quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Aquário (2009)



Eu me lembro do sentimento de decepção quando anunciaram que Educação perdera o Bafta de Melhor Filme Britânico. Educação foi um filme que me chamara a atenção logo na primeira vez em que li sua sinopse e que assim que eu assisti, me cativou de uma tal forma que foi quase impossível não se apaixonar pela doce e meiga personagem de Carey Mulligan. O filme que vencera Educação foi um filme chamado Aquário. Confesso que não sabia absolutamente nada sobre o filme, exceto que eu precisava assisti-lo. E foi isso o que eu fiz.

À primeira vista, Aquário é bem parecido com Educação. Ambos tratam de uma jovem que estão decepcionadas com a vida que levam, mas passam a ter uma nova visão do mundo ao se apaixonarem por um homem bem mais velho, que no fim iria decepcioná-las. A diferença é que enquanto em Educação temos uma jovem meiga, doce, gentil, inteligente, educada e amável, em Aquário temos uma jovem ignorante, estúpida, desbocada, mal-educada e arrogante, todas essas características ao extremo.

Talvez alguém possa alegar que é influência do ambiente. Em Educação a jovem teve uma educação requintada, vive em uma família de classe média bem estruturada enquanto a jovem de Aquário vive no subúrbio de Essex com uma mãe alcóolatra, promíscua e agressiva, com o instinto materno de uma tartaruga. As coisas começam a mudar quando Mia, interpretada por Katie Jarvis, conhece um homem mais velho e se apaixona por ele. Homem esse, namorado de sua mãe. Podem alegar que um ambiente desses deixaria qualquer pessoa nesse estado lastimável de caráter, mas aí está Preciosa para provar o contrário, pois mesmo tendo crescido em situações semelhantes, a persongem de Gabourey Sidibe consegue conquistar e comover o público, coisa que a personagem de Katie Jarvis não consegue.

Andrea Arnols que assume a direção desse filme se utiliza de um estilo hiper-realista para retratar a vida da protagonista muito semelhante ao estilo dos irmãos Dardenne, e com grandes influências no estilo de Mike Leigh e Ken Loach. Ela consegue demonstrar bem quão repulsivo, odiável, asqueroso e acéfalo um adolescente pode ser, embora em certos momentos ela pareça estar querendo que o espectador goste dele... Resumidamente, é difícil discernir qual foi a real intenção de Andrea Arnolds com esse filme.

Esse é o primeiro trabalho de Katie Jarvis, descoberta ao discutir aos gritos em uma estação de trem com o namorado. Sinceramente, nesse filme ela não parece interpretar uma personagem, e sim, ela mesma. Suas atitudes são tão ridículas que por vezes chego a sentir vergonha alheia das coisas que ela faz.

A direção falha miserávelmente ao não dar espaço à protagonista, impondo ao público seu ponto de vista de uma maneira que não temos espaço suficiente para sequer nos mexer diante de tanta pressão que o filme coloca, ultrapassando a barreira do aceitável e se tornando incômodo. Mas o filme tem um ponto forte que são as atuações dos coadjuvantes. Michael Fassbender e Kierston Wareing brilham nos momentos em que aparecem, pois o roteiro não lhes dá o devido espaço para evoluir.

Basicamente, se todo adolescente fosse igual à Mia, garanto que a humanidade estaria perdida em cerca de 30 ou 40 anos. É isso, ou então sou eu que estou ficando velho...

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