quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Atores e atrizes com o maior número de indicações ao Oscar

Que Meryl Streep é a recordista de indicações ao Oscar, todos sabem. Mas você sabe quem são os outros atores e atrizes que fazem parte dos recordistas de indicações ao Oscar? Todos grandes astros do cinema, que deixaram seus nomes marcados na história. Apenas indicações em competição nas categorias de atuação foram consideradas, desconsiderando o Oscar honorário e as indicações em outras categorias. Vamos a eles:


16 indicações
Meryl Streep




12 indicações
Katharine Hepburn e Jack Nicholson




10 indicações
Bette Davis* e Laurence Olivier

*Bette Davis tem oficialmente 10 indicações ao Oscar, apesar de ter ficado 11 vezes entre as mais votadas. Em 1934, pelo filme "Servidão Humana ou Escravos do Desejo", Bette foi inscrita diretamente nos boletins de voto. Foi a terceira mais votada, ou seja, teve mais votos que uma das indicadas oficiais. As regras da Academia davam essa possibilidade. Tem algumas coisas que eu não entendo no Oscar, essa é uma delas.



9 indicações
Spencer Tracy e Paul Newman




8 indicações
Jack Lemmon, Geraldine Page, Marlon Brando,
Al Pacino e Peter O'Toole





7 indicações
Greer Garson, Richard Burton, Ingrid Bergman,
Jane Fonda e Dustin Hoffman



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ACROSS THE UNIVERSE



Across the Universe é um musical com canções dos Beatles, dirigido pela diretora Julie Taymor, de Frida. Estreou nos cinemas em 2007 com a promessa de sucesso de bilheteria no Brasil. Porém o filme não alcançou os esperados recordes. Contudo, isso não significa que não seja assistível, pois possui uma história que envolve do inicio ao fim do filme.


A produção dirigida por Julie narra a historia de Jude ( Jim Sturgess ) um jovem inglês, que decide viajar aos Estados Unidos para encontrar o pai. Ao chegar ao país, conhece no campus da Universidade de Princeton o estudante rebelde Max ( Joe Anderson ) e imediatamente começa uma amizade com ele. Através de Max conhece Lucy ( Evan Rachel Wood), irmã deste. Jude então se apaixona pela jovem e depois da morte do namorado dela, eles iniciam uma relação. Contudo, no meio desta relação está a Guerra do Vietnã, onde Lucy acaba se envolvendo nos movimentos contra a guerra, ocasionando desse modo um atrito no relacionamento com o jovem inglês.


Do inicio ao fim, musicas dos Beatles são cantadas pelos atores e cada interpretação corresponde perfeitamente ao momento das personagens. A atuação de Jim Sturgess é apaixonante, principalmente nos momentos que canta Girl e Strawberry Fields Forever que são de tirar o folego. Outras interpretações também são muito encantadoras como Eva Rachel cantando If i fell e de Joe Anderson interpretando Hey Jude.


Um ponto interessante do filme é que a união de todas as interpretações das musicas dos Beatles, motivam as pessoas que o assisti procurar saber mais sobre os garotos de Liverpool e a época que a historia é narrada, pois as músicas cantadas pelos atores são tão marcantes e envolventes, que provocam o anseio de ir além da história do filme, pois apesar do filme ter como plano de fundo a Guerra do Vietnã e o psicodelismo , não retrata fielmente a realidade daquela época em que vários momentos da historia da humanidade aconteceram e que até hoje em dia são lembradas por sua força de expressão. Além disso , o filme provoca no espectador a curiosidade de tentar compreender qual a relação do filme com as musicas escolhidas pela produção. O filme conta com a participação de Bono e Salma Hayek interpretando respectivamente , Dr. Robert e uma enfermeira.

Obrigada.

Agradecimento à Graceland Memphis pela foto do filme.



domingo, 26 de setembro de 2010

Os melhores dos anos 30, pela comunidade do Orkut

Foi aberto um tópico em nossa comunidade no orkut com o objetivo de eleger os melhores filmes dos anos 30, nos mesmos moldes usados para as listas dos anos anteriores. Caso você queira participar das próximas listas, basta entrar em nossa comunidade e responder os tópicos referentes à Top 10 clicando no link "orkut" logo abaixo do banner. A lista final é a seguinte:


1. Luzes da Cidade de Charles Chaplin (Considerado a obra-prima de Chaplin, conta a história de um vagabundo (o clássico papel de Chaplin) que se apaixona por uma florista cega que acha que ele é um milionário. Na realidade, o milionário é um amigo do vagabundo com tendências suicídas. Destaque para a cena final, uma das mais tocantes do cinema)


2. Tempos Modernos de Charles Chaplin (Um dos filmes mais conhecidos de Charlie Chapli é também uma crítica exarcebada ao industrialismo e uma comédia extremamente eficiente sobre as desventuras de um operário em meio de uma metrópole. Com algumas passagens inesquecíveis como a cena onde Chaplin é engolido pela máquina e quando ele sai pelas ruas com um tipo de LER, repetindo um movimento de torção descontroladamente)


3. M, O Vampiro de Düsseldorf de Fritz Lang - Uma das obras primas de um dos maiores mestres do Expressionismo Alemão, M conta a história de uma série de assassinatos que insiste em perturbar a polícia e a população de Dusseldorf. Com uma fotografia magnífica, serve de inspitação para diversas obras até os dias atuais)


4. ...E o Vento Levou de Victor Fleming (Épico de quase 4 horas sobre a vida de Scarlett O'Hara durante a Guerra Cívil Americana. Seu romance com Rett Butler rendeu passagens antológicas. Seu estilo é amplamente difundido até os dias de hoje por meio das telenovelas)


5. A Regra do Jogo de Jean Renoir (Considerado a obra-prima do cineasta francês Jean Renoir, filho do pintor Pierre-Auguste Renoir, retrata a sociedade francesa por meio de um final-de-semana passado em uma casa de campo. Serviu de inspiração para Robert Altman e seu Assassinato em Gosford Park)


6. O Mágico de Oz de Victor Fleming (Um dos filmes de fantasia mais famosos da história, relata a jornada da jovem Dorothy e seu cachorro Toto ao saírem do Kansas para irem até a terra de Oz, onde junto com um espantalho, um leão e um homem de lata vão em busca do Mágico de Oz. Destaques para a cena em que Dorothy e o Leão desmaiam num campo de papoulas, numa referência direta ao ópio e no chamado efeito Dark Side of The Rainbow, causando ao sincronizar o filme com o cd The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd)


7. Branca de Neve e os Sete Anões de David Hand (Primeira animação em longa-metragem adapta uma obra dos Irmãos Grimm. Com um estilo de animação extremamente inovador, uma trilha sonora maravilhosa e um trama um tanto quanto polêmica, devido a algumas passagens mais chocantes (algo tradicional nas animações que viriam logo a seguir como Pinóquio e Fantasia))


8. Paraíso Infernal de Howard Hawks (A história de uma jovem que em uma viagem à América Latina conhece o comandante de uma companhia de correio aéreo. Porém, ele já tem uma mulher em sua vida, configurando assim um triângulo amoroso)


9. Aconteceu Naquela Noite de Frank Capra (Claudette Colbert e Cary Grant estrelam essa comédia romântica sobre dois desconhecidos que acabam tendo que dividir um quarto de hotel. Primeiro filme a vencer as cinco principai categorias do Oscar)


10. Grande Hotel de Edmund Goulding (Único filme da história a receber o Oscar de Melhor Filme ser ter sido indicado em nenhuma outra categoria. Conta a história de 5 personagens que chegam a um hotel onde passam um curto período de tempo, mas que conseguem criar toda uma complexa trama de intrigas e relacionamentos. Marcado por uma das frases mais famosas do cinema, dita por Dr. Otternchlag, personagem de Lewis Stone: "Grande Hotel, as pessoas vem e vão e nada nunca acontece", apenas assistindo o filme para compreender essa frase perfeitamente. Um filme que, infortunada e desmerecidamente caiu no ostracismo)


Top 30:

11- Vampyr
12- Scarface: A Vergonha de uma Nação
13- Monstros
14- Do Mundo Nada se Leva
15- O Galante Mr. Deeds
16- A Mulher Faz o Homem
17- Drácula
18- A Grande Ilusão
19- King Kong
20- O Atalante
21- O Diabo a Quatro
22- O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões
23- Heróis Esquecidos
24- Frankenstein
25- Meia-Noite
26- Sem Novidade no Front
27- Expresso Para Shangai
28- O Homem Que Sabia Demais
29- A Cadela
30- A Dama Oculta


E então? Gostou da lista? Odiou? Faltou algum filme? Não se esqueça de deixar seu comentário.

A Obra de Chantal Akerman

Filmes resenhados:

Exploda Minha Cidade (1968)
O Quarto (1972)
Hotel Monterey (1972)
Jeanne Dielman (1975)
Eu, Tu, Ele, Ela (1974/6)
Notícias de Casa (1977)
Os Encontros de Anna (1978)
A Prisioneira (2000)
Amanhã Nós Mudamos (2004)

Outros filmes relevantes em sua filmografia:

Toda uma Noite (1982) - O filme acompanha uma noite na vida de quase 25 pessoas na fria Bruxelas. Quase completamente livre de diálogos.

Os Anos 80 (1983) - Um quase-musical acompanhando as audições para um verdadeiro musical. Durante os mais de 80 minutos acompanhamos uma série de atores interpretando números num estilo típico de audição.

Golden Eighties (1986) - A vida e o cotidiano de três jovens mulheres dos anos 80 é foco dessa obra, onde o desenvolvimento de personagens feito por Chantal amadurece consideravelmente.

Noite e Dia (1991) - Filme extremamente sensual de Chantal sobre um triângulo amoroso envolvendo um motorista de táxi, sua esposa e seu colega.

Um Divã em Nova York (1996) - Um dos filmes mais populares da diretora, conta a história de um psiquiatra americano interpretado por William Hurt que troca de apartamento com uma francesa interpretada por Juliette Binoche. Logo, um se vê inserido na vida do outro, mesmo sem se conhecerem.

Sud (1999) - Documentário sobre as condições sociais da América do Sul pelos olhos da Chantal Akerman.

Do Outro Lado (2002) - Uma visão documental sobre os mexicanos que atravessam ilegalmente a fronteira com os Estados Unidos e o seu destino na busca de uma nova vida.

Là-Bas (2006) - De um apartamento em Tel-Aviv, Chantal observa a vida das pessoas que moram nos prédios vizinhos, numa obra extremamente voyeuristica.

UMA ONDA NO AR




Creio que muitas pessoas desconhecem sobre esse filme. Mas não culpo ninguém por não saber. Muitos filmes brasileiros enfrentam o descaso. A maioria deles são vistos somente porque são realizados por diretores conhecidos na mídia como Fernando Meirelles e Daniel Filho ou são produzidos pela produtora Globo Filmes. Mas tem outros motivos que fazem a maioria dos filmes produzidos no Brasil serem deixados de canto. Eu uma pequena guria manauara, enfrento problemas por causa dos cinemas e locadoras locais. Já não sei quantos filmes deixei de assistir porque o maldito do cinema preferiu exibir um filme americano de bosta, com uma historia de bosta e o restante tudo de bosta em vez de um filme com tema interessante, uma trilha interessante e o restante tudo interessante. Isso me deixa furiosa. E fico mais furiosa quando eu vejo que o filme não chegou à locadora por falta de verba ou porque o senhor da locadora com seu sentimento capitalista, acreditou que comprando o filme não lucraria.
Porém, tudo bem. Eu tenho fé e acredito que a situação vai mudar. Mas continuando. Em 2002 foi exibido em algumas salas de cinema no Brasil o filme 'Uma onda no ar', filme do diretor Helvécio Ratton. Eu somente soube da existência do filme em 2010, isto é , foram oito anos sem saber que este filme foi produzido. E oito anos sem saber que Alexandre Moreno uns dos protagonistas que já vi atuando como figurantes em várias novelas da Globo e da Record , tinha ganho o Kikito de Ouro por melhor atuação.
Eu fui saber da existência do filme pela universidade que possui um pequeno projeto de cinema, que exibe geralmente filmes que são maltratados e espancados até a morte pelo cinema por não apresentarem qualquer faturamento. Foi a partir do projeto que assisti e me apaixonei pela historia de quatro jovens que moram em Belo Horizonte e criam uma rádio clandestina para ajudar os moradores que vivem na favela. Porém, logo enfrentam problemas por causa das autoridades que não aceitam a criação da rádio por apresentar certo perigo a eles. A história se desenrola a partir disso. A sinopse é interessante e listei três motivos para gostar do filme:
  • Primeiro porque não dormi. Serei sincera, geralmente em filmes que apresentam roteiros e dramatizações entediantes , eu durmo. Apesar do filme às vezes pecar nas dramatizações, a história é envolvente e faz querer assistir até o final.
  • Segundo, eu adoro filmes que são baseados em fatos reais, principalmente os que abordam histórias nas quais pessoas que tinham tudo para ir a outro caminho por causa da droga e da pobreza, venceram na vida e conquistaram um lugarzinho no mundo. Faz acreditar que o mundo pode deixar de ser uma merda. Este exemplo de sinopse me encanta e são poucos que conseguem fazer um bom roteiro e uma boa direção.
  • Terceiro, é o oposto dos filmes que são realizados sobre favelas. Se você for analisar os filmes que são produzidos no Brasil, 90% dos roteiros são baseados sobre os problemas das favelas, o tráfico de drogas e a maioria são somente tiros e blá blá blá. Eu não sou contra a esses filmes. Mostrar a realidade brasileira das favelas para a população que desconhece sobre o que realmente acontece é de grande importância. Porém, somente concentrar em essas situações, provoca artificialismo e acaba por não ocorrer inovações nas produções.
Por fim, creio que já escrevi demais, estou começando a chatear. Essa é a minha humilde opinião de um filme baseado em fatos reais que tem por objetivo mostrar que apesar da pobreza , jovens tentam mudar a realidade por mais simples que seja o ato. É um filme para refletir sobre a vida, sobre a vida dos outros e com certeza um bom para filme para alugar e assistir com os colegas, os pais ou qualquer outra companhia em um fim de semana.



Obrigada.

sábado, 25 de setembro de 2010

O Cinema de Chantal Akerman


Embora não tenha o devido reconhecimento nos Estados Unidos ou no Brasil, na Europa Chantal Akerman é considerada uma das cineastas mais importantes de sua geração, servindo de influência para diversas obras de outros cineastas. Ao mesmo tempo, ela também apresenta fortes influências do cinema de Jean-Luc Godard e do cinema experimental de nomes como Michael Snow e Andy Warhol.

Chantal é uma cineasta extremamente ideológica, tendo suas concepções de mundo perfeitamente desenvolvidas e explorando-as em suas obras, tornando-se assim uma cineasta fundamentalmente autoral, algo cada vez mais raro no cinema contemporâneo cujo objetivo fundamental na grande maioria dos casos é alcançar altas arrecadações em bilheteria.

Da experiência com sua mãe, Chantal herdou o feminismo, presente em quase todas as suas obras e alcançado o ápice em Jeanne Dielman, considerado pelo The New York Times como a "Primeira obra-prima do feminismo na história do cinema". Por conta de sua homossexualidade, Chantal torna o tema da sexualidade algo também recorrente na sua obra, com o ápice em Eu, Tu, Ele, Ela e a primeira cena de lesbianismo explícito na história do cinema. De toda a sua vida, Chantal busca inspiração para seus personagens, extremamente complexos e bem trabalhados, assemelhando-se bastante à construção de personagens presente nos filmes de Robert Altman.

O cinema de Chantal se divide e duas partes bem distintas. A primeira abrange o ínicio de sua carreira, na década de 60 e 70. Nesse período, sua obra tem um tom bem peculiar, ambientando-se em espaços fechados que conferem à obra um clima claustrofóbico. Nesse período, seus filmes vêm sempre acompanhados de câmera estática e longas tomadas, com diálogos mínimos, num estilo que lembra os primórdios do cinema e a obra de Georges Meliès (porém, bem mais profundo). Na segunda parte, a partir dos anos 80, Chantal se torna uma cineasta mais convencional, mas não menos criativa. Seus temas ainda estão presentes, porém se fazem mais discretos. Pode-se dizer que os seus filmes desse período tem a cara do cinema europeu.

Chantal é perfeccionista ao extremo em seus filmes, com cada quadro, cada frase e cada personagem cuidadosamente pensados. Em personagem, pode-se até incluir o ambiente onde a trama se desenrola, visto que em todos os seus filmes a relação entre o protagonista e o ambiente em que ele vive é altamente explorada. Seu cinema é basicamente um cinema do cotidiano, tal como o de Yasujiro Ozu, porém, ao invés de retratar a sociedade japonesa, ela retrata a sociedade européia, e o faz de uma maneira extremamente apurada e pessoal.

Chantal Akerman é digna de figurar entre as listas de maiores diretores da história do cinema, porém, inelizmente, ainda precisa ser descoberta por muita gente para alcançar esse reconhecimento.

A Vida de Chantal Akerman


Chantal Akerman nasceu a 6 de junho de 1950 em meio à uma família de judeus poloneses em Bruxelas, Bélgica. Seus avós e sua mãe foram mandados para Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial; apenas sua mãe regressou. Este é um fator de certa relevância em sua experiência pessoal, com a convivência com sua mãe se tornando um tema fundamental em sua filmografia.

Akerman relata que decidira fazer filmes após, aos 15 anos, assistir a uma exibição de O Demônio das Onze Horas de Jean-Luc Godard. Aos 18 ela ingressou no Institut National Supérieur des Arts du Spectacle et des Techniques de Diffusion, uma escola belga de cinema. Durante seu primeiro semestre, entretanto, Akerman decidiu abandonar os estudos para realizar Exploda Minha Cidade, seu primeiro curta-metragem. Akerman financiou parcialmente a produção de Exploda Minha Cidade a partir de ações que ela vendera na bolsa de valores de Antuérpia, arrecadando o restante do dinheiro necessário a partir de trabalhos feitos em escritórios. Em 1971, Exploda Minha Cidade foi premiado no Oberhausen short-film festival. No mesmo ano, Akerman se mudou para Nova Iorque e permaneceu lá até 1972. No Anthology Film Archives em Nova Iorque, Akerman ficou particularmente impressionada pelo trabalho de Stan Brakhage, Jonas Mekas, Michael Snow, e Andy Warhol, grandes nomes do cinema estrutural que viriam a influenciar boa parte do seu trabalho. Em 1973, Akerman retornou à Bélgica e, logo em seguida, ganhou o reconhecimento da crítica especializada com seus Jeanne Dielman e Eu, Tu, Ele, Ela.

Além de cineasta, Chantal é também artista plástica, com diversas instalações em audiovisual feitas em mostras como a Bienal de Artes de Veneza de 2001 e no Kassel Documenta de 2002. Ela também é escritora e conta com 3 livros publicados, sendo eles "Hall de Nuit", "Un Divan à New York" e "Une Familie à Bruxelles". Além disso, ela ainda ocupa a cadeira titular de cinema na European Graduate School. No cinema, além de diretora, ela também já trabalhou como atriz, produtora, diretora de fotografia, editora, supervisora de direção e compositora.

Chantal já recebeu o prêmio FIPRESCI no Festival Internacional de Cinema Jovem de Torino junto com o elenco de "Tours de Garçons et le filles de Leur Âge..." em 1994, o Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Karlovy Vary por "Um Divã em New York" em 1996 e o prêmio de Melhor Filme Francês no Lumière Awards por "Amanhã Nós Mudamos" em 2005.

Atualmente, Chantal Akerman vive em seu apartamento em Paris, França.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os Famosos e os Duendes da Morte (2009)

* minha inconsciência tentando tomar o contrlole

Para estrear um post aqui no Blog, estava procurando um assunto que fosse relevante tomar meu tempo escasso *(uff, já começou nojento), e aconteceu sem eu procurá-lo. O meu amigo Marcelo Mattos na locadora veio com este filme e disse “Tem que ver esse filme, dirigido pelo cara do ‘Tapa na Pantera’, que filme bonito...” e por ai vai, descarregou elogios como só ele sabe fazer, dono de uma cultura cosmopolita e gosto refinado, atiçou minha sede por algo novo e diferente, sem me fazer de rogado já mandei fazer a retirada, para conferir logo à noite a referenda. Já esperando algo muito bom, o que é perigoso quando se cria muita expectativa. Qual foi a minha surpresa ao fim do filme? Ele era muito mais do que foi dito! Pensei: “O que faço agora?” Peguei o controle e fui direto aos extras, *(oh! Chatão já vai esmiuçar o filme com 500 extras!), e foi a sobremesa do Banquete, cenas deletadas (algumas delas um pecado ter ficado fora), making off, testes de elenco, galeria de fotos, vi tudo!
Remoendo ainda o filme pensei, “devo escrever sobre ele, mas o que?”, milhões de assuntos relacionados vieram na minha cabeça, filmes, diretores, histórico cinematográficos, semelhanças, estilos, fotografia, OPA! Para. Não exagera! Então comecei como comecei, contando o caminho da resenha como uma aventura, o que não reflete o filme, mas o meu sentimento por estar digitando essas palavras. *(que exagero, só pra chamar atenção!).
Para situar minhas palavras largo uma sinopse simples, lá vai:

Guri (como carinhosamente o apelidei) de 16 anos, do interior RS, cidade de Teutonia para ser mais exato, apesar de não dizer no filme, vive seus dias entre a Escola/Casa/Internet, seus contatos humanos, são sua mãe viúva e seu amigo, que tem uma visão de mundo diferente da dele. Fã de Bob Dylan se auto intitula, “Mr. Tambourine Man”, e planeja ir a um show do ídolo de qualquer maneira. Na Internet passa as noites no MSN e vendo vídeos de uma menina misteriosa e seu namorado *(sabia que tinha sacanagem no mei...), mas não é vídeo de sexo, parece mais como filmes experimentais. O Guri se sente deslocado, acha o lugar um “Cu de mundo”. Mas tudo muda quando o Namorado da menina misteriosa chega à cidade. O Guri vê-se tendo que levar sua vida adiante ou continuar nessa angustia? Pronto. Uffa! *(é, fala logo tua opinião Tosca!)

O filme é baseado no Livro de mesmo nome, do escritor e Blogueiro Ismael Caneppele, que faz o papel do Namorado da Menina. Legal também notar que o contato que se corresponde com o “Mr. Tambourine Man”, é E.F. o próprio Diretor do Filme (Esmir Filho). Metalinguagens aparte, dentro deste micro-universo simples da vida do Guri, se aloca dentro dele uma profusão de sentimentos que ele esconde sem esforço, mas com muita dor. Ao longo do filme, são desvendados esses sentimentos de forma melancólica, delicada e bela. Mérito deste Jovem Diretor de 27 anos, e seu Diretor de Fotografia (Mauro Pinheiro Jr.), que lapidaram o livro em película e luz. Um trabalho magnífico!

O que particularmente me agradou muito foi, ter a mesma sensação do filme “Cão sem dono”, de Beto Brant, feito em Porto Alegre, ou seja, filmes feitos por diretores de outro Estado (SP), que conseguiram captar a essência do cinema Gaúcho. Só sendo gaúcho pra entender isso *(lá vem o Bairrista, pé no saco!), o sotaque bem pronunciado, o cenário característico bem Fotografado e a qualidade levada a sério. Isso me emocionou bastante. Minha esposa, que passou sua adolescência em Novo Hamburgo, cidade parecida com a do filme, se identificou muito, fez ela se lembrar de sentimentos que teve quando adolescente, bem parecidos com os que tem o personagem.

São difíceis filmes sobre adolescentes abordar esses sentimentos tão incompreensíveis para esta idade, até mesmo pra nós já 40tões *(Bah! Mas tu é veio!), um filme que me vem à cabeça é “Elefante”, que apesar de mostrar um recorte de tempo, tem como força o sentimento dos adolescentes. E o grande trunfo disto, esta na escolha do elenco, pois os atores são maravilhosos, o Henrique Larré (Guri) e Tuane Eggers (Menina) são de uma expressividade digna de atores veteranos, Samuel Reginatto (Diego, amigo) carrega consigo uma espontaneidade e jovialidade, que me arrisco a dizer que, logo, logo vai ser mais visto por aí. Desconto para Ismael Caneppele, que não é ator, mas aceita dignamente essa homenagem em participar do filme.

O final do filme guarda o melhor, mas como não posso contá-lo, concluo com a canção de Bob Dylan, que permeia o filme todo e tem tudo a ver com o sentimento do Guri:

Hey, Mister Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm goin' to
Hey, Mister Tambourine Man, play a song for me
In the jingle, jangle morning, I'll come followin' you

*(É, ficou meia boca. A tua cara!).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amanhã Nós Mudamos



Uma nova Chantal Akerman é o que se vê nesse Amanhã Nós Mudamos. Uma Chantal mais discreta, na qual seus estilos e suas peculiaridades estão mais disfarçados. Embora o feminismo, marca registrada da obra de Chantal esteja sim presente, ele é bem mais singelo do que em outras obras. Ao invés de abordar mulheres especificamente, aqui temos uma abordagem do ser humano de um modo geral, suas angústias, suas preocupações, suas ilusões, quase todas no campo amoroso.

A trama gira em torno de Charlotte, interpretada pela sensacional Sylvie Testud. Charlotte é uma escritora cuja mãe vem morar com ela após a morte de seu marido. Ao mesmo tempo que convive com a chegada da mãe, ela tenta lidar com a encomenda de um livro erótico. Porém, Chalotte não é muito experiente nessa área, de modo que ela não consegue de maneira alguma se inspirar. Esse argumento serve apenas como impulso para a trama principal relatada no filme. A história realmente começa a avançar no momento em que Charlotte decide se mudar. Para tanto, ela anuncia o seu apartamento, ao mesmo tempo em que procura um outro para viver junto de sua mãe. Esse pretexto servirá de base para a introdução de uma série de personagens, e é exatamente nesses personagens que Chantal irá concentrar sua atenção.

Charlotte e sua mãe, muito embora sejam as protagonistas do filme, são certamente as personagens menos interessantes (não que elas não sejam interessantes, muito pelo contrário), isso devido ao fato de serem os personagens secundários quem realmente brilha nesse filme. São eles que, com seus problemas, acrescentam profundidade à trama. Por exemplo, em certo momento, Charlotte e sua mãe vão à um apartamento à venda que pertencera a uma mulher que fugira de casa, deixando marido e filho. Mas o curioso está no fato de essa mulher ser uma antiga paixão platônica de escola do corretor. Assim, nos cinco minutos que dura a cena, vemos o corretor, um personagem totalmente secundário, de uma forma totalmente comovente. Ele vaga pela casa se inserindo na vida daquela mulher que por tantos anos amara secretamente ao mesmo tempo que tenta fazer o seu trabalho. Um sentimento discreto, mas que sob a ótica de Chantal assume uma característica toda à parte.

Mas o ponto alto do filme está em uma cena de 20 minutos na qual Charlotte mostra sua casa a uma série de personagens. Cerca de 8 personagens entram na casa durante esse período. Todos vêm acompanhados de uma vida extremamente complexa, sem exceções. Alguns ficarão pela casa até o final do filme. Outros, estão apenas de passagem. Mas todos têm uma vasta bagagem consigo, uma amostra da genialidade de Akerman ao construí-los.

Amanhã Nós Mudamos, tal como A Prisioneira, tem a cara do cinema contemporâneo europeu, algo difícil de descrever, mas extremamente fácil de perceber. Porém, ao contrário de A Prisioneira e de outros filmes de Chantal, esse filme aqui adota um tom mais cômico, muito embora seja desprovido das clássicas gags visuais. A comédia aqui vem em um tom mais requintado. Ela surge a partir dos diálogos e das situações, não das atitudes. Ela vem de uma forma tão sutil, mas ao mesmo tempo tão incisiva, que coloca o espectador em dúvida se deveria achar graça daquela cena ou não. Essa veia cômica ajuda o filme a manter um ritmo bem ágil, levando em conta que uma das maiores críticas infligidas ao cinema de Chantal vem por conta de seu ritmo usualmente lento.

Amanhã Nós Mudamos não é o melhor filme de Chantal. Embora os personagens sejam perfeitos, falta um pouco da objetividade de Jeanne Dielman, por exemplo. Porém, o filme é certamente um dos mais divertidos e deliciosos da carreira de Chantal Akerman.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Trilogia do Apartamento: O Inquilino


Ao ler a sinopse, qualquer um imaginará que se trata de um filme comum de terror. E imaginará mal; pois este filme inebriante do Polanski, aproxima-se muito mais de uma análise psicológica do ser do que de uma ficção fantasiosa, de modo que a patologia aqui apresentada diz respeito à essência humana e o fulcro disso tudo é uma esquizofrenia sem precedentes.

Trelkovsky – interpretado pelo próprio Polanski - aluga um apartamento que pertencera até pouco tempo a uma mulher que se via internada, devido à uma tentativa de suicídio. Diante disso, o rapaz visita-a e aos poucos passa a ficar instigado, tornando-se escravo de repentes de mimetismo que englobam mudanças de comportamento, mudança de hábitos e até mudanças de aspectos físicos. Trelkovsky começa, a partir de então, a tornar-se íntimo dos antigos amigos da moradora, passa a fumar a mesma marca de cigarros e adotar seus hábitos, vestir-se como ela. Ao reparar que ninguém parece se importar muito com a morte dela, e vendo que ela iria irremediavelmente para o esquecimento, inconscientemente, ele adquire essa síndrome do espelho, como se não pudesse deixá-la morrer. Assim, Trelkovsky fagocita a falecida para que através dele, como um parasita, ela sobreviva.

Não obstante o foco ser estritamente voltado para Trelkovsky, pouco se sabe sobre seu passado, sobre o motivo de seu isolamento; sobre ele não ter contato com amigos, parentes, ou quem quer que seja, ou até sobre o que se sucedera para que ele repentinamente se mudasse para Paris. Em vista disso, observa-se que a tendência psicótica da personagem já estava ali “inquilinada”, e apenas desencadeou-se por motivos inexatos, os quais Polanski, enquanto diretor, não faz a menor questão de pormenorizar ou responder.

Enquanto ator, se a atuação de Polanski é perfeita nesse sentido, se ele encarna realmente a personagem, aparentando estar no inferno em vida, é porque de fato está. Sua esposa fora assassinada brutalmente durante as filmagens, tornando-se isso, bizarramente, um mote para o terror psicológico em vida que se vê no filme; Aqui a arte imita a vida, e a vida, por sua vez, se torna arte.

Um dos temas centrais da Trilogia do Apartamento, que engloba ainda Rosemary's Baby e Repulsion, é nitidamente a claustrofobia. Todos os filmes se passam em grandes metrópoles com atmosferas sombrias que, a todo instante, exalam poeira para fora da tela. Tudo é concreto, edifícios, paredes, corredores apertados, cafés e cinzas; Um arrocho existencial. Tudo isso serve de preâmbulo para subverter a paranóia adormecida dentro do indivíduo, trazendo-a, assim, à tona e desembocando-se na insanidade. Para Polanski o apartamento ganha vida, e o único propósito dela é esmagá-lo - como na cena de Repulsion em que mãos saem das paredes. Uma leitura mais transtornada, que se vale acima de tudo das imensas referências ao satanismo nos filmes do diretor, diria que, para Polanski, a metrópole é satã.

A Prisioneira


O amor obcessivo é o tema fundamental dessa obra moderna de Chantal Akerman. Amor esse que Simon nutre por Ariane. Uma paixão tão extremada e arrebatadora que consome todas as suas forças e toda a liberdade dela. Simon precisa saber seus passos, seus atos, seus pensamentos, suas vontades, suas idéias. Ariane precisa de uma vida, de algo para buscar prazer fora de seu relacionamento, tanto que seus momentos de maior alegria se dão exatamente na ausência de Simon.

Baseado na obra de Marcel Proust, A Prisioneira não é nada mais do que isso, um filme meramente baseado na obra. Tanto que há muitas divergêncians entre A Prisioneira de Proust e A Prisioneira de Akerman. A mudança mais importante está no nome da protagonista. Albertine na obra de Proust, Ariane na obra de Akerman. Realmente é inimaginável um nome mais adequado à personagem do que Ariane. Ariane. simbolizando a pureza absoluta, a perfeição feminina. Na visão de Simon, Ariane não é uma mulher, é uma idéia, é a concepção de uma mulher perfeita.

Enquanto no roteiro Akerman se destaca ao fazer uma releitura de Proust, na direção ela se renova, mostrando um estilo bem mais seguro de se fazer cinema do que aquele perceptível no início de sua carreira. As longas tomadas estáticas estão bem reduzidas, os ambientes claustrofóbicos continuam presentes, porém de uma forma mais discreta, os personagens continuam sendo totais estranhos para o público, não nos sendo apresentado seu passado (muito menos seu futuro), o ritmo da obra continua lento e calmo, muito embora esteja bem mais dinâmico que em algumas de suas obras, a sexualidade se faz sempre presente, todos elementos já radicados na carreira de Chantal.

Porém, nesse A Prisioneira temos uma Chantal mais acessível, mais comercial. O ritmo da obra está mais agradável, exigindo uma paciência menor em relação à exigida em outras obras suas. O aspecto experimental que pontuava sua carreira foi substituído por uma firmeza estética, ressaltada pela fotografia de cores frias, que deixa o filme com um ar de filme europeu contemporâneo (algo que ele é). Porém, mesmo sendo o mais comercial dos filmes de Chantal, ainda é uma obra essencialmente alternativa.

Sylvie Testud, excelente como sempre, se reafirma no título de uma das melhores atrizes do cinema francês moderno, se lançando inteiramente a uma personagem tão complexa e cheia de nuances como a Ariane. Porém, ainda melhor está o menos conhecido Stanilas Merhar como Simon, com este primeiro dando uma confiança excepcional ao segundo.

A Prisioneira mostra uma Chantal mais adulta e decidida na direção, mas não menos genial ao abordar uma história tão universal e atemporal quanto essa. Uma história com a qual muitos espectadores se identificarão, afinal, aquele que não amara, tampouco vivera.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu, Tu, Ele, Ela



Nesse filme mais erótico, e consequentementeo o filme mais ousado de sua carreira, Chantal Akerman, autoral como sempre, assume sua posição sexual para o seu seleto público por meio de sua personagem principal, interpretada por e certamente inspirada em ela mesma. Na realidade, a maior parte dessa ousadia vem por conta de uma cena em particular no final do filme, que tornou a obra o primeiro filme de arte a exibir uma cena de sexo explícito entre mulheres.

A obra se baseia nos mesmos conceitos e estilos que vieram sendo formulados durante a sua carreira. Fuga do cotidiano, feminismo, cenários claustrofóbicos, tomadas longas, câmera imóvel, poucos diálogos e, o mais interessante, personagens complexos e com um certo ar de mistério, conferido no fato de não conhecermos seu passado, muito menos seu futuro.

O filme se consiste em três partes bem distintas. Na primeira, a personagem principal interpretada por Chantal está reclusa em seu pequeno apartamento. Lá nós estamos juntos dela. Nenhum diálogo está presente, apenas os mónologos de Chantal num estilo semelhante ao de um diário, narrando suas emoções, suas vontades, seus pensamentos, seus atos, enquanto escreve cartas para alguém para nós desconhecido. A sexualidade começa a tentar se fazer presente, embora as cenas de nudez ainda não tenham nenhum tipo de cunho sexual.

Na segunda parte, Chantal resolve visitar o remetente das cartas. Para isso, pega carona com um caminhoneiro. Aqui Chantal exibe seu cinema de cotidiano, com longas tomadas resumidas únicamente a Chantal e o caminhoneiro fazendo uma refeição em um posto de beira de estrada qualquer. A sexualidade aumenta nesse segmento ao acompanharmos a cena em que o caminhoneiro instrui Chantal a como masturbá-lo. Durante alguns minutos temos um plano sequência em que ele ensina a jovem como fazê-lo ao mesmo tempo que relata os seus próprios sentimentos e os dela. Logo em seguida, ele embarca em uma narrativa de como conheceu sua esposa e como se dá o relacionamento com ela e seus filhos. Aqui temos Chantal fortalecendo sua personagem ao enfraquecer os outros, como se conhecer o seu passado colocasse a figura do caminhoneiro num patamar inferior ao da jovem. Uma manobra narrativa ousada, mas que funciona perfeitamente.

Na terceira parte, Chantal chega ao apartamento da remetente, sua namorada. Aqui a sexualidade explode, primeiramente em uma tomada com Chantal e sua namorada na mesa da cozinha, onde percebemos o nível de relacionamento existente entre elas. Em seguida, num corte abrupto, somos levados ao quarto em uma tomada única de cerca de 5 minutos com as duas nuas sobre a cama, dançando alucinadamente ao som de suas próprias vontades.

Como em grande parte dos ditos "filmes de arte" existentes, saber o que acontecerá em seguida é algo completamente irrelevante. Mais importante do que onde se chega, é como se chega. É nessa viagem em rumo ao seu objetivo onde se encontra tudo o que o filme pretende passar. Uma lição que Chantal mostrou ter aprendido perfeitamente em Eu (Chantal), Tu (público), Ele (caminhoneiro), Ela (namorada).

Jeanne Dielman



Embora feito por uma Chantal Akerman de apenas 25 anos, Jeanne Dielman esbanja maturidade ao retratar de uma maneira extremamente fria e desesperançosa o cotidiano de uma dona-de-casa viúva que representa de uma maneira quase que universal o enfado burguês que tantos cineastas tentam evitar. Enquanto em quase todas as obras cinematográficas existentes a montagem tem como objetivo deixar a obra mais dinâmica, limpando o filme das "partes chatas da vida", em Jeanne Dielman, Chantal faz questão de deixar essas partes, visto que é exatamente esse o tema a ser abordado na obra.

O filme se consiste em aproximadamente 200 minutos de projeção compostos unica e exclusivamente por planos de câmera fixa acompanhando as tarefas do dia-a-dia da pesonagem-título, como fazer a comida, limpar a casa, checar as correspondências e jantar com seu filho adolescente. Dessa forma Chantal nos insere na vida de Jeanne durante três dias, apresentando-a a nós de uma forma extremamente íntima e, em certos pontos, quase que voyeurística.

O ritmo relativamente enfadonho que prevalece no filme é essencial para o funcionamento pleno da obra. Lentamente vamos percebendo o desgaste psicológico infligido pela rotina repetitiva à protagonista, um desgaste tão sutil que com uma montagem mais ágil passaria desapercebido. Esse desgaste vem retratado na simples forma com que uma mecha de seu cabelo pende sobre sua testa ou no simples ato de deixar a tirrina destampada.

Em Jeanne Dielman, Chantal usa a personagem título para criticar o vazio existencial de uma parcela das mulheres modernas, cuja vida é tão vazia ao ponto de a sua maior preocupação no dia é saber se as batatas estão no ponto ou se certo botão vai combinar com o casaco. Uma forma particularmente incômoda de retratar a futilidade da vida de sua personagem, conferindo ao filme o ar feminista tão presente na filmografia de sua diretora.

Como se não o bastante, Jeanne se prostitui diariamente em sua própria casa, enquanto seu filho está na escola. Dessa forma ela financia a vida burguesa e sacia sua necessidade de prazer carnal aflorada após a morte de seu marido, que não amava. Todos elementos reforçando a ótica feminista do filme.

Por conta de seu ritmo lento, Jeanne Dielman é um filme difícil de ser visto e ainda mais difícil de ser apreciado, sendo renegado à um status de filme marginalizado. Não se trata de um filme para ser assistido buscando entretenimento ou prazer, mas sim para buscar reflexão e maturidade, algo que essa obra extremamente autoral esbanja. Nas três horas de filme, Chantal consegue derrotar qualquer espectador, exceto os mais obstinados e pacientes. Espectadores esses que, após o término da exibição, serão brindados com um dos melhores e mais importantes filmes europeus dos anos 70.

O Quarto



Um filme dos mais simples possíveis, O Quarto se consiste simplesmente em um passeio de 10 minutos pelo quarto de Chantal Akerman a partir de uma câmera fixada no centro do mesmo. A obra é nada mais do que um giro de 900 graus da câmera que após o qual começa a fazer giros menores de 120 graus diante da cama em que Chantal repousa.

Em 10 minutos de quarto, temos uma visão íntima da artista, em que ao apresentar sua habitação deixa a impressão de que estamos mais íntimos da mesma. O curta é basicamente Chantal abrindo seu universo para que nós, espectadores, possamos adentrá-lo.

Porém, nessa obra Chantal começa a adotar alguns estilos que viriam a ser duramente criticados e que a transformariam em uma cineasta de pouco sucesso comercial. Em O Quarto, Chantal começa a demonstrar a lentidão e a repetição narrativa que viriam a pontuar sua filmografia, muito embora esses dois elementos funcionem como uma forma de aproximar seus filmes da vida real, lenta e repetitiva.

Exploda Minha Cidade



Primeiro trabalho de Chantal Akerman, feito quando ela tinha 18 anos e era apenas uma estudante de cinema belga, já apresenta claramente o estilo de cinema que caracterizaria sua filmografia. Em apenas 12 minutos, ela se define como cineasta ao apresentar um drama doméstico claustrofóbico com uma protagonista extremamente ambígua, algo que seria amplamente utilizado em seus demais filmes.

O filme segue os passos de uma jovem chegando em seu apartamento, em algo à primeira vista, perfeitamente habitual. Logo, ela se tranca na cozinha, ambiente no qual quase toda a obra transcorrerá. Aos poucos, realizando suas tarefas habituais, como lavar o chão e fazer comida, vemos a protagonista (interpretada pela própria Chantal) perder lentamente a sanidade mental, indicando, pela ótica da diretora, que a vida reclusa à atividade doméstica acaba por levar a mulher à uma angústia interna extrema.

Outro ponto alto do filme é a sua trilha sonora composta por sons produzidos utilizando o próprio corpo humano como instrumento, como por exemplo em sons produzidos com a boca e na tilha sonora totalmente cantarolada. Essa trilha sonora é particularmente ressaltada pela montagem dinâmica usada no primeiro minuto do filme em que a personagem de Chantal sobe até o seu apartamento em uma cena simplesmente genial.

Exploda Minha Cidade é um filme claramente experimental, porém Chantal já demonstra uma segurança incrível na direção e já inicia o desenvolvimento dos seus ideais feministas que viriam a ser melhor explorados nas suas obras subsequentes.

sábado, 18 de setembro de 2010

Divirta-se com cuidado: É noite de lua cheia

Crítica: Um Lobisomem Americano em Londres

De todos os monstros eternizados no cinema, como vampiros, múmias, a criatura de Frankestein, etc, sempre tive fascínio pelo lobisomem, sem sombra de dúvidas o meu monstro preferido, e o único do qual eu realmente sentia medo quando criança (e um pouquinho ainda hoje, admito... rsrsrs). Pena ser tão raro ver um filme sobre lobisomem no cinema (na minha opinião, um filme que mostra no cinema um lobisomem disputando o amor de uma mulher com um vampiro purpurinado é heresia... rsrsrsr).

"Um Lobisomem Americano em Londres" é, para mim, um dos filmes obrigatórios para todos os fãs do lobisomem (ou para aqueles que o temem também... rsrsrs). O filme é comumente classificado como sendo "uma comédia de humor negro com toques de horror", mas o próprio diretor, John Landis, desfaz o equívoco, e diz que seu filme é uma obra de horror, com alguns momentos engraçados.

Na história, dois jovens turistas americanos (David e Jack) estão excursionando pela Europa, numa viagem que deveria levar 3 meses. Na Inglaterra, numa afastada comunidade rural, sentem que não são bem-vindos num pequeno bar chamado "O Cordeiro Massacrado", e praticamente são expulsos do local, não sem antes receberem alguns conselhos: "Mantenham-se na estrada. Afastem-se dos pântanos. Cuidado com a lua." Ao entrarem inadvertidamente nos pântanos, são atacados por um lobisomem, e Jack morre. David sobrevive e é levado a um hospital em Londres. Jack retorna do mundo dos mortos e aparece constantemente para David, para tentar alertá-lo de sua condição e aconselhá-lo a cometer suicídio antes da lua cheia, para que Jack possa ter paz no mundo dos mortos.

Não tem jeito: a cena da transformação de David na fera pela primeira vez ainda continua insuperável.





O filme arrebatou, merecidamente, o Oscar de efeitos especiais, comprovando que talento e criatividade ainda continuam superiores às inúmeras cenas feitas em computação gráfica no cinema recentemente.
Repleto de cenas memoráveis (e que causaram pesadelos por um bom tempo... rsrsr), o filme é obrigatório para todo bom e qualquer cinéfilo de carteirinha. Já sei! Os que não gostam do filme vão dizer que o roteiro é simplista, que tem algumas interpretações fracas, etc. Mas o filme cumpre perfeitamente o seu papel: entretem, diverte e, ao mesmo tempo, provoca tensão. Pra que mais?
O filme teve uma continuação fajuta chamada "Um Lobisomem Americano em Paris", que é uma tremenda bobagem e nos apresenta um sucessão sem sentido de lobisomens digitais. Ainda inspirou o título de outro filme, provavelmente um dos piores da história do cinema, "Um Lobisomem Mexicano no Texas" que, trata, na verdade, de chupa-cabras!!!!!!!! (heresia x 2 - rsrsrsrs....)
Já li em vários sites diversas notícias sobre uma possível refilmagem, que estaria a caminho... Sinceramente, nunca desejei que uma notícia sobre cinema na internet fosse falsa quanto essa... rsrs.... o filme é um clássico, e não merece ser mexido, ja que uma das notícias dizia que a refilmagem traria uma "abordagem mais moderna"... já até sei o que isso representa: lobisomem digital e roteiro pífio.... fiquem com o original, sem sombras de dúvida...
Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, EUA/Inglaterra, 1981). Direção. John Landis. Elenco: David Naughton, Jenny Agutter, Griffin Dunne, Frank Oz. Duração: 97 minutos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

10 filmes dos anos 30

Essa lista é uma opinião extremamente pessoal. Não tem como objetivo ser um retrato da realidade, mas sim expressar a minha humilde opinião. Certamente você discordará dela, desse modo, fica o espaço para você criar seu próprio Top 10 Anos 30 nos comentários.


1. Grande Hotel (Único filme da história a receber o Oscar de Melhor Filme ser ter sido indicado em nenhuma outra categoria. Conta a história de 5 personagens que chegam a um hotel onde passam um curto período de tempo, mas que conseguem criar toda uma complexa trama de intrigas e relacionamentos. Marcado por uma das frases mais famosas do cinema, dita por Dr. Otternchlag, personagem de Lewis Stone: "Grande Hotel, as pessoas vem e vão e nada nunca acontece", apenas assistindo o filme para compreender essa frase perfeitamente. Um filme que, infortunada e desmerecidamente caiu no ostracismo)


2. A Regra do Jogo (Considerado a obra-prima do cineasta francês Jean Renoir, filho do pintor Pierre-Auguste Renoir, retrata a sociedade francesa por meio de um final-de-semana passado em uma casa de campo. Serviu de inspiração para Robert Altman e seu Assassinato em Gosford Park)


3. Tempos Modernos (Um dos filmes mais conhecidos de Charlie Chapli é também uma crítica exarcebada ao industrialismo e uma comédia extremamente eficiente sobre as desventuras de um operário em meio de uma metrópole. Com algumas passagens inesquecíveis como a cena onde Chaplin é engolido pela máquina e quando ele sai pelas ruas com um tipo de LER, repetindo um movimento de torção descontroladamente)


4. O Mágico de Oz (Um dos filmes de fantasia mais famosos da história, relata a jornada da jovem Dorothy e seu cachorro Toto ao saírem do Kansas para irem até a terra de Oz, onde junto com um espantalho, um leão e um homem de lata vão em busca do Mágico de Oz. Destaques para a cena em que Dorothy e o Leão desmaiam num campo de papoulas, numa referência direta ao ópio e no chamado efeito Dark Side of The Rainbow, causando ao sincronizar o filme com o cd The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd)


5. A Grande Ilusão (Um grupo de prisioneiros franceses presos em um campo de concentração alemão durante a Primeira Guerra Mundial é o tema dessa obra de Renoir, onde é feita uma análise sobre o papel do ser humano em meio à guerra. Destaque para a atuação de Erich von Strohein, já abandonando a carreira de diretor para se dedicar apenas à carreira de ator)


6. Luzes da Cidade (Considerado a obra-prima de Chaplin, conta a história de um vagabundo (o clássico papel de Chaplin) que se apaixona por uma florista cega que acha que ele é um milionário. Na realidade, o milionário é um amigo do vagabundo com tendências suicídas. Destaque para a cena final, uma das mais tocantes do cinema)


7. King Kong (Uma das ficções científicas mais importantes da história, acabou gerando uma série de remakes e inspirou muitos outros filmes de mostro que viriam em sequência. Inovador ao utilizar técnicas de stop-motion para retratar o gorila. Um filme que todos já viram em sua versão de 1976 ou na de 2005, mas poucos viram nesse original de 1933)


8. Frankenstein (Adaptação do livro de Mary Shelley, lançou Boris Karloff ao estrelato, mesmo ele não tendo nenhuma fala como o personagem título do filme. Uma obra que todos conhecem, mas que poucos assistiram)


9. ...E o Vento Levou (Épico de quase 4 horas sobre a vida de Scarlett O'Hara durante a Guerra Cívil Americana. Seu romance com Rett Butler rendeu passagens antológicas. Seu estilo é amplamente difundido até os dias de hoje por meio das telenovelas)


10. Branca de Neve e os Sete Anões (Primeira animação em longa-metragem adapta uma obra dos Irmãos Grimm. Com um estilo de animação extremamente inovador, uma trilha sonora maravilhosa e um trama um tanto quanto polêmica, devido a algumas passagens mais chocantes (algo tradicional nas animações que viriam logo a seguir como Pinóquio e Fantasia))

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os melhores dos anos 40, pela comunidade do Orkut

Foi aberto um tópico em nossa comunidade no orkut com o objetivo de eleger os melhores filmes dos anos 50, nos mesmos moldes usados para as listas dos anos anteriores. Caso você queira participar das próximas listas, basta entrar em nossa comunidade e responder os tópicos referentes à Top 10 clicando no link "orkut" logo abaixo do banner. A lista final é a seguinte:


1. Cidadão Kane de Orson Welles (O dito "melhor filme de todos os tempos" conta a história do magnata das comunicações Charles Foster Kane, que ergue por conta própria todo um império, mas não consegue manter uma vida pessoal estável. Um filme inovador em diversos aspectos como a montagem não-linear e as tomadas panorâmicas em cenários construídos. Se não for o melhor, é certamente o filme mais importante de todos os tempos)


2. Casablanca de Michael Curtiz (Considerado por muitos o melhor roteiro já escrito, a trama de Casablanca se desenrola em um café da cidade homônima do Marrocos que serve como ponto de parada na rota de fuga da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. La, Rick Blaine, o dono do café, encontra Ilsa Lund, uma antiga amante que ele conhecera em Paris alguns anos antes. Destaque para a canção As Time Goes By)


3. O Grande Ditador de Charles Chaplin (Comédia de Chaplin que conta a história de um barbeiro que é confundido com o ditador da Tomânia, Akenoid Heynkel. Uma crítica ácida à Segunda Guerra Mundial feita durante a mesma, com destaque para a cena de Akenoid dançando com o globo terrestre e para o discurso final anti-belicista)


4. Festim Diabólico de Alfred Hitchcock (Primeira obra-prima de Hitchcock, conta a história de dois amigos que matam um terceiro por se considerarem superiores a ele, intectualmente falando. Para provar sua superioridade, eles escondem o corpo em um baú que servirá como mesa em uma festa que eles darão e seguida. Destaque para a montagem que simula uma ausência de cortes)


5. A Felicidade Não se Compra de Frank Capra (Clássica dramédia Capraesca, considerada por muitos sua obra máxima, conta a história de George Bailey, um homem que resolve se matar mas é salvo por um anjo que passa a mostrar a ele como seria a vida das pessoas à sua volta se ele não tivesse existido. Um filme profundo, leve e tocante, ao estilo de Capra)


6. Ladrões de Bicicleta de Vittorio de Sica (Marco do chamado Neo-Realismo Italiano, esse filme de Vittorio de Sica conta a história de um homem pobre que empenhora seus bens para comprar uma bicicleta, essencial para o emprego que arrumara. Porém, no primeiro dia de trabalho sua bicicleta é roubada, o que faz com que ele parta junto de seu filho, atrás de sua bicicleta pelos submundos de Roma)


7. Pacto de Sangue de Billy Wilder (Clássico noir de um dos mestres do gênero, sobre um golpe aplicado por uma mulher casada e um agente de seguros para conseguir o dinheiro do seguro de vida do marido, porém, nem tudo sai como planejado)


8. Rebecca, Uma Mulher Inesquecível de Alfred Hitchcock (Único filme de Hitchcock a levar um Oscar de Melhor Filme e o primeiro a ser indicado a Melhor Diretor, conta a história de uma jovem que se casa com um rico viúvo, mas passa a viver à sombra da falecida esposa. Uma das obras mais maduras do mestre)


9. Relíquia Macabra de John Huston (Obra inicial do Cinema Noir, Relíquia Macabra (ou O Falcão Maltês, como preferir) é uma trama composta por heróis obscuros, personagens misteriosos, policiais corruptos e, claro, uma femme fatale, todos em busca de uma estátua de um falcão feita de ouro e recheada de jóias preciosas. Primeiro filme do grande diretor John Huston)


10. Farrapo Humano de Billy Wilder (Billy Wilder usa o personagem de Don Birnham, interpretado por Ray Milland, para traçar um panorama sobre os efeitos do alcoolismo no homem. Don é um alcoolatra que conta com a ajuda da namorada e do irmão para controlar o vício. Eles marcam uma viagem de fim-de-semana, mas antes de viajar, Don se humilha em busca de dinheiro para sustentar o vício)


Top 30:

11- Almas Perversas
12- O Tesouro de Sierra Madre
13- As Vinhas da Ira
14- Paixão de Fortes
15- Cartas de uma Desconhecida
16- Fantasia
17- Meshes of the Afternoon
18- Soberba
19- A Luz É para Todos
20- Jejum de Amor
21- Alemanha, Ano Zero
22- Dias de Ira
23- Que Espere o Céu
24- Roma, Cidade Aberta
25- Ministry of Fear
26- Anjos do Pecado
27- Fuga do Passado
28- Núpcias de Escândalo
29- Como Era Verde o Meu Vale
30- À Beira do Abismo

Menções Honrosas:

Um Barco e Nove Destinos
A Morta-Viva

E então? Gostou da lista? Odiou? Faltou algum filme? Não se esqueça de deixar seu comentário.