sábado, 18 de dezembro de 2010

Alien, o Oitavo Passageiro

Depois de quase cair nas mãos de Roger Corman, grande realizador de filmes B, e por pouco não ficar a cargo de O'Bannon, que acabou no posto de roteirista, "Alien, o Oitavo Passageiro" (Alien, 1979) finalmente encontra o diretor ideal. Ridley Scott, que estreiou na direção de "Os Duelistas", produção que recebeu bons comentários, por parte da crítica, assume um projeto que mesclaria os traços da ficção científica, com o gênero terror. Tudo começou, quando o roteirista, Dan O'Bannon, depois de trabalhar com John Carpenter, em "Dark Star" (Dark Star, 1974), que se tratava de uma conclusão do seu curso de cinema, optou por resgatar a temática, entretanto, focando numa abordagem mais realista e apurada.

A produtora FOX, envolvida com a obra, fez questão de dobrar o orçamento do filme, depois de ver o planejamento artístico do diretor. Poucos sabem, mas Ridley Scott é formado em design, no West Hartlepool College of Art, e isso, sem dúvida alguma, colaborou para que a obra tivesse uma estética, de forma geral, extremamente avançada, para a época.

A vertente alienígena, até aquele momento, não tinha grande força, dentro do cinema. No entanto, é bom lembrar que, anos depois, diversos filmes começaram a surgir, dando destaque para o trabalho de John Carpenter, "O Enigma de Outro Mundo" (The Thing, 1982), que ainda é considerado, por muitos, sua obra-prima máxima. "Alien, o Oitavo Passageiro", tem a seguinte estória: sete tripulantes de uma nave comercial são acordados, depois de um bom tempo viajando. Eles acham que já estão chegando em casa, entretanto, o capitão descobre que a rota foi modificada, para checar um aviso de alerta, num planeta desconhecido. No começo, os tripulantes achavam que era um pedido de socorro, porém, com o passar do tempo, eles vão descobrir que lá, é o último lugar que eles gostariam de estar.

Estrelado por Tom Skerritt e Sigourney Weaver, "Alien, o Oitavo Passageiro", além de inovar dentro do gênero, quebra o estereótipo da personagem feminina frágil e indefesa. O roteiro, que era tratado com muito apreço pelos roteiristas, principalmente por visarem esse projeto, há muito tempo, tem um primeiro ato lento, que não deve ser considerado como aspecto negativo, diferentemente do segundo ato. O desenvolvimento apresenta um ritmo incompatível com o que já foi apresentado, não aproveitando, por inteiro, as técnicas do diretor em criar cenas tensas, de forma incomparável. Um grande atrativo da produção, é o fato de que, justamente por ter uma temática pouco explorada, o espectador não consegue imaginar o que pode acontecer, nas cenas seguintes.

Os primeiros minutos do filme são tomados por um silêncio perturbador, fazendo alusão ao próprio pôster do filme, que carrega a seguinte frase: "In Space no one can hear you scream". Ridley Scott faz questão de utilizar esse artifício em várias cenas do filme, principalmente, nas que são responsáveis pelo suspense gradativo. Quando a trilha sonora de Jerry Goldsmith não auxilia a atmosfera lúgubre, ficamos apenas com o ambiente emudecido, esperando por um movimento, ou por um som, a qualquer instante. Caminhando para o desfecho, Ridley utiliza, mesmo que rapidamente, a câmera subjetiva para dar um toque mais aterrador, na produção. É mais uma técnica que preencheria muito bem o suspense do filme, entretanto, o diretor optou por esconder a sua criatura, criando medo, sem ficar mostrando, exageradamente, a fonte disso.
A direção de arte, indicada ao Oscar, demonstra o perfeccionismo de seus realizadores. Recriaram um ambiente inusitado, de forma encantadora e realista. Os corredores estreitos, e as salas apertadas trazem um clima claustrofóbico para o filme. A câmera sempre se mantém com os enquadramentos precisos, a fim de aprimorar essa sensação. A fotografia, principalmente nas tomadas externas, ganha destaque na utilização das luzes contrastando com a névoa, dando uma tonalidade azulada, que remete ao sombrio. Por fim, e não menos importante, temos os grandiosos efeitos especiais, que resultaram na premiação, no Oscar. Visualmente incrível, para a época. Takes deslumbrantes, que dão um toque luxuoso para a produção, trazendo mais um grande diferencial. O próprio desfecho tem uma das cenas mais antológicas da franquia, proporcionada pelos efeitos especiais, juntamente com o enquadramento perfeito.

"Alien, o Oitavo Passageiro" caiu nas mãos certas. Ridley Scott e seus profissionais dão forma para algo novo, dentro do cinema. Da ambientação minuciosa, à maquiagem da criatura. Os traços dos filmes B, acabam ficando para trás, graças ao investimento da produtora, e, obviamente, aos talentosos profissionais que extravasaram os limites do convencional, buscando uma nova visão do desconhecido, para o espectador. A ficção científica se misturou bem com o terror, e isso agradou diversos realizadores que ousaram utilizar dessa essência, anos depois. Poderia ter um aproveitamento maior, sem dúvida alguma, mas ainda assim, está acima da média. Um marco para ambos os gêneros.

Um comentário:

Hugo disse...

É um filmaço, que mistura muito bem suspense e terror num roteiro inteligente e como você escreveu, transforma uma personagem feminina em heroína, numa época em que isso não era comum.

De toda a série, o meu preferido é "Aliens - O Resgate", que considero um pouco melhor que este, principalmente pelas espetaculares cenas de ação.

Até mais