domingo, 31 de outubro de 2010

Bastardos Inglórios: Nazismo à flor da pele?


Convencionou-se julgar o nazismo como algo puramente ruim, como se houvesse uma verdade absoluta quanto à problemática Bem x Mal. Trata-se de uma visão limitada pensar dessa forma. Em verdade, o nazismo culminou em diversas mortes, o que para muitos amantes da certidão de nascimento seria, de fato, ruim. Todavia, o nazismo se notabiliza por seus princípios os mais éticos possíveis. Ora, não há sublimidade maior do que a paz derradeira.

Em sua iconoclastia anárquica, é exatamente o que Tarantino propõe: Livrar-nos do mal. Seus bastardos são, com efeito, soldados nazistas – nota-se isso pelos bigodes, obviamente – que intentam a propagação da paz mundial por meio do extermínio exacerbado. Quando se soma a tão nobres princípios uma sede ideológica de valores semi-bíblicos, consolidar-se-á um sadismo inebriante, mas incompreensível para os mais materialistas, haja vista os valores tão espirituosos;

Ironicamente, o sadismo de Tarantino regozija-se em matar justamente os nazistas. Assim subvertendo a mentalidade tacanha daqueles que giram ao redor do umbigo. Faz-se necessário ter em conta seu desalento para com a raça-humana, detentora da moral. Seu descontentamento se manifesta de modo a massacrá-la. Dessa forma, Tarantino brinca, feito um psicopata, de matar pessoas. E não há nobreza maior do que essa. Aparentemente Bastardos Inglórios é lixo pop. É vazio em conteúdo. É sádico. É sujo. Sendo assim, filme mais semelhante com a humanidade não há. Tarantino merece crédito pelo fiel retrato de toda uma espécie.

A Hora da Zona Morta



David Cronenberg é um diretores mais estranhos da atualidade. Até os anos 2000, seus filmes se utilizavam de recursos estéticos extremamente nojentos para retratar a condição psicológica do ser humano, como visivel nas suas obras-primas A Mosca e Mistérios e Paixões.

Nesse A Hora da Zona Morta, baseado no livro Zona Morta de Stephen King, o resultado, infelizmente, é bem inferior à sua média. Em parte talvez isso se deva ao fato de o próprio livro não ser lá essas coisas em se tratando de qualidade, mas sob a regência de Cronenberg, o filme se torna bem menos ruim do que poderia ser.

Johnny Smith (Christopher Walken) é um professor que, após sofrer um acidente de carro e passar cinco anos em coma, descobre ter a capacidade de ver o passado, presente ou futuro das pessoas ao segurar suas mãos. Um argumento difícil, mas que é bem trabalhado na primeira metade do filme, que tem uma forte carga psicológica e é claramente um drama. Mas, a partir da segunda metade do filme, a impressão que fica é que Cronenbreg percebeu que o filme deveria ser um suspense, e não um drama, e partir daí abandona toda a estrutura criada na primeira metade para começar a correr atrás de tensão. Claro, isso é apenas impressão, causada simplesmente pelo fato de o livro ser ruim.

Quem mais sofre com essa mudança abrupta de sentido é o próprio Johnny, que na primeira metade é um personagem realista, com o objetivo de reiniciar sua vida após cinco anos em coma e se afastar das pessoas para evitar as visões que começaram a tirar sua própria vida. Mas, em certo momento, quando sem explicação lógica ele vai até um comício e tem uma visão do futuro de Greg Stillson (Martin Sheen), ele abandona as características pré-estabelecidas e se torna um sujeito altruísta que busca apenas o bem das pessoas.

Embora a direção de Cronenberg seja falha nesse filme, tem alguns bons momentos como no flashback do médico de Johnny passado na Segunda Guerra Mundial. A trilha sonora é extremamente clichê e deixa o filme com cara de suspense barato de sábado à noite. De um modo geral, A Hora da Zona Morta é um filme que tenta com todas as forças ser bom, consegue chegar bem perto disso, mas talvez por sair de um livro ruim e contar com um Cronenberg pouco inspirado, nem a atuação magnífica do sempre bom Christopher Walken consegue evitar que o filme seja algo apenas mediano.

Os 25 Melhores Diretores de Todos os Tempos

Após quase 4 meses, a saga de Top por décadas promovida pela comunidade do orkut O Mundo dos Cinéfilos chega ao fim com esse top que reúne os diretores que mais pontuaram no geral. Chegar até tal resultado foi uma tarefa árdua, visto que foram mais de 600 filmes citados no geral. O resultado é consideravelmente bom, com diretores bastante populares, e algumas surpresas, ora boas como Eisenstein, ora não tão boas como Zemeckis. Segue abaixo a lista dos 25 diretores que mais pontuaram:




1. Alfred Hitchcock
2. Charles Chaplin
3. Stanley Kubrick
4. Francis Ford Coppola
5. Fritz Lang



6. Billy Wilder
7. Quentin Tarantino
8. Martin Scorsese
9. F. W. Murnau
10. Orson Welles



11. Elia Kazan
12. Steven Spielberg
13. Frank Capra
14. Peter Jackson
15. Milos Forman



16. Victor Fleming
17. Howard Hawks
18. Sergio Leone
19. Clint Eastwood
20. Sidney Lumet



21. D. W. Griffith
22. Sergei Eisenstein
23. John Ford
24. Robert Zemeckis
25. Jean Renoir

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FINAL?






A revista Super Interessante ( ed. 284 ) deste mês chega as bancas com a publicação curiosa de uma matéria relacionada ao cinema. Na edição ( especificamente a última página ) há um esquema de como adivinhar o final do casalzinho das comédias românticas, basta responder as perguntas e seguir as setas. Por isso, o blog convida a relembrar os filmes água com açúcar assistidos para uma listagem das produções que correspondem exatamente ao esquema da Interessante ou oposto dela.



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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ILHA DAS FLORES


Ilha das Flores é um curta-metragem, com o gênero de documentário com aproximadamente 13 minutos de duração. E narra à história de um tomate colhido por um japonês. O tomate é vendido pelo homem a um supermercado e comprado por Dona Anete, um ser humano que apresenta telencéfalo altamente desenvolvido e um dedo opositor (o que a diferencia de outros seres). Ao chegar a casa, ela prepara o molho de tomate junto com a carne de porco, porém percebe que o tomate comprado não está apropriado para alimentação, então os joga no lixo. O tomate então é levado até a Ilha das Flores, onde não há flores, somente lixo que fica ao ar livre, distante da cidade para não incomodar ninguém. Na ilha tem muitos porcos. Estes porcos têm um dono, que separa todo o lixo para o animal, incluindo o tomate, que é rejeitado pelos porcos.
Além dos porcos há pessoas que residem na ilha e que são seres humanos com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor. Contudo, estes seres humanos diferenciam de Dona Anete e dos porcos, porque não possuem dinheiro e tão pouco dono para escolher a comida. O que resta a eles são a miséria e o tomate podre.
O curta é do cineasta Jorge Furtado, o mesmo diretor dos filmes O Homem que copiava, Meu tio matou um cara e Saneamento Básico – O filme. Na produção pode-se notar uma característica do diretor gaúcho, que é a narração, que sempre está presente nos seus filmes.
Ilha das Flores é um ótimo curta-metragem, que apesar dos vinte anos de sua existência não perde o seu lugar no curtas que revolucionaram o cinema brasileiro, devido à peculiaridade e ironia. Mostrando como o capitalismo pode causar desigualdade entre os seres humanos.


Christine - O Carro Assassino


O cinema a partir de meados da década de 70 começou a ser invadido com filmes que visavam um filão recém-descoberto que renderia montanhas de dinheiro às produtoras: o público adolescente. Histórias sempre de jovens banais, com problemas idiotas em situações completamente toscas era o que se tinha de sobra. Esse padrão era quase constante, com pouquíssimas exceções de filmes adolescentes que mantinham um certo rigor tanto no roteiro quanto na direção. Loucuras de Verão, do George Lucas e toda a filmografia do John Hughes são algumas dessas exceções.

Porém, infelizmente, Christine não é uma exceção. Embora a direção do mestre John Carpenter consiga fazer alguns milagres, ditando um ritmo interessante na obra e proporcionando algumas tomadas com enquadramentos genias, não consegue compensar o roteiro grotesco de Bill Phillips, que joga todo o filme na privada e puxa a descarga.

A história começa traçando um panorama de jovens de 17 anos totalmente idiotas e estereotipados. Temos a garota popular, o capitão do time de futebol, o nerd, o encrenqueiro e a novata tímida pela qual todos se apaixonam. No momento em que o nerd e seu amigo capitão encontram Christine, o roteiro vira de ponta cabeça. A garota popular simplesmente desaparece, o nerd vira uma cópia do James Dean de Juventude Transviada, porém muito mais arrogante, agora com o carro em suas mãos, tendo o capitão do time ainda como seu melhor amigo, a novata como sua namorada e o encrenqueiro como seu inimigo.

Daí pra frente o filme se torna um suspense, que embora completamente previsível, rende alguns momentos de tensão. Não cai nas redes do enfado talvez por ainda proporcionar ao público a diversão de adivinhar o que vem pela frente, coisa que quase sempre funciona, visto que o filme não consegue escapar dos clichês. Na metade do filme já se é possível descrever com detalhes como será o final, e realmente não há surpresas neste ponto. A única suspresa fica com Keith Gordon, que após se transformar de nerd a James Dean, passa a dar um show de atuação em seus monólogos possuído pelo carro.

Muitas pessoas na faixa dos trinta anos defendem esse filme, assim como outros do Stephen King e as séries de terror tão famigeradas como A Hora do Pesadelo, Sexta-feira 13 e Halloween por serem símbolos de sua própria adolescência e de sua própria geração. Isso pode cegar as pessoas e impedi-las de ter uma visão mais impessoal da obra. Eu, que não faço parte dessa geração, digo que este filme é uma obra tenebrosa, no pior sentido da palavra, mas nada impede alguém de gostar do ruim. Todos nós gostamos de algum lixo. Se você gosta de Christine, você já gosta de algum lixo também.

domingo, 24 de outubro de 2010

O Lenhador


A pedofilia (também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade) é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou para crianças em puberdade precoce.

A pedofilia não é nenhum transtorno psicológico que transforme a pessoa em um monstro, como a maioria das pessoas acredita. Ela é apenas uma condição caracterizada pelo ideal inconsciente de um determinado indivíduo naquilo que seria um parceiro sexual adequado. Algumas pessoas vêem esse ideal em pessoas altas, baixas, altas, magras, loiras, morenas, de olhos claros, de olhos escuros; de diversos fatores. Pessoas com pedofília vêem esse ideal em cianças ou pré-adolescentes. Um pedófilo não é um pedófilo por opção, ao contrário do que muitas pessoas "normais" (com reforço nessas aspas) imaginam. Mas seria extremamente difícil para um homem que gosta de mulheres loiras, saber que ele não pode satisfazer seu desejo sexual com elas, pois isso seria um crime. E em mostrar esse aspecto do pedófilo como sendo alguém que sofre, e não que impõe sofrimento, é que o filme é extremamente eficiente.

Walter (Kevin Bacon) é um sujeito que retorna à sua cidade após passar 12 anos preso por molestar garotas de 10 a 12 anos. Ele tenta reiniciar a sua vida, mas sofre constantemente com o preconceito. Consegue emprego numa marcenaria de um antigo amigo, mas sofre com o preconceito dos seus colegas. Começa a namorar uma das colegas que até ameaça deixá-lo ao saber de seu passado. Mas a maior dificuldade encontrada por ele é conter seus desejos sexuais latentes. Junto a isso, ele desconfia de um homem que provavelmente está abusando de jovens em uma escola primária local.

A direção é bem presente e usa um jogo de tomadas que, junto com uma montagem extremamente eficiente, tornam o filme algo bastante agradável de se ver. A direção de fotografia também se faz evidente, dando um clima invernal de interiorano à obra. Mas o roteiro deixa um pouco a desejar. Aborda o tema da pedofilia de maneira demasiadamente equilibrada. Ao tentar evitar que o protagonista se torne um monstro, acaba por transformá-lo em um louco. Mas, a definição de louco é vaga e por isso o filme ainda conserva uma eficiência na hora de humanizar o personagem, mesmo sendo totalmente imparcial.

O clímax do filme é a cena com a garotinha no bosque, no qual a atitude que Walter tomasse seria o que definiria se a história teria um final "feliz" ou trágico. Uma cena extremamente bem arquitetada pela diretora Nicole Kassel e que consegue extrair atuação brilhantes de Kevin Bacon e da jovem Hannah Pilkes.

O Lenhador é um filme ousado, por tratar do tema da pedofilia, mas que evita se aprofundar demais no mesmo, tratando o de maneira demasiadamente imparcial. Um ótimo filme sobre o tema, mas que poderia ser ainda melhor se fosse mais ousado do que já foi.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Casa de Areia e Névoa



Casa de Areia e Névoa é um exemplo de filme que recebeu uma recepção fria, alguns prêmios e indicações e rapidamente caiu no esquecimento. Algo repulsivo, visto que esse é um maravilhoso e espetacular filme, sobre uma casa levada a leilão e a briga por sua posse que veio como consequencia. Atuações brilhantes de personagens bem construídos ajudam a levantar ainda mais a qualidade do filme. Basicamente, são quatro personagens principais:

Behrani (Ben Kingsley) é um ex-coronel iraniano que, após algumas complicações com o governo local, partiu em exílio para a América em busca de uma vida melhor do que a que ele tinha. Infelizmente ele acaba tendo de trabalhar em dois turnos para conseguir pagar o altíssimo aluguel de seu apartamento. Ao ver um anúncio do leilão de uma casa, consegue comprá-la por um valor bem inferior ao preço real, visando assim vendê-la pelo preço de mercado e obter um excelente lucro, que melhoraria completamente sua condição financeira.

Nadi (Shohreh Aghdashloo), esposa de Behrani, é uma esposa dedicada que acompanhou o marido na fuga do Irã. Com um passado sofrido ao lado do marido, teme que o sofrimento se repita na América. Seu maior temor é a possibilidade de deportação, visto que eles correriam risco de vida se retornassem ao Irã.

Kathy (Jennifer Connely) é uma ex-alcoólatra, desprezada pela família, que com a morte do pai passa a tomar conta da casa que fora dele. Recebe uma notificação sobre imposto comercial que ela ignora solemente, visto que nunca teve um comércio. Alguns meses depois descobre que sua casa foi a leilão e que agora a mesma não pertence mais a ela.

Lester (Ron Eldard) é um policial que se casou com a melhor amiga, mas após sete anos de casamento e dois filhos nas costas, percebe que todo o seu dejeso sexual se perdeu pelo caminho. Quando conhece Kathy e se apaixona por ela, ele quebra uma promessa de infância, feita quando seu pai saiu de casa, e abandona a família para tentar viver uma nova vida.

O mais notável do filme é que a casa assume um papel metafórico para cada personagem, o que leva todos a buscarem a sua posse. Para Behrani, a casa é a possibilidade de construir a vida com que ele sonhou quando fugiu do Irã. Seria a realização do American Dream. Para Nadi, a casa é o porto seguro no qual sua família pode se abrigar dos perigos de sua terra-natal. Para Kathy, a casa seria uma prova de responsabilidade para dar à sua família, que já não confia mais nela. Para Lester, a casa simboliza o sonho de construir uma nova vida, e esquecer daquela antiga e infeliz.

O roteiro, escito pelo próprio diretor em cima do livro de Andre Dubus III é incrível. A direção de Vadim Perelman é discreta, mas com algumas tomadas simplesmente geniais. Mas o grande destaque técnico do filme é, certamente, a fotografia sempre impécavel de Roger Deakins, que com tons sempre cinzentos e sombrios, dão um ar de mistério todo à parte sobre essa excelente obra. Ares esse já marca registrada de seu estilo de filmagem.

Casa de Areia é Névoa é uma mistura de drama e suspense que consegue apresentar uma homogeneidade perfeita e incrível.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As melhores frases do filme Tropa de Elite 2



O primeiro Tropa de elite teve algumas frases eternizadas na boca do povo (quem não se lembra de “pede pra sair”, por exemplo). Com esse segundo filme (do qual eu já sou fã, como pode ser visto na crítica que postei nesse blog) não foi diferente. Confira aqui uma seleção com as frases que mais marcaram o filme para mim.


“Ele é um intelectual de esquerda que vive defendendo vagabundo”

“Miliciano é tosco, mas não é burro”

“Nunca me meti na vida da Rosane depois que a gente se separou, mas casar com ele foi sacanagem” (Nascimento falando sobre a ex-mulher, que se casou com Fraga, seu maior crítico)

“Missão dada, parceiro, é missão cumprida”

“Você baixa o tom para falar comigo!”

“As fotos eram mais do que suficientes para matéria de capa. Mas jornalista é curioso”

“Eu não caí para baixo, parceiro, eu caí para cima”

“100 gramas... Tava comprando para o gabinete inteiro é?”

“Essa Julia deve ser muito gostosa para você assumir 100 gramas de maconha na minha frente”

“É claro que todos os intelectuais de esquerda e todos os maconheiros da cidade iam votar nele”

“Bota ele na Âncora!”

“Tá de pombagirisse comigo?”

“Máfia é coisa de italiano, macarrão, espaguete…”

“O nome dessa operação deveria ser operação Iraque”

“Agora é Fifty fifty”

“Encosta este bunda rachada em algum canto”

“CPMF: Comissão pra policial militar filha da puta”

“Qualé Curió, vai cantar o que pra nóis?”

“Traz um café que pão seco é foda”

“Quem quer rir, faz rir”

“Cada cachorro que lamba a sua caceta”

“Quer me foder? Então me beija”

“Ele tá se achando a pica das galáxias”

“Che Guevara tá entrando sem colete”

“O sistema é foda, parceiro”

“Ter uma polícia cujo símbolo é uma caveira. Ter uma polícia cujo símbolo é a morte”

“Sabe o que é isso Governador? passos largos”

“A coisa vai federrrrr e federrrrr com todos os errrrrrrrrres”

domingo, 17 de outubro de 2010

O Grupo Baader Meinhof





A Fração do Exército Vermelho (em alemão, Rote Armee Fraktion ou RAF), também conhecida como Baader-Meinhof, foi uma organização guerrilheira alemã de extrema-esquerda, fundada em 1970, na antiga Alemanha Ocidental, e dissolvida em 1998. Recebeu a alcunha Baader-Meinhof, depois que Andreas Baader, um dos fundadores da organização, escapou da polícia graças à ajuda de uma jornalista, Ulrike Meinhof.

O Grupo Baader Meinhof é um filme do cineasta alemão Uli Edel que conta os passos da organização homônima desde pouco antes de sua fundação, no final da década de 60 até a morte de seus líderes, em 1977.

Uma obra extremamente instável, diga-se de passagem. No decorrer do filme, são perceptíveis gravíssimas flutuações de ritmo que tornam o ato de assistir a essa obra algo extremamente enfadonho.

A introdução do filme vem em ritmo alucinante. A primeira cena acompanha Ulrike Meinhof na praia, com sua família. Logo em seguida somos levados ao meio dos protestos de estudantes contra o xá do Irã em 1967. Logo em seguida o filme cai de ritmo, onde se inicia a apresentação dos personagens com diálogos que acabam por fazer o filme parecer uma obra de propaganda comunista e/ou anti-imperialista.

E é nessa variação brusca de ritmos que o filme vai seguindo, e se tornando cada vez mais indigesto. A direção é fraca, ficando ausente na maior parte do filme. Os personagens são pouco explorados, o que impede uma maior ligação com o público. Outro problema narrativo é que, no decorrer do filme, as ações do grupo que visavam a liberdade e a retaliação, passam a ficar infudadas, isto é, deixa-se de explicar suas reais motivações.

O Grupo Baader Meinhof é certamente, um filme muito inferior e menos complexo do que outras obras alemãs com cárater histórico feitas nos últimos anos como A Queda e A Vida dos Outros. Seu estilo semi-documental é inferior ao utilizado no também alemão e recente A Onda, no qual nós conseguimos sim nos apegar aos personagens. No filme de Uli Edel os personagens históricos são mostrados como sendo personagens históricos, e não serem humanos. Eles são sempre colocados em um patamar superior ao do espectador, mostrados como ídolos.

Provavelmente Edel, que tinha seus 20 anos em 1967, ano em que a história começa a ser contada, quis dar seus toques pessoais na obra, exagerando um pouco na mão. Certamente, Ulrike Meinhof e Andreas Baader foram seus ídolos de juventude, por isso a forma, no mínimo errônea, de retratá-los.

Embora o filme não funcione como drama, é um ótimo documentário sobre 10 anos na história da Alemanha e uma obra, no mínimo recomendada para professores de história exibirem a seus alunos.

GUILLERMO DEL TORO




Guillermo Del Toro nasceu em 1964 em Guadalajara, México. Foi criado por sua avó católica. Este convívio fez que ele colecionasse imagens de santos e anjos, na qual estas são suas marcas registradas em seus filmes. Esta peculiaridade é curiosa, pois Del Toro é apaixonado por filmes de terror. Além disso, as sua produções sempre possuem personagens demoníacos.

Del Toro apaixonou-se por filmes na adolescência, onde foi influenciado por George A. Romero, Alfred Hitchcock, Mario Bava e as produções da companhia inglesa Hammer Films. Começou aprendendo truques de efeitos e maquiagem com Dick Smith. Trabalhou como supervisor de maquiagem por dez anos. E no anos 80 abriu a produtora Necropia especializada em maquiagens para filmes de terror.

Sua produção de estreia foi Cronos, filme que narra a história de um dono de uma antiguidades que descobre que um de seus pertences pode lhe dar juventude eterna. Em troca, porém, ele se torna sedento por sangue. O filme tornou-se um sucesso em Cannes e foi indicado ao Oscar mexicano , o Premio Ariel de Oro, em várias categorias.

Com o sucesso do longa-metragem, Guillermo partiu para Hollywood, dirigindo o filme Mimic de 1997. A produção conta sobre história de um bicho criado geneticamente para destruir baratas, mas que acaba evoluindo e aterrorizando toda a cidade de Nova York. Contudo, o diretor ficou insatisfeito com resultado do filme retornando ao seu país, onde formou a produtora The Tequila Gang. Em 2001 lançou o filme “ A Espinha do Diabo” , conquistando a crítica sobre a historia de um fantasma na epoca da Guerra Civil Espanhola. Devido ao sucesso com a crítica, o diretor voltou aos estudios hollywoodianos na direção da sequencia de Blade II e mais tarde em Hellboy.

O cineasta conquistou o estrelato quando dirigiu o Labirinto do Fauno , produção parecida com a Espinha do Diabo. O filme foi indicado ao Oscar de 2007 de Melhor Filme Estrangeiro.


Del Toro é um dos grandes diretores dos últimos anos, que apesar de trabalhar em Hollywood, nunca deixou sua marca autoral.



Filmografia:



The Orphanage (O Orfanato) remake de El orfanato, do qual foi produtor 2010


Hellboy II: The Golden Army (Hellboy II: O Exército Dourado) 2009


El laberinto del fauno ( O labirinto do fauno ) 2006


Hellboy ( Hellboy ) 2004


Blade 2 ( Blade 2 ) 2002


El espinazo del diablo ( A Espinha do Diabo ) 2001


Mimic ( Predadores de Nova Iorque ) 1997


Cronos (Cronos: Contra o Tempo) 1993


Geometria (Geometria) Curta Metragem 1987


Doña Lupe (Dona Lupe) Curta Metragem 1985



Fonte:


Omelete


Wikipédia




Crítica: Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro

Missão dada, parceiro, é missão cumprida


Em 2007 chegou aos cinemas o filme “Tropa de Elite”, dirigido por José Padilha. Antes mesmo da estréia o filme já causou polêmica, devido ao absurdo número de cópias piratas. Acredita-se que mais de 15 milhões de pessoas assistiram ao filme antes de ele chegar aos cinemas. Ainda assim o filme foi sucesso nos cinemas brasileiros e depois nos festivais internacionais, vencendo inclusive o Urso de Ouro no festival de Berlin. Após tanto sucesso, seria inevitável uma continuação. E foi o que aconteceu em 2010.

No mês de outubro chegou aos cinemas “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro”, e dessa vez a pirataria não teve chances. Todos os cuidados foram tomados, e o filme não vazou. E como era esperado, a estréia foi um sucesso. Tropa de Elite 2 vem quebrando recordes de bilheteria no Brasil, e lotando todas as salas em que é exibido.

Vamos ao filme. Seqüências costumam serem inferiores ao original, tendo como objetivo basicamente arrecadar dinheiro com a fama do filme anterior. Definitivamente isso não aconteceu. A segunda parte de Tropa de Elite consegue ser muito superior a primeira (sendo que o primeiro já era um ótimo filme).

O ex-capitão e agora coronel nascimento (Wagner Moura), agora com 40 anos e alguns cabelos brancos continua dedicando sua vida ao BOPE. O Filme já começa a todo vapor, com uma cena que depois percebemos ser o final do filme (cena está que está no trailer). Nascimento sai de um hospital no seu carro, e logo em seguida é recebido com tiros dos seus inimigos. E quem são estes inimigos? Essa é a grande questão do filme.

Após essa cena que fica sem final vêm os créditos iniciais, e depois vem realmente o começo do filme. Uma aula de história mostrando dados sobre os presídios brasileiros, e ao mesmo tempo uma rebelião acontecendo no presídio Bangu I, onde ficam os principais traficantes do Rio de Janeiro. Em determinado momento Nascimento diz que alguns consideram seus métodos fascistas, curiosamente o primeiro filme foi acusado de fascismo por alguns.

Após muitos presos mortos, Nascimento é considerado herói pela população (como o próprio filme diz, para a maioria das pessoas, bandido bom é bandido morto), e como o governo não vai contra o seu eleitorado, Nascimento foi promovido e chegou à secretaria de segurança pública. Como a pressão feita pelos defensores dos direitos humanos, a operação precisava de um culpado, e o escolhido foi o Capitão Mathias (André Ramiro), que foi expulso do BOPE. O grande crítico da operação foi justamente o marido da ex-mulher de Nascimento, o ativista político Fraga (Irandhir Santos).

Em sua nova função Nascimento tem mais condições de tentar combater o tráfico. Ao mesmo tempo, sua vida pessoal é solitária, tem uma relação difícil com seu filho que o considera um assassino. O plano que Nascimento fez para acabar com o tráfico na teoria tinha tudo para dar certo, mas não aconteceu na prática, pois a corrupção era maior do que ele imaginava. Não eram apenas alguns policiais corruptos que dificultavam sua operação, mas também toda a política do estado. É ai que percebemos quem é o vilão da história: O Sistema.

E o que Nascimento fez foi declarar guerra ao sistema, e essa é a guerra mais difícil, ainda mais quando todos a sua volta parecem estar envolvidos. O filme mostra a corrupção política brasileira como jamais qualquer outro filme fez. Não é apenas entretenimento, e sim para você que assiste pensar em como é o país em que vivemos. E somos todos parte disso, já que os governantes são eleitos por nós.

José Padilha deu um show na direção. Muito mais profundo e mais bem produzido que o primeiro. A parte técnica é perfeita. Cenas realistas, uma montagem que não deixa o espectador desgrudar os olhos da tela um segundo sequer, com um ritmo super dinâmico. Além disso, o elenco merece nota 10. Wagner Moura esteve ainda mais brilhante interpretando Nascimento. Irandhir Santos que apareceu nesse segundo filme surpreende com sua boa atuação. Apesar de aparecer pouco, Andre Ramiro também se destaca. Destaque ainda para Milhem Cortaz como o corrupto e covarde coronel Fábio (Também remanescente do primeiro filme), e André Mattos como um apresentador de TV sensacionalista.

O primeiro “Tropa de Elite” já foi bom, e esse segundo filme conseguiu ser ainda melhor. Saíram as frases para cair na boca do povo e o grande número de cenas de violência e entrou uma discussão profunda sobre a segurança no Brasil. Apesar de ser considerado ficção, sabemos que de fato o que é mostrado no filme acontece. Nascimento declarou guerra ao sistema, e você, vai fazer alguma coisa para combater o sistema? Tropa de Elite 2 se junta com “A origem” como os grandes filmes (do mundo) em 2010. Além disso, é um dos melhores filmes que o Brasil já produziu. Certamente vai receber vários (merecidos) prêmios. Não deixe de assistir.