terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ação Entre Amigos


Logo na abertura, Beto Brant já deixa explícito o tema do filme, ao misturar o nome da equipe com documentos oficiais da época da ditadura. Ditadura. Um tema bastante aproveitado no cinema nacional, sobretudo na retomada após a longa interrupção que aconteceu durante os anos 90. Um ano após O Que É Isso, Companheiro? ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é difícil não estabelecer uma relação entre os dois filmes, muito embora tal relação se limite apenas à temática. Se usar temas batidos facilita na hora de construir sua visão, também atrapalha ao dificultar a originalidade. Original Ação Entre Amigos está longe de ser, mas dizer por conta disso que esse é um filme pouco eficiente seria um erro.

A história de quatro amigos que descobrem que o homem que os torturou 25 anos atrás ainda está vivo e saem em busca de fazer vingança com as próprias mãos é totalmente manjada, mas talvez a forma com que tal história evolui não seja. Embora cada um dos quatro tenha seu momento de destaque na tela, com certeza o que mais recebe destaque é Miguel, chegando ao ponto em que podemos afirmar que não se trata de quatro amigos, mas sim de Miguel e seus três amigos. A personagem de Miguel ainda pode servir de base para uma avaliação das interpretações, visto que em sua fase adulta, interpretado por Zé Carlos Machado, é a melhor das quatro boas atuações, enquanto que em sua fase jovem, interpretado por Rodrigo Brassoloto, é a mais insossa de quatro fracas atuações.

Ação Entre Amigos é rosto e alma do cinema de baixo orçamento brasileiro, feito com a boa e velha máxima Rocha-ana de "Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça". Montagem exagerada tentando compensar uma fotografia pífia e uma trilha sonora excessivamente eletrônica sobressaindo em momentos inconvenientes. Problemas presentes, mas que não atrapalham um bom roteiro. Bobagem ficar falando sobre aspecto técnico, atuações e tal. Na verdade, bobagem falar sobre qualquer coisa.

Embora esse texto se encaminhe para ser um texto incrivelmente curto, assim como o filme que ostenta meros 75 minutos de projeção, gostaria de fazer uma observação quanto à relação das personagens com seus passados. Todas elas, sem exceção, querem apenas esquecer o que já passou, seja tal esquecimento fingindo que o passado não aconteceu, fugindo para o interior e mudando de vida, esquecendo das atitudes que tomou ou exorcizando os demônios que o acompanham. Uma busca constante por redenção, sem ser melodramático. Mérito de Brant.

Um comentário:

Lauci Lemes disse...

Perfeito Jorge, Segundo filme do Beto Brand, depois do Debu com Os Matadores (Exelente!) não decepciono. Mais uma parceria com o Marçau (roterista e escritor), que rende frutos até hoje.
Parabéns!