segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Crítica: O Último Mestre do Ar



Antes de começar, quero deixar claro aqui que minha visão do filme, embora subjetiva, como todas são, não traz consigo quaisquer sinais de uma possível rixa com o diretor, como muito se vê por aí. Digo isso por Shyamalan ser um diretor de extremos. Os fãs e os anti-fãs, geralmente são adeptos do fanatismo, parecem tomar todos os filmes do diretor como um conjunto indissolúvel, como se fossem obrigados a ou amar ou odiar todos os filmes, e, assim, passam a defendê-los, ou atacá-los com unhas e dentes; não me encaixo nesse quadro. Quero ainda ressaltar que não desprezo o filme Fim dos Tempos (esculachado por alguns e venerado por outros), acho apenas razoável. Espero que isso evite que me chamem de extremista e unilateral. Dito isso, aqui vai minha humilde análise sobre o diretor e sua mais nova película.

Baseado na série animada da Nickelodeon, o filme segue a mitologia aristotélica de que os quatro elementos (água, fogo, terra e ar) regem toda a natureza. Um mundo em que quatro nações dividem-se cada qual em torno de um elemento, cuja linha sucessória o impõe. Alguns escolhidos possuem a habilidade de controlar o elemento de sua nação, sendo, portanto, um “bander” (há controvérsias quanto à tradução para o português como sendo “mestre”, diferentemente do desenho). No entanto, a nação do fogo, partindo de um ideal imperialista, se sobrepõe às demais, dominando-as.

Não obstante a fama ostentada por Shyamalan de grande diretor, seu talento é, no mínimo, questionável. Em sua filmografia de quase dez filmes, constata-se apenas um, ou dois, filmes de relevância incontestável. Ora, fazendo-se muitos filmes as chances de que pelo menos um seja bom aumentam; Sua sorte, e consequentemente sua fama, deve-se, creio eu, ao fato de esses filmes relevantes (notadamente O Sexto Sentido e Corpo Fechado) terem sido feitos no início de sua carreira, seguidamente, o que resultou em uma sensação de promessa, nutrida por muitos até hoje, e estranhamente sanada para muitos também, os quais o cultuam como um dos grandes da atual Hollywood. Mas promessa essa, que de fato não se concretizou. Afinal, mais do que finais surpreendentes, é preciso algo que o indiano não tem: estabilidade, equilíbrio.

Seja equilíbrio na qualidade de seus filmes, seja equilíbrio nos aspectos da história, que é onde reside o maior problema de O Último Mestre do Ar. Shyamalan não consegue equilibrar as duas propostas do roteiro, ao falhar não só em incluir o espectador na trama, fazê-lo se interessar pela história, mas também ao falhar em tentar criar o mistério desejado, tentativa pelo qual não houve a identificação. Ao decidir não primar por nenhum, e optar por embutir duas idéias contraditórias, todo o desenvolvimento da narrativa torna-se comprometido. Diferentemente dos outros filmes do diretor, nos quais é notável uma preocupação muito maior com o mistério e, alguns casos, com o sobrenatural.

Por se tratar de um filme de fantasia, seria um ótimo pretexto para embutir todo tipo de devaneio no filme, carregá-lo de emoção, mas ficou faltando. Shyamalan esqueceu-se de jogar a isca. Faltou fisgar-nos, faltou dar-nos motivos para apreciar a narrativa, os efeitos e a fantasia. Faltou o lirismo de Tim Burton em Alice e a magia de Harry Potter – que embora não sejam grandes filmes, têm toda uma carga atrativa.


Durante todo o filme não se vê um traço sequer da tal sensibilidade européia que Shyamalan tanto alega ter. Todos os personagens (sem exceção) são desprovidos de vida; Sem qualquer resquício de sensibilidade, emoção ou carisma, e interpretados muito bem por atores inexpressivos, o que de maneira alguma é bom para um filme com essa pretensão. Como se não bastasse os personagens serem rasos assim, ainda conseguem ser enfadonhos. Em suma: um filme sem alma.

2 comentários:

Medrops disse...

quero ver esse filme *--*
muito bom o blog!

http://medrops.com x)

Lauci Lemes disse...

É Shyamalan pisou na bola, ele dirigiu esse filme a pedido dos Filhos, eu queria ver a cara dos pimpolhos depois de ver o filme, se são fãs do Desenho como eu e meu filho, estão enchendo o Pai de porrada até agora. Decepsionante.
Não vi o "Fim dos Tempos" mas até medo em pensar e ver. hehe.