domingo, 11 de abril de 2010

A Mulher por Traz do Homem



“Por traz de todo grande homem, há sempre uma grande mulher.”


Que Alfred Hitchcock foi um gênio inigualável todos sabem, se não sabe fica sabendo, mas o que, de fato, poucos sabem é do papel fundamental de sua mulher, Alma Reville, em suas obras. Além de musa inspiradora do mestre do suspense, cabia a ela a posição de conselheira. De maneira que muitos dos nuances irônicos, dos toques sarcásticos e até mesmo algumas partes estruturais do próprio roteiro era, na verdade, de autoria de sua esposa que o conhecera enquanto trabalhavam juntos na Paramount. Alma, além de assistente/colaboradora foi roteirista e editora e até hoje não se sabe distinguir bem o que de fato é fruto da mente de hitchcock e o que foi idéia de Alma, porém, sabe-se que Alma foi essencial em diversos longas do diretor. Com um olho afiado, uma mente ágil e nenhum escrúpulo, Alma percebia erros de continuações que ninguém da produção conseguia notar, nem sequer Hitchcock.

Outro aspecto importante para se notar quando se fala de Hitchcock é de sua sina em torturar mulheres. Mulheres essas sempre bonitas e loiras – As loiras fazem melhores vítimas, elas são como virgens que mostram a pegada sangrenta – diz Hitchcock. Era tamanho o grau que não contente em matá-las simplesmente, ele as torturava de diversas formas: esfaqueadas, enforcadas, atiradas de torres, mutiladas por pássaros, etc. Quando não as matava ou torturava, ele as impunha inclinações duvidosas, em muitos casos elas eram ladras ou tinham aspirações ao erro, como se vê em Marnie, Ladrão de Casaca ou até em Psicose. No tocante à Psicose é inevitável lembrar da cena do banheiro, na qual Janet Leigh é esfaqueada até a morte. Essa cena causou espanto nas pessoas da época, pois Janet era uma “queridinha dos EUA”, o que vale comparar aqui, guardadas as devidas proporções, a uma Sandra Bullock. Se tratando de épocas tão diferentes vale lembrar ainda que naquela época tinha-se o hábito de ver cinema não apenas como entretenimento, mas como fonte de cultura, sendo assim, era comum entrarem no cinema com já transcorridos 60 minutos de filme. Agora, imagine entrar no cinema e dar de cara com uma Janet morrendo dessa forma. Foi espantoso.

Enfim, pelo que foi dito vê-se claramente uma sina por reduzir mulheres tão belas, tão invejadas, ao nada, ao aniquilamento total. Com isso a pergunta que fica é: Seria essa apenas uma estranheza hitchcockiana ou seria ciúmes da mulher de Hitchcock que estaria realizando o sonho de qualquer mulher?