sábado, 31 de julho de 2010

A Escolha de Sofia (1982)


Filmes como A Escolha de Sofia não ficam velhos. Podem discordar, mas pretendo explicar por que penso isso. Não estamos diante de um filme sobre o nazismo, visto que filmes que falam apenas de um tema datado (marcante, mas datado) tendem a seguirem o caminho do tema, ou seja, "perderem a validade". É um filme sobre culpa, sobre os seus reflexos ao longo de toda uma vida, mesmo que já tenham se passado anos ou a distância de onde ocorreram os fatos seja grande.
Tanto o roteiro, como a direção e, principalmente, o elenco ajudam a construir um estudo de personagens do mais profundos, algo essencial para personagens cheios de segredos, culpas, desilusões, enfim, personagens devassados. E são eles: um jovem escritor chamado Stingo, vindo do Sul (região essa que se torna alvo de piadas ao longo do filme) que se hospeda no mesmo estabelecimento onde moram Sophia e Nathan, um casal bastante inconstante, inconstância essa causada pelo problemático Nathan, já que Sophia é, aparentemente, o porto seguro de Nathan, e, portanto, do casal.
Bloco de texto
O que iremos descobrir aos poucos são os segredos por trás da frieza e submissão de Sophia. Enquanto Nathan é um vulcão de emoções (com um grande segredo, mas que em nenhum momento esconde quem é), Sophia se revela uma mulher cheia de segredos e destroçada por dentro. Sophia acaba encontrando em Stingo mais que um amigo, um amante e um confidente.
Em A Escolha de Sofia, a fotografia, trilha sonora e o roteiro (todos indicados ao Oscar), bem como a direção de Alan J. Pakula contribuem para esse estudo aprofundado de personagens, mas é no elenco que um filme como este mais se apóia, e aqui, foi sem dúvida o grande destaque, em especial pelas presenças de Kevin Kline e Meryl Streep.
Kevin Kline, que já foi um ótimo ator, foi merecidamente indicado ao Globo de Ouro de Melhor Revelação. Sua atuação está excelente, conseguindo-se sair muito bem nos momentos mais contidos como nos momentos mais histriônicos, ambos exigidos por um personagem tão inconstante e, até por isso, tão interessante.
Mas é Meryl Streep quem mais se destaca. Ela, que já havia ganho o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer, ganhou praticamente todos os prêmios de 1983 e, naturalmente, o Oscar de Melhor Atriz. Prêmios mais que merecidos, mas que não são suficientes para reconhecer o feito de Streep: se por um lado sua atuação é historicamente lembrada por "muletas" como o sotaque polonês, o fato de ter emagrecido bastante e ficado careca para o filme, é o excelente desempenho contido que conseguiu ser ainda mais inesquecível para mim. Todas as suas cenas e sua narração em off são memoráveis (em especial a cena onde a escolha que o título se refere é feita e a que Sophia desmaia na biblioteca, entre tantas outras) e elevam A Escolha de Sofia ao patamar de obra-prima.
A atuação de Meryl Streep foi considerada pela revista Empire a terceira melhor interpretação da história (para mim, a melhor interpretação feminina, sem dúvidas) e A Escolha de Sofia foi considerado o 91° Melhor Filme da História pelo AFI e, mesmo o filme sendo criticado por ter envelhecido mal com o tempo, discordo dizendo que um filme tão sensível e que consegue construir personagens tão verossímeis e poderosos torna-se um filme digno e inesquecível, bem mais do que a maioria dos filmes lacrimejantes da década de 1980.

Dica: Freaks, de 1932.



Freaks é uma obra dirigida pelo experiente cineasta Tod Browning, em 1932. Tornou-se um filme “cult”, mas não é bem isso que os críticos da época insistiam em repetir.

“Todos os que consideram isto diversão merecem ser enfiados no serviço de patologia de um qualquer hospital psiquiátrico”.

Foram essas as palavras publicadas num artigo do jornal americano Harrison’s Report, na época.

Os “Freaks” são nobres criaturas que trabalham em um circo e são apresentados como “monstros de verdade”, uma vez que sua beleza está fora do padrão. São bizarros.


São interpretados por pessoas deformadas. Pessoas reais, o que gerou grande polêmica, levando em consideracão a mentalidade da época.

A película mostra a história do pequeno Hans, um anãozinho que herdou uma grande fortuna. Cleópatra, a trapezista do circo, juntamente com Hércules, o homem forte, estruturam um plano para tomarem o dinheiro de Hans e fugirem: casaria-se com ele, envenenaria-o, o matando e ficaria com a heranca sem maiores problemas. Cleópatra consegue se casar com Hans e, durante a festa, na presenca de todos os “Freaks”, ela beija Hércules deixando sua máscara cair. Embreagada, ela acaba por humilhá-los, atirando um jarro de vinho sobre um deles. O plano acaba sendo desmascarado por um dos “monstros”, o que acarreta uma reviravolta. A elaboracão de amarga vinganca: deformá-los também. Durante uma tempestade, os Freaks e outras pessoas do circo atacam o trailer onde estava Cleópatra e Hércules com armas e facas. As mãos de Cleópatra são derretidas por eles e esculpida de modo a parecer pés de patos. É submetida a um banho de alcatrão e empregnada de penas.

A história foi censurada em alguns países por um simples motivo. É curta, grossa, chocante, comovente e principalmente, impiedosa. Assista Freaks, tire seus conclusões.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

10 filmes dos anos 80

Eu sei que vocês já sabem, mas vou falar mais uma vez. Essa lista é uma opinião extremamente pessoal. Não tem como objetivo ser um retrato da realidade, mas sim expressar a minha humilde opinião. Certamente você discordará dela, desse modo, fica o espaço para você criar seu próprio Top 10 Anos 90 nos comentários.


1. Amadeus (Milos Forman já tinha uma carreira bem estruturada antes desse filme, tendo no curriculo obras como O Baile dos Bombeiros, Um Estranho no Ninho e Hair. Esse Amadeus serviu para consolidar ainda mais sua carreira. Biografia de Wolfgang Amadeus Mozart (Tom Hulce) contada pelos olhos de Antonio Salieri (F. Murray Abraham), o filme é um estudo sobre aquilo que as pessoas chamam de inveja, mas mostra que há muito mais por trás disso. Atuações excelentes, direção de arte perfeita,fotografia de luz natural e trilha sonora do próprio Mozart tornam Amadeus uma obra brilhante e magnífica)



2. Brazil - O Filme (O ex-membro do Monty Python, o maior grupo de comédia de todos os tempos, Terry Gilliam fez em 1984 esse filme extremamente surreal retratando uma sociedade futurista e burocrata ao extremo. Nesse mundo, acompanhamos o burocrata Sam Lowry em uma série de passagens absolutamente insanas. Destaque para a direção de arte com cenários suntuosos e Robert de Niro em um de seus raros papéis como coadjuvante)



3. Touro Indomável (Biografia do pugilista Jake LaMotta (Robert de Niro), retrata toda a sua carreira profissional e seus problemas familiares com sua esposa e seu irmão. Filmado em preto-e-branco por opção, Touro Indomável conta também com uma excelente atuação de Joe Pesci como o irmão e uma ótima montagem de Thelma Schoonmaker, a eterna parceira de Martin Scorsese em seus filmes)



4. Harry e Sally (Com um argumento extremamente clichê, (um homem e mulher se conhecem, brigam feito loucos, se tornam melhores amigos e começam a namorar) Harry e Sally é um romance surpreendente pela qualidade, em um ponto onde tudo poderia ir por água abaixo. Talvez a qualidade se deva à direção de Rob Reiner ou pelas atuações de Billy Cristal e Meg Ryan, ambos nos melhores papéis da carreira)


5. O Iluminado (Nunca fui muito fã das adaptações de Stephen King, mas essa é uma raríssima exceção. O que esse filme tem de diferente dos demais é a direção de Stanley Kubrick, genial como sempre. O contraste entre branco e vermelho usado nos cenários torna o filme algo agradável de se ver. Mas essa sensação é anulada pela capacidade admirável de transformar um hotel gigantesco e deserto em um ambiente extremamente claustrofóbico. Além de tudo isso, a atuação psicótica de Jack Nicholson como Jack Torrence que se tornou um marco na história do cinema)



6. Ilha das Flores (Documentário de 13 minutos dirigido por Jorge Furtado que narra a trajetória de um tomate, desde a plantação até o aterro sanitário (vulgo lixão) da Ilha das Flores, em Porto Alegre. Retratando a trama de uma maneira tão detalhada que até um marciano seria capaz de compreender, realiza um fortíssima crítica social. Dispensa totalmente os diálogos, utilizando apenas a narração fria de Paulo José, que embora não demonstre nenhum sentimento, causa diversos deles no espectador. Um dos maiores documentários não só da história do cinema nacional como de todo a história do cinema. Tal como dito na primeira frase do filme, Deus não existe)

7. O Declínio do Império Americano (Embora menos conhecido do que sua sequência As Invasões Bárbaras, que retrata as relações entre pai e filho, O Declínio do Império Americano, que retrata as relações entre marido e mulher, é tão bom quanto, ou quiçá até melhor. Adultério e sexualidade são temas abordados nessa obra de uma maneira excepcional, se utilizando sempre de diálogos afiadíssimos. Um filme simples, mas incrível)



8. Blade Runner (Uma das ficções científicas mais importantes da história, Blade Runner inventou o termo Replicante e se tornou um expoente nas histórias envolvendo homem e máquina. Passado num futuro não muito distante, conta com cenários grandiosos e levantamentos morais e filosóficos extremamente profundos, além de ter catapultado Harrisson Ford para o estrelato)



9. Ligações Perigosas (Neste filme de época, Stephen Frears aborda a hipocrisia da nobreza a partir de um jogo de sedução entre Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer. Um dos melhores filmes do gênero que eu já tive o prazer de assistir)



10. Pixote - A Lei do Mais Fraco (Cerca de 20 anos antes de Cidade de Deus explorar a questão da violência no Rio de Janeiro, Pixote já havia feito o mesmo em São Paulo. O filme de Hector Babenco segue a vida do jovem Pixote de 10 anos dentro e fora do reformatório, vagando pelos submundos da maior cidade dos hemisférios Ocidental e Sul. Destaque para as cenas chocantes da personagem de Marília Pêra no final do filme)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

10 filmes que você (provavelmente) ainda não viu, mas deveria ver

Olá, caro leitor. O que proponho neste post é baseado unicamente na minha humilde opinião. Pretendo aqui listar alguns filmes que considero esquecidos pela grande maioria, mas que deveriam ser visto, seja por suas qualidades, seja por seus defeitos (sim, também coloquei alguns filmes ruins... rsrs...). Como cinéfilo, assisto de tudo, e estes filmes me marcaram muito, positivamente ou negativamente; por isso, gostaria de compartilhar com vocês. Segue a lista:




1. Bad Boy (Bad Boy Bubby, Austrália, 1993). Direção: Rolf de Heer. Elenco: Nicholas Hope, Claire Benito, Ralph Cotterill, Carmel Johnson, Syd Brisbaine. Duração: 109 minutos.

Homem vive isolado dentro de um pequeno apartamento por mais de 30 anos, sem nunca ter saído, e vive uma relação incestuosa com a mãe possessiva. Expulso de casa, encara o mundo pela primeira vez e tenta se ajustar à sociedade. Vencedor do prêmio especial do Júri no Festival de Veneza de 1993 e de 4 Prêmios (Melhor Ator - Nicholas Hope, Melhor Edição, Melhor Roteiro e Melhor Direção) do Instituto Australiano de Cinema. O filme contém cenas extremamente desagradáveis, (principalmente no início, quando é mostrada a vida do rapaz dentro de casa) feitas com o propósito de chocar o espectador e, por isso, teve dificuldades de distribuição em vários países (na Inglaterra, por exemplo, foram excluídas várias cenas, como as que mostram o homem torturando um gato).

Por que ver? Apesar das cenas chocantes e desagradáveis, o filme oferece uma contundente denúncia sobre como uma pessoa pode ser moldada pela sociedade. Afinal, o que é preciso ser ou fazer para ser socialmente aceito? Aviso: os mais sensíveis podem ficar impressionados com algumas cenas, em especial as que mostram o relacionamento sexual entre a mãe e o rapaz.



2. O Amor e a Fúria (Once Were Warriors, Nova Zelândia, 1994). Direção: Lee Tamahori. Elenco: Rena Owen, Temuera Morrison, Mamaengaroa Kerr-Bell, Julian Arahanga. Duração: 99 minutos.

Beth é casada com Jake e tem 5 filhos. Mas Jake é machista e violento, passando a maior parte de seu tempo bebendo num bar com amigos. Mesmo amando-o, Beth constantemente sofre com sua violência; violência esta que está a ponto de desestruturar toda a família. Impressionate filme dirigido pelo neo-zelandês Lee Tamahori que, depois deste filme, dirigiu algumas produções hollywoodianas. Na época de seu lançamento, o filme ficou famoso por bater a bilheteria de "Jurassic Park" em seu país de origem.

Por que ver? O filme mostra um retrato verdadeiro da discriminação sofrida pelos guerreiros maori em seu país. E é também um vigoroso retrato da violência doméstica. A primeira vez que mostra Beth sendo agredida é um verdadeiro soco no estômago do espectador.




3. O Saci (Brasil, 1953). Direção: Rodolfo Nanni. Elenco: Olga Maria, Paulo Matosinho, Lívio Nanni, Aristéia Paula Souza, Maria Rosa Moreira Ribeiro, Benedita Rodrigues, Otávio de Araújo, M. Meneghelli, Yara Trexler. Duração: 65 minutos.

A Cuca enfeitiça Narizinho, e Pedrinho, com a ajuda do Saci, tenta encontrar um jeito de desfazer o encanto e salvar a garota. Primeira adaptação de uma obra de Monteiro Lobato para o cinema, e uma das primeiros filmes voltados para o público infantil do cinema brasileiro. Curiosidades: A Emília foi interpretada uma criança (Olga Maria) e, nesta história, o Visconde de Sabugosa não aparece (provavelmente porque a história se passa num período de tempo posterior ao do livro "Reinações de Narizinho", onde ele morre afogado).

Por que ver? Porque é um excelente exemplo de como o cinema brasileiro pode produzir verdadeiras obra-primas. Um filme encantador para crianças e adultos, muito superior aos filmes da Xuxa, Didi e afins. Além disso, dá de 10 a zero em qualquer versão do sítio produzida para a TV. E a Cuca, como uma velha sinistra, está muito mais assustadora do que, digamos... um boneco representando uma "jacaroa".



4. Macaco Feio, Macaco Bonito (Brasil, 1929). Direção: Luiz Seel. Duração: 5 minutos.

Macaco consegue escapar de sua jaula no zoológico, e apronta confusões. Desenho animado cômico, inspirado nos desenhos dos norte-americanos Max e David Fleischer, como Popeye e Betty Boop, é uma das primeiras realizações brasileiras no gênero.

Por que ver? Por ser um verdadeiro clássico do cinema brasileiro. E pelo início, simplesmente maravilhoso, imaginativo, e com ótimas ideias.



5. O Uivo da Bruxa (Cry of the Banshee, Inglaterra, 1970). Direção: Gordon Hessler. Elenco: Vincent Price, Hilary Heath, Carl Rigg, Patrick Mower, Essy Persson. Duração: 91 minutos.

Na época elizabethana, lorde tenta acabar com as bruxas e as práticas pagãs numa pequena comunidade rural. Porém, ao assassinar jovens de uma antiga seita, provoca a ira de sua líder, Oona, que faz um pacto como mago da comunidade (o banshee) e transforma sua vingança num banho de sangue. O filme nunca foi lançado no Brasil, talvez porque, na época de seu lançamento, durante o período da Ditadura Militar, a violência era um tema tabu, e o filme apresenta violentas imagens de torturas e mortes.

Por que ver? Por ser um filme estranho, lento, e por retratar um período violento da história humana de forma violenta. O filme dá um outro aspecto ao já batido tema da caça às bruxas. E pelo final, assustador e magnífico.




6. Viagens (Voyages, França, 1999). Direção: Emmanuel Finkiel. Elenco: Shulamit Adar, Liliane Rovère, Esther Gorintin, Nathan Cogan, Moscu Alcaley, Maurice Chevit. Duração: 115 minutos.

3 histórias: Rikwa, uma francesa de 65 anos que vive em Israel, participa junto com um grupo de uma viagem de Varsóvia a Auschwitz. Regine vive em Paris; a chegada de um homem que diz ser seu pai (e que ela acreditava que havia morrido nos campos de concentração) agita a monotonia de sua vida. Vera, de 85 anos, é uma russa que vai a Tel-Aviv tentar encontrar sua prima desaparecida, e a encontra num hospício. O destino interligará essas 3 mulheres. Filme vencedor de 2 prêmios no César (Melhor filme de estréia e melhor montagem).

Por que ver? Por tratar de um assunto tão doloroso (a vida dos sobreviventes do Holocausto) de uma forma que chega a ser delicada e poética. Um ótimo filme, muito bem recebido pela crítica do mundo inteiro.




7. O Dia em que Marte Invadiu a Terra (The Day Mars Invaded the Earth, EUA, 1963). Direção: Maury Dexter. Elenco: Kent Taylor, Mary Windsor, William Mins. Duração: 70 minutos.

O Dr. David Fielding envia uma sonda-robô a Marte. Após conseguir uns dias de folga, e na esperança de salvar seu casamento, parte com a mulher e o filho para uma mansão isolada. Mas o que ele não sabia é que marcianos vieram na forma de energia através das transmissões da sonda, e agora assombram a mansão.

Por que ver? Por ser um filme curioso, que retrata o já surrado tema das invasões alienígenas de uma maneira inesperada e original. Não é tão bom assim, mas vale uma espiada.



8. A Noiva do Monstro (Bride of the Monster, EUA, 1955). Direção: Edward D. Wood Jr. Elenco: Bela Lugosi, Tor Johnson, Tony McCoy, Loretta King. Duração: 69 minutos.

Uma série de estranhas mortes num pântano faz com que todos acreditem na existência de um monstro. Uma repórter e um investigador tentam desvendar a história, e se deparam com um cientista louco e seu estranho assistente. Um dos filmes dirigidos por Ed Wood, considerado "o pior cineasta da história".

Por que ver? Porque o filme, de tão ruim, chega a ser bom e engraçado: interpretações ridículas, diálogos e roteiro absurdos, garantem a diversão de quem entrar no clima. Sem contar o final, sem dúvida um dos piores da história do cinema. Para saber como o monstro morre de forma tão ridícula (que chega a ser hilária) só vendo o filme.



9. Pantaleão e as Visitadoras (Pantaleón y las Visitadoras, Peru, 1999). Direção: Francisco J. Lombardi. Elenco: Salvador del Solar, Angie Cepeda, Pilar Bardem, Monica Sánchez. Duração: 116 minutos.

Pantaleão, um capitão do exército peruano, tem a missão de recrutar um grupo de prostitutas e levá-las através de um barco pelos rios, saciando os desejos dos soldados que ficam meses sem ver uma mulher. Mas uma de suas recrutadas o leva à loucura. Baseado no best seller de Mario Vargas Llosa. Único filme produzido em seu país no ano. O próprio Vargas Llosa já havia dirigido uma versão anterior, na década de 1970, da qual pouco se sabe.

Por que ver? Por ser uma rara oportunidade de se ver um ótimo filme latino-americano que não faça parte do eixo Brasil-Argentina-México.



10. Brincadeira de Criança (Child's Play, Inglaterra, 1984). Direção: Val Guest. Elenco: Mary Crosby, Nicholas Clay, Debbie Chasan, Suzanne Church, Joanna Joseph. Duração: 70 minutos.

Ann Preston vive em uma casa confortável com o marido e a filha. Um dia, ao acordar, nota que em volta da casa há um estranho muro cinza, o que a impede de abrir portas e janelas. À medida em que o tempo passa, os 3 tentam, desesperadamente, achar uma saída. Mas coisas estranhas começam a acontecer: o relógio, que fica parado no mesmo horário em que Ann acordou (4h10), um estranho símbolo presente em todos os móveis e objetos da casa, inclusive no braço do marido de Ann, e uma misteriosa gosma verde, que começa a tomar conta da sala. O filme, na verdade, foi produzido para a TV, como um dos episódios da série "Hammer House of Mistery and Suspense", e foi exibido pela rede Bandeirantes no extino Cine Trash (não me lembro de outra exibição do filme na TV brasileira). O título original é o mesmo do "clássico" Brinquedo Assassino.

Por que ver? Porque o final (quando surge a resolução do mistério) representa uma das reviravoltas mais estranhas, absurdas, mirabolantes e imaginativas da história do cinema. Certamente muitos vão se decepcionar, outros vão odiar, mas não há como negar: é a reviravolta mais maluca de todas. E, pra fechar com chave de ouro a criatividade do roteirista, ainda aparece a frase: "Baseado em fatos reais. Só..." Bem, pra saber como a frase termina, só vendo o filme, que está disponível no Youtube, dividido em 8 partes, na versão original, sem legendas. Só procurar.



E então, caro cinéfilo e amigo leitor: o que achou desta lista? Já viu ou conhece algum desses filmes? Fica a minha dica para você. Só não se esqueça de postar um comentário com sua opinião a respeito desse post.

terça-feira, 27 de julho de 2010

40 curiosidades do cinema

1. Existe um filme inédito de Star Wars. Em 1978, depois do sucesso do primeiro filme lançado da saga Star Wars, George Lucas Fez um filme para a televisão chamado "Star Wars: Holiday Special". O filme começa com Chewaka viajando a seu planeta natal para passar as festas natalinas em família, esta primeira parte do filme é completamente falada em Wockie, posteriormente aparece o resto dos personagens e a película se converte em um musical. Porem, por parecer ruim, nenhuma televisão quis comprar os direitos de transmissão.

2. Fidel Castro tentou triunfar em Hollywood. Treze anos antes de se tornar líder de Cuba, Castro iniciou uma breve carreira cinematográfica como galã latino, interpretando pequenos papéis em três musicais: Escola de sereias, Bathing beauty e holiday in México.

3. O filme mais longo da história. É "Tratamento contra a insônia", com 87 horas de duração, ou seja, mais de 3 dias e meio. O filme consistia numa única seqüência na qual se via o poeta Lee Groban lendo uma composição de 3.400 paginas. Só foi projetada na íntegra duas vezes e ninguém conseguiu ver o filme todo. Não é considerado um filme comercial, para saber quais os filmes comerciais mais longos, procure nesse blog que você encontra.

4. Sigmund Freud só não foi o roteirista mais bem pago da história porque não quis. Em 1933 um produtor lhe ofereceu um cheque em branco para que lhe contasse as psicopatias de seus pacientes, com a idéia de que nelas podiam ter escondidas muitas boas histórias. Porem, Freud recusou por que lhe pareceu pouco ético.

5. A atriz mais assassinada. A francesa Paula Maxa, especializada em papéis de vítima no cinema mudo foi assassinada em toda sua carreira um total de 358 vezes, muitas delas de forma horrível. Em alguns filmes chegou a fazer mais de um papel com o intuito de ser assassinada várias vezes.


6. Inchon: O único filme produzido por mandato divino. O reverendo Sun Myang Moon fundador da seita Moon, sofreu um ataque de choro e tristeza que só se deteve ao entrar num cinema de Seul. Ele interpretou o fato como um sinal divino e investiu 104 milhões de dólares na produção de um filme sobre a guerra da Coréia. O filme foi um dos maiores fracassos comerciais da história do cinema, só arrecadou dois milhões de dólares.

7. Alguns gangsters foram grandes cinéfilos. Al Capone foi ao cinema ver Scarface - A Vergonha de uma Nação (Howard Hawks, 1932) várias vezes. E John Dillinger foi morto a tiros pelo FBI quando saia de uma sala de cinema.

8. Gorilas jogadores. No primeiro filme do Tarzan os gorilas eram na realidade uma equipe de futebol americano disfarçado para a ocasião, o Santa Mônica Football Clube.

9. O filme com mais palavrões. "Scarface" (Brian De Palma, 1983), remake do filme de 1932 realizado por Howard Hughes, é o filme com mais palavrões, um total de 203, uma média de um palavrão a cada 29 segundos. Frases como "Fuck you, son of a bitch" foram bem comuns no filme.

10. Parcerias estranhas. O filme Alien vs Predator traz à lembrança um gênero meio esquecido, o Crossover, que consiste em juntar dois mitos numa mesma história. O crossover já teve casais como Drácula vs Frankenstein, Drácula vs Billy the Kid e até Bruce Lee vs Emmanuelle, onde não aparecia nem o Bruce Lee e nem a Sylvia Kristel e que misturava artes marciais com pornochanchada.

11. O primeiro filme falado. Foi o filme "O cantor de Jaz", de 1927. A parte falada do filme constava de apenas três cenas que não passavam de 10 minutos, naquele tempo os produtores acreditavam que ninguém poderia agüentar um filme com mais de uma hora de diálogo.

12. Cinema que cheira. O único filme com cheiro produzido na história foi "Perfume de mistério", de 1959, estrelado por Peter Lorre e Denholm Elliott. Nos cinemas onde era exibido, um mecanismo controlado pelo projecionista exalava os odores correspondentes às cenas mostradas na tela.

13. Poltronas que vibram e choques. O cinema sempre procura novas formas de atrair o público, uma das mais polêmicas foi o Sensurround, estreado no filme "Terremoto" que fazia vibrar as poltronas do cinema simulando um tremor. Pior ainda foi o Tingler, que soltava descargas elétricas no espectador durante a projeção de 13 "Fantasmas".

14. Cinema Negro. Na Hollywood dos anos 70 nasceu à moda da Blaxploitations, filmes protagonizadas inteiramente por atores de raça negra. Teve um drácula negro, uma lolita negra e inclusive uma versão do Mágico de Oz na qual estreava um certo menino chamado Michael Jackson.

15. O filme mais caro. É a versão russa de Guerra e Paz dirigida por Sergei Bondarchuck em 1968. Calculando o custo da inflação, o filme precisou de um investimento de 560 milhões de euros.

16. O ator que mais papéis interpretou em um mesmo filme. Se você acha que foi Eddy Murphy, está enganado. Foi o britânico Rolf Leslie, que fez 27 personagens diferentes em "Sisty years of a Queen". O segundo que mais personagens interpretou foi o espanhol Paul Naschy, com doze papéis em "Aullido do diabo”

17. Os batizados. Os mormons produziram o filme "Plano nove desde o espaço exterior", do diretor Ed Wood, com a condição de que a toda a equipe do filme, inclusive atores, fossem batizados.

18. Francis Ford Copola. Começou sua carreira sob um pseudônimo dirigindo "Nudies", filmes eróticos. O mais famoso é "O bordel da montanha" onde Drácula, Frankenstein e o Homem lobo exercem seus poderes num prostíbulo.

19. Ganhos das salas de cinema. Nem só de ingressos vivem os cinemas. Pipocas, refrescos e demais guloseimas produzem em média 45% de seus rendimentos.

20. Hollywood. Fundada em 1877, teve seu nome tirado da fazenda da família Wilcox, que habitava a região. Foi transformada em cidade em 1903 e em 1910, com 4.000 habitantes, era anexada a Los Angeles.

21. A Sétima Arte. A expressão "sétima arte", foi criada em 1912 pelo italiano Ricciotto Canuto, se referindo ao cinema.

22. Os primeiros cinemas do mundo. Os dois primeiros cinemas do mundo foram abertos nos Estados Unidos. Em outubro de 1895 era inaugurado o Atlanta, em Atlanta, na Geórgia. E em abril de 1902, Los Angeles inaugurou o Electric Theatre.

23. O filme mais visto nos cinemas. Não, não é Avatar. E o Vento Levou (Victor Fleming, 1939), foi o filme mais visto em todo o mundo: mais de 200 milhões de pessoas assistiram à história de amor protagonizada por Clark Gable e Vivian Leigh. O filme nem chega perto de ser uma das maiores bilheterias do cinema, pois na época o ingresso era muito mais barato do que é hoje.

24. Maior número de figurantes. O filme que usou maior número de figurantes em toda a história do cinema foi Gandhi, 1982, de Richard Attenborough: mais de 300.000.

25. John Wayne. O verdadeiro nome de John Wayne (1907-1979) era Marion Michael Momson. Entre 1927 e 1976, o ator estrelou exatos 153 filmes - 142 dos quais fazia o principal papel.

26. Maior número de beijos. O filme que teve mais beijos em toda a história do cinema foi Don Juan (dirigido por Alan Crosland, em 1926). Durante uma hora e cinqüenta e um minutos de duração da história, os atores John Barrimore, Mary Astor e Estelle Taylor beijavam-se 127 vezes.

27. Letreiro de Hollywood. O enorme letreiro contendo a palavra Hollywood, um dos mais importantes cartões-postais da cidade começou a ser erguido em 1923. Inicialmente, foi colocada a palavra Hollywoodland, o nome de um loteamento que se instalaria nas imediações. Com a o tempo, ficou apenas Hollywood.

28. Charles Chaplin. O gênio do cinema mudo ganhava nos tempos da Keystone apenas 175 dólares por semana. Insatisfeito, trocou, em 1915, de estúdio e foi para a Essanay, onde passou a receber 1.250 dólares semanais, mais bônus. Um ano depois, já na Mutual, passou a ter um salário semanal de 10.000 dólares que, com os bônus, podia chegar a 150.000 dólares mensais. Uma fortuna na época.

29. Charles Chaplin (2). Chaplin resistiu bravamente ao cinema falado e, apenas treze anos depois de seu surgimento, o cineasta deu voz a seus personagens em O Grande Ditador, de 1940.

30. Uns engordam, outros emagrecem. O ator Vicent D’Onofrio teve que engordar 31,7 quilos para fazer o filme “Nascido para matar” de 1987. Já o ator Tom Hanks teve que emagrecer 10 quilos para fazer o filme Filadélfia de 1993.

31. Previsões que dão certo. No filme "De volta para o Futuro 2" aparece no Livro dos Recordes que em 1997 o time da Flórida ganharia o campeonato "World Series". Na época em que o filme foi feito (nos anos 80), a Flórida nem sequer tinha um time, mas no dia 26 de Outubro de 1997 ela foi à campeã do World Series, exatamente como dizia o Livro.

32. Não era pra entender. O filme 2001 uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, foi feito para ser dificilmente entendido de propósito. Arthur C. Clarke, escritor do livro e colaborador do roteiro disse certa vez: "Se você entender 2001 completamente, nós falhamos. Nós queremos levantar mais questões do que respostas."

33. Quanto trabalho. A produção do épico francês "Napoleón" (1927), de Abel Gance, consumiu três anos de filmagens, exigiu locações em seis cidades, 150 cenários, 200 técnicos, quatro mil armas de fogo, seis mil atores extras, oito mil figurinos e teve dois mortos e 42 feridos em cenas perigosas

34. Um filho da idade da mãe. No filme "Intriga Internacional" (Alfred Hitchcock, 1959), o ator Cary Grant, que na vida real estava com 55 anos, fazia o papel de filho da personagem de Jessie Royce Landis, atriz que estava com exatamente 55 anos.

35. Anões na pista. Em "Casablanca", na seqüência em que o major Strasser desembarca no aeroporto, os oficiais vistos de cima foram interpretados por anões, para que a pista parecesse maior.

36. O primeiro filme inteiramente rodado a cores. Foi "Becky Sharp", de Rouben Mamoulian, produzido pela RKO em 1935. Os técnicos utilizaram o sistema Technicolor, testado por vários estúdios desde a década de 20. Curiosamente a RKO poucas vezes utilizou o colorido em suas produções posteriores. A supremacia no uso da cor caberia por muitas décadas à 20th Century Fox, que rapidamente desenvolveu e aperfeiçoou o processo.

37. A primeira projeção pública de um filme. Aconteceu em 22 de março de 1895, quando os irmãos Auguste e Louis Lumière apresentaram "A saída dos operários da fabrica Lumière" a um público convidado para o evento, em Paris. A primeira exibição comercial de filmes, porém, foi feita por eles em 28 de dezembro do mesmo ano, no Grand Café do Boulevard des Capucines, também em Paris. O preço da entrada foi de um franco por pessoa.

38. O país que mais faz filmes no mundo. A maior indústria cinematográfica do mundo pertence à Índia. O País produz uma média de 700 filmes todos os anos. Só para se ter uma idéia, Hollywood produz de 300 a 400 filmes por ano. A Índia conta com dois milhões de pessoas trabalhando nessa indústria, que atrai 70 milhões de espectadores por semana.

39. Nudez adolescente. No filme Beleza Americana, Thora Birch tinha apenas 17 anos, portanto filmá-la nua requeria a autorização de seus pais, que estavam presentes no set.

40. Um morto que faz filme. O filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, de 2004, conta com Laurence Olivier no elenco. Porem o ator faleceu em 1989. Para conseguir isso, o diretor Kerry Conran utilizou imagens de arquivo do ator e fez uma edição de forma que Oliver pudesse "atuar" como o vilão Dr. Totenkopf.

O Show de Truman (1998)


Existe algo mais interessante do que um Reality Show? Existe algo mais falso do que um reality show? Toda essa realidade, sorrisos falsos e amarelos, tudo é produto, produto, produto, vidas diante da TV prontas para serem expostas de todas as maneiras, audiência, audiência, audiência... E dentro de todo esse jogo, dentro de cada frame, existe alguém do outro lado da tela, mas não dentro dela, fora. Pior do que o reality show são os seus telespectadores, voyeurs eternos e fiéis. Prazerosamente alimentam uma rede de mentiras enquanto seu marido está a traindo, ou seu filho adolescente encontra-se chapado por falta de atenção, ou o bolo queimou por que está diante da maldita TV vendo de camarote uma vida que não é a dela. Bola teorias, sugere soluções de problemas enquanto morre por dentro, até que tudo se torna falso, de plástico, um reality show.

E é nesse contexto que “O Show de Truman” se fixa. Truman Burbank (Jim Carrey) possui uma vida perfeitamente normal. Tem uma esposa, emprego, casa... Exceto por toda ela fazer parte de um Big Brother do qual ele é protagonista desde que nasceu. Programa esse que é exibido para todo o mundo 24 horas por dia, sete dias por semana e cada centímetro da cidade em que mora, assim como os seus respectivos moradores, são artificiais e fazem parte de todo o esquema.

O filme claramente nos passa a mensagem da doença dos reality shows, da fraqueza do ser humano e do medo de lutar contra o sistema opressor em que nos encontramos hoje. Truman é um típico cidadão americano (uma antecipação do que seria Neo em Matrix, ambos filmes com mensagens subliminares e parecidas, sendo a do último talvez um pouco mais sutil), uma pessoa que possui todos os desejos, alegrias, tristezas, medos e vergonhas expostos diante do aparelho de televisão.

Todo o jogo de filmagem da obra foi feito como uma sátira a esta triste modalidade de entretenimento dos dias de hoje, valendo ressaltar as cenas onde os produtos são expostos ao publico em momentos totalmente inusitados (“Querida, vamos fazer sexo?” “Vamos, mas antes precisamos tomar Café Pelé, pois só ele é feito com amor e carinho”, um exemplo), técnica utilizada também por várias emissoras brasileiras, inclusive a santa Rede Globo de Televisão.

Além do mais, é cheio de metáforas. Deixando de lado um pouco a temática cidadão x sistema, vamos nos voltar um pouco para o conflito Deus x homem, colocado em xeque justamente no clímax da obra, que se for visto por esse ponto se torna genial. Pense no diretor do reality como Deus e Truman como o homem e reveja essa cena. Truman se sobressai, quebra seus tabus e cruza o fim do seu universo, partindo para um novo totalmente desconhecido. Já o diretor falha, pois mesmo depois de trinta anos estudando a sua criação, conhecendo cada sensação dela, não consegue controlá-la. Um verdadeiro soco no estômago de quem acredita no irrefutável e implacável destino. Assim como Truman cruzou seu portal, Neo ressuscitou e parou as balas com as mãos.
Apesar de todas essas mensagens e metáforas, O Show de Truman é um filme engraçado, emocionante, que flui suavemente e feito para todas as idades, acompanhado do estilo extravagante de sempre de Jim Carrey.

O Fantástico Sr. Raposo (2009)




O gênero da animação tem, recentemente, entrado em um turbilhão de criatividade gerado pela concorrência entre a DreamWorks e a Disney/Pixar em busca da liderança nesse mercado de filmes. Embora isso seja extremamente positivo para nós, espectadores, acaba se tornando um problema sério quando as produtoras evitam ousar, com medo de um possível fracasso. São perfeitamente evidentes as semelhanças na narrativa e, principalmente, as semelhanças estéticas, com uma tentando, digamos não copiar, mas se basear nos sucessos da outra. Esse é o motivo pelo qual cada vez mais, grandes filmes do gênero vêm de estúdios mais, digamos, alternativos (ao menos nesse mercado). Foi assim com Persépolis, com Valsa com Bashir, e agora, com O Fantástico Sr. Raposo.

O diretor e roteirista Wes Anderson, junto com seu parceiro de longa data Noah Baumbach, adaptam o livreto de 80 páginas de Roald Dahl para o cinema de maneira brilhante. A escolha por realizar a filmagem em stop-motion se mostrou perfeita, permitindo assim resgatar um ar meio que nostálgico dá década de 70, época em que foi escrito o livro (embora o filme se passe nos dias atuais), com seus tons quentes que dão um ar todo único à obra, ao mesmo tempo em que evita cair no clichê do, outrora original, filme feito com humanos e animais (que começou bem com Babe, mas entrou em uma decadência extrema).

Como todo roteiro de Wes Anderson ou de Noah Baumbach, a história se foca nas relações familiares, contando a vida de uma família de raposas. Após uma ligeira introdução onde se conta um pouco do passado do casal de raposas e somos apresentados aos personagens, chegamos à situação-problema, quando Sr. Raposo assalta as fazendas de três grandes fazendeiros, Boggis, Bunce e Bean, que passam a perseguir a família e os demais animais da floresta. Um filme que teria tudo para se tornar um clichê das animações infantis, mas que com seus personagens complexos, consegue se tornar uma obra-prima.

Sr. Raposo (George Clooney) é um ex-ladrão de galinhas que agora é colunista para um jornal. Aos 7 anos (42 anos-raposa) começa a sentir saudades de sua vida antiga e medo de terminar como seu pai, que morrera aos 7 anos e meio. Isso o coloca em uma crise de meia-idade que faz com que resolva colocar seus antigos dotes à prova, roubando as fazendas de três grandes fazendeiros, Boggis, Bunce e Bean.

Sra. Raposa (Meryl Streep) foi uma adolescente hiperativa e namoradeira, até conhecer o Sr. Raposo, de quem se tornou parceira de crimes, porém, com a sua gravidez, abandonou toda a sua forma de vida para se tornar uma chefe de família e mãe protetora. Aparenta sentir saudades dos tempos antigos, mas tem consciência de seu lugar junto à família.

Ash (Jason Schwartzman), o filho, é um adolescente que sonha se tornar um atleta, tal como o pai fora em sua juventude, mas não tem muito talento, o que o torna um tanto infeliz. Se sente desprezado pelas pessoas a sua volta, fato que se agrava com a chegada de seu primo.

Kristofferson (Eric Chase Anderson), o primo, é tudo o que Ash sempre quis ser: bom atleta, inteligente, popular, adorado por todos. Mas isso tudo de maneira totalmente passiva. Ele não tenta ser melhor do que Ash, ele apenas é. E essa inocência acaba o tornando o personagem mais engraçado do filme, embora seja, talvez, o único personagem que não esteja insatisfeito com sua vida.

Tudo isso completado com uma magnífica trilha sonora de Alexander Desplat, que se encaixa incrívelmente bem com todo o clima do filme. Canções simplesmente contagiantes que brilham na tela junto com os personagens.

Um estilo que remete ao curta-metragem Pedro e o Loboe um roteiro com diversas interpretações possíveis, dependendo de seu grau de inôcência, fazem desse um filme com a capacidade de agradar tanto aos adultos quanto às crianças. Um filme que leva o público a um estado de êxtase por quase uma hora e meia.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Enigma de Kaspar Hauser (1974)




Uma complexa fábula das fundamentações do comportamento humano.

Para compreender o Enigma de Kaspar Hauser, que em uma tradução literal seria algo do tipo “Cada um por si e Deus contra todos”, temos, antes de tudo, que mergulhar no universo de seu realizador: o cineasta alemão Werner Herzog.

Costumeiramente associado à imagem de alguém cuja sanidade mental é questionável; de difícil compreensão e de difícil relacionamento, poucos atores se atrevem a trabalhar com Herzog, até porque já houve relatos de Herzog ameaçar atirar em atores que cogitavam não terminar o filme. De fato o diretor não poupa esforços para converter para tela seus devaneios – o que se nota sobremaneira, por exemplo, em Fitzcarraldo. Seus filmes exalam, afinal, uma visão extremamente particular, funcionando em muitos casos como auto-retratos do diretor.

Frequentemente retrata personagens quixotescos, grandes aventureiros com sonhos quase impossíveis de serem realizados que beiram à loucura, ou então, personagens impulsivos, com largos vícios e obsessões. Isso quando não são ambas ao mesmo tempo. É importante, contudo, reparar que em sua imensa maioria, são personagens desajustados em seu meio. Seja ele a natureza, ou a sociedade urbana. Não é, pois, difícil entender o porquê de Herzog identificar-se com a história de Kaspar Hause, que é, provavelmente, a hipérbole máxima da lúcida loucura de Herzog.

A trama baseia-se na história real de um jovem que é encontrado, em 1928, em Nuremberg, estático em uma praça com um braço esticado e uma carta em sua mão. Mal conseguia sustentar-se de pé. Após aprender a falar, descobriu-se que o rapaz ficara trancado por 15 anos, desde seu nascimento, em um porão escuro, sem nunca ter visto outro ser humano ou sequer a luz do sol. Apesar do aparente apelo melodramático, não espere sentimentalismos por parte de Herzog. Aliás, a frieza na condução da obra merece aplausos. Além disso, a narrativa, por vezes, utiliza de cenas avulsas para modelar cenas oníricas de forma genial. Afinal, os sonhos de Kaspar assumem suma importância no enfoque da trama.

Antes de ser ingressado na sociedade Kaspar dizia não sonhar, mas também é sabido que no começo de sua vida urbana, antes de ser corrompido pela lógica esquemática da sociedade, ele tinha sérias dificuldades para diferenciar o que era sonho da realidade. Então, muito possivelmente, quando Kaspar estava isolado, ele de fato sonhava, mas seus sonhos eram restritos ao mundo até então por ele conhecido. E por nunca sair do porão escuro, seus sonhos confundiam-se com a própria realidade.

É desse modo sofrível que Kaspar tem que se adaptar aos moldes dessa sociedade do séc XIX, e todos os convencionalismos nela existentes deixam-no extremamente perplexo. Kaspar não entende, por exemplo, por que as maçãs amadurecem, e a única resposta que lhe dão é: porque deus quis. Ou até mesmo a sua incapacidade de entender como pode deus ter crido tudo, á partir do nada, e prontamente lhe respondem: Você deve acreditar no mistério da fé, sem procurar entender.

Repleto de simbolismos, o piano corresponde a uma metáfora que representa a adaptação de Kaspar aos paradigmas da sociedade. Ao chegar lá, Kaspar não sabia o que era um piano, pois nunca o tinha visto. Algum tempo depois, sabia do que se tratava, e também aprendera as suas primeiras notas. Em seguida, lia partituras. Até que ao final, completamente incorporado a sociedade, tocava Mozart com maestria.

No que tange às atuações, esse é um daqueles raros filmes em que o personagem principal é o termômetro da obra; se a atuação não fosse boa todo o filme seria colocado em xeque. Graças ao seu ligeiro retardo mental (isso se levarmos em conta a concepção da nossa sociedade, do que vem a ser esse termo), á sua estranheza por essência, e as suas peculiaridades, e, por que não, ao seu olhar lisérgico que só pode ser comparado com o de Bela Lugosi como Drácula, Bruno, que fora achado trabalhando como um músico de rua por Herzog, serviu como um heterônimo de Kaspar Hauser.

Nessa Obra-prima, Herzog nos convida a conhecer o mundo sob a ótica de uma mente pura, a partir da qual podemos ter deslumbramentos inusitados, num ponto de vista deveras imparcial desprovido das inclinações que nós mesmos temos; Imagine o mundo sem esse mundo de convenções, padrões, parâmetros e conceitos pré-fabricados não se sabe por quem, ou de onde surgiram ou se realmente são convenientes, sabe-se apenas que regem cada faísca de pensamento que temos. Moldam, irremediavelmente, toda nossa existência, e certamente, impossibilita-nos de ir além. Kaspar Hause é a prova disso.


Obs: Proponho aqui uma breve reflexão. Tente resolver este interessante enigma que é apresentado no filme: Suponha que você esteja em uma estrada. E que essa estrada se ramifique em duas, sendo que cada ramificação termina em uma aldeia. Uma é a aldeia da mentira, na qual tudo que os habitantes falam são mentiras. A outra é a aldeia da verdade, na qual todos os habitantes dizem apenas a verdade. Você, na estrada, depare-se com uma pessoa e intenta saber de qual aldeia ela veio. Que pergunta deve ser feita de modo a descobrir a origem dessa pessoa?

sábado, 24 de julho de 2010

Os melhores dos anos 90, pela comunidade do orkut

Foi aberto um tópico em nossa comunidade no orkut com o objetivo de eleger os melhores filmes dos anos 90, nos mesmos moldes usados para a lista dos anos 2000. Caso você queira participar das próximas listas, basta entrar em nossa comunidade e responder os tópicos referentes à Top 10 clicando no link "orkut" logo abaixo do banner. A lista final é a seguinte:


1. Pulp Fiction de Quentin Tarantino (Ícone da cultura pop, vencedor da Palma de Ouro, Pulp Fiction consagrou Tarantino no hall dos grandes diretor. Tão influente que conseguiu fazer a surf music voltar ás paradas de sucessos. Três histórias contadas contadas em sequência , todas marcadas com uma direção presente, montagem dinâmica, atuações brilhantes e um roteiro baseado em diálogos afiados fazem de Pulp Fiction uma obra-prima do cinema moderno)


2. O Silêncio dos Inocentes de Jonathan Demme (Dando sequência à saga do psicopata Hannibal Lecter, iniciada cinco anos antes no pouco conhecido Dragão Vermelho (também conhecido como Caçador de Assassinos) de Michael Mann, tira Brian Cox do papel principal para por no lugar Anthony Hopkins, que faz uma das melhores interpretações da história como esse assassino, frio e calculista. Destaque também para a Jodie Foster, que venceu o segundo Oscar de Melhor Atriz por esse filme)


3. Central do Brasil de Walter Salles (Fernanda Montenegro brilha à parte nesse tocante road-movie, atravessando metade do país para levar um jovem Vinícius de Oliveira para sua família, no nordeste. Destaque também para a trilha sonora que incorpora bem o clima geral da obra)


4. Forrest Gump de Robert Zemeckis (Zemeckis sempre foi um diretor inovador no ramo dos efeitos visuais. Começou com De Volta Para o Futuro, depois fez o Uma Cilada Para Roger Rabbit até chegar nesse Forrest Gump, onde usa CGI para realizar encontros do personagem de Tom Hanks com figuras históricas americanas)


5. Um Sonho de Liberdade (Provavelmente a melhor adaptação de um livro de Stephen King, Um Sonho de Liberdade usa as atuações de Tim Robbins e Morgan Freeman, ambos em ótima forma, para contar a história de um prisioneiro, do qual não temos certeza se é culpado ou inocente, tentando fugir da prisão)


6. Os Bons Companheiros de Martin Scorsese (embora Martin Scorsese seja um diretor extremamente eclético, ele acabou ficando mais conhecido pelos seus filmes de máfia, e o melhor desses, certamente, é Os Bons Companheiros. Retrata o a vida de Henry Hill e seu envolvimento com a máfia. Um filme que se destaca pela montagem ágil e pelas atuações excelentes, principalmente a de Joe Pesci, que recebeu seu Oscar como coadjuvante por esse filme)


7. A Lista de Schindler de Steven Spielberg (Uma abordagem bem fria do holocausto, comparável à feita pelo documentário Shoah, com uma trilha sonora magnífica de John Williams, é um filme pertubador pela sua frieza e pelo realismo)


8. Los Angeles - Cidade Proibida de Curtis Hanson (O gênero noir nasceu com Relíquia Macabra, de John Huston em 1941 e morreu com A Marca da Maldade, de Orson Welles em 1958, mas mesmo após a sua morte, deu alguns suspiros, como em Chinatown, de Roman Polanski e nesse brilhante Los Angeles - Cidade Proibida, reunindo intrigas, policiais, Femme Fatales na Los Angeles dos anos 60. Uma obra extremamente nostálgica)


9. Beleza Americana de Sam Mendes (primeiro filme do diretor Sam Mendes que já lhe rendeu um Oscar de Melhor Diretor, conta a história de um homem em crise de meia-idade que tem que lidar com uma série de conflitos dentro de sua própria casa. Mais do que um filme, Beleza Americana é um manifesto contra a hipocrisia da classe média americana que se esconde sob uma máscara de família modelo. Uma obra-prima com fotografia e trilha sonora magníficas)

10. Trainspotting de Danny Boyle (primeiro trabalho de Danny Boyle, vencedor do Oscar de Melhor Diretor por Quem Quer Ser um Milionário, é considerado por muitos, inclusive por mim, como seu melhor filme, melhor até do que o Quem Quer(...). Baseado no livro de Irvine Welsh e passado na Escócia, segue os passos de um grupo de jovens que se entregam ao vício da heroína. Com cenas surreais, situações bizarras, diálogos memoráveis, montagem ágil e direção presente, Trainspotting se tornou um ícone de toda uma geração e ajudou a alavancar a carreira de Ewan McGregor para o estrelato)


Top 30:

11 - Cães de Aluguel
12 - O Sexto Sentido
13 - Clube da Luta
14 - Fargo
15 - O Resgate do Soldado Ryan
16 - Coração Valente
17 - O Rei Leão
18 - Quero Ser John Malkovich
19 - Perfume de Mulher
20 - Os Imperdoáveis
21 - O Show de Truman
22 - Lanternas Vermelhas
23 - A Espera de um Milagre
24 - Esqueceram de Mim
25 - Melhor É Impossível
26 - Antes do Amanhecer
27 - Edward Mãos de Tesoura
28 - Magnólia
29 - O Grande Lebowski
30 - O Profissional

Menções Honrosas:

Os Suspeitos
Toy Story
As Pontes de Madison


E então? Gostou da lista? Odiou? Faltou algum filme? Não se esqueça de deixar seu comentário.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)


“Pensamentos avulsos para o Dia dos Namorados, 2004. Hoje é um dia inventado pelos fabricantes de cartões para fazerem as pessoas se sentirem como bosta.”

Pense bem: se um dia acordasse de manhã, em sua velha cama, sentido que existe algo estranho em sua vida que você nunca tinha percebido, e que você precisa tomar uma providência ou ficará louco, como uma mosca em sua mente, o que você faria? Seguiria seus instintos? Iria ao trabalho e ignoraria tudo, fingindo não haver nada? Romântico, impulsivo, desconexo e apaixonante, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças irá lhe fazer pensar do começo ao fim.

Joel Barish (Jim Carrey) acorda de manhã e não vai ao trabalho. Não sabe por que, mas precisa ia para Montauk, onde conhece Clementine Kruczynski (Kate Winslet), garota por quem se apaixona a primeira vista. Ela exagerada e impulsiva, ele calado e sem graça, uma combinação interessante, não? Bom, não é assim tão simples, pois quando menos se espera uma reviravolta acontece e tudo vai ao avesso quando Joel descobre que Clementine usou um método bastante peculiar para apagá-lo da memória, culpa de uma empresa especializada no ato. Ao descobrir, Joel entra em depressão, decidindo submeter-se ao experimento assim como sua amada.

Com um dos títulos mais atraentes que eu já vi, dirigido por Michel Gondry e com roteiro escrito por Charlie Kaufman, o filme teve um orçamento de 35 milhões e conta com atores como Jim e Kate, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood. Indubitavelmente, Kate Winslet foi o brilho de Brilho Eterno. Uma atriz esplêndida que fará com que qualquer um que assista a esse filme se apaixone instantaneamente – homens, em sua maioria, claro – pelos seus cabelos azuis, verdes e vermelhos.

Apesar do vácuo que lhe deixa certos trechos, todo ele lhe faz pensar e bolar teorias, o que eu mesmo fiz várias vezes, dando pause e voltando alguns momentos. Além do mais, são esses tais trechos que fazem da obra o que ela é: surreal. Nela conhecemos os lados bons e ruins desse casal tão fantasticamente diferente, mas estranhamente atraente.

Caro cinéfilo, se não o assistiu ainda, assista-o, mas o faça sem ler spoilers ou coisas do tipo, pois tanto a indignação no desenrolar quanto a satisfação de ter visto algo bem feito serão maiores, o que simplesmente não terá preço. Para quem curte lobotomia, surrealismo, Jim Carrey fazendo drama e Kate Winslet... Bom, de qualquer jeito, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é uma ótima pedida.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

“Toy Story 3”, “Shrek para sempre” e o futuro das animações




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Em 2010, duas das mais famosas franquias de animação tiveram seu capitulo final. E não são filmes quaisquer. Um deles é Toy Story 3, que encerra a serie que consagrou a Pixar. O outro, Shrek para sempre, a mais lucrativa franquia da Dreamwoks animation. Eu como fã de filmes de animação desde criança, fiquei ansioso para assistir esses dois filmes, ambos em 3D. Proponho aqui uma comparação entre essas franquias, desde quem os produziu até seu capítulo final. Para entender a comparação entre esses filmes, voltemos do início da história, ou seja, quem os produziu. Vejamos quem são essas empresas.

Primeiro, temos a Pixar, especializada em alta tecnologia de computação gráfica. Vencedora de vários Oscar de animação (Wall-E, UP - Altas aventuras, Ratatouille, Os incríveis, e procurando Nemo). Foi responsável por lançar o primeiro longa-metragem animado por computador, "Toy Story", em 1995 (Alguns consideram o brasileiro Cassiopeia, de 1996, o primeiro). Tem a seu favor a colaboração da Walt Disney. Devo confessar que sou absolutamente fã da Pixar. Alguns motivos: Tem os melhores roteiros de longas de animação; Investe em curtas de animação, sempre com qualidade; Prezam pelo novo, e não por inúmeras continuações que não acrescentam em nada.

A grande rival da Pixar é a Dreamwoks animation, vencedora do Oscar de animação por Shrek, e que ainda colaborou em Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais (Também vencedor do Oscar). Acredito que a diferença fundamental da Dreamwoks animation e da Pixar, seja o fato de que a Dreamwoks preza por filmes que sejam sucesso de bilheteria, na medida do possível engraçados, que costumam agradar apenas as crianças, enquanto são da Pixar as animações mais inteligentes, que fazem sucesso com crianças e adultos.

Feita uma breve apresentação das empresas, vamos para as franquias. Tudo começou em 1995, quando a Pixar lançou Toy Story, filme em que os brinquedos têm vida. Em 1999 veio Toy story 2, e a franquia chegou ao fim em 2010. Mas esse final fica pra depois. No geral, A saga conta a história dos brinquedos do menino Andy, na visão dos próprios brinquedos. Os personagens principais são o caubói de pano, Xerife Woody, e o patrulheiro espacial Buzz Lightyear, alem de Slinky, um cão com molas, Porquinho, Sr. Cabeça de Batata e Rex.

Já a franquia Shrek tem um ogro verde como personagem principal. Sempre tendo ao seu lado os amigos burro e gato de botas, e sua amada, a princesa Fiona. O filme traz uma sátira a vários contos de fadas e a muitas tradicionais histórias infantis. O primeiro longa foi lançado em 2001, e venceu Oscar de melhor animação. As sequências chegaram aos cinemas em 2004, 2007 e 2010. A franquia trouxe varias novidades para as animações, como as musicas POPs e o tom de piadas. É o maior sucesso de bilheteria dos filmes de animação.

Enfim, apresentadas as origens dos filmes Toy Story 3 e Shrek para sempre, vamos a eles. Confesso que estava ansioso por assistir o capítulo final dessas duas séries, pois sou fã de ambas. Apesar de considerar a Pixar muito superior a Dreamworks, comparando essas duas franquias de animação, sem assistir seus capítulos finais, poderia dizer que as considerava equivalentes em qualidades. Considerava.

Primeiro assisti Toy Story 3, e digo a vocês, poucas vezes me surpreendi tanto (positivamente) com a qualidade de um filme. A terceira e última parte da serie encerrou com brilhantismo a história. Agora com 17 anos, Andy deixa sua casa para ingressar na faculdade. Mas o que fazer com os brinquedos que tanto amava na infância? Uma opção seria guardá-los no sótão, outra seria doá-los para uma creche, ou ainda jogá-los no lixo. Difícil para Andy se desfazer dos seus brinquedos, mais difícil ainda para os próprios brinquedos. O filme mostra a luta do Xerife Woody junto de seus companheiros para permanecerem juntos, e também permanecer com aquele que sempre foi seu dono. Novos personagens (devo dizer que a entrada de Barbie e Ken na história foi Hilária), os brinquedos vilões, e uma aventura totalmente nova. Quem já era fã de Toy Story, ficou ainda mais fã, e quem não era, passou a ser. Presença certa na lista dos indicados a melhor animação nesse ano, e com grandes chances de vitória. O roteiro foi muito bem escrito, pois proporcionou uma série de novidades na trama, ao mesmo tempo em que encerrou de forma bela e emocionante a franquia. E que belo final é esse? Corra para o cinema para acompanhar.

Depois, assisti Shrek para sempre, quarto e último filme do ogro. Eu tinha uma boa expectativa do filme, porem, não demorou muito para que eu percebesse que o ogro teria uma despedida discreta. O filme apela para as piadas já realizadas nos três primeiros longas e que deram certo, mas usadas novamente, perderam a graça. Sem contar que sem ter para onde continuar a história encerrada no terceiro filme, Shrek para sempre tenta começar de novo, pensando em como tudo seria diferente se Shrek não tivesse salvado Fiona da torre do dragão. Não chega a ser um filme ruim, longe disso, é um passatempo interessante no cinema, porem, não manteve o nível dos episódios anteriores, e por isso acaba decepcionando.

Enfim, as duas séries de animação mais famosas dos últimos 15 anos chegaram ao fim. E agora? Que filme vai substituir Toy Story na Pixar? E quem vai substituir Shrek na Dreamworks? Vamos aos candidatos.

A Pixar vai lançar em 2011 “Carros 2” e em 2012 “Monstros S.A. 2”, ambos candidatos a e substitutos de Toy Story. Também em 2012, será lançado um novo filme, chamado “Brave”, escrito e dirigido por uma mulher (Brenda Chapman) que vai contar a história de uma princesa que tenta se tornar arqueira. A Pixar não costuma errar, por isso esses três títulos tem tudo para ser bons filmes. A Pixar costuma ser resistente a continuações, e só faz filmes se realmente tiver boas histórias. Esse cenário parece que está mudando, com as continuações de “carros” e “Monstros S.A.”, porem, os sucessos vencedores do Oscar “Procurando Nemo”, "Os incríveis", "Ratatouille" e "Wall-E não tem nenhuma previsão de continuação.

A Dreamworks parece já ter escolhido o substituto de Shrek. Trata-se do filme Kung-Fu Panda, que teve grande bilheteria com o primeiro longa, e que terá a segunda parte lançada em 2011. Outro possível substituto é o filme “Como treinar seu dragão”, lançado esse ano, e que deve representar a Dreamworks na disputa pelo Oscar de animação. O segundo filme do menino viking deve chegar aos cinemas em 2013. Em 2010 tem ainda o lançamento do politicamente incorreto "MegaMind. Em 2011, o Gato de Botas de "Shrek" ganha seu próprio filme (ou seja, o ogro se despediu, mas seus amigos continuam por ai). E em 2012 “Madagascar” terá o seu terceiro filme.

Agora, só nos resta esperar para ver como será o futuro das animações. Lembrando que não só a Pixar e a Dreamwoks produzem animações, muito pelo contrario, existe muita coisa boa por ai. É um gênero forte desde os grandes clássicos da Disney em animação tradicional, e que ganhou ainda mais força com as animações computadorizadas. Mas é fato que Os brinquedos com vida, e o ogro verde marcaram a história dos filmes de animação. Espero que ótimos filmes continuem sendo lançados, pois é um gênero que pode ser assistido por toda a família, que diverte e emociona quem assiste.