexplicavelmente, a trama se vira e Adam Polachuk assume o papel de protagonista. Um jovem que foge da escola para jogar beisebol contra a vontade do pai, mas que se mostra um talentosíssimo jogador. Mais clichê impossível. Um final que seria totalmente previsível se Aldrich não houvesse optado por começar o filme exatamente pelo final, e contar a história em flashbacks.

Mas, se bem que sempre houveram indícios que essa reviravolta iria acontecer. Ou não. Mas certamente, ainda mais perdido que eu estava a direção, que acabou dedicando mais da metade de um filme extremamente curto a meras partidas de beisebol para proporcionar diversão. Isso fora a participação de Vera-Allen interpretando a sobrinha de Lobert que tem um caso amoroso com Polachuk e que misteriosamente, de uma hora para a outra, simplesmente deixa de ser citada e de ter papel na trama, além do "alívio cômico" proporcionado por um personagem cubano que é algo absolutamente xenófobo e bizarro.

Embora "assistível", sobretudo devido à sua curta direção, Big Leaguer poderia facilmente ser a pior obra de Aldrich, se não existissem coisas como Os Rapazes do Coro ou A Lenda de Lylah Clare. Isso me lembra de uma frase que uma vez eu li num artigo da Variety se referindo ao Aldrich e dizendo algo como "Seus filmes bons são realmente bons, enquanto que seus filmes ruins são realmente ruins.". Uma definição excelente.

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