quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Iraque em Fragmentos



Alguns gêneros cinematográficos tendem a ser mais obscuros do que outros. Provavelmente, o mais obscuro dos gêneros é o documentário. Embora seja o único gênero, juntamente com a animação (e os curtas), a ter uma categoria própria no Oscar e na maioria das premiações, pouquíssimas pessoas costumam assistir documentários, sendo essa a seção mais abandonada nas locadoras (isso quando a locadora tem uma seção de documentários).

O Documentário é, basicamente, o jornalismo no cinema. Enquanto antigamente as pessoas tinham que se dirigir aos cinemas para ver seus telejornais, hoje elas podem fazer isso sentadas no sofá de casa enquanto esperam a novela das oito começar. Muitas pessoas não vêem necessidades nos documentários, sendo, para elas, um tipo de sub-filme que não merece atenção. Felizmente, elas estão erradas. Os documentários estão cada vez mais se popularizando ao abordarem temas mais amplos e partirem para uma quase dramatização, como, por exemplo, pode ser visto em filmes como A Marcha dos Pinguins e Camelos Também Choram. Mas alguns filmes, como é o caso desse Iraque em Fragmentos, tendem ao esquecimento. O que é algo realmente lamentável.

Iraque em Fragmentos aborda o famigerado conflito no referido país protagonizado pelo exército norte-americano. O filme explora, particularmente, o impacto da invasão no cotidiano dos cidadãos iraquianos. Para tal, o filme se divide em três partes distintas abordando diferentes panoramas sociais.

A primeira parte se foca na vida de Mohammed, um garoto de 11 anos cujo pai, um policial, está desaparecido, trabalha numa oficina para um patriota veterano da guerra do Irã e sofre para aprender a ler e escrever na escola.

Abusado pelo chefe por não saber ler nem escrever e pelos colegas por ser o mais velho da turma, ele ainda tem de conviver com o medo dos conflitos, que persistiram mesmo após a queda de Saddam. Essa primeira parte do documentário mostra um cenário em que não ocorreram mudanças com a invasão. Eram opimidos pelo regime de Saddam e agora são oprimidos pelo exército americano.

Na segunda parte, Longley vai à duas cidades xiitas para acompanhar os preparativos para o que seria a primeira eleiçao democrática em muitos anos. Ao acompanhar esse grupo de fundamentalistas, é traçado o segundo panorama do conflito: um cenário em que a invasão apresenta uma ameaça aos costumes islâmicos e às riquezas iraquianas. Uma ameaça que inexistia quando da ditadura de Saddam.

Na terceira e última parte, é mostrado o cotidiano de uma família de agricultores no Curdistão, ao norte do Iraque. Um lugar onde as promessas feitas no início da invasão por parte dos americanos foram efetivamente cumpridas: liberdade da tirania, fim das perseguições e a possibilidade de criação de um estado autônomo.

Esses três panoramas distintos tornam Iraque em Fragmentos uma obra que surpreende pela imparcialidade, que atende ao fundamento básico do jornalismo que seria o de não impor seu ponto de vista, e sim, apresentar eles todos para que o espectador seja levado a pensar quais são seus reais conceitos em relação àquele ambiente e tomar suas próprias conclusões, fundamento esse que você não tem contato através de seu noticiário de antes da novela.

Um comentário:

Rogerio Floripa disse...

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