domingo, 18 de julho de 2010

Quentin Tarantino





O que dizer quando perguntam sobre a nova geração de diretores de cinema? Eu respondo: estamos de pratos cheios e servidos de uma maneira nunca antes tão sortida nessa indústria. Os anos passaram, algumas temáticas mudaram e nunca foi tão fácil ser “bom” no meio de tanto marketing, blockbusters e efeitos especiais. É nosso dever encontrar almas fazedoras do que possa ser considerado arte ainda nos tempos atuais. A partir dessa deixa, poderia eu encher páginas e mais páginas sobre esses “salvadores”, não obstante citarei apenas um: Quentin Tarantino, o diretor nerd mais Cult de todos os tempos e, com certeza, um dos mais injustiçados dentre todos.
Amante de quadrinhos, filmes de kung fu, anime, “gangsters”, “westerns” e da cultura pop, ator, diretor, roteirista, dentre outras funções, o polêmico diretor de filmes como Kill Bill e Pulp Fiction que possui um HD de filmes no lugar do cérebro conseguiu unir o pop ao Cult num estilo totalmente inovador.

E qual a sua fórmula? Bom, além da óbvia – unir os já citados gostos em um único filme? O anacronismo marcante em todas as suas obras, ocasionando uma espécie de quebra-cabeças o qual só se soluciona ao término? Os diálogos mais do que bem elaborados e inesquecíveis – como a cena do Jules (Samuel L. Jackson) em Pulp Fiction, citando a bíblia, ou a conversa do mesmo com Vincent Vega (John Travolta) sobre massagens – entre personagens criativos e sempre interpretados por bons atores? A grande quantidade de palavrões e sangue? Suas trilhas sonoras sempre perfeitamente encaixadas? Certamente todos esses atributos lhe renderam obras ainda subestimadas pela academia – péssima academia, diga-se de passagem – mas que marcam a muitos que as assistem.
Infelizmente, eles ainda o consideram um infantilóide pelas suas temáticas e exageros de sangue, mas esse é o seu estilo - Kill Bill, o seu filme mais sangrento, é talvez o maior misto do próprio. Se fosse diferente, não seria Quentin Tarantino. Por isso não direi “um dia ele conseguirá o seu espaço”. Talvez consiga, mas esse não é o ponto, pois o oscar é pura política. Além do mais, outros prêmios já se renderam ao seu cinema, como Cannes.
Tarantino é, sem dúvida alguma, um dos grandes da indústria do cinema contemporâneo com muito mérito e louvor, sem ser rebaixado humilhantemente por nenhum outro. Ah, e sinto muito aos “pulpfictionianos”, mas Bastardos Inglórios é o seu filme mais bem trabalhado e sua obra prima até hoje, mesmo não seguindo a linha dos anteriores, quebrando a cara dos puristas que duvidavam do seu potencial. Avatar? Guerra ao Terror? Amor sem escalas? Minhas sinceras desculpas, but the Oscar goes to Inglorious Basterds.

3 comentários:

Luís Azevedo disse...

Os diálogos do Tarantino deviam ser um exemplo de como escrever diálogos! Por exemplo, frase "It's the one that says Bad Motherf*****" fez-me comprar uma carteira igual à do Jules xD Tirando o Jackie Brown não há um filme dele que eu não saiba uma ou duas frases de cor!

Do que disseste só não concordo com duas coisas. O Tarantino não é um injustiçado. Tem aclamação crítica e é um sucesso de bilheteiras, já foi nomeado duas vezes para o Óscare já ganhou em Cannes. É considerado por muitos um dos melhores realizadores da actualidade e ainda só com meia dúzia de filmes no currículo. Dificilmente lhe ficaria bem o rótulo de underdog.
E a outra coisa com que não concordo: O Pulp Fiction é que devia ter acabado com "I think this just might be my masterpiece."
Cumps
Baú-dos Livros

Judd Van Cruz disse...

Só mesmo um diretor como Tarantino para tornar um diálogo entre homens extremamente violentos, sobre a música "Like a virgin" da Madona no fime caës de aluguel memorável

Judd Van Cruz disse...

Só mesmo um diretor como Tarantino para tornar um diálogo entre homens extremamente violentos, sobre a música "Like a virgin" da Madona no fime caës de aluguel memorável