domingo, 21 de novembro de 2010

As Sombras de Goya



Neste As Sombras de Goya, Milos Forman usa o grande pintor Francisco Goya como plano de fundo para narrar dois importantes momentos históricos da Espanha: A Inquisição e a Revolução Francesa.

O filme foi dura e desmerecidamente criticado. As acusações de falha de roteiro e ritmo são completamente descabidas. O roteiro é bem escrito e traz três personagens excelentes para levar a história. O ritmo também é bom e sabe dar um ótimo ritmo à trama. A verdade é que se trata de uma obra inferior de Forman, certamente, cuja estrutura narrativa jamais deveria ser comparada à de sua obra-prima, Amadeus.

O filme se divide basicamente duas partes, na primeira, temos a Inquisição à todo vapor na Espanha, matando e torturando a torto e direiro. Na segunda, passada 15 anos depois da primeira, temos a Revolução Francesa recém instaurada tomando conta da Espanha.

Nesse cenário caótico, um personagem se destaca, e não é o de Goya. Lorenzo, interpretado por Javier Bardem, é um personagem egoísta, manipulador, que está sempre do lado mais forte para conseguir obter vantagens. Na realidade, um personagem que poderia ter ares de vilão, é, na verdade, muito mais do que isso. Ele é um sobrevivente. Ele fica do lado mais forte para poder viver e com seus luxos. Seus escrúpulos são inferiores ao seu egocentrismo. Isso fica ressaltado no momento em que ele abandona essa atitude para se aliar a um ideal. Um personagem extremamente bem criado e interpretado.

Na parte técnica, o filme também brilha. direção de arte impecável e figurinos maravilhosos contribuem para uma reconstituição perfeita da Espanha do século XVIII. Mas o destaque principal vai para a direção de Milos Forman. Usando tomadas geniais, dignas do diretor de primeira grandeza que é, ele consegue tornar um filme que poderia ser extremamente ruim em uma obra maravilhosa. Alguns exemplos de cena são a tomada em que é acompanhada toda a linha de produção de uma das famosas serigrafias de Goya, a cena em que os franceses chegam na Espanha deixando pilha de cadáveres por de passam mostrando que o terror apenas tinha mudado de nome e, a minha preferida, a primeira cena após Goya perder a audição, uma tomada magnífica onde não há qualquer tipo de ruído externo, apenas a fala de Goya e os ruídos por ele produzidos.

As Sombras de Goya funciona tanto quanto filme de arte quanto como filme histórico. Embora o ritmo da trama caia um pouco na segunda parte, puxando um pouco para o melodrama, não é nada que torne a obra algo insupertável.

Repetindo vários elementos presentes na filmografia de Forman como o manicômio como símbolo da decadência do ser humano e a nudez como artefato de humilhação (algo bastante errôneo, ao meu ver), As Sobras de Goya é mais um maravilhoso filme deste que é um dos maiores diretores da atualidade.

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