sexta-feira, 16 de julho de 2010

Top 10: Martin Scorsese

Ao contrário do que fizeram meus amigos editores, não me explicarei aqui dizendo o quão idiossincrático é fazer uma lista. Acredito, com toda a fé do mundo, que você, estimado leitor, não será babaca ao ponto de tomar minha lista como verdade absoluta, como dogma cinematográfico. Se assim o pensa em fazer, peço encarecidamente que feche essa janela e não a abra mais. Não quero sua visita se você não pensa por si mesmo. Por outro lado, caso você for um vertebrado pensante, reservo-lhe o direito de montar sua própria lista nos comentários. De qualquer modo, fica aqui minhas impressões sobre este que é um dos maiores diretores norte-americanos de todos os tempos.

10º – O AVIADOR (2004) – Ainda que esteja mais para um exercício de estilo, a história em si é impressionante. Sem contar a forma fascinante como a obra é engendrada, nunca descambando para excessos, ou pseudo-sentimentalismos baratos. Scorsese acerta a mão ao narrar a real história de Howard Hughes, o aviador. Além do que, esse filme é mais uma prova do talento de Leonardo DiCaprio

9º – A COR DO DINHEIRO (1986) – Continuação do clássico “Desafio à corrupção” de 1961, traz Paul Newman na pele do campeão veterano de sinuca Eddie Felson, papel pelo qual foi oscarizado, e Tom Cruise, um novato talentoso para o esporte que decide se juntar a Eddie para subverter os bares de sinuca em busca de uns trocados. Alguns podem estranhar a presença de Tom Cruise, mas, saiba você, que ele foi responsável por praticamente todas as tacadas geniais no jogo. Afinal, quem não sabe atuar precisa compensar de alguma forma.

8º – A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988) – Desta vez, o filme coloca-nos no contexto do maior ídolo Pop da história: Jesus Cristo, JC para os íntimos. Brincadeiras à parte, mas não desnecessárias. Afinal, é justamente sobre isso que o filme trata, um olhar diferenciado sobre a vida daquele que teria sido o maior homem de todos os tempos. Pelo ponto de vista de Scorsese, todavia, não era isento das características humanas, tanto quanto qualquer outro indivíduo errante.

7º – CABO DO MEDO (1991) – Mostra a história de um homem julgado como assassino e que, ao sair da prisão, quer se vingar do advogado que o colocou na cela. Nada de estranho até aqui. Aliás, muito parecido com qualquer filme de ação contemporâneo. E de fato muitos filmes bebem dessa fonte, porém, é claro, não contam com o talento de Scorsese para criar uma atmosfera extremamente tensa e com um Robert De Niro bizarro ao extremo, com tatuagens corpo à fora e um cabelo que também não gosta nada de ficar preso.

6º – OS INFILTRADOS (2006) – Apesar de ser com esse filme que Scorsese finalmente faturou seu mais do que merecido oscar, é um filme relativamente abaixo de outras obras do diretor. Com um elenco emblemático que conta com Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Matt Damon entre outros, Scorsese constrói uma boa trama em torno de policiais e mafiosos com identidades secretas, cujas vidas passa a ser em função de suas máscaras. O foco é, contudo, estritamente psicológico. Roteiro complexo, bem desenvolvido e surpreendentes reviravoltas.

5º – TOURO INDOMÁVEL (1980) – Para muitos essa é a obra máxima de Martin Scorsese. Conta a história, baseada em fatos reais, de Jake La Motta (Robert De Niro), um boxeador diferenciado por conta de seu temperamento explosivo. Se fora do ringue seu temperamento destrói tudo e todos ao seu redor, dentro do ringue, Jake vinga-se dos problemas, angústias e, sobretudo, de si mesmo. Inevitável citar outra excepcional atuação de De Niro que ganhara 27 kilos para interpretar Jake. Destaque também para a realidade das lutas de boxe que, em alguns casos, foram reais mesmo - a costela quebrada de Joe Pesci que o diga.

4º – OS BONS COMPANHEIROS (1990)– Seguindo os moldes de seus companheiros Francis Ford Coppola e Sérgio Leone, Scorsese converte para tela um dos melhores filmes de máfia de todos os tempos. Um trabalho irreprimível. Exceto, talvez, para a sempre ótima equipe de críticos-chipanzés do Oscar, que deixou de agraciar essa obra-prima para contemplar o filme e a direção de Kevin Costner. De qualquer forma, destaque para as grandes atuações, para as técnicas fílmicas revolucionárias do diretor e para o brilhantismo do roteiro.


3º – O REI DA COMÉDIA (1982) – Não, não é uma comédia. Muito pelo contrário. Narra a história de um homem que sonha ser um famoso comediante, custe o que custar. É triste ver até que ponto chega o fanatismo doentio de alguém para conseguir a fama, que nada mais é que um apelo desesperado por atenção. Além disso, o filme contesta toda a farsa televisiva e a vida de aparências: Imagine um apresentador de um jornal televisivo respeitável, com seu terno e gravata, cabelo penteado para o lado, e eis que por traz da bancada, imagine-o de cueca. Nunca se sabe o que acontece por traz das câmeras, não é? É por aí que o filme versa.

2º – TÁXI DRIVER (1976) – Primeira obra-prima incontestável de Scorsese. Consegue expor de forma raivosa a natureza perversa da sociedade, sob a ótica de um taxista. Devido à estranheza com a sociedade suja, suas concepções de certo/errado, verdade/mentira, são completamente distorcidas. Repare, por exemplo, na cena em que ele leva sua namorada ao cinema para assistir um filme pornográfico, achando realmente que a agradaria. Vale destacar a grande atuação de Robert De Niro mais uma vez.

1º – DEPOIS DE HORAS (1985) - Fique em casa, que o mundo se curvará a seus pés - Diz Kafka. Saia dela e o mundo come você vivo - Completa Scorsese. Nessa genial obra-prima, que costumeiramente não ganha o devido reconhecimento, o diretor mostra o quão aterrorizante pode ser simplesmente sair da rotina. Após um simples telefonema despretensioso, quebrando a rotina, uma sucessão mirabolante de eventos antológicos abocanha o personagem. Tudo isso feito com a maestria usual de Scorsese: o ator, Griffin Dunne, foi obrigado a ficar sem comer e dormir por tempo não-revelável, para acentuar a realidade da paranóia que exigia o papel. A tensão do filme cresce à velocidade da luz e o humor negro é constante por toda a obra. Não só é um estudo sobre as desventuras e infortúnios da vida, do acaso na condição de entidade maléfica, como também é um filme sombrio, psicótico e delirante. Definitivamente leva o primeiro lugar. Com louvor.

7 comentários:

Grandes Filmes disse...

Scorsese é muito bom.
Meu preferido é Os Bons Companheiros, seguido de perto por Taxi Driver, Depois de Horas e Os Infiltrados.

Anônimo disse...

hahaha gostei da lista, so mudaria a ordem de alguns filmes e colocaria "caminhos perigosos" no top 10, mas foi bem cara... lembro quando assiti "Depois de horas" num corujão da vida, e fiquei encantado com o filme, nem sabia quem era Scorsese hahaha...muito bom.

Anônimo disse...

Boa tarde,

Há um erro de semântica no seu texo, com todo repeito.
O termo "Obra-prima" é usado para designar a OBRA MÁXIMA de um artista. Ex: a Obra-prima de Shakespeare foi Hamlet.
Dessa forma, é impossivel que exista mais de uma obra-prima de uma mesmo artista.
É claro que essa informação não tira pontos do seu texto que foi muito bem escrito. Só quis dar um toque para que fique mais legal ainda da próxma vez.

abs

Johny Favorite

Anônimo disse...

Será que não tem um blog que eu possa baixar algumas obras do Scorcese? Alguém me ajude!

Dr. Soup disse...

Boa tarde, Sr. Anônimo.
Sobre o termo "Obra-Prima",
De fato é um termo costumeiramente utilizado para designar a melhor, ou mais bem feita obra, não só de um artista, mas também de uma determinada época, gênero ou estilo. Essa é a primeira definição que se encontra de “Obra-Prima”. Porém, no meio cinematográfico, é comum usarmos o termo com o sentido da segunda definição do dicionário, que é basicamente “Obra Perfeita”, ou que aspira à perfeição.
Por esse motivo que quando vamos nos referir à melhor obra de um artista, usamos o termo “Obra-Prima Máxima” para não restar dúvidas. Abraço.

Caio Araujo disse...

Verdade que obra-prima pode ser referente a um período, ou estilo, mas o definição original diz que a obra-prima é a obra "primeira", o primeiro grande trabalho de um artista.

Anônimo disse...

Pra mim, nem Os Infiltrados e nem Aviador entram num top dez do Scorsa, um dos meus diretores favoritos.